sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Porque o tempo é senhor, o silêncio pode falar mais alto

Escoltado pelo "comunista" Orlando Silva, ministro dos Espoertes de Lula, Sérgio Cabral foi tirar Tony Blair do sufoco, ante as acusações dos ingleses de má fé no envolvimento do seu oaís na invasão do Iraque.


“Senti vergonha como brasileiro, quando vi uma camisa tão simbólica como a camisa 10 sendo entregue a um criminoso de guerra”.
Paulo Coelho, escritor

Já faz algum tempo que não produzo e não lhes envio uma única linha. O mundo está virando de cabeça para baixo e eu permaneço calado, como se tivesse perdido a voz. Estamos comprando aspargos da China, vendo o mago Paulo Coelho irado com a exumação do cadáver político de Tony Blair, outra presepada do Cabral, e não me animo a atirar uma única lança. Logo eu, que vivo dos pingos de letras desde os 17 anos – isto é, há quase meio século.
Muitos não sentem falta das minhas prosopopéias. Alguns, porém, as nutrem. Habituaram-se a elas. Oswaldo, mais que advogado, quase um anjo da guarda, é o primeiro a cobrar uma peroração qualquer. Não admite o meu sumiço do seu computador. Não aceita que me suma de mim mesmo.
Devo-lhe oxigênio, carinho e respeito. Pelo que entendi da vida, se há uma única alma a quem teu canto encanta, a sonata de tua inquietação é tão devida como se a uma numerosa turba.
Eis a confissão de dívida. Somos prisioneiros de quem cativamos. Nem os próprios embaraços pessoais nos desembaraçam dessa síndrome benigna.
Disso eu sei e disso não me furto, nem que o mundo caia sobre minha cabeça vulcânica.
O diabo é a torrente de indignidades que se despeja em enxurradas patéticas, num círculo de alto teor lobotômico, enfeixando cargas letais de esquizofrenias, depressão e industriada inconsciência social.
Prostra-me, sim, repito mais uma vez, a total ausência de elementos críticos na indução dos hábitos. O culto servil da alienação.
A internet, como tudo na civilização, é uma afiada faca de dois gumes. Dois ou mais.
O comum é a automatização no repasse de veleidades espargidas por gente amarga, sem pé e sem cabeça, sem noção do passado e do futuro. O jogo da mentira atravessa mares nunca dantes navegados. Uma torcida implacável de interesses contrariados, feridas não cicatrizadas, ambições insaciáveis e vaidades descomunais carrega suas tintas sobre uma rede eletrônica que só não explode porque não tem olhos, nem ouvidos.
Na roda viva da moderna individualização dos silogismos e dos aforismos parvos, a audição e a visão foram esmagadas pela transformação dos seres humanos em máquinas falantes de sensibilidade programada, perdidas no desencanto estéril e desencontro enganoso que agridem o bom senso e fulminam a lucidez, feita inconveniente e dispensável.
Isso afeta gravemente a quem acha que a palavra pensada é a última flor do Lácio, com seus inerentes poderes de alerta e convencimento. Afeta e afoga ao produzir a apocalíptica sensação de que o sonho acabou, destituindo o homem de toda e qualquer virtude, da pureza das utopias, restando-lhe tão somente a corrida sórdida para si e para os seus dos subprodutos de uma civilização eivada dos piores ingredientes do pragmatismo arrivista.
É como se fossemos golpeados antecipadamente pelo aviso da inutilidade das polêmicas incisivas e da inviabilidade do proselitismo crítico.
Tudo o que possa vir à mente parece exaurir-se na muralha erguida pela tecnologia do amém, pela bitola virtual que conduz à vala comum da pequenez abjeta, da cumplicidade inconsciente, da banalização da indulgência.
É penoso cavalgar no pântano, até porque a má sorte está lançada nas asas da mediocridade triunfante, essa borbulhante usurpadora, sustentada pela vassalagem torpe.
Bem que eu queria trançar minha inquietação com a sua, partilhar honestamente das minhas insatisfações, dúvidas e até das poucas luzes que emanam de momentos raros.
Mas não sei, sei não. O pior que me pode acometer é a idéia de um visitante indesejado, cujas palavras incomodam e cujo inconformismo afigura-se jurássico e perdido no tempo e no espaço.
Esse é o perverso ingrediente do silêncio imobilista, que começa a falar mais alto ante a única certeza visível: o tempo é o senhor, é o mestre, e a vara de condão.
É dele que espero o sinal cristalino, cujo poder inesgotável haverá de remover montanhas.
E nos tirar desse breu macabro.

Enquanto exportamos minério bruto e soja, compramos qualquer coisa da  China para compensar a balança - até aspargos. Tudo pela glória do nosso "agro-negócio".

3 comentários:

  1. Preclaro Porfírio, também, notei sua ausência e a última vez q te recebi parece-me q vc estava se filiando ao PSDB...Respeitando s/privacidade ideológico/partidária, de certa forma os partidos precisam de uma reforma eleitoral para que possamos saber quem pensa/age como...abs.

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  2. Anônimo10:16 AM

    Se o fifó se apagar, restará o quê ao pobre sertanejo? Trevas. Embora humílima fonte de luz, ele clareia o ambiente e permite ao insone reflexões reconfortantes. Embora sobre o pântano, continue sua caminhada luminosa.Há-de restar uma alma que seja a ser tocada por suas palavras

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  3. Anônimo11:32 AM

    Água dura, em Pedra mole, tanto fura, até que bate. Ou será o contrário ???

    Despreze o "tempo" e continue pregando a busca do "equilíbrio", interno e externo, individual e coletivo.

    Tudo é transitório e mutante......

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.