sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Prenderam o sujo. Quando vão pegar os mal lavados?

“Infelizmente, hoje em dia não existe ninguém na política brasileira que possa acusar o governador Arruda ou levantar a bandeira da honestidade de forma absoluta. Caso alguém o faça, será, como dizem no linguajar comum, o sujo falando do mal lavado".
Humberto Dantas, cientista político.

A prisão de um governador no exercício do mandato, fato sem precedentes na história republicana, é apenas a ponta de um iceberg mal cheiroso que revela a existência de um verdadeiro mar de lama na gestão do Estado brasileiro.
José Roberto Arruda, 56 anos, mineiro de Itajubá, era franco favorito nas eleições de 2010 até que o Ministério Público e a Polícia Federal passaram a contar com a colaboração de seu principal operador na captação e distribuição de propinas, em negócios sujos, comuns em todo o país, envolvendo políticos sem escrúpulos e empresários insaciáveis.
Seu governo era um amplo arco político, envolvendo partidos de todos os matizes, inclusive o seu DEM, PSDB, PMDB, PR e PDT. Até estourarem os primeiros filminhos da coleção particular do seu secretário Durval Barbosa, tinha-se como certa uma aliança na qual o senador pedetista Cristóvão Buarque tentaria a reeleição no mesmo palanque.
Meliante de ficha suja
Arruda não era marinheiro de primeira viagem. Formado na escola da corrupção dos órgãos do Distrito Federal, onde muitos políticos e empresários fizeram fortunas desde os primórdios da Novacap de JK e Israel Pinheiro, o engenheiro eletricista já havia sido pilhado com a mão na massa em 2001, quando foi forçado a renunciar ao mandato de senador pela violação do painel eletrônico do Senado, junto com o falecido ACM, durante a votação do processo de cassação do seu colega e mega-empresário Luís Estévão.
Nesse episódio, Antônio Carlos Magalhães acusou a então senadora Heloisa Helena de ter votado pela absolvição de Estévão, pilhado em superfaturamento e desvios de verba nas obras do Tribunal Regional do Trabalho, em São Paulo, que valeram a prisão do juiz Nicolau dos Santos Neto.
O que levou o STJ a determinar sua prisão foi a tentativa de suborno do jornalista Edson Sombra, uma figura típica do mundo midiático local. Através de um auxiliar, que tentou apontar como farsante, Arruda mandou comprar um depoimento de encomenda com R$ 200.000,00 de entrada àquele que estava por trás das denúncias negociadas pelo operador, já investigado desde o governo Roriz, onde, aliás, o governador preso iniciou sua carreira política como chefe de Gabinete.
Isso tornou inevitável a decretação de sua prisão. Ele estava tentando manipular os depoimentos, como forma de evitar sua condenação, apesar da coletânea de filmes reveladores.
O espetáculo da impunidade
Presume-se que sua prisão fecha todas as portas para que continue à frente do governo do Distrito Federal. Como seu vice, o empresário Paulo Otávio, também está sendo investigado, não será surpresa se o STF acatar o pedido de intervenção, formulado pelo procurador geral da República.
Vistos e revistos os fatos relatados, sobram indagações das pessoas decentes que ainda tentam acreditar na viabilidade do regime democrático: e os outros bandidos políticos, quando serão objeto do mesmo tratamento de choque?
Até hoje, não se sabe da prisão de nenhum cartola envolvido no mega mensalão federal, capitaneado por José Dirceu de Oliveira e Silva, chefe da Casa Civil do presidente da República, hoje um dos principais formuladores da campanha de Dilma Rousseff, a candidata que Lula tirou do bolso do colete.
Nem de tantos outros protagonistas de um balaio de crimes contra o erário, todos minuciosamente detalhados pela Polícia Federal.
Ao contrário, o espetáculo da impunidade mostrou seus relevos no próprio âmbito da Justiça, quando o presidente do STF, o diamantino Gilmar Ferreira Mendes, mandou soltar duas vezes o banqueiro Daniel Dantas e ainda, de quebra, abriu processo contra o juiz Fausto Martin de Sanctis, uma espécie de emblema do que ainda existe de íntegro nesses podres poderes, ímpeto que alcançou também o delegado Protógenes Queiroz, punido após ter se recusado a livrar o banqueiro, mediante oferta filmada de R$ 1 milhão.
Se Arruda foi mal na tentativa de suborno de testemunha, não vejo diferença na conduta do então ministro Antônio Palocci, envolvido na quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Santos Costa, testemunha ocular dos bacanais da nova elite na Brasília desvairada do Lago Sul.
Ambos os atos tinham o mesmo afã de desclassificar ou subornar testemunhas. Palocci, no entanto, foi totalmente inocentado no Supremo e não se falou mais nisso. Hoje, pontifica como um dos homens de ouro do PT e pt saudações.
Regime fernenta seu apodrecimento
Tais exemplos servem para demonstrar o que já disse aqui: com raras exceções, a corrupção campeia de cabo a rabo nos podres poderes da República. Ela é decisiva em todos os entes públicos – a começar pelas câmaras municipais, muitas delas beneficiadas por mensalões paroquiais oferecidos por empresas de ônibus e empreiteiros.
No entanto, de tanto banalizarem tais delitos, ninguém se sente roubado ou disposto a estrebuchar. A sociedade acostumou-se com a fatalidade da patifaria. No Brasil emasculado de hoje, existem dois tipos de corruptos: os do armário e os já pilhados; os das nossas cores e os adversários.
Há alguém mais mal lavado do que o todo poderoso senador José Sarney, cujas façanhas criminosas são dissecadas em detalhes por Palmério Dória em seu livro “Honoráveis bandidos?”
O xilindró do governador José Roberto Arruda é o de toda essa canalha que se dedica 24 horas por dia a meter a mão no dinheiro público de um país campeão em extorsão de impostos, comprometendo a democracia representativa, tão trôpega que fermenta seu próprio apodrecimento, tornando-se letra morta ante a hegemonia ostensiva e festejava de quadrilhas de todos os matizes e naipes.
Resta saber se a abundância de delitos fará a sociedade perceber que sua omissão é ingrediente cavalar desse triste espetáculo criminoso.

