sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Esse ano novo eu já vi antes

:"Quarenta anos é a velhice dos jovens; cinquenta anos é a juventude dos velhos."
Victor Hugo, pensador, poeta e político francês (1802-1885)

Olhando bem, esse ano novo eu já vi antes. Tem o corpo e a alma de amargos anos pretéritos. Até projeta algumas novíssimas novidades. Mas pelo desígnio da roda da história tais são quais, são vulgares e sem as essências que prenunciem mudanças, que ensejem novos dias, novas semanas, novos meses.
Que pena!
Temos a sensação de uma impertinente marcha lenta, quase parando. Trocam-se as fantasias e até mudam as posições das pedras no tabuleiro. Mas sem sinais de ventos uivantes, nem de uma brisa quimérica. O ar morno domina o ambiente de mortalhas andantes, introduzindo os fantasmas mórbidos, sem dó, nem piedade.
Como no sempre dessas fatalidades ignóbeis, o diapasão da farsa soa no sustenido sem recato que paira incólume sobre mentes inclementes, exibindo sem cerimônia a mesquinha caça aos podres poderes.
Os personagens se revezam nos movimentos ensaiados que cultivam a burla e a impostura. Todos, absolutamente todos os canastrões vestem a roupa de gala, correm para a fila das prebendas e exibem a exuberância de uma mediocridade de berço. Mediocridade que, por força de um óbvio torpemente triunfal, enraíza-se às profundezas da alma banalizada.
Há flores no meu jardim, ao pé da serra agredida, conspurcada, mas são rosas passageiras, sazonais.
Há uma réstia de esperança, isso há. Mas esperança de que? Em todos os entes o Estado vigente é um abominável mundo velho de costumes libidinosos e viciados. Olhe no alto, no tronco e nos ramos, nada verás de novo e belo nos altiplanos em rebuliço.
Ensaiam apenas variáveis de figurinos, cada vez mais influentes. O vozerio some no silêncio da ambição pessoal intumescida. Mais uma vez o grito estará parado no ar, ao sabor das conveniências de um jogo de cartas marcadas.
Querem a carne seca, a cocada preta, qualquer coisa que lhes sacie os olhos maiores do que a barriga. Cada uma puxa a brasa para sua sardinha. E embora seja farto o coração de mãe, a palavra de ordem é meu pirão primeiro.
Já se sabe de novas investidas à sombra da festa encorpada de assentimentos. Números graves denunciam a falência do porém, do todavia. Hordas acríticas cultivam o silêncio dos culpados. Sim, porque a inocência se perdeu nesse mundo de cínicas incongruências.
Antes, o tropel da esperteza vil mimetiza a consciência letárgica. Porca miséria, porca assimilação patética do canto das sereias. O mito venceu e se transformou no manda-chuva. Dentro ou fora das quatro linhas nada se fará sem seu bafejo inebriante. Dos seus suspiros e humores dependerão as alquimias.
Não há o que esperar para além dos velhos anos. É do espírito da mega farsa. A capacidade de encenação prevalecerá sobre a vida real. O populacho foi domado e nada tem a declarar.
Sirvam-lhes brioches e teremos as belas adormecidas pela languidez do seus cérebros moldados por úteros infantis. A lobotomia da eletrônica amputou em massa os signos da percepção, os fios da indignação doutrora.
Também pudera: o último dos moicanos sucumbiu faz tempo, isolado nos Andes encrespados. A história, infelizmente, não se repete, mormente quando os cordéis estão nas mãos sujas da malta insaciável. Da alcatéia dissimulada em peles de cordeiros.
Esse ano novo é pirata, é clone doutros monstrengos sem vergonha de ser. Haverá vinténs para os dóceis pedintes empencados sob sombra e água fresca. Mas faltarão níqueis para compensar décadas de labuta. Vem aí mais uma vez o garrote vil. Nessa tormenta, falam a mesma língua gregos e troianos, de olho na bagatela da banca.
Bem que eu queria está na liça para enfrentar os Golias empedernidos. Mas me puserem para corner, em golpes baixos, impiedosos. E me deixaram falando sozinho sob o sol abrasador.
Mesmo à distância, porém, meus mil olhos não fecham jamais. E se me fazem ver a mil milhas distantes, se me impelem ao esperneio infrutífero dos insones sem peias, satisfazem-me no mínimo o ego indômito.
Como de hábito – hasta la vitória siempre – recarregarei minhas baterias energizadas por palavras amigas e me manterei com a guarda em alto. Porque também não quero ser essa metamorfose ambulante que se agacha covarde aos encantos das cortes e dos cofres.
Não quero e não serei vergável, nem que me venham cobertos de ouro, como não me calaram na câmara de tortura. Não e não, nem que tenha que amargar, sem choro nem vela, a solidão dos que não podem mais oferecer aos ex-fraternos o estuário dos cobres da casa, comida e roupa lavada.
Afinal, se é orgástico o apetite dos palácios, mais consistente e perene é o impulso dos átomos revigorantes que ainda restam em uma meia dúzia de três ou quatro inconformistas.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Porque um documentário sobre a formação de atletas em Cuba

Meninos, eu vi: não há paralelo em matéria de investimentos nos esportes, apesar das limitações econômicas


Alunos-atletas que se destacam nas escolas básicas são
selecionados para as escolas superiores de alto rendimento, desde os 10
 anos de idade,  onde estudam em regime de internato e,
além das aulas curriculares,  treinam 4 horas por dia
Cuba é uma ilha cercada de esportes por todos os lados. Ou Cuba é uma República federativa de esportes. Exageros à parte, as duas definições cabem muito bem nesse país caribenho de 11 milhões de habitantes, que emergiu na década de sessenta como a maior potência olímpica da América Latina – e uma das maiores do mundo - , apesar do impiedoso bloqueio econômico comandado pelos Estados Unidos, que a obriga a racionar seus alimentos básicos desde 1961. A transformação de Cuba num arquipélago de escolas voltadas para o esporte e de ensino esportivo em centenas de praças se deu dentro do conjunto de medidas para criar “o homem novo”, incorporando a ele uma capacidade de resistência provada ao longo de meio século. Antes de ganhar sua primeira medalha em jogos olímpicos nesse novo ambiente, em 1964, o país que também investia o que tinha e o que não tinha no crescimento cultural de sua população, já não lembrava o que era um troféu: o último em competições olímpicas mundiais fora ganho em 1904, em Saint Louis, nos Estados Unidos. Fora dessa competição, só em outra conseguira duas minguadas medalhas – 1900, em Paris. Para que Cuba pudesse exibir hoje o número recorde de 187 medalhas, contando apenas as conquistadas em jogos olímpicos mundiais, o governo revolucionário tomou uma decisão de natureza defensiva – utilizar o esporte como primeira terapia preventiva na área da saúde.
Em 1961, quando criou o seu instituto nacional de esportes, Cuba sofria com a emigração para os EUA de mais da metade dos seus 6 mil e 500 médicos, que faziam parte de uma elite voltada para a clientela privada.
Enquanto buscava ajuda em profissionais da América Latina e redirecionava a sua medicina – hoje respeitada no mundo inteiro – Cuba teve que fazer um criativo dever de casa. Pelos cálculos dos Estados Unidos, a que estava atrelada desde a independência no final do século 19, a ilha rebelde não resistiria a cinco anos de bloqueio implacável. Toda sua atividade econômica tinha como matriz o vizinho do norte e não haveria como sobreviver racionalmente com o corte de seus suprimentos.
Passados 50 – e não 5 anos – a ilha teimosa se apresenta ao mundo com índices de saúde superiores, em alguns casos, aos das grandes potências, com um padrão educacional de primeiro mundo e com a exuberância de seus triunfos nas praças de esportes. Isso, apesar de apertos monumentais, como os que se seguiram ao colapso da União Soviética e do bloco socialista que funcionavam como válvulas de escape providencial. Foi a compra de petróleo na Rússia, a partir de 1961, que garantiu o seu suprimento, ante o boicote norte-americano. Em 1989, 85% do comércio exterior cubano se processava com o bloco que desmoronou com a “Perestroika” de Gorbachev e o muro de Berlim.
Com a mudança brusca nos países socialistas da Europa, em 1989, Cuba teve que adotar medidas excepcionais a partir de setembro de 1991, que incluíam apagões de até 14 horas diárias e a compra de 1 milhão de bicicletas na China. Um mês antes, em agosto de 1991, como estava compromissado, Fidel Castro recebeu 4 mil 119 atletas para os 11º Jogos Pan-Americanos, que deram prejuízo à já combalida economia cubana, devido ao boicote comandado pelos EUA, que queriam mudar a sede. As redes de televisão e poderosos patrocinadores não tomaram conhecimento do evento, em que Cuba surpreendeu mais uma vez, ao classificar-se em primeiro lugar, com 265 medalhas – sendo 140 de ouro – superando os Estados Unidos, que obtiveram 130 medalhas de ouro entre as 352 conquistadas. Nessa competição, o nosso Brasil ficou em quarto lugar, com 21 medalhas de ouro entre as 79 conquistadas.
No ano seguinte, ainda sob o impacto das mudanças no leste europeu, Cuba confirmou sua performance, apesar das medidas de restrição impostas pelo período especial: classificou-se em 5º lugar nos 25º jogos olímpicos em Barcelona, obtendo 31 medalhas, entre as quais 14 de ouro. Ficou atrás apenas do bloco de países da antiga União Soviética, que ainda disputaram como se fossem uma única nação, dos Estados Unidos, da Alemanha unificada e da China, desta por duas medalhas de ouro. Nessa competição, o Brasil, segundo país latino-americano na ordem de classificação, ficou em 25º lugar, com apenas duas medalhas de ouro e uma de prata. México e Peru obtiveram uma medalha de prata; Argentina e Colômbia, uma de bronze.
Na 12ª edição dos jogos pan-americanos, em 1995, na cidade de Mar Del Plata, Argentina, Cuba confirmou seu poderio olímpico, ao classificar-se em segundo lugar com 112 medalhas de ouro, de um total de 238. Os anfitriões ficaram em quarto, com 40 ouros, somando ao todo 159. O Brasil ficou em sexto, com 18 ouros, de um total de 82 medalhas.
Em 1996, nos jogos olímpicos de Atlanta, mesmo em meio ao sacrifício, Cuba manteve-se como o país latino-americano melhor posicionado. Classificou-se em oitavo lugar, com 9 medalhas de ouro, de um total de 25. O Brasil ficou em 25º lugar com 3 medalhas de ouro de um total de 15, mantendo-se como o segundo latino-americano. Equador e Costa Rica tiveram uma medalha de ouro. Os demais do continente ficaram na rabeira.
Cuba confirmou sua liderança latino-americana nos jogos pan-americanos de Winnipeg, Canadá, em 1999, colocando-se em segundo lugar à frente dos anfitriões; nas olimpíadas de Sidney, Austrália, em 2000; no pan-americano de Santo Domingo, em 2003; nas olimpíadas de Atenas, em 2004, no pan-americano do Brasil, em 2007. Nas olimpíadas de Pequim, em 2008, com uma delegação reduzida, teve apenas 2 medalhas de ouro, contra 3 do Brasil, somando 11 de prata e 11 de bronze, contra 4 de prata e 8 de bronze, do Brasil.
A superação das dificuldades é acrescida de outro elemento de pressão: formadas por amadores, nos quais o Estado investe desde lactantes, as equipes cubanas são rotineiramente assediadas por empresas especializadas na sedução dos seus atletas. Aqui, nos jogos pan-americanos de 2007, dois boxeadores cederam a uma promessa de contrato de uma empresa alemã e, mais recentemente, em 2009, quatro jogadores de basquete pediram asilo na Espanha após um amistosa nas Ilhas Canárias, expediente totalmente fora de propósito, porque nenhum deles sofria perseguição política em seu país – antes, pelo contrário: o que eles almejavam mesmo era faturar muitos dólares por conta do que aprenderam a custo zero em seu país.
Conhecer por dentro a saga dos desportistas cubanos não foi difícil. Independente da abertura que se desenha a partir dos últimos três anos, viajar a Cuba é tão fácil como visitar uma cidade brasileira. Qualquer um pode pegar um avião e comprar o visto de entrada por 20 dólares no último aeroporto de embarque para a Ilha. A própria companhia aérea vende o tíquete. Se você esquecer, não tem problema: pode obter o “visto” no Aeroporto de Havana, pagando a mesma taxa.
Daí para ter acesso aos centros de formação de atletas não há mistério, até porque a maioria deles, como na gigantesca Cidade Desportiva de Havana, muitos treinamentos são realizados em espaços abertos.
Mas foi o conhecimento das entranhas do mega projeto esportivo cubano que me permitiu oferecer aos brasileiros e ao mundo o conhecimento dos segredos de uma verdadeira fábrica de campeões olímpicos.
Com esse documentário, ficam as autoridades e povo brasileiro sabendo que poderão fazer bonito nas olimpíadas de 2016, desde que concentrem investimentos na formação de nossos atletas. Afinal, a cada competição internacional, o Brasil tem registrado avanço, apesar da ausência de um projeto estratégico de esportes em nosso país.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Por falar em feliz natal e por desejar próspero ano novo (como de praxe)


