segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Cristóvan vence pela segunda vez e mostra que é um presidenciável viável. Gal Heleno surpreende


Com um total de 186 votos postados, Cristóvan Buarque (PDT) viu confirmada a preferência dos leitores do blog PORFIRIO LIVRE, ao final da apuração, obtendo 63 indicações (33%) na pesquisa em que José Serra aparece como candidato do PSDB e 63 (36%) na pesquisa em que o nome tucano é o de Aécio Neves. Na primeira pesquisa, sem Ciro, Aécio e sem o general Heleno, Cristóvan havia vencido com 23% dos votos, seguido por Dilma Rousseff (PT), com 20%.
Mas a grande novidade é a votação dada ao general Heleno, que sequer tem filiação partidária. Ele ficou em segundo lugar com 34 indicações (18%) no primeiro cenário e 30 (17%), no segundo. No primeiro caso, o terceiro colocado foi José Serra (PSDB), com 23 indicações (12%), portanto 11 a menos. Já no segundo cenário, o general Heleno teve 30 indicações (17%) o dobro dos terceiros colocados – Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (PV), que tiveram 15 votos (8%).
Em nenhum momento, dissemos que a pesquisa do nosso blog reflete o contexto geral, como achamos que as pesquisas dos institutos especializados precisam ser recebidas com reservas, considerando o tempo que separa do dia da votação, em outubro de 2010, e quem as encomenda, geralmente confederações empresariais.
Mas dá para refletir sobre a consistência do desempenho do senador Cristóvan Buarque, hoje muito melhor posicionado do que em 2006, e sobre o fenômeno personalizado pelo ex-comandante da Amazônia, que se tornou uma referência para uma área de opinião, não necessariamente de militares.
A viabilidade de Cristóvan
A militância do PDT quer e precisa de um candidato próprio, com o mínimo de viabilidade, a Presidência da República. Do contrário, se o partido ficar atrelado ao PT, como parece ser intenção do ministro Carlos Lupi, perderá as poucas oportunidades que têm de fazer governadores e aumentar sua bancada federal, hoje de apenas 23 deputados e 5 senadores. Se o PDT quiser Cristóvan como uma candidatura viável, terá que lançar sua pré-candidatura imediatamente, como ