segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Pobre de ti, Haiti

"Recebo muita pressão para usar a violência, para ser mais robusto na utilização da força, principalmente dos países mais interessados na área e cuja atuação de força de paz difere da nossa”, General Augusto Heleno Ribeiro, primeiro comandante da ONU no Haiti, apontando como autores dessa pressão os Estados Unidos, Canadá e França, em audiência na Câmara Federal, em 2 de dezembro de 2004.
"O grande risco do Haiti não é a falta de segurança. A ameaça é na área política, social e econômica, que pode voltar a gerar violência. Mas a realidade é que hoje não é a violência que está impedindo a governança. Hoje, é a falta de resultado econômico e social que ameaça gerar nova violência".
General Carlos Santos Cruz, então comandante da ONU no Haiti, em 19 de março de 2009.
“Não tem lógica que as tropas americanas estão pousando no Haiti, se o Haiti está pedindo é ajuda humanitária e não tropas. Seria uma loucura para todos começar a enviar tropas para o Haiti”.
Daniel Ortega, presidente da Nicarágua, em 15 de janeiro de 2010.
"A revolução haitiana foi o maior movimento negro de rebeldia contra a exploração e a dominação colonial das Américas. Mesmo com o assassinato de Toussaint L'Ouverture pelos franceses - que haviam substituído os decadentes espanhóis como colonizadores da ilha -, a revolução triunfou e fez realidade, contra a França, os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade. A abolição da escravidão, não contemplada pelos revolucionários de 1789, foi conquistada pelos ''jacobinos negros'' do Haiti".
Emir Sader, 4 de janeiro de 2004

Operando como forças policiais, os soldados brasileiros da ONU estão sendo desbancados  pelas tropas de intervenção dos Estados Unidos