10 comentários:

  1. Salvo engano, V.Exa. não migrou do PDT para o PSDB? Há tempo sem resposta....

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  2. Anônimo10:08 AM

    Eu acho que o Porfírio foi para o PSDB, porque não achou MERDA melhor, na cidade do Rio de Janeiro.

    Nossos grandes partidos políticos estão PODRES e não merecem o voto de quem luta por uma sociedade mais justa.

    Enquanto nós formos escravos das nossas emoções, principalmente a ganância e consequentemente aculturados, entreguistas e hipócritas, nada mudará no PATROPÍ.

    Feliz 4010 !!!
    Leozola Brinel

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  3. Anônimo10:26 AM

    Prezado Porfírio,

    Do jeito que as coisas vão na política brasileira, o melhor seria que abrissem as celas das cadeias. Com certeza os presos que ali estão são mais honestos do que os nossos políticos.
    O Brasil não merece os políticos e a justiça que possui.
    Abraços,
    Iacaputo

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  4. BOM DIA PEDRO!!!
    COMO VOCE ESCREVEU, É O SUJO FALANDO DO MAL LAVADO.
    BEM, PELO MENOS É UM SUJO A MENOS ( não se sabe por qto tempo)SOLTO. QTO AO COMENTÁRIO FINAL, LAMENTO INFORMÁ-LO MAS O CARIOCA, PAULISTA, BAIANO, PENAMBUCANO E OUTROS ESTÃO PREOCUPADOS COM O CARNAVAL.
    CIRCO E PÃO, FALTANDO APENAS JOGAR ALGUÉM PARA SER LITERALMENTE COMIDO PELAS FERAS.
    ABÇS E FELICIDADES.
    Maroildo Oliveira-RJ

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  5. Anônimo11:38 AM

    A diferença é que os ladrões do pt tem "moral ilibada" , xomo diz o genuíno boca de caçapa ( o deus oper[ario chama de "aloprados"). A rigor todos merdas de mesmo intestino. Ontem teve um programa politico na TV. Primeiro tirei o áudio (praxe), mas quando vi o lobo pelego vendilhão e as bandeiras do falecido pdt, desliguei o aparelho da tomada, para não contaminar o ambiente. PP, vc deve responder aos patrulheiros petralhas sobre sua ida para o original neo-capitalismo. ao invés do genérico que edtá no poder.