Clique na foto e acesse o vídeo

A sociedade de consumo exagerou na dose por conta da celebração do nascimento de Jesus Cristo. Só se fala em presentes, em promoções por todos os meios – da internet ao “Papai Noel” postado em cada loja, em cada “ponto estratégico”. A figura do menino Jesus, na manjedoura virou peça rara. Nunca o comércio foi tão longe na instalação de alçapões para vender tudo e a todos.
800 mil consumidores amontoaram-se na Rua
da Alfândega, meca do comércio popular
O brasileiro caiu mais uma vez no conto do 13º salário. Explico: o que conta é a remuneração anual; quando uma empresa calcula os custos da mão de obra estabelece, digamos, um salário anual de R$ 13.000,00. E o divide por 13, embora sejam 12 os meses. Em dezembro, pelo produto do seu trabalho, o cidadão recebe duas parcelas do salário anual – uma só para gastar em compras de natal, como se fosse dinheiro que “estava sobrando”, o a mais.
Não estou aqui para questionar hábitos enraizadas. Mas tenho o direito de lembrar que o 25 de dezembro é, principalmente, o marco do início de uma civilização – a civilização cristã, fundada na saga de Cristo, seus apóstolos e de milhões de cristãos que foram perseguidos por mais de 3 séculos por acreditarem num outro mundo, diferente do que havia antes de Cristo.
Ao desejar a todos um feliz natal e um próspero ano novo – como é de praxe – faço uma reflexão sobre o que representou o cristianismo nas suas origens. Veja o vídeo que postei dia 15 no You Tube, clicando na foto ou em http://www.youtube.com/watch?v=y9Vob_qHEnk


Essa foto é da Coréia do Sul, onde Papai Noel chegou com os hábitos do Ocidente

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Cuba, ano 52 – uma revolução na revolução (II)

"Estamos plenamente conscientes dos erros que cometemos e precisamente, as orientações marcam o início do caminho da correção e da necessária atualização do nosso modelo de economia socialista".
Raul Castro, 18 de dezembro de 2010, em discurso na Assembléia Popular, o parlamento cubano.

Escrever honestamente sobre Cuba é manusear uma afiada faca de dois gumes. A revolução cubana é um dogma para gerações ensandecidas que se deram por inteiro ao sonho de um mundo igualitário, destino quimérico escrito nas linhas e entrelinhas da dialética histórica.
Che Guevara  formulou o modelo mais avançado de gestão do Estado
Mas é também o mais azedado condimento do ódio destilado pelo outro lado dessas gerações, os liberais e conservadores, beneficiários e crentes no sistema capitalista, inconformados com sua teimosa sobrevivência como pequena cidadela que desafiou e derrotou os donos do mundo, que atravessou meio século de privações, mas não se entregou, que sobrepôs o poder da palavra, a força da ideologia e a obstinação cega aos encantos do consumismo tentador, do conforto conquistado no esforço individual de cada um.
Cuba viu desmoronar a União Soviética, em cujas mãos se jogou por gravidade; viu a China afastar-se dos trilhos maoístas para ir disputar o topo do universo com as armas do capitalismo e a assimilação do “socialismo de mercado”; viu o Vietnam dos herdeiros do lendário Ho Chi Minh dedicar-se à cooperação com os antigos inimigos mortais, enfim, viu o mundo virar de cabeça para baixo, mas permaneceu lá, aos trancos e barrancos, tentando viabilizar a sociedade igualitária que agora descobriu ser, na prática, uma mera peça de retórica.
Além disso, ao longo desse meio século, Cuba recuperou-se de furacões devastadores, como os três que provocaram pesados danos em 2008, acompanhados de chuvas torrenciais, destelhado ou derrubando totalmente 470 mil edificações, inclusive escolas e hospitais; alagando e destruindo maquinários de fábricas; arruinando 80% das plantações de folha de fumo, e destruindo totalmente a Faculdade, recém-construída na Ilha da Juventude como uma extensão Escola Latino-Americana de Medicina.
Desafiando as opiniões empedernidas
Escrever sobre Cuba pode ser o mesmo que chover no molhado. Não pela falta de novidades. Estas fervilham por todos os poros dessa ilha-referência. Mas pelas opiniões empedernidas, pela intransigência consumada, pelo confronto enraizado ao longo de meio século.
Há ainda a considerar o interesse restrito ao âmbito político dos brasileiros por Cuba. É o que se depreende do número de turistas que viajam àquele país: 11 mil por ano em média -  15% dos argentinos, ou menos de 1% em relação aos 2,4 milhões que viajaram à ilha em 2007. Ou ainda bem menos de 0,5% em relação aos 5 milhões brasileiros que estão indo ao exterior neste 2010.
O que acontece de fato e nas boatarias sobre Cuba insere-me no plano simbólico do sonho encarnado. É como se ali funcionasse um laboratório de experimentos sociais, dissecados todos os dias por cientistas do mundo inteiro. Nenhum país do mundo, nem mesmo a China na “revolução cultural”, ousou chegar tão perto da utopia, como propunha “Che” Guevara, o arquiteto de política econômica que desprezava radicalmente o poder do dinheiro diferenciador e os estímulos materiais como mola para o desenvolvimento.
“Negamos a possibilidade de uso consciente da lei do valor baseado na inexistência de um mercado livre que expresse automaticamente a contradição entre produtores e consumidores; negamos a existência da categoria mercadoria na relação entre empresas estatais, e consideramos todos os estabelecimentos como parte da única grande empresa que é o Estado (ainda que, na prática, ainda não ocorre em nosso país)” – escreveu Che, quando ministro da Indústria na defesa do “sistema orçamentário de financiamento”, com o qual se opunha à fórmula do “cálculo econômico”, concebida na União Soviética, já em fase de revisão, e oferecido aos cubanos como receita de modelo econômico fundado na existência de empresas estatais pulverizadas e com caixas próprias.
Socialismo (quase) por imposição dos EUA
A bem da verdade, a idéia do socialismo não estava explícita na agenda dos revolucionários de Sierra Maestra, apesar do fascínio dos guerrilheiros pelo médico argentino de formação marxista. Nem mesmo o confrotno radical com os Estados Unidos constava das transmissões da Rádio Rebelde: foi a intolerância dos Estados Unidos, sob a presidência do general Dwight David Eisenhower, republicano e adepto comprometido com a guerra fria, que empurrou Cuba para o “outro lado”.
Por conta da reforma agrária, compromisso pétreo da revolução, assumido com os camponeses que lhe deram sustentação, Washington não quis engolir o novo governo já nos seus primeiros dias: em 12 de fevereiro de 1959, a Casa Branca deu a pala de suas relações ao negar um pequeno crédito solicitado por Cuba para manter a estabilidade da sua moeda.
Logo no começo, as empresas norte-americanas que respondiam por 90% da economia cubana tentaram enquadrar as autoridades revolucionárias, supondo que a ilha jamais poderia escapar à dependência secular dos EUA.
Como não admitia “uma relação submissa”, Fidel respondeu às pressões dos norte-americanos, após corte nas cotas de importação de açúcar, com a nacionalização de quase 200 empresas norte-americanas, entre elas as refinarias que se recusaram a refinar petróleo comprado à URSS.
Isso aconteceu no início de julho de 1960. Cheguei a Havana pouco depois e os cubanos passavam a nítida sensação de que o conflito não tinha mais volta. Os EUA usavam de todos os expedientes para encurralar o governo revolucionário, adotando uma escalada de embargos até o bloqueio total, e incentivando a migração do pessoal qualificado: dos 6 mil médicos existentes então, 3 mil e 500 se foram; entre os engenheiros, o êxodo foi maior: de 2.700, ficaram em Cuba menos de 90, obrigaqndo o país à recorrer à solidariedade de profissionais do mundo inteiro.
A estatização repentina obrigou à busca de uma fórmula de gerenciamento. E levou a uma equação inesperada: o Estado passou a administrar toda a atividade econômica, como imperativo de sustentabilidade, num desafio que teria que superar simultaneamente as pressões externas e as idiossincrasias de cada gestor.
Voltarei ao assunto.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Cuba, ano 52: uma revolução na revolução no país da fábrica de campeões

“A corrupção é rara nos escalões superiores, mas comum nos pequenos negócios. Os milhares de gerentes de lojas, restaurantes, e prestadores de serviços, freqüentemente, encontram uma maneira de desviar parte dos recursos que administram para sua conta particular e se associar ao proprietário do estabelecimento, o estado”.
George de Cerqueira Leite Zarur pesquisador Internacional da Faculdade Latino Americana de Ciências Sociais. (FLACSO), em artigo publicado em 2005

Com Wilfredo Leon, de 17 anos, o maior fenômeno
 do vôlei  mundial no momento. Já aos 14 era da seleção
nacional de Cuba.

Estou chegando de minha quinta viagem a Havana– a primeira foi em 1960 – com a convicção de que 2011 não será igual a esses anos que passaram: mudanças de grande alcance no modelo econômico já povoam o inconsciente coletivo e parecem tão inevitáveis como urgentes.
Estava lá desde o dia 1 de dezembro, documentando o que chamei sem exagero de uma “Fábrica de Campeões”. Registrei detalhes de um trabalho sem paralelo em todo o mundo na formação de atletas, responsável pelos recordes de medalhas e pela liderança nos esportes na América Latina, feito que está associado ao projeto social da revolução cubana: de 1900 a 1961, quando foi criado o Instituto Cubano de Desportos, os cubanos só haviam obtido 13 medalhas olímpicas – duas em 1900, em Paris, e 11 em 1904, em San Louis; hoje, em todo o Continente, com um total de 183 medalhas nos jogos olímpicos mundiais (a virada começou em 1964, em Tóquio, com uma única medalha), só perdem para os Estados Unidos.
O objetivo desse documentário foi oferecer uma contribuição ao nosso país, que sediará os jogos olímpicos de 2016 e só parece preocupado com os investimentos na construção e nos transportes, colocando em último plano a preparação de atletas.
Com a produtora Paula Barreto na Habana Vieja restaurada.
Ao fundo, bar que fabrica sua própria cerveja.
Esse trabalho foi uma iniciativa pessoal minha, com todas as despesas por minha conta. Paguei a passagem de avião por R$ 1.821 reais (pagos em 6 parcelas sem juros) pela Copa Airlines e aproveitei a baixa temporada: a diária no famoso hotel Havana Rivieira, comprada através do site Decolar.com saiu por 41 dólares. Além disso, contratei os serviços de um carro particular com motorista e tive como guia, a custo zero, uma apaixonada funcionária do INDER.
Contei também com o apoio da produtora Paula Barreto e do casal Carlos e Adriana Vasconcelos. Paula, a quem conheci no avião, fora a Cuba apresentar o filme Lula, o filho do Brasil, dirigido por seu irmão, Fábio Barreto. Casada com Cláudio Adão, ex-craque de futebol, é mãe de dois atletas: Felipe Adão, que seguiu o esporte do pai, e Camila, atleta profissional de vôlei. Não é só isso: trata-se de uma das figuras humanas mais sensíveis e admiráveis que conheci.Ela é uma verdadeira enciclopédia sobre esportes e sabia tudo de cada campeão cubano.
Carlos Vasconcelos é empresário na área de exportação e importação. Há seis anos é quem leva em mãos os filmes brasileiros para o Festival Internacional de Havana. Adriana, sua esposa, é formada em cinema e em 2007 fez curso de direção de atores na EICTV (Escuela Internacional de Cine y Televisión de San Antonio de los Baños – Cuba). Havia uma semana, concluíra as filmagens do seu “curta” Entre-muros. Os dois são meus amigos e me incentivaram a ir ao 32º Festival Internacional do Cinema Latino-Americano em Havana.

Cocotaxi e onibus com assentos panorâmicos:
o turismo tem cada vez maior importância
 Mudanças para preservar a natureza da revolução

Como disse, fui a Cuba pela primeira vez em julho de 1960, um ano e meio depois do triunfo da revolução. Aos 17 anos, com outro colega, representei os secundaristas brasileiros no Iº Congresso Latino-Americano de Juventudes. No início de 1961, já como jornalista, fui trabalhar em Havana, onde fiquei até maio de 1962. Depois, visitei Cuba em 1986, como turista, e em 2003, integrando uma delegação parlamentar do Rio de Janeiro.
Por esse currículo, considero-me um conhecedor de Cuba, em condições de visualizar seu futuro sem grandes esforços. Por isso, além de trabalhar no documentário, feito com duas pequenas câmeras de alta definição, espero escrever sobre as mudanças que se desenham no horizonte, segundo um diagnóstico racional de natureza profilática.
Pelo que pude observar nessa viagem, a mudança é incentivada pela direção política de Cuba, inclusive por Fidel Castro e pelos dirigentes de sua geração que ainda participam do governo revolucionário, entre os quais o vice-presidente do Conselho de Estado, José Ramón Machado Ventura, médico e guerrilheiro de Sierra Maestra, hoje com 81 anos de idade, e o ministro da Informação, comandante Ramiro Valdés Menéndez (78 anos), companheiro de Fidel desde o 26 de julho de 1953, quando um grupo de jovens atacou o quartel de Moncada, em Santiago de Cuba, 16 meses depois do golpe que levou o general Fulgêncio Batista a implantar a mais sanguinária ditadura na América Latina.
Não há exagero em dizer que os formuladores dessa mudança trabalham freneticamente, 18 horas por dia, tentando compatibilizar o novo modelo econômico com os ganhos sociais, principalmente nas áreas da educação, saúde e dos esportes, estes entendidos num plano que abrange os cuidados com a saúde até a formação gregária dos cubanos.
Hotéis Meliá e Rivieira. A rede Meliá chegou  nos anos 90 e o
Rivieira, onde paguei diária de $ 41, faz parte agora da rede
Gran Caribe, junto com o Nacional e outros.
Através das emissoras oficiais, o governo revolucionário proclama ter chegado a hora de expor os próprios erros. Na verdade, pelo que vi com meus próprios olhos, o maior desafio será refazer os referenciais de poder, que produzem um ambiente desconfortável e contraditório: de um lado, muitos dirigentes partidários, á frente de unidades administrativas e empresas, não têm tido o comportamento desejado e excedem-se em benefício próprio.
Uma nova ótica sobre a remuneração do trabalho
De outro, paradoxalmente, a classe média emergente, com poder de compra e conforto, é integrada majoritariamente por 750 mil famílias cubanas que recebem ajuda dos seus parentes residentes em outros países. Só nos Estados Unidos, existem hoje 1,5 milhão de “cubanos-norte-americanos”. Estima-se que por vias legais e ilegais (através de “mulas”, via México) chegam a Cuba anualmente para essas pessoas cerca de 2 bilhões de dólares. As receitas com turismo, que crescem de ano a ano, saltaram para 2,4 milhões de dólares em 2006 (em 1989, último ano da União Soviética, Cuba recebeu 270.000 visitantes; em 2005, 2 milhões e 300 mil) As exportações, que já não se limitam ao açúcar, pelo contrário, batem 2,7 bilhões de dólares, com uma novidade: a biotecnologia, com mais de 700 patentes, poderá ser em breve o principal manancial do comércio exterior.
Não obstante, o governo reconhece que há grandes distorções salariais, em função das quais não será surpresa se um médico for fazer “hora extra” como maleteiro. Para corrigir essa distorção, governo está revendo o quadro de pessoal, abrindo espaço para que pelo menos 500 mil dos 4 milhões empregados públicos sejam transformados em profissionais privados, no exercício de 178 atividades já liberadas à “livre iniciativa”.

Eletrônicos japoneses, chineses e da Coreia são vendidos em
Cubapara a classe média que recebe dólares de fora ou para
alguns "administrradores"  de estabelecimentos
estatais, que ganham "por fora".Isso acaba criando uma
 "nova class de privililegiados". E isso e preocupa
o governo revolucionário.
 Com minha experiência de 50 anos no jornalismo – e mais esse tempo todo de convívio direto ou indireto com os cubanos – vou tentar dissecar o novo formato do regime socialista nessa ilha que é considerada o melhor e mais seguro destino turístico da América Latina.
Por ora, afirmo: as mudanças em estudo, além de porem corajosamente as coisas nos seus devidos lugares, cristalizarão um processo de avanço em condições de manter o país no ritmo de crescimento capaz de preservar seus níveis sociais imbatíveis, apesar do asfixiante bloqueio econômico norte-americano, sobre o qual também falarei aqui.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Fala sério: todo aquele espetáculo de guerra foi só para hastear a bandeira no topo do Alemão?

Foi competente a operação que não prendeu quase ninguém entre 700 bandidos e não achou os 3 mil fuzis da “rapaziada”?

Entre o Complexo de favelas da Penha e o do Alemão vai uma boa distância
 “A ocupação do Alemão foi preocupadamente tranquila”
Delegado Marcus Vinicius Braga, do comando da operação.