Por sob os escombros do terremoto e das caóticas ações de socorro que estão sendo mostradas fartamente ao vivo e a cores, num espetaculoso “reality show” de deixar à míngua o novo “Big Brother”, há uma outra terrível catástrofe que pode culminar com a “refundação” do Haiti como uma colônia de novo tipo dos Estados Unidos, cujos soldados, armados até os dentes, estão invadindo a parte ocidental da antiga ilha Quisqueya, batizada de “hispaniola” por Cristóvan Colombo, enquanto os efetivos de 17 nações pousados ali em 2004 com mandato da ONU (Argentina, Benin, Bolívia, Brasil, Canadá, Chade, Chile, Croácia, França, Jordânia, Nepal, Paraguai, Peru, Portugal, Turquia e Uruguai) estão sendo obrigados a escolher entre o recolhimento dos mortos e policiamente das favelas, ou a “saírem à francesa” de volta a seus quartéis de origem.
Um golpe entre os escombros
Essa é a mais patética constatação de um golpe explícito como corolário da tragédia que fez desmoronar o Estado haitiano, já minado por controle remoto desde Washington, até agora através da Minustah - Missão da ONU para a Estabilização do Haiti, sempre sob o comando de um oficial brasileiro, agora  o quinto chefe desde que o general Augusto Heleno Ribeiro Pereira lá chegou em 1 de junho de 2004.
Para garantir o êxito de sua operação, as tropas enviadas por Obama assumiram de imediato o controle do aeroporto da capital e de todas as pistas de pouso do país, como ensina o manual de guerra, agindo com tal desenvoltura que até aviões com alimentos da ONU e outros com hospitais de campanha e ajuda do Brasil foram impedidos de pousar, a fim de facilitar o desembarque da soldadesca ianque e o embarque para área segura dos norte-americanos e seus amigos locais que sobreviveram à destruição.
Tudo está acontecendo na maior sem-cerimônia, ante o silêncio do Conselho de Segurança da ONU e apesar da recambolesca aparição na área, por alguns dias, em indumentária militar, do advogado Nelson Azevedo Jobim, o exibido e deslumbrado ministro da Defesa do Brasil.
Talvez, já nestes próximos dias, dez mil homens treinados para as guerras do Iraque e do Afeganistão estarão operando com equipamentos de última geração no plano de ocupação militar, sobrepondo-se à missão internacional que em 2008 já custara US$ 2.176.772,00 (R$574.914.065,51 erário brasileiro).
Esse processo inédito e indevido de ocupação se dá em meio a um ambiente de absoluta paralisia, quando Porto Príncipe se converte numa cidade fantasma, ante o sumiço de suas autoridades, em todos os níveis, a começar pelo presidente René Préval, um títere acovardado e destituído de toda e qualquer poder de mando.
Presidente, aliás, já convertido em boi de presépio, com a superposição das ONGs ligadas diretamente aos Estados Unidos, as verdadeiras destinatárias da “ajuda internacional” de U$ 1 bilhão por ano, o que levou em 19 de março de 2009 o general brasileiro Carlos dos Santos Cruz, então no comando da Minustah, a apontar a corrupção desenfreada como o maior problema do Haiti naquele momento.
A ocupação militar não se dá como uma “emergência”. Quem estava lá nesses anos em que as forças internacionais “legitimavam” o regime títere, montado quando, em 29 de fevereiro de 2004, Estados Unidos e França resolveram sequestrar e mandar para a África o presidente constitucional, o ambíguo ex-padre Jean-Bertrand Aristide, já vislumbrava o “Plano B”, previsto desde a suspeita substituição do general Carlos dos Santos Cruz, em abril de 2009, um mês depois da entrevista incômoda que deu ao jornal “Estado de São Paulo” (19 de março) denunciando os desvios da ajuda externa.
Essa interferência, aliás, já havia afetado a própria implantação da tropa internacional, conforme denúncia do general Augusto Heleno Ribeiro Pereira, em audiência oficial na Câmara dos Deputados, que por pouco não caiu ao provocar um “incidente diplomático”, quando afirmou que vinha sofrendo “muita pressão de países como EUA, Canadá e França para usar a violência”.
Tirando proveito da tragédia
Saber fazer a leitura das afirmações dos generais brasileiros significa entender o móvel da perversa atitude dos Estados Unidos de aproveitarem a declarada falência do Haiti para implantarem seu próprio projeto de ocupação de uma nação amaldiçoada desde o precoce nascimento, em 1804, por ter sido fruto de revolta dos escravos, trazidos à força do Togo e do Daomé, que conservavam sua cultura ewe-fon*, cuja história tem muito a ver com a natureza do povo haitiano até hoje.
O terremoto só precipitou o plano de ocupação do Haiti, mantido de propósito como a nação mais pobre do Continente, sobre cujas áreas há um projeto finalizado por Bil Clynton, baseado na implantação wm regime de sweatshops”  de confecções produzindo com mão de obra barata para os Estados Unidos em zonas livres de exportação, e da internacionalização da costa de Labadee, no norte do país, alugada pela Royal Caribbean até 2050, que será transformada numa zona livre de turismo.
O abalo sísmico afetou o a idéia de ocupação lenta e gradual, por ter eliminado todos os mecanismos de controle institucional do Haiti. Os especialistas do Pentágono e da CIA acreditam que à falta de uma intervenção militar com poderes de extermínio – recusada pelos oficiais brasileiros – o país se abrirá para uma nova revolta dos escravos”, agora de conteúdo social revolucionário, com reflexos imediatos na vizinha República Domicana.
Os saques já são vistos pelos norte-americanos como primeiros passos de uma revolução que poderá eliminar as elites já afetadas gravemente pelas perdas de 12 de janeiro e implantar um estado social sob influência da massa faminta.
Não havendo estrutura repressora e ante o enfraquecimento da elite dominante, o Haiti poderá ser um campo fétil para um regime nacionalista baseado nos sonhos dos seus fundadores, o qual o ex-padre desistiu de implementar, após o fim da era Duvalier (pai e filho ditadores cruéis e fiéis aos EUA).
Por mais que nossas atenções ainda estejam presas à tragédia que comoveu o mundo inteiro, cabe já ir detectando o que poderá acontecer de igualmente trágico nos dias seguintes. Nenhum país decide de repente mandar para outro uma tropa de dez mil homens, bem maior do que o contingente da ONU, sem as intenções coloniais, que estão nos cérebros doentios do império decadente.

*EWE (êuê) – Povo originário do reino de Oyo que no século XIII (1300) migraram para a cidade de Ketou no Dahomey, fugindo das constantes guerras e da perseguição dos sacerdotes. Eles estabeleceram sua própria identidade como um grupo e batizaram a cidade de Ketou como Amedzofe (origem do mundo) ou Mawufe (casa de Deus). No princípio do século XIV (1400) os Ewe se viram acuados novamente por inúmeros ataques do exército de Oyo e resolveram dividir-se em dois grupos. O primeiro moveu-se para Tado em 1450 e o segundo permaneceu em Ketou, fugindo mais tarde também para Tado onde permaneceram pouco tempo, indo para Notsu em 1600. região central de Tado.

