domingo, 28 de fevereiro de 2010

Nos braços de Cabral, mais uma punhalada na memória do caudilho

"O PDT tem tradição de candidatura própria no Rio de Janeiro e não podemos descartar o fenômeno Wagner Montes, além disso, não concordamos com a política de segurança do Cabral".
Carlos Daudt Brizola (deputado federal Brizola Neto), 10 de janeiro de 2010,na rede de TV CNT, programa “O jogo do poder”.

Lupi mais uma vez renegou Brizola para apoiar Cabral por ordem de Lula. Veja, o projeto de memorial de Brizola, criado por Niemeyer e destruído por Cabral já com a obra adiantada.


Em 1992, quando foi candidato a prefeito do Rio de Janeiro pelo PSDB, Sérgio Cabral Filho espalhou pela cidade um outdoor com a seguinte mensagem: “Quero ser um Marcello sem o Brizola para atrapalhar”.
Então, Marcello Alencar era prefeito filiado ao PDT. Cabral Filho dividia o controle do tucanato fluminense com o banqueiro Ronaldo Cesar Coelho.
Os tempos passaram e Cabral Filho foi para o PMDB. Juntou-se a Garotinho, fez-se seu candidato a governador em 2006, e, antes mesmo de tomar posse, rompeu com o patrono, levando de quebra o vice Pezão, ex-prefeito de Piraí, com 12 mil eleitores, que o ex-governador impôs para ter “um homem de absoluta confiança” no Palácio Laranjeiras.
Cabral Filho pode ter trocado de partido, mas permaneceu com seu discurso e suas práticas elitistas, com os quais pretende sepultar os últimos resquícios de brizolismo no Estado do Rio de Janeiro.
Esta obsessão, aliás, é a única marca do seu governo medíocre. Marca que se materializa com a implantação de muralhas para cercar em verdadeiros guetos 11 comunidades pobres da Zona Sul do Rio de Janeiro, a começar pela Rocinha, sem poupar sequer a Vila Benjamim Constant, na Urca, onde há mais de 50 anos pouco mais de 120 famílias, em sua maioria funcionários (e filhos) do Instituto Benjamim Constant (para alunos cegos), vivem pacificamente.
Essa obsessão é tão inflamada e marcante que o fez mandar destruir a obra em andamento do “Memorial Leonel Brizola”, iniciada pela governadora Rosinha Garotinho, no final da Presidente Vargas, num ato tão mesquinho que dispensou até uma satisfação prévia à família e aos partidários do grande patriota.
Ninguém sinalizou com maior ênfase sua aversão pelo caudilho. E foi mais além: com a eleição de Eduardo Paes para prefeito, o PDT, que o apoiou no segundo turno, ganhou a Secretaria Municipal de Trabalho, objeto dos projetos financiados pelo FAT, a fada-madrinha do Ministério do Trabalho, do pedetista Carlos Lupi.
Este, interessado na cadeia de repasse de recursos, tratou de negociar também a Secretaria Estadual do Trabalho, que seria entregue ao neto do caudilho, deputado federal. Quando viu que o indicado por Lupi tinha o sobrenome do velho, Cabral Filho recusou-se a fechar o acordo proposto e o PDT ficou fora do seu governo.
Não há, como se vê, uma única demonstração de que o dileto amigo de Eike Batista tenha rompido com sua ojeriza em relação a Leonel Brizola. É uma aversão existencial, mas tem muito a ver com as afinidades de Cabral Filho com um certo grupo de interesses, que cresceu na aba do neoliberalismo privatizante.
Quando decidiu manter o atrelamento do brizolismo a Lula (seu maior carrasco) o PDT de Lupi lembrou que Dilma Rousseff foi “companheira” de muitos anos. Esqueceu até que ela abandonou Brizola tão somente para manter-se secretária de Minas e Energia do governador Olívio Dutra (do PT), cargo para o qual havia sido indicada pelo PDT.
Agora, para justificar a adesão incondicional ao governador dos muros sociais, Lupi alegou que as feridas abertas por Garotinho, que também saiu do partido, justificam a decisão anunciada.
O que aconteceu, porém, foi que o PDT foi mais uma vez usado pelo centro do poder, ao qual se entregou de mala e cuia sem nenhum recato.
Cabral Filho exige que Lula feche incondicionalmente com sua ameaçada reeleição no Estado do Rio, embora Garotinho, com seu eleitorado construído no assistencialismo, tenha mais afinidade com a base residual do lulismo.
Sabendo que perder o apoio de Garotinho é uma “furada”, os cientistas políticos do PT bolaram esse contrapeso, entregando ao governador chorão a legenda brizolista na bandeja. O PDT não é hoje aquela fartura de votos de antigamente, mas só não tê-lo ao lado de Garotinho já é uma mão na roda.
Não estou aqui dizendo que o PDT deve aliar-se ao “aliado bastardo” de Dilma. Estou apenas relatando os fatos, até porque, a prevalecer o discurso histórico, o brizolismo sempre se deu melhor e preservou sua personalidade política quando foi de candidatura própria.
Mas me sinto na obrigação de cobrar o mínimo de respeito ao morto, imortal apenas para os queremistas restantes.
Quer cumprir a tarefa, é um direito de quem se apropriou das marcas e patentes, inclusive os herdeiros necessários. O pior já foi feito e o velho foi enterrado mais de uma vez a profundos 21 palmos quando sua legenda cedeu aos encantos das prebendas federais e quando embarcou na canoa de Eduardo Paes, o prefeito que quer resolver o problema da pobreza reeditando a fórmula do falecido Mário Salarini, secretário de Turismo do antigo Distrito Federal e fundador do Clube dos Cafajestes, que já em 1959 apontava a pintura dos barracos como forma de esconder a miséria, proposta que só serviu para inspirar Jota Júnior e Oldemar Magalhães, autores da marchinha carnavalesca “Favela Amarela”, sucesso na voz de Aracy de Almeida.
Mas abre o jogo de uma vez, sem essa de querer dourar a pílula de vida do Doutor Rossi.
Aproveita a adesão encomendada pelo chefe Lula e tenta tirar uma casquinha. Quem sabe não consegue uma ajudinha para os companheiros que não foram contemplados pelos baús da felicidade do Palácio do Planalto e do Palácio da Cidade...

3 comentários:

  1. Porfírio, é altamente suspeito eu tecer elogios a sua postura, afinal fomos e sempre seremos companheiros de luta, onde quer que você esteja.
    Realmente é de dar dó o papel entreguista que está fazendo o Min. Carlos Lupi, Antes de ser dirigente máximo do PDT (posto esse que ele não larga de forma alguma, afinal, pra quê largar o osso). Falava em dar continuidade a filosofia brizolista e que tinha a missão de não fazer morrer a memória do velho caudilho, o que ele tá fazendo justamente ao contrário. Entreguista...

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  2. Anônimo1:46 AM

    Não sabem falar de outra coisa não?!

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  3. Anônimo3:51 PM

    Brizola não deu sorte sequer com o Neto. Esses caras não servem sequer para decorar banheiros de rodoviária com suas fotos. O vaso vai entupir e a merda vai rolar, se assim o fizerem.

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.