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  6. Antes de definir partidos, decidi traçar caminhos sólidos para enfrentar a impostura dessa farsa de macacão, que causa mais danos ao povo pelo discurso mentiroso. Onde quer que eu esteja, serei o mesmo combatente. Não me prestarei é a ser bucha de canhão desses canalhas ladrões e propineiros que querem se perpetuar no poder para servir aos interesses das classes dominantes. Na crise do ano paassado, graças ao "companheiro" Meireles, os bancos ganharam mais ainda, bateram recordes. Este dado fala por si.

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  7. Ilustre Jornalista, as trampolinagens do sr. José Dirceu e as bacanais (políticas, sociais e sexuais) do sr. Palocci, certamente, escondem as praticadas por outros graúdos personagens do PT, não tenho dúvidas. Quanto ao sr. Arruda, entendo que ele, pilhado pela segunda vez, é um contumaz embusteiro das trampolinagens palacianas que são praticadas diariamente país afora. Entendo que ele (Arruda) por ser "bagrinho" nesse contexto de corrupção nacional, está servindo de "boi de piranha" para encobrimento de outras altas façanhas desonestas de grandes grupos político-partidários brasileiros. No caldeirão da desonestidade e corrupção nacionais, os verdadeiros responsáveis, no meu entendimento, jamais se livrarão da IMPUNIDADE e nunca serão objeto de julgamento, mormente, com um judiciário absorvido por levianos magistrados, naturalmente comprometidos com banqueiros e empresários, enquanto são punidos juizes de primeira Instância e delegados que descobrem que o "reo está nú". Para todos os membros do governo, certamente, existem a invocação: VIVA A HIPOCRISIA!!! Aos meus setenta e tres anos de idade não creio em mais nada neste nosso sofrido País. parodiando Rui Barbosa, hoje em dia, TENHO VERGONHA DE SER HONESTO. Respeitosamente, Solimar Gomes Leitão.

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  8. Anônimo11:04 AM

    É isso aí, manos !!!

    Nossa sociedade é uma FARSA, imposta pelos "espertos" e aceita pelos "trouxas".

    Chóro, quando lembro que as roubalheiras internas (alguns Bilhõeszinhos) são mixarias perto do "ENTREGUISMO" das nossas riquezas minerais, animais, vegetais, industriais, financeiras e agrícolas (alguns Trilhõeszinhos).

    Lula/Dilma e FHC/Serra são faces da mesma moeda e lacaios da Ditadura Financeira Mundial do G7, com comando anglo-americano e sede em Londres.

    A frase de Rui Barbosa continuará atual até que realizemos uma revolução interna para controlar nossas emoções, principalmente a nossa GANÃNCIA.

    A sociedade é feita da soma das individualidades.

    Ou não ????

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  9. Prezado Pedro Porfírio, Saudações
    O respeito que tenho pela sua pessoa me leva a confiar em suas palavras; mas peço
    que leia minha colocação sobre sua tese e pela confiança que tenho na sua pessoa, principalmente por ter sido preso como jornalista rebelde e sofrido nos grandes porões,
    da ditadura. Me esclareça a confusa iniciação do comunismo que a meu ver nada mais era do que a luta contra os coronéis que mantinham o cidadão ainda como escravos não permitindo jamais a Reforma Agrária, distribuição de renda, ou qualquer benefício.
    Comandante de uma extraordinária e revolucionária marcha, a Coluna Prestes, e líder do Partido Comunista Brasileiro (PCB) por mais de 50 anos, Luís Carlos Prestes foi uma das figuras da América Latina mais perseguidas do século XX. Nascido em Porto Alegre (RS), cursou a Escola Militar do Rio de Janeiro. Porfírio seu espaço não permite continuar portanto comentei em Protógenes contra a corrupção expondo o meu ponto de vista e dúvidas.
    com respeito,
    http:marildacdeolieira.blogspot.com.br

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.