10 comentários:

  1. Prezado Pedro Porfírio, achei essa matéria excelente, extremamente precisa na leitura do sórdido aproveitamento que os Estados Unidos pretendem tirar da tragédia que se abateu sobre o Haiti. Gostaria que me desse autorização para reproduzi-la no meu modesto blog, com os devidos créditos, Luta Popular - endereço: http://lutadeclasses.blogspot.com, a fim de que se amplie a consciência sobre as razões que levaram o Haiti a ser ocupado e violado em sua integridade com a deposição do padre Aristide e por que nem os Estados Unidos nem a ONU moveram uma palha quando o povo haitiano era massacrado pelo regime de Papa Doc e Baby Doc.
    Um abraço,
    Zantonc

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  2. Anônimo11:44 AM

    Parabens pela a materia sobre o HAITI.
    O exercito brasileiro está fazendo umtrabalho maravilhoso lá.Pois ascrianças de lá precisam de uma razão para continuar vivendo.Mas nunca vivermo namais completa miseriasuplicando para viver.por agua por comida etc.Eles querem e precisam viver dignamente,Por trabalho digno,casa e comida e saneamento basico.Tambem acho que se terão que reconstruir tudo novamente por lá,deveriam começar a pensar no materiale o tipo de construção feito emoutros paises que são assolados por terremotos.Contratar os proprios haitianos para a recontrução ,mas desta vez começando por saneamento basico.E ruas traçadas.e organização,é dificil ,mas sei que é possivel.Mas impressidivelque o exercito brasileiro das foras de paz no Haiti nãosaiam de la.Pois eles estão la para conciliação de Paz .

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  3. Zantonc
    Será umna honra ter uma matéria minha publicada num blog tão admirável.
    Abraços
    Pedro Porfírio

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  4. Anônimo12:33 PM

    Caro Pedro: "Intenções colonialistas dos cérebros doentios do império decadente"!!! Falou tudo!
    Paraabéns aos militares que denunciaram as pressões e a corrupção.
    Finalmente, uma pergunta: Onde é que a Besta arranja tanto dinheiro para financiar a invasão e o saque globalizados?

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  5. Caro Pedro
    Fiquei alegre em receber a tua visita, lembrou-me dos bons tempos da "Tribuna Socialista" e de nossas reuniões para fechar o jornal.
    Embora um pouco chamuscado pela idade e alguns achaques, ainda posso lutar um pouco e assim fiz o blog para combater o velho inimigo de sempre.
    É interessante notar que o MINUSTAH, ao invés de estar assegurando o direito à vida,ao alimento, à medicina, à casa, à roupa e à educação para o miserável e explorado povo haitiano, cuida de proteger as mansões do ricos e as propriedades das empresas multinacionais. Só está faltando que o Obama localize mais um "centro de treinamento da Al Qaeda" nos arredores da cidades haitianas e com isso ganhe o apoio da ONU para mais um genocídio.
    Pedro.grato pela visita. Voltgarei outras vezes.
    Um abraço