De malas prontas para um trabalho fora do Brasil, não teria tempo para voltar ao assunto dessa “batalha do Rio”, com semelhanças da “batalha de Itararé”, se não fosse pelo oba-oba orquestrado, disseminado para fazer crer que vivemos um domingo histórico, tão marcante que o prefeito Eduardo Paes, figura absolutamente omissa nesses dias tensos, anunciou um decreto de “refundação da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro no último dia 28 de novembro”.
Um amigo me disse ao telefone: “hoje me sinto mais brasileiro”. Um leitor me escreveu, perguntando: “depois da ação - perfeita - da polícia, o que mais vc vai falar?”. A grande mídia não perdeu a oportunidade de fazer sua própria festa, mostrando os seus heróis, que estiveram no “teatro da guerra” com treinamento prestado por empresa internacional de segurança e sob a proteção da coalizão formada entre tropas do Estado e das Forças Armadas, muitos destes com experiência no combate aos bandidos do Haiti.
Ao que me perguntou, repliquei com a pergunta que faço a todos: e aquele monte de bandidos - 700, estimavam – o que foi feito deles? Todo aquele aparato foi para entrar no Morro do Alemão e hastear as bandeiras do Brasil e do Estado do Rio, ou para pegar os malfeitores que tanto medo disseminaram com suas ações incendiárias insólitas e desafiadoras, além dos males maiores que vêm causando à segurança dos cidadãos?
Libertaram o “Alemão”? Não diga...
Libertaram o Morro do Alemão? Não diga. Eu não sabia que aquele complexo, onde o governo está gastando mais de R$ 500 milhões só para implantar um teleférico que ninguém de lá pediu estava sob governo do “poder paralelo”. E nas várias vezes que o presidente Lula e o governador Cabral estiveram lá para inaugurar algumas obras, como isso aconteceu? Tiveram de pedir autorização ao tráfico?
Então quer dizer que estavam gastando nossa grana não área por ser “libertada”? Como, aliás, estão gastando na Rocinha, Manguinhos e outras ainda não tomadas pelas forças policiais.
Menos. Menos, rapaziada. Vamos devagar com o andor que o santo é de barro.
Secretário Municipal de Desenvolvimento Social por duas vezes, conheço o Complexo do Alemão muito bem. Como conheço, aliás, por dever de ofício, quase todos os antigos “parques proletários”, denominação oficial dada às favelas antes de 1964.
Vou falar mais dessas áreas a seguir, ou em outra oportunidade, mas antes, com meu “feeling” de meio século de jornalismo, posso dizer que nessa história toda tem truta. E truta das grandes.
E se tiver havido um acordo?
Tenho minhas razões para acreditar que o passeio dominical das forças de segurança aconteceu como resultado de uma certa negociação. Isso mesmo. Não posso afirmar categoricamente, é claro, porque não tenho provas. Porque tudo deve ter acontecido no sapatinho, com a devida discrição que o caso impunha.
Essa idéia me ocorreu logo ao meio dia de sábado, quando José Junior, coordenador do grupo Afro Reggae subiu ao morro, pela Estrada do Itararé, juntamente com outros quatro parceiros, em missão estimulada pelo governo do Estado.
Àquela altura, na hora do almoço, o comandante geral da PM, coronel Mário Sérgio Duarte, em tom marcial, já havia formalizado seu ultimato, retransmitido ao vivo e a cores para todo o mundo, determinando que todos os traficantes descessem em fila indiana, com as mãos na cabeça, porque o morro seria invadido a qualquer momento. Do contrário, não teria como garantir a integridade de ninguém. Nem dos bandidos, nem dos moradores.
Nesse emocionado comunicado, o coronel lembrou que contava com apoio das forças de terra, ar e mar (quer dizer, com os fuzileiros e seus tanques de guerra capazes de transpor qualquer obstáculo).
Não precisa ser especialista em segurança ou coisa que o valha para saber que só havia uma condição para a polícia entrar na área “dominada” com possibilidade de fazer prisões: até às sete da noite daquele sábado claro, quando as atenções do Brasil estavam concentradas no aparato montado, que postava tropas e tanques por todos os acessos do Complexo, nos bairros de Olaria, Ramos, Bonsucesso, Inhaúma e Penha.
O coronel mordeu a língua e ficou no blefe. Ou, então, fez a sua parte no acordo possível, que estou apenas especulando, com base no método da “sintomatologia da informação”.
Como na fuga filmada ao vivo
Ao cair da tarde, a situação ficou mamão com açúcar para todos os bandidos. Assim como mais de 300 que estavam na Vila Cruzeiro tomaram um caminho pouco conhecido em direção ao Alemão, percorrendo a pé mais de 10 quilômetros com direito à filmagem do seu passo-a-passo, sem interceptação policial, o grosso da “tropa inimiga” ficou à vontade para planejar sua evacuação, evitando o confronto para o qual nunca esteve preparada.
Bandido não está aí para conflitos cinematográficos. Não tem compromisso com nada, a não ser com sua vida perigosa, que é de pouca duração, mas permite alguns momentos com o rei na barriga.
Mais uma farsa do que uma caça
Mas as autoridades, que conviveram com esses bandidos por todo esse tempo, garantindo, inclusive, por “consenso” a realização das obras financiadas pelo PAC, estavam mais para uma farsa do que para a “caçada implacável” prometida pelas vozes flamejantes em busca dos seus minutos de celebridade.
Não foi difícil para aquele quase milhar de foras da lei dar o fora em busca de outros refúgios ou até mesmo homiziar-se em alguns lugares dentro do próprio complexo. A intenção da coalizão repressiva não era também a do confronto, da captura. Isso já tinha ficado claro e evidente na fuga da Vila Cruzeiro, transmitida ao mundo pelo helicóptero da Globo, que mostrou a marcha de centenas de marginais sem um policial em seu encalço, sem ninguém para proceder a interceptação, em plena luz do dia, no acesso ao Alemão, provavelmente pela estrada da pedreira, que fica na Penha.
Com a entrada “triunfal” na manhã de domingo, sem uma baixa a lamentar, sem achar o paiol dos 3 mil fuzis calculados pelos “especialistas”, sem prender quase ninguém, embora exibindo grande quantidade de maconha deixada pelos traficantes, as forças militares e policiais precisavam de um “marketing” de vitória histórica, algo que levasse o prefeito ao extremo de proclamar a refundação da cidade.
E junto com todo o espetáculo consagrador, as informações de que os procurados estavam recorrendo a redes de esgoto para escapulirem.
Para variar, tomando dinheiro do trabalhador
Isso tudo encheu os olhos de uma população atordoado, amedrontada, que agora começa a ficar sabendo de certas peripécias: graças a um fotógrafo do CORREIO BRAZILIENSE, a própria Rede Globo 
revelou uma faceta desses heróis: alguns policiais invadiram a casa de um trabalhador e levaram R$ 31.000,00 que ele havia recebido numa rescisão de contrato de trabalho, como provou com farta documentação.
Abrindo caminho para a volta da milícia
Finalmente, vale falar aqui de duas coisas: da possibilidade da polícia estar abrindo caminho para uma “milícia”, que não seria estranha na área. Até 1988, pelo menos na área da Nova Brasília, que dá acesso à Avenida Itaoca, havia uma espécie de “mineira”, em choque com os bandidos da Grota. Depois da morte de um sargento conhecido como “diabo louro”, era comandada pelo “Tião Bundinha”, que foi assassinado pelo Betinho, seu lugar-tenente, morto depois, sob suspeita de fazer jogo duplo,  quando o “Orlando Jogador” resolveu tomar todo o complexo, . Nessa época também, mataram o sargento Pereira, que controlava o tráfico e a mineira na Fazendinha, tendo sido nomeado administrador regional do Complexo no primeiro governo Cesar Maia.
Suplente de vereador pelo PSDB, embora com pouco mais de 4 mil votos, deu o maior trabalho à Câmara Municipal, porque não apareceu para assumir, quando Roberto Dinamite foi eleito deputado estadual. Seu corpo foi cremado no “microonda”, o mesmo que um dia vitimou o jornalista Tim Lopes.
A outra coisa é a quantidade de cartazes de políticos ainda na comunidade. Ao contrário de outras favelas, desde a época do Pereira, ninguém subia o morro sem negociar uma grana com os seus “donos”. Será que vão investigar ligações de políticos com os “donos do morro” agora “libertado?”
Quando voltar da viagem, voltarei ao assunto.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

O atestado de óbito de uma política de segurança baseada na criminalização das comunidades pobres

“Isso é uma guerra. É uma guerra e guerra tem de ser enfrentada como guerra. Direitos humanos devem ser respeitados sempre, é nossa filosofia, Mas isso é uma guerra”.
Sérgio Cabral, 11 de novembro de 2007.

