domingo, 17 de janeiro de 2010

Só para lembrar: general brasileiro denunciou corrupção como maior problema do Haiti


Um mês após essa entrevista, o general Santos Cruz foi afastado e substituído no comando das tropas da ONU pelo general Floriano Peixoto, que estava em Nova York no dia da tragédia.

19 de março de 2009
General Carlos dos Santos Cruz pede mecanismo de controle para combater desvio de recursos internacionais
Jamil Chade - O Estado de S. Paulo

GENEBRA - O comandante das tropas de paz da ONU no Haiti, o general brasileiro Carlos dos Santos Cruz, denunciou a corrupção com recursos internacionais e alerta que um mecanismo de controle precisa ser colocado em funcionamento para evitar os desvios. O general ainda alertou que a crise financeira internacional ameaça os avanços obtidos no Haiti e pede que as doações sejam mantidas.
Segundo ele, sua missão cumpre seu papel e os índices de criminalidade no Haiti já é quatro vezes menor que a do Brasil. Ele só não sabe quando é que o Brasil poderá sair do Haiti. "Hoje, o Haiti não vive mais um problema militar. O país vive um problema político", afirmou ao Estado o general, que assumiu o comando no início de 2007. A Missão de Paz da ONU no Haiti é comandada pelo Brasil. Nesta semana, o general está participando de reuniões na ONU em Genebra.
"O grande risco do Haiti não é a falta de segurança. A ameaça é na área política, social e econômica, que pode voltar a gerar violência. Mas a realidade é que hoje não é a violência que está impedindo a governança. Hoje, é a falta de resultado econômico e social que ameaça gerar nova violência", alertou.
"Os militares resolvem alguns aspectos do problema, mas não tudo", apontou. Na avaliação do militar brasileiro, a corrupção tem sido um obstáculo sério. Por ano, o Haiti recebe cerca de US$ 1 bilhão em doações internacional. "O problema não é só garantir que o dinheiro chegue ao país. O problema é de otimizar e como aproveitar da melhor maneira esses recursos", disse.
Por anos, a chancelaria brasileira alegou que a comunidade internacional precisava garantir recursos ao Haiti para que a missão de paz desse resultado. Para o general, o controle do dinheiro também precisa ser aperfeiçoado. "O aproveitamento do dinheiro precisa ser reavaliado", defende. "Precisamos analisar para saber qual é a perda desse dinheiro nos caminhos administrativos. Há uma perda grande. O volume de dinheiro é grande, mas não há o impacto social no final da linha", continuou.
Ele defende a criação de um mecanismo para garantir a transparência na distribuição dos recursos. "Só vamos ter dinheiro se tivermos credibilidade. Não adiante só pedir dinheiro", disse. Outra proposta é de que a corrupção com recursos internacionais seja classificada como "um crime internacional" e que tribunais fora do país de destino do dinheiro possam julgar os suspeitos.
"Precisamos criar mecanismos para proteger esse dinheiro", afirmou. O comandante evitar identificar o alvo de suas críticas. "Mas precisamos garantir que a corrupção com dinheiro de ajuda humanitária seja classificado como crime internacional, para inibir e colocar aqueles que usam o dinheiro expostos ao processo internacional", defendeu. Nos bastidores, ele também já alertou o governo brasileiro do fenômeno.
CRISE
Outra ameaça para o Haiti é a crise internacional, secando as doações internacionais. "Hoje, o Haiti ainda vive de doação. 65% do orçamento do governo vem de recursos do exterior", disse o comandante. "Se isso acabar ou for reduzido, há sérios riscos", disse. "A comunidade internacional precisa manter esse fluxo."
Carlos dos Santos Cruz prevê que o Brasil terá de permanecer no Haiti ainda por "alguns anos", mas admite que ainda não sabe quanto tempo será necessário. "Minha previsão é de que precisamos ficar pelo menos até 2011, quando há eleições no Haiti. Isso é o mínimo", afirma.
Ele destaca que a crise e a corrupção poderiam ameaçar os avanços na área de segurança. "Se a população não ver avanços em suas vidas, o processo pode ser ameaçado", disse. Os dados da Missão de Paz da ONU apontam que a taxa de criminalidade no Haiti é de 5,5 assassinatos por cada 100 mil habitantes por ano. "Essa taxa é bem menor que a do Brasil, Jamaica, México ou os vizinhos da República Dominicana", afirmou o general.
No Brasil, a taxa é de 22 assassinatos, contra 25 na República Dominicana e 30 no México. Há cinco anos, a média de assassinatos no Haiti superava a marca de 30 "Precisamos ficar mais. Mas precisa haver um esforço na área política. Essa é a grande chave no momento", alertou o comandante.
PACOTE
Da parte do governo brasileiro, a decisão do Palácio do Planalto foi a de destinar o maior volume de recursos já dado por um país ao Haiti entre 2009 e 2011. No total, o Brasil vai destinar US$ 12 milhões para 40 programas sociais no Haiti.
"Uma fazenda modelo será inaugurada pela Embrapa no País nesta semana", afirmou Marco Farani, diretor da Agência Brasileira de Cooperação. No total, a agência espera um orçamento de R$ 40 milhões para 2009 para suas atividades pelo mundo, uma gota d´água comparado aos recursos de US$ 7 bilhões do Japão.

2 comentários:

  1. Anônimo10:23 AM

    POBRE DE TI, HAITI


    Só da cabeça de brasileiros, pode sair uma opinião tão idiota e mesquinha como essa.

    Essa preocupação de perder a "liderança" que nunca teve e nunca terá, política no Haity ou em qualquer outro lugar, é de uma sordidez que me deixa com vontade de vomitar.
    Os Estados Unidos tem toda uma força já preparada para catástrofes de monta em seu país e a está usando no Haity enquanto o Brasil, não dá conta de suas próprias catástrofes que são de pouca e média monta, por total falta de equipamentos, treinamento adequado e dinheiro para isso. Só contamos com nossos soldados e civís que, não só heróis e dedicados, mas contam tão somente com a coragem e desprendimento. E o governo, que não tá nem aí para nossos problemas, quer de qualquer custa, aparecer na mídia internacional como o salvador, o extraordinário, o maior e melhor líder das americas com meia dúzia de aviões sucateados e máquinas ultrapassadas e enferrujadas e ainda criando dúvidas a respeito das intenções de países envolvidos no socorro as vítimas.

    Pobre de nós, brasileiros

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  2. Anônimo10:24 AM

    POBRE DE TI, HAITI


    Só da cabeça de brasileiros, pode sair uma opinião tão idiota e mesquinha como essa.

    Essa preocupação de perder a "liderança" que nunca teve e nunca terá, política no Haity ou em qualquer outro lugar, é de uma sordidez que me deixa com vontade de vomitar.
    Os Estados Unidos tem toda uma força já preparada para catástrofes de monta em seu país e a está usando no Haity enquanto o Brasil, não dá conta de suas próprias catástrofes que são de pouca e média monta, por total falta de equipamentos, treinamento adequado e dinheiro para isso. Só contamos com nossos soldados e civís que, não só heróis e dedicados, mas contam tão somente com a coragem e desprendimento. E o governo, que não tá nem aí para nossos problemas, quer de qualquer custa, aparecer na mídia internacional como o salvador, o extraordinário, o maior e melhor líder das americas com meia dúzia de aviões sucateados e máquinas ultrapassadas e enferrujadas e ainda criando dúvidas a respeito das intenções de países envolvidos no socorro as vítimas.

    Pobre de nós, brasileiros

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.