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  6. Porfírio, Saudações
    O Haiti, um país pobre cujo endividamento começou de maneira moralmente indefensável pela ex-metrópole França, que queria indenização pelos escravos perdidos
    na independência. A dívida externa é de US$ 1,6 bilhões, pouco diante do pacote de Bush,mas que impõe um ajuste fiscal brutal sobre o já baixo orçamento público comprometido com o pagamento de
    juros, que não param de crescer.
    A cidade mais atingida no Haití pelos furacões, Gonaives está localizada no norte do país numa área costeira que tem nível pouco abaixo do mar. No Haiti " Analysis.
    com",um editorial escrito por
    Wadner Pierre,cobra o destino do dinheiro internacional que chegou ao governo provisório após a passagem do furacão Jeanne, em 2004quando mais de 3 mil pessoas morreram só em Goinaives. A seguir um trecho:O furacão Jeanne devastou
    o Haiti em 2004 oito meses após o golpe que derrubou Jean-Bertrand Aristide. Gerard Latortue [o primei
    ministro do governo provisório], o cabeça da ditadura da ONU e natural
    de Gonaives, recebeu dinheiro de todo o mundo para ajudar a cidade
    infelizmente, as vítimas receberam poucos benefícios deste dinheiro. Gonaives situa-se abaixo do nível do mar, mas diques nunca foram construídos; muitas estradas ainda sequer foram reparadas. Os poucos resultados obtidos com dinheiro da ajuda internacional só traz a convicção de que, em Gonaives, os amigos de Latortue e ONG’s corruptas simplesmente embolsaram o dinheiro.(…) Enviar Doações via governo e não por ONGs.Na imprensa estrangeira, há denúncia de roubo de alimentos que seriam entregues para as vítimas. O Unicef reafirma que as crianças são as principais vítimas.ONG Médicos Sem Fronteiras atua fortemente em Gonaives. Venezuela anuncia plano de ajuda ao Haiti por intermédio da Petrocaribe, já uma reportagem da NPR vincula a atuação de Chávez a uma manobra política na região.
    Missão Internacional de Investigação e Solidariedade
    apontou a preocupação de que o país seja transformado num quintal de “maquiladoras” e de fábricasque pagam pela mão-de-obra barata.
    Alerta as empresas brasileiras que vá para o Haiti e esteja com o objetivo implícito de escravizar trabalhadores,um país tão empobrecido quanto o Haiti, precisa muito mais de alternativas vinculada aos direitos e à justiça financeira. Sob o risco disso contradizer o próprio discurso de solidariedade que tantos sul-americanos pregam.
    http://marildacdeoliveira.blogspot.com/

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  7. Anônimo11:49 PM

    Tem muito urubu em cima desta carniça. Muitos interesses em jogo, até para um certo ex-pseudo-operário que almeja por o buzanfã numa caedeirinha da ONU. Hilário, o homem da canetada constitucional fantasiado numa farda de campanha. Aliás, ninguém interpretou bem a fala do consul do Haiti em SP. Nas entrelinhas ele falou em todos os abutres que sebrevoam o pobre país de descendencia africana. A magia negra do Wodu foi a retorica que vem caracterrizando as nações africanas até os dias de hoje.

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  8. Anônimo10:34 AM

    Não sou contra ajudar a quem precisa, mas demagogia e circo tem lá seus limites. Fazem tanta campamha para arrecadar fundos e alimentos para o Haiti, mas esquecem que temos desabrigados em Angra, baixada, SP e interior, RS etc. Parece que os de casa devam se danar. Agora Botafogo e "Morra Rio" estão insuflando doações para o país caribenho, com a infelicidade aqui bem pertinho. [E melancia demais para pouco pescoço ou abacaxi de menos para excessos de bundas.

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  9. Haiti nunca teve hipótese
    Pobre Haiti. E por que é tão pobre, o Haiti? Porque desde o início, desde a sua concepção como nação livre e independente, as potências estrangeiras fizeram todo o possível para colocar uma pedra em volta do pescoço do estado incipiente. Seus habitantes, nascidos no escravidão, nunca tiveram hipótese, apesar do fato de que o Haiti é a verdadeira América.
    "Pessoas" como Pat Robertson, ex-candidato presidencial pelo Partido Republicano nos EUA, fundador e presidente da Christian Broadcasting Network, o terremoto foi visitado sobre Haiti, porque, em suas palavras, "eles se reuniram e fizeram um pacto com o diabo. Eles disseram nós vamos segui-lo se você nos livre dos franceses. É verdade ".
    Não há palavras para responder a tal grau de ignorância porque não há vocabulário para descrever as idéias de um simplista, simplório e reaccionário imbecil, superficial e, na verdade, uma reacção de pura maldade perante a situação em que três milhões de pessoas se encontram, seres humanos que, tinham mão e pernas amputados sem anestesia, enquanto Pat Robertson vomitava seu veneno demoníaco. Porfírio publiquei no Observatório Político Brasileiro com ilustrações aquí não permite o espaço. abraços/Marilda
    Timothy BANCROFT-HINCHEY- PRAVDA.Ru - 19.01.2010
    http://marildacdeoliveira.blogspot.com/

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  10. Anônimo5:12 PM

    Engraçado. Assisti na televisão reportagem sobre as chuvas em SP e interior, onde o sistema Cantareira está prestes a abrir suas comportas e não vi nenhum representante fardado em farda de campanha de nosso exérxito, marinha ou aeronáutica. Complicado que nossos soldados não ajudem seu próprio povo. Por que será?

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.