Quase 20 ônibus foram incendiados nos últimos dias nessa onda de ataques
Como no filme TROPA DE ELITE 2 (obra prima do cinema nacional que você não pode deixar de ver) essa interminável sequência de desafiadores ataques criminosos, responsáveis por um clima de pavor generalizado no Estado do Rio de Janeiro, é, antes de mais nada, o atestado de óbito da política de segurança do governador Sérgio Cabral, que engabelou muitos cidadãos ingênuos com a idéia de que assegurava proteção aos burgos com a ocupação policial de algumas favelas, enquanto bancava a tática dos confrontos e o patrocínio da maior matança de jovens das comunidades pobres.
Essa política parte do princípio de que a um cidadão apavorado serve-se o cardápio da SENSAÇÃO de segurança como calmante para seus nervos à flor da pele. A violência urbana pode continuar em alta, mas a notificação da presença policial em algumas comunidades pobres e criminalizadas, numa declarada disputa de territórios, sugere o bloqueio de redutos e a imobilização do “poder paralelo”, com a consequente redução da criminalidade.
A essa cortina de fumaça adiciona-se o espetáculo da matança em pencas, como aconteceu no Complexo do Alemão, em 2007 (convém ler o Relatório do Comissário da ONU, Philip Alston, sobre Execuções Extrajudiciais, Sumárias ou Arbitrárias no Rio de Janeiro) e a sucessão de massacres na favela da Coréia, em Senador Camará.
Marginais mostram sua força
Fosse real e consistente o método usado para dourar essa míope e desastrada “política de segurança”, isso que está acontecendo agora, no portal do período natalino, não poderia ter chegado ao ponto que chegou. O governo estadual, com todo o apoio do federal, teria “cortado as linhas inimigas”, reduzindo o seu poder de fogo e instalando feixes de proteção sobre os bairros do asfalto.
No entanto, temos neste momento uma população acuada, atacada por todos os flancos e exigindo que se faça qualquer coisa, que se mate qualquer suspeito, enquanto um sistema policial desmoralizado e em pandarecos pede ajuda pelo amor de Deus às Forças Armadas, que, pela primeira vez, fugindo à sua finalidade constitucional, põem seus tanques em favelas planas e oferece o escopo de uma guerra efetiva contra focos da delinquência selecionados no palpite, que permaneceriam intocados se as cidades da região metropolitana não tivessem sido atacadas em insólitas ações incendiárias.
É claro que estamos num momento de grande comoção, com a virtual paralisação das atividades nas urbes afetadas e a disseminação de um sentimento de impotência e revolta entre os cidadãos. O que todos querem de cara, enfatizo, é ver o fim imediato dessa beligerância e a punição sumária dos responsáveis por esse estado de choque que afeta a quase todo mundo.
E é provável que as forças da repressão ofereçam as cabeças cortadas de centenas de suspeitos, em atos compensatórios que serão aplaudidos freneticamente.
Por que negaram educação de verdade aos pobres
Mas nada disso representará o restabelecimento do mínimo de segurança da população. Se o ódio de classe e a hegemonia das elites racistas e excludentes não tivessem triunfado sobre a estratégia de Leonel Brizola e Darcy Ribeiro, se desde aquele 1983 os governos tivessem investido em massa nos CIEPs, as escolas de tempo integral, oferecendo carinho e conhecimento aos meninos pobres, se as áreas marginalizadas das cidades não fossem vistas apenas como “santuários do crime” e currais eleitorais de políticos canalhas, certamente não teríamos chegado a esse ambiente de guerra de desdobramentos imprevisíveis.
Ao contrário, a visão lúcida de Brizola foi usada contra ele com a chancela de uma mídia entre empresarial e superficial, mídia que exibe diariamente pela televisão centenas de mortes em filmes que glamorizam o crime.
Prevaleceu a política da matança “exemplar”, com incursões programadas nas áreas onde moram milhares de trabalhadores que não podem pagar o alto custo da habitação num país em que os bancos controlam o sistema imobiliário e remetem quem ganha pouco para os barracões dos morros e da beira-rio.
Sérgio Cabral transformou a suposta defesa dos cidadãos pacatos numa guerra declarada de disputa de territórios. Num mata-mata que vitimou também muitos policiais e confinou a responsabilidade da segurança nos limites bélicos, envernizados pelas tinturas do ódio de classe: vencerá quem tiver mais bala na agulha, quem dominar mais territórios nos morros e nas zonas proletárias.
A farsa da ocupação de algumas favelas
Cabral investiu nas vitrines pontuais e tentou fazer acreditar que estava semeando proteção aos cidadãos com as suas UPPs. A bem verdade, seu abre-alas é uma farsa picaresca. Refiro-me, sim, ao espetáculo das festejadas unidades de polícia pacificadora.
Pelo noticiário de uma mídia que morre de medo do morro, esses grupos policiais teriam livrado doze comunidades do domínio do tráfico. O que aconteceu, de fato, foi uma espécie de acordo virtual: a “rapaziada” trocou a exibição de seu armamento pelo “sapatinho” e continuou vendendo seus tóxicos. Nenhum “chefão” dessas áreas ocupadas foi preso. Aliás, quase ninguém saiu de circulação – apenas caiu na clandestinidade consentida.
Mas a meninada sem atenção familiar adequada, em número cada vez maior,  continuou tendo onde pegar sua droga. Até o “delivery” e as vendas pela internet foram implantados com sucesso. Em suma, se o objetivo fosse fechar o mercado, tal não aconteceu.
Veja um exemplo: na terça-feira passada, policiais da delegacia da Taquara prenderam 11 integrantes de uma quadrilha de 21 traficantes, que enviavam drogas da Cidade de Deus (segunda comunidade “pacificada”) para o complexo do Alemão. Todos os presos moravam e operavam no antigo conjunto favelizado de Jacarepaguá.
Mesmo que tivesse cessado o comércio de drogas nas áreas ocupadas pela polícia, isso não produziu nenhum efeito real sobre a cidade: os criminosos continuaram praticando seus assaltos, matando e levando pânico, principalmente nas grandes vias de acesso e na adoção de práticas novas, como o sequestro do cidadão para suas próprias casas, onde fazem a limpa e saem levando um refém até escaparem em direção aos seus redutos: no caso de Jacarepaguá, onde esse tipo de assalto prolifera, os bandidos fazem questão de informar que são da Cidade de Deus.
A matança dos jovens das favelas não reduziu a criminalidade
Para reforçar mais essa SENSAÇÃO de segurança, o governador Sérgio Cabral deu continuidade com maior ênfase à matança de jovens dessas áreas, sempre com o registro de “auto de resistência”.
Com isso, o Rio de Janeiro galgou um patamar olímpico: a polícia fluminense mata por ano mais pessoas em “confrontos” do que todas as 21 mil corporações dos Estados Unidos, segundo revelação do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania.
No governo de Sérgio Cabral, a polícia radicalizou: já entra nas favelas atirando no primeiro suspeito. Isso representou um aumento de 30% de jovens e adolescentes mortos nas comunidades pobres em relação a 2006.
Se compararmos com oito anos atrás, a diferença é brutal: os dados oficiais do Instituto de Segurança Pública registraram 1.186 mortos em “autos de resistência” de janeiro a dezembro de 2007. Em 1999, as mortes nessa rubrica foram de 299 jovens e adolescentes.
Sob Cabral, patrocinador da "política de enfrentamento", foi atingida a marca de 147 mortes praticadas por policiais em um mês, quase cinco por dia. Isso ocorreu seguidamente em abril e maio de 2008. Foi o ápice dos autos. Segundo pesquisa do IPEA, encomendada pela Assembléia Legislativa, em 2008 a polícia do Rio prendeu 23 pessoas para cada morte em autos de resistência. Em São Paulo, foram 348 prisões para cada morte. Nos Estados Unidos, essa média é de 37 mil prisões para cada caso de resistência seguida de morte.
Essa política de extermínio não reduziu a criminalidade. Para cada suspeito morto, há três na fila desse emnprego macabro.
Sem essa de perda de território
Não é apenas essa sequência de assassinatos perpetrado pelos agentes da Lei que levou a essa reação dos bandidos. Nem também “a perda de territórios”, como alega Cabral. De fato, neste caso, as grandes favelas permanecem fora da planilha: Rocinha, Complexo do Alemão, Jacarezinho, Manguinhos, Complexo da Penha, Vila Vintém, Rebu, entre outros não estão nos planos de ocupação, pelo menos por agora.
Nessas áreas, a polícia prefere as incursões ocasionais de extermínio. O populoso Complexo da Maré, ao longo da Avenida Brasil, ganhou até um Batalhão, que fica de frente para a Linha Vermelha: e, no entanto, nada mudou, ou mudou para pior: há uma semana, policiais da Ilha do Governador trocaram tiros com quatro PMs da Maré, que estavam num carro roubado. E a Linha Vermelha conrinua sendo uma das mais vulneráveis vias de risco.
Tudo isso tem a ver com uma espécie de “radicalização de hábitos” dos criminosos e também com a revolta diante da transferência de seus parceiros para presídios federais distantes, sem o respeito à Lei das Execuções Penais (por conta de um acordo extra-judicial do governo do Estado com o Tribunal de Justiça).
Sob certo aspecto, tocar fogo num carro estacionado, incendiar um ônibus dessas empresas que mandam e desmandam na Prefeitura, prestando péssimos serviços à população, é uma variável de viés político. O governador proclamou o combate ao crime como uma guerra – os bandidos pegaram a deixa e partiram para a sua própria “guerra de guerrilha”, onde exibem uma alarmante onipresença, deixando todo mundo sem saber onde há um porto seguro.
Daqui para frente, enquanto tiverem pessoal disponível, os marginais vão causar pesados prejuízos às cidades fluminenses, que dependem agora da mão forte das forças federais. A polícia do Estado perdeu essa guerra, até porque nunca teve esse combate sob uma ótica decente – todo mundo sabe que é difícil encontrar um policial  realmente disposto a ser um “capitão Nascimento”.
Espero que você não ache que estou escrevendo para justificar essa onda assustadora de ataques a carros e ônibus, que levou O GLOBO a dedicar hoje todo um caderno especial ao assunto. E que fez esse mesmo jornal comparar a participação de alguns tanques dos Fuzileiros Navais ao desembarque que mobilizou 3 milhões de soldados dos Estados Unidos, Inglaterra e Canadá na Normandia, naquele  decisivo 6 de julho de 1944, durante a II Guerra Mundial.
Apavorado, qualquer um perde a tranquilidade e a capacidade de raciocinar. Mas se você ainda tem condição de pensar, ponha-se no seu próprio lugar e recorra aos seus conhecimentos de lógica: Cabral está pagando por sua miopia, por sua incompetência, por sua vocação elitista. Cidades estão paralisadas e nossa sorte depende agora de uma intervenção federal de fato, a mesma que o agora deputado eleito pelo PDT, Sérgio Zveiter, queria, quando presidente da OAB, para afastar Brizola do governo do Estado, na década de 90.

sábado, 30 de outubro de 2010

Enquete do blog indica vitória de Dilma sobre Serra por 3 votos


Ao meio dia deste sábado, 30 de outubro, o programa do “Blogspot” fechou a “urna” da enquete para presidente da República, realizada pelo blog PORFÍRIO LIVRE, apontando o seguinte resultado:
Votaram: 489 leitores
Dilma: 224 (45%)
Serra: 221 (45%)
Nulos: 36 (7%)
Indecisos: 4
Brancos: 4
Agradeço a participação de quase 500 eleitores, que correspondem a pouco menos de 10% dos destinatários do JORNAL ELETRÔNICO POR CORRESPONDÊNCIA. No primeiro turno, haviam postado seus votos 394 leitores.
Em tese, embora a enquete não siga a metodologia das pesquisas, porque não pretende refletir a vontade de todo o eleitorado, os dois presidenciáveis registraram um empate técnico, na faixa dos 45% das preferências.
Esse é o universo dos leitores do blog e dos destinatários do JORNAL ELETRÔNICO POR CORRRESPONDÊNCIA.
Ao longo dos sete dias da consulta, deixei os meus parceiros totalmente à vontade e reafirmei que não tinha a menor interferência no programa gerado pelo provedor do blog, que controla as postagens por IP (computador). Demonstrei que era impossível um mesmo IP gerar mais de um voto para o mesmo candidato.
Eu mesmo, após longa reflexão e avaliação, preferi anular meu voto, o que farei nas eleições de amanhã. Estou consciente que serão poucos os que tomarão essa atitude e respeito a decisão de cada um em canalizar suas esperanças para um dos candidatos, que demonstraram mais uma vez, no falso debate da GLOBO (Foi na verdade uma entrevista coletiva) não terem grandes diferenças, como contarei em outra postagem.
Já as pesquisas dos institutos especializados apresentam números bem diferentes, dando como certa a vitória de Dilma Rousseff por uma diferença mínima de 10 pontos.
Independente das nossas vontades, a partir de amanhã à noite teremos um novo presidente no Brasil, saída das urnas, pelo sistema eleitoral vigente, em que os partidos de maiores bancadas federais têm maiores tempos na televisão e rádio, mais recursos do Fundo Partidário e, naturalmente, mais doações dos interessados no controle do Poder, onde o força do Estado é preponderante e pesa decisivamente no desempenho das empresas.
A partir do dia 3, estarei de novo em todas as trincheiras, procurando oferecer minha opinião e trabalhando pela politização e organização do povo, valendo-me de todas as ferramentas à mão.
Aos 67 anos, sinto revigorar minhas energias e, como não mudei de idéia para acessar ao poder por qualquer preço, estou certo que ainda poderei ajudar a resgatar o sonho que não acabou, pelo menos, para mim.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Os sinais explícitos de parentesco próximo entre os finalistas de domingo

As semelhanças entre Dilma e Serra, PT e PSDB, não são meras coincidências
“Nenhum dos candidatos aborda aspectos da política econômica. Não se colocam contra a autonomia e independência do Banco Central; não falam nos aspectos danosos do câmbio flexível, dos juros, da dívida que já ultrapassou os R$ 2 TRILHÕES. Auditoria da dívida... ora, não vão mexer nos interesses dos banqueiros”.
Ronald Barata, ex-dirigente da Cut e ex-presidente do Sindicato dos Bancários.

São tantas e tais as semelhanças explícitas entre os dois finalistas de domingo que me dispensaria de relacionar algumas não fosse pelas exigências de leitores ainda iludidos com a idéia de que os personagens em tela são de incubadoras diametralmente opostas.
Poderia simplesmente recomendar a leitura do trabalho assinado por Ronald Barata, ex-dirigente da CUT e presidente do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, que transcrevo no blog PORFÍRIO & PARCEIROS.
Mas, como estamos na boca da urna, cuido eu mesmo de citar o enorme parentesco entre ambos, coisa que faço sem precisar ir fundo na pesquisa:
Política Econômica igual, sem tirar nem pôr
Nos últimos 16 anos, FHC e Lula seguiram o mesmo receituário monetarista, inserido no contexto da globalização, sem questionar o modelo econômico dependente dos humores externos e do “mercado”.
O eixo dessa política é a utilização das taxas de juros como elemento “disciplinador” do mercado e “inibidor” da inflação. Com o uso sem pudor dessa ferramenta, ganham principalmente os banqueiros e os inevitáveis detentores de informações privilegiadas, que manipulam as aplicações.
Essa política limita o crescimento do país, como escreveu o economista Daniel Miranda Soares: “o Brasil não cresce porque possui uma enorme dívida pública que não para de crescer. E não pára de crescer porque temos a mais alta taxa de juros do mundo. FHC deixou que essa dívida chegasse a 64% do PIB, quando era 30% no início do seu governo. No momento que a dívida externa se estabilizava FHC aumentava a taxa de juros para estabilizar o Real. Ao manter as taxas na estratosfera a dívida cresceu de R$60 bi para R$890 bilhões. O governo Lula conseguiu estabilizar a dívida pública em torno de 50% do PIB mas às custas de elevado superávit primário, mantendo as taxas de juros elevadas. Resultado disso tudo: baixas taxas de crescimento do PIB, desde a explosão da dívida externa dos anos 80”.
Se FHC engessou a economia no superávit primário, Lula aumentou sua meta de 3,19 para 4,32%. Com esse recurso contábil, o governo tira do setor produtivo para garantir o pagamento das dívidas – interna e externa – sem proceder nenhum questionamento, nenhuma auditoria como queria Brizola.
Estudo do Forum Brasil de Orçamento, uma entidade apartidária, deixa muito claro o que isso significa: “Ter uma meta de Superávit Primário significa necessariamente que o governo vai tirar da economia privada (na forma de impostos ou tributos, que são a receita do governo) mais do que vai injetar nela (na forma dos gastos do governo). O superávit primário não significa Austeridade Fiscal, e sim, Sacrifício Social”!
Os mesmos bodes expiatórios
Para sustentar essas políticas que abastecem o oligopólio financeiro, os dois governos fizeram o mesmo na exibição de bodes expiatórios: gastos com funcionalismo e custos da previdência pública. Ambos trabalharam na prática pelo Estado mínimo e favoreceram a previdência privada, com as duas “reformas” que fizeram através das emendas constitucionais 20 e 40.
E qualquer um que ganhe patrocinará o terceiro garrote, desta vez mais impiedoso, tendo como contrapeso a “reforma trabalhista” preparada por Mangabeira Unger com o assentimento das cúpulas sindicais, devidamente amansadas por um conjunto de expedientes – do abastecimento financeiro dos seus cofres à cooptação de uma numerosa malha de dirigentes.
Na área do funcionalismo, os dois governos mantiveram os arrochos nas atualizações dos vencimentos, principalmente do pessoal do Executivo, civil e militar, estabelecendo também a tática dos reajustes setoriais.
Além disso, dedicaram-se freneticamente às terceirizações de triplo efeito: livram o Estado dos compromissos estatutários, dispensam os concursos públicos e forjam uma máquina de propinas alimentada pela elevada diferença entre o que uma empresa cobra e o que paga pela mão de obra alocada.
Privatizações de primeira e segunda geração
Na questão das privatizações-doações, nada de diferente, a não ser no formato. Além de manter todos os atos privatistas do governo anterior, o governo do PT colocou o BNDES como suporte do que se poderia chamar de “reprivatização” ou privatização de segunda geração.
Com recursos públicos, algumas empresas compraram outras numa ciranda que passou por cima das leis, como relata Ronald Barata em sua matéria. Além disso, concessionárias como a Eletropaulo foram arrematadas  com financiamento do BNES para as empresas estrangeiras, como a AES. Esta não só se beneficiou da proteção tucana, como voltou a tirar vantagens no BNES de Lula.
Na área do petróleo, os dois governos se equipararam no favorecimento às empresas privadas, inclusive as estrangeiras. Nem mesmo a troca do regime de concessão por partilha significou mudança real. Ao contrário, o novo sistema põe a empresa estatal como sócia obrigatória de todas as empresas aquinhoadas, sem peso decisório (ao contrário da propaganda oficial), sujeitando-se aos riscos. Sobre o comportamento verdadeiro dos dois governos, sugiro ler a entrevista que Ildo Sauer, ex-diretor da Petrobrás, concedeu a O GLOBO, transcrita no blog do Nassif.
Dela, vale destacar um relato emblemático: “Nos negócios normais do capitalismo, quando uma empresa subtrai de outra núcleos estratégicos do conhecimento, as pessoas ficam impedidas de trabalhar, em quarentena técnica ou legal. Neste caso, a presidenta do Conselho de Administração da Petrobras (Dilma Rousseff), sabendo que o núcleo estratégico foi retirado, não fez nada e ainda manteve o leilão. Recrutaram a equipe em meados de 2007 e, em novembro, compraram os blocos. Em julho do ano seguinte, venderam 38% de seu capital por R$ 6,7 bilhões. E, desde ano passado, vem anunciando descobertas, confirmando tudo aquilo que nós já dizíamos sobre aquelas áreas, que eram promissoras. Já anunciaram de 2,6 a 5,5 bilhões de barris. Em valor de mercado, em torno de R$ 50 a R$ 80 bilhões, valor maior que a capitalização da Petrobras. Fora esses barris entregues ao Eike Batista, há tantos outros entregues durante os anos. O governo Lula leiloou mais blocos sobre o pré-sal e verteu por mais tempo o modelo inventado pelo FH do que o FH. FH começou a leiloar em 2000, fez 4 rodadas. Lula leiloou 6, dos quais cinco tinham blocos sobre o pré-sal”.
A ajuda “temporária” que virou meio de vida do lumpesinato
Na questão social, operaram com as mesmas fórmulas concebidas para o lumpesinato dos países subdesenvolvidos pelos cérebros do “Diálogo Interamericano”, a super-ONG presidida por David Rockfeller (presidente do Chase Manhattan Bank), na qual FHC e Lula foram recebidos, de mãos dadas, na “cúpula” de 1992, em Washington.
O mote foi jogar pesado na implementação de políticas compensatórias imobilizantes, bancando o lumpesinato e transformando-o num macro-curral eleitoral. Por sua natureza, os tucanos diversificaram os programas assistencialistas, evitando a centralidade irreversível. Lula, orientado pelos marqueteiros, juntou tudo no “bolsa-família” e hoje o que seria um socorro temporário tende a institucionalizar o parasitismo social: Serra promete até o 13º para ver se quebra a hegemonia petista sobre a massa de viciados dependentes da esmola estatal.
Na educação, os mesmos referenciais, que tornam caricato o ensino público no nível fundamental e no médio, favorecendo a caríssima rede de escolas particulares. Ao invés de investirem na melhoria da educação nessas instâncias, passaram a jogar com a oferta de cotas destinadas a quem não estava necessariamente preparado para acessar a Universidade Pública.
Lula foi mais além no ensino superior, ao favorecer as faculdades privadas que tinham ofertas de sobra, através do Prouni, um programa de compensação tributária que garante diplomas obtidos  sem os critérios das faculdades públicas a milhares de universitários, lançados em condições desfavoráveis no mercado de trabalho.
A saúde continua sendo uma afronta e isso não quer dizer pouco dinheiro público. O problema está no modelo, que despreza a medicina preventiva, através do médico de família, e na falta de saneamento básico: o que o PAC do Lula gasta para implantar um teleférico no Complexo do Alemão (R$ 500 milhões) que ninguém pediu, daria para levar redes de esgotos a todas as comunidades que não dispõem desse serviço. Digo isso porque fui secretário de Desenvolvimento Social e com menos 1% desse valor realizei mais 1000 Kms de redes nas favelas do Rio de Janeiro.
Iguais na impunidade dos torturadores e nos desvios de conduta
Semelhantes são também as posturas dos dois governos em relação ao lixo autoritário. Ao contrário dos Kirchner, FHC e Lula mantiveram impunes os torturadores e intactos os crimes de Estado perpetrados durante a ditadura, sob a pífia alegação de uma anistia de dupla face. O ministro que ensaiou algum questionamento  pôs a viola no saco por ordem superior, enquanto o governo petista registrava a proeza de “desanistiar” mais de 500 ex-cabos da Aeronáutica, beneficiados no governo anterior.
Finalmente, por agora, vale lembrar que não há diferenças na apropriação dos recursos públicos, mais explícita na era Lula porque executada por governantes menos experientes. No tempo de FHC, havia mais discrição, mais “profissionalismo” na hora de meter a mão. Além disso, nada em termos de danos aos cofres públicos supera a farra das privatizações-doações, de que se beneficiaram muitos operadores do governo.
Como o Brasil porque sacrifiquei minha juventude seria mais justo e mais sério, porque acho que qualquer um dos finalistas nada mudará, negarei meu preciso voto aos dois e sairei da seção eleitoral com a consciência do dever cumprido.

Diferença na enquete continua 1%. Você tem até sábado para votar
Apurados 465 votos postados até às dez e meia da noite do dia 28, os dois presidenciáveis conservam o que se poderia chamar de “empate técnico”, termo que não cabe porque a enquete não pretende refletir o universo de todo o eleitorado.
Como o prazo da votação termina neste sábado, ao meio dia, só divulgaremos o resultado final.
No momento, Dilma tem 216 votos (46%), contra 211 (45%) de Serra. Os nulos chegam a 31 (6%), indecisos são 5 ebrancos somam 4. Para votar, clique aqui.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Fugindo do conflito da dupla face de nuances levemente diferentes



É oportuno ler o artigo de Cristovam
O que você prefere, seis ou meia dúzia?

“Debatem-se velhos temas: como crescer, e não qual crescimento; privatizar o estatizar, e não dar caráter de interesse público a toda atividade econômica, estatal ou privada; como construir mais escolas técnicas, e não como fazer uma revolução na Educação; quem vai distribuir mais Bolsa Família, e não quem a tornará desnecessária”.
Cristovam Buarque, senador reeleito por Brasília


Não sei se você leu o artigo do senador Cristovam Buarque, publicado no GLOBO de sábado, dia 23. Se não o fez, sugiro que dê uma olhada: ele está postado no seu próprio site
Reeleito com uma votação autorizadora, o ex-governador e ex-ministro da Educação esmiúça o processo degenerativo da campanha presidencial, mostrando com sua leveza de ser a ante-sala dos podres poderes.
“Não deveria haver surpresa no fato de o debate eleitoral estar sendo pautado pelo tema do aborto, da sexualidade e da crença no cristianismo.
Dois fatos levam a população a se preocupar com isso: de um lado, décadas de queda nos valores morais da sociedade - resultando em corrupção, desarticulação da família, generalização da droga, gravidez precoce, abandono de mulheres pelos maridos, prevalência da riqueza como objetivo central e valorização absoluta do consumo - fizeram com que ela, desarvorada pela falta de valores, buscasse abrigo na religiosidade.
De outro lado, nos últimos oito anos a apatia ideológica fez com que os partidos ficassem parecidos, o debate sem idéias novas e os candidatos pouco diferentes entre si”.
Tomo as reflexões de Cristovam Buarque como o ponto de partida da agenda do dia seguinte ao jogo de domingo, cada hora mais contaminado pelo vírus da diarréia mental, cada instante mais revelador de sua inutilidade, como se nunca antes nesse país a associação específica e exclusiva para o uso proveitoso do poder e para o leviano descompromisso tivesse ido tão longe.
Falta de bandeiras, excesso de ambições
Já não tenho fígado para ficar aqui cansando sua paciência com queixas infrutíferas sobre o apodrecimento da política, sobre a inversão grosseira e explícita do seu exercício. A sujeição do Estado ao jogo sujo dos interesses espúrios foi banalizada de tal forma que esse desvio de conduta já não conta como elemento de avaliação.
Políticos e aprendizes de formadores de opinião, entre estes a nova leva de missivistas da internet, perderam todo recato: agem e peroram com a certeza da existência de uma população acrítica e manipulável, nivelando-se na indigência de um ilusionismo mistificador e fraudulento, cada um puxando brasa para suas sardinhas reimosas.
Para mim, essa decisão da domingueira próxima é um oneroso conflito entre seis e meia dúzia. Já não lamento a ausência de fundamentos estratégicos e de referências ideológicas – eis que ganhou status de axioma a inventiva de que já não existem opostos entre esquerda e direita. A linha divisória estabelecida na revolução francesa teria morrido de inanição.
Não exijo sequer diferenciação de programas e propostas. Como já dizia o caudilho, tais ingredientes podem ser encomendados a especialistas, oferecidos ao consumo das expectativas e lançados ao lixo depois do seu gasto eleitoreiro.
Nas circunstâncias deste outubro ameno, o máximo que se pode almejar, em nome da construção de uma nação consistente e soberana, é que se tire uma boa lição da ressaca anunciada depois da corrida às urnas.
Não é figura de retórica dizer que os dois presidenciáveis são duas faces da mesma moeda. Igualmente, não há exagero em retirar do baú a velha máxima do primeiro dos Rothschild – “dê-me o Banco Central e não importa quem fará as leis”.
Depois que passaram a ser monitorados por marqueteiros e associados às elites dominantes, os candidatos abriram mão de suas naturezas e dos seus sonhos juvenis em troca de suas conveniências e do gáudio dos palácios.
Os marqueteiros insones ditam as falas de cada um. Para isso, além das consultas divulgadas, esses profissionais debruçam-se noite adentro sobre as tais pesquisas qualitativas para saber qual o fruto do arroto de um e de outro contendor. Dessas ilações  surgem as cenas dos próximos capítulos.
Se você sabe das diferenças, conte-me tudo
De onde ser impraticável alguém de atenção mais acurada pode se louvar nas ladainhas de campanha. Por seu caráter fraudatório, a engenharia eleitoral nutre personagens volúveis, capazes de deixarem o dito pelo não dito e fixados tão somente no rabo alheio, obrigando o eleitor a recorrer à sua intuição, ou mesmo a decidir no par ou ímpar.
Ou você é tão perspicaz que viu diferenças entre os adversários para além dos scriptes ensaiados? Se você penetrou no âmago de cada um, se lhe alcançou a alma blindada, então diga-me tudo e não me esconda nada. Porque eu mesmo, por mais que usasse minha sonda perfuratriz, cavei, cavei e vi sempre dois vultos iguais.
Tal é a fragilidade na diferenciação que o eixo do confronto perpassa a primeira vista: o conflito real é aceitar o fato consumado que o sistema eleitoral e os interesses hegemônicos impõem, como se o segundo turno fosse a consagração do partido único de dupla face, ou negar sua chancela, anulando o voto, numa assimilação da absoluta inutilidade de uma escolha entre os finalistas da mesma cepa, da percepção de um logro malfazejo.
É claro que a ilusão de poder falará mais alto. A população brasileira é politicamente subdesenvolvida, dependente do casuísmo de Estado e contagiada pelas síndromes da torcida e do fã-clube. Irá às urnas muito mais pela idealização fantasiosa dos seus pretendentes de ocasião do que pela compreensão da força motriz do seu voto, como um recado, uma opção por políticas de governo.
O índice de sensibilidade eleitoral pode ser aquilatado por uma pesquisa do DATAFOLHA, segundo a qual 30% dos eleitores já não sabem em quem votaram para deputado federal no último 3 de outubro. Não surpreenderá, portanto, se nos próximos dias os ânimos esquentarem, envolvendo as hordas numa guerra sem causa.
Apesar disso, pensando bem, pesando bem, creio ter chegado a hora de soltar o grito parado no ar e negar fogo a qualquer um dos parentes em transitório desacordo. Essa é a minha decisão, adotada com toda responsabilidade e consciente de que ao negar o voto aos dois estaremos contribuindo para um novo alvorecer.
Em que a sede de poder pelo poder dê lugar a uma emulação respeitável, representativa de partidos de verdade, de lideranças autênticas e de idéias coerentes.
Agora é Serra quem encosta em Dilma na enquete do blog PORFÍRIO LIVRE
A nova apuração, realizada à zero hora de hoje, dia 26 de outubro, revela que pelos cálculos do “Blogspot”, a diferença entre os votos postados pelos eleitores é de apenas 1%. Das 435 postagens feitas até o momento, Dilma Rousseff tem 204 votos (46%) e Serra, 197 (45%). As indicações de voto nulo subiram para 28 (6%), os indecisos são 4 e os que votarão em banco somam 2.
Se você ainda não votou, basta clicar aqui. Você tem até o meio dia de sábado para indicar sua preferência.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Dilma mantém dianteira na enquete e quem paga o pato sou eu

Dilma está com 160 (47%) das 336 indicações postadas. José Serra tem 147 indicações (43%).

Embora esteja cada vez mais propenso a anular o voto, dois ou três possessos mais desequilibrados, que destilam ódio por todos os poros contra Lula e sua candidata, resolveram descarregar sobre mim toda a ira acumulada em função da mudança do placar na enquete do blog PORFÍRIO LIVRE, que resulta de manifestações espontâneas dos leitores.
Um pôs em dúvida a lisura da enquete, alegando que uma pessoa pode votar mais de uma vez num candidato. Antes de recorrer a essa ferramenta do “Blogspot”, fiz questão de testar. Ante essa suspeita, voltei a simular uma tentativa de dar o mesmo voto para um candidato mais de uma vez.
Pelo que constatei, você pode até votar a segunda vez, mas o programa não contabiliza. A única coisa que admite é a mudança do voto. Se uma pessoa tem mais de um computador, aí pode votar de novo, porque o bloqueio é feito ao IP.
Não pensava nem em fazer a enquete no segundo turno. Mas atendi a sugestões de alguns leitores, que haviam votado na primeira, referente ao primeiro turno.
Outro, porém, extrapolou. Tal foi a contundência de suas imprecações, que faço questão de transcrevê-las abaixo, para que você tenha uma noção do que os bolsões da intolerância e da demência são capazes. Honestamente, eu não esperava tanta grosseria só por ter divulgado a notícia de que Dilma havia ultrapassado Serra na última apuração, às seis horas da manhã do dia 24.
Fiquei pensando com meus botões: elementos tão amargos e tão agressivos ainda existem aos borbotões e acabam cumprindo a pior das tarefas – jogar os indecisos no colo do adversário.
Atribuo tudo isso ao baixo índice de politização e de espírito público, como subproduto temporão dos malditos anos de chumbo. Independente do resultado, que não posso prevê, que uma enquete despretensiosa não pode influir, faço um apelo às pessoas lúcidas para que dediquem algum tempo de suas rotinas à discussão política. Daqui a dois anos, teremos eleições municipais. E se não houver uma reflexão profunda da cidadania, o nível dos mandatários cairá mais ainda, cristalizando um confronto real entre os poderes públicos e a sociedade indefesa.
Os números de hoje conservam Dilma na dianteira com 160 (47%) das 336 indicações postadas. José Serra tem nesta apuração 147 indicações (43%). Os votos nulos somam 24 (7%), os indecisos caíram de 5 para 4 (alguém mudou o voto) e há uma indicação de um sufrágio em branco.
Você tem ainda 5 dias para expressar seu voto ou para mudá-lo. Só não pode é votar duas vezes do mesmo computador. Clique aqui e vote. Depois, confira o resultado.
A ira de um leitor pode revelar desespero
Agora veja esse comentário que recebi, só por ter divulgado que a candidata Dilma ultrapassou Serra na enquete do meu blog. Creio ser dispensável identificar seu autor:
“Porfírio,
Pelo visto vc. aderiu de vez à politicagem demagógica e eufemística meu caro. Porque não declara claramente e de uma vez por todas que seu voto é da boneca de ventríloquo do molusco e do Dirceu? Seja razoável e não agrida a inteligência dos mais atentos e esclarecidos meu amigo. Verifica e me conteste caso tiveres base para tanto, se por “uma obra do acaso” a reversão dos resultados de sua “enquete” não se deu “coincidentemente” logo após você postar seu último verborrágico artigo cheio de “elogios” ao candidato vice do Serra? Ora meu caro, de manipulações espúrias em cima da massa ignara e com cultura oportunista como a do nosso povão de “cultura gersiana” já estou farto. Portanto, os artigos por vc. postados acabam de passar recibo de sua ostensiva militância e propaganda pró-status-quo e já deixou de muito de ter uma aparente independência e eqüidistância isenta. Chega de enganação e demagogia, e faça-me o favor retire meu email de seus contatos de uma vez por todas ok? Estão começando a dar náuseas.
Não queira se passar por uma “Imaculada Conceição” isenta, pois suas reais e claramente subliminares intenções são extremamente óbvias. (Talvez seja mais um preocupado em perder mordomias, quiçá seu passe já não tenha sido comprado com a bolada de indenização e não está também recebendo uma bolsa-terrorismo, não é mesmo?) Pare ao menos de tentar vender a falsa imagem de isento de posição cumpanheiro, já está pegando muito mal além de já ter sido claramente identificada sua verdadeira natureza ideológica e subversivamente altamente reacionária. Talvez ainda a nível de inconsciente mas seguramente és mais um sanguinário pronto a pegar em armas e encostar “democraticamente” seus adversários (no seu caso e de todos os petralhas, seus opositores de opinião não são adversários, mas sim inimigos, não é mesmo?) num novo Paredon. Lamentável que esteja a serviço dessa corja de oportunistas, mas sendo mais um oportunista, tenho de admitir que seu posicionamento tem coerência. Mas lembre-se bem de uma coisa camarada Porfírio, os fins nunca justificam os meios! Vocês já foram forçados a pagar um alto preço pela tentativa de impor uma ditadura e continuam “viajando na maionese oportunista” suportados na ignorância do povão sustentado pelas bolsas-estômago, demagogicamente convictos que esse deva ser o regime a ser implantado no país a qualquer preço. Evidencia-se portanto o que eu lhe respondi no primeiro artigo, ou seja: retire de vez a sua mascara de falso democrático e isento de ideologia disseminando artigos isentos de tendencionamentos e assuma de vez sua vociferação reacionária-sanguinária. Na realidade não há a mínima necessidade de “uma auto-análise mais profunda para verificar se talvez inconscientemente vc. também ainda não carrega nas entranhas a sede de sangue Castrista-CheGuevarista-Stalinista!”que lhe sugeri na resposta a seu artigo de desfiliação do PSDB. A pesar de eu condenar o método de punição, não foi por nada vc. foi preso e torturado como diz ter sido, pois vc. faz parte ativa e militante até hoje do núcleo subversivo mais danoso à preservação da ordem democrática. Cuidado para não se picar com seu próprio veneno mais uma vez, mas principalmente, atenção redobrada para quando estiver no leito de morte não vir se arrepender de sua atuação em vida, ao estilo Fidel Castro, que hoje já admitiu em público que “seu” sistema não funciona! Será tarde demais, ao se perguntar de que terão valido milhares e até milhões de assassinatos de opositores às idéias marxistas no mundo, se ao final o pragmatismo corruptor hebraico será o que irá comandar o mundo em breve através da sua plutocracia financeira. Fica mais uma vez a recomendação de que faça uma reexame de suas convicções meu caro”.

domingo, 24 de outubro de 2010

Dilma ultrapassa Serra na enquete do blog PORFÍRIO LIVRE

Com  262 votos já postados, Dilma Rousseff ultrapssou Serra, na enquete do blog PORFÍRIO LIVRE. Às 6 horas da manhã deste dia 24,  Dilma havia recebido 124 indicações (47%), enquanto o candidato tucano somava 114 (43%), cálculo feito automaticamente pelo programa do “blogspot”. Os indicativos de votos nulos somavam 18 (6%), indecisos, 5, e branco, 1. Você ainda tem mais 6 dias para votar. Reiteramos que essa enquete não pretende ser uma pesquisa, mas refletir apenas manifestações espontâneas dos leitores do blog e de nosso JORNAL ELETRÔNICO POR CORRESPONDÊNCIA.
Não há nenhuma semelhança de espécie alguma entre a enquete e as pesquisas realizadas pelos institutos especializados.  No entanto, há uma coincidência em relação ao melhor posicionamento da candidata petista  nas recentes pesquisas do IBOPE e do DATAFOLHA.
No nosso caso, não tenho elemenos para explicar a reviravolta. Ao todo, o JORNAL é enviado para cerca de 6 mil destinatários, que formam um amplo arco de opiniões.  Tenho notado na internet e nas ruas do Rio de Janeiro uma intensificação das campanhas com vistas às eleições do dia 31 de janeiro.
Pessoalmente, ainda me incluo entre os indecisos. Como você sabe, no primeiro turno votei em Plínio de Arruda Sampaio, do PSOL. No caso desta enquete, não tenho nenhuma interferência, nem mesmo nos votos familiares - aí incluindo o da mulher e dos filhos.
Finalmente esclareço: a divulgação dos resultados pelo JORNAL ELETRÔNICO POR CORRESPONDÊNCIA visa tão somente alertar os que ainda não votaram e já têm opinião.  Isto é, não traduzem nenhum sentimento pessoal.
Para votar, clique aqui. Depois confira o resultado, passando o mouse sobre os números que estiverem em amarelo.

sábado, 23 de outubro de 2010

Foi quando me perguntei, taciturno: cara, onde fui amarrar meu cavalo?

"Nunca votei no Brizola, tenho horror ao Brizola. Ele arrasou com o Rio de Janeiro"
Índio da Costa, vice do Serra

Com o discurso do sarcófago da intolerância, Índio da Costa tornou explícita a natureza reacionária do projeto de Serra
 Como disse antes, imaginava que José Serra, ex-presidente da UNE, participante do histórico comício do dia 13 de março na Central do Brasil, ao lado de João Goulart, fosse imprimir um verniz progressista à sua campanha.
Não precisa ser cientista político para perceber que Lula cresceu na queimação da “herança maldita”, deixada pelo governo FHC e antecedentes. Mesmo equilibrando-se nas vigas da política econômica herdada, mesmo sem refazer nada do que recebeu, sem questionar as falcatruas das privatizações, que permanecem incólumes, ele executou com maestria a sobreposição do discurso sobre os fatos.
Aos olhos cândidos de uma população lobotomizada não foi difícil vestir o figurino da mudança, enquanto costurava com linhas douradas as máscaras de pai dos pobres. Para isso, só precisou unificar numa única plataforma sedutora os programas sociais criados por seus antecessores, desde o tempo do tíquete de leite distribuído por Sarney.
Inteligente que só ele e, provavelmente, bom de ouvido, Lula cristalizou a idéia de avanços sociais pelo caminho dissimulado das políticas compensatórias, mesmo com o sepultamento de projetos transcendentais como a reforma agrária.
Lula fez-se a imagem do avanço, enquanto cativava banqueiros e associados, que nunca tiveram tratamento tão senhorial, e subordinava as estratégias produtivas ao agronegócio, que está restaurando o feudalismo moderno, sob o controle de uma meia dúzia de potentados, principalmente nos vastos territórios do Centro-Oeste e do Norte do país.
E foi mais longe, com seu talento inegável: sem tocar nas feridas, abocanhou os grotões que serviram de currais ao voto dos partidos conservadores, amarrou com alguns favores os segmentos religiosos mais organizados, como a Universal, cooptando de lambuja boa parte dos adversários “à esquerda”, todos agraciados com a materialização dos seus sonhos políticos de consumo.
As tralhas do obscurantismo no discurso da oposiçao
A oposição dem-tucana (e mais os revisionistas do falecido partidão, apelidado hoje de PPS) foi definhando ao longo dos oito anos de governo petista porque não percebeu e não aprendeu nada. Antes, pelo contrário. Tinha de trabalhar uma alternativa de alternância do poder pela busca de referências identificadas com o avanço. Mas optou pelo regate do atraso, indo ao encontro de uma memória turva que imaginava poder reacender o inconsciente da paranóia atávica e erguer bloqueios capazes de prostrar a fleuma da campanha oficial.
Essa opção pela direita mais reacionária, mais mofada e mais rancorosa ganhou corpo com a inesperada indicação do vice-presidente, o desconhecido deputado Índio da Costa, saído das cartolas aturdidas do DEM, já nos acréscimos do prazo para registro da chapa.
Índio padecia de psicopatias congênitas e, ao invés de querer ser o novo, cedeu à química do seu DNA, vestindo a túnica lúgubre e mal-cheirosa dos verdugos que se sustentavam no poder à base de soníferos extraídos da semeadura do medo, do terror de Estado, do lacre do pensamento e do cerceamento das liberdades.
Por impulsos de um exibicionismo obsceno ou instruído por aprendizes de feiticeiros, Índio da Costa carregou suas tinturas medievais em tal volume que a campanha dessa oposição diabética perdeu a doçura do sonho e submeteu-se ao discurso da casa grande, com gratuitas e primárias agressões à memória protegida pelo féretro.
Ao atacar gratuitamente Brizola, a quem tanto deve o pretenso mago que o retirou do nada para o pódio presidencial, Índio ressuscitou a fala indigna que foi usada maldosamente para barrar a ascensão natural do líder que governou dois estados (o Rio, duas vezes) e hoje é uma admirável referência até pelos seus desafetos, acabrunhados com o boicote do projeto educacional que teria evitado tanta violência e remetido jovens pobres para as universidades públicas pela porta da frente.
O vice de Serra ofereceu na bandeja o prato cheio de um projeto de governo com todos os condimentos do mau-caratismo de da sujeição às elites que podem ter engolido o sapo barbudo, mas jamais assimilaram o caudilho nacionalista e “inconfiável”.
E aí caiu a ficha, mexendo com meus brios
Esse aloprado inconveniente, que teria o mesmo destino eleitoral da maioria dos seus parceiros derrotados nas últimas eleições, não possuía nenhuma legitimidade para nada, tamanho o acaso que fez dele o candidato a substituto do presidente da República.
Acaso muito mais impertinente do que levou o PT a endossar a candidatura de uma cristã nova, por decisão pessoal e cupular do Sr. Luiz Inácio. Mesmo guardadas as diferenças dos cargos, ficou claro que o PSDB pagou caro pelos minutos no rádio e tevê do DEM. Quem tem um vice tão descompensado como esse Índio da Costa não precisa de adversários para sucumbir.
Com suas diatribes idiotas, com essa empáfia nos ataques covardes à memória de Brizola, Índio da Costa conseguiu pôr Serra na rabeira dos grãos candidatos no Estado do Rio, onde milita. O tucano teve não mais de 1.925.166 (22,53%), praticamente a metade de Dilma, (3.739.632 - 43,76%) e bem atrás de Marina (2.693.130 – 321,52%).
Foi exatamente no bojo da prevalência desse discurso odioso que caiu a ficha e eu me perguntei: cara, onde fui amarrar meu cavalo?
Como poderia ter acreditado numa mudança para melhor com gente dessa casta?
Meu Deus, disse-me, será que a idade nos faz retornar à ingenuidade infante?
E agora, - pensei naquele então - o que me resta, além de migrar para a candidatura quimérica do Plínio?
E mais agora, neste exato momento, às véspera do apito final, onde vou digitar meu votinho que não decide nada, mas que reputo sagrado, impregnado de todos os critérios patrióticos perceptíveis, de toda a responsabilidade política imaginável?

Dilma encosta em Serra na enquete do blog PORFÍRIO LIVRE
Com 229 votos já postados, Dilma Rousseff encostou em Serra, na enquete do blog PORFÍRIO LIVRE. Às 2 horas da manhã deste dia 23, o tucano havia recebido 105 indicações (45%), enquanto a candidata petista somava 102 (44%), cálculo feito automaticamente pelo programa do “blogspot”. Os indicativos de votos nulos somavam 16 (6%), indecisos, 5, e branco, 1. Você ainda tem mais 7 dias para votar. Reiteramos que essa enquete não pretende ser uma pesquisa, mas refletir apenas manifestações espontâneas dos leitores do blog e de nosso JORNAL ELETRÔNICO POR CORRESPONDÊNCIA. Para votar, clique aqui. Depois confira o resultado.

Quem sou eu

Minha foto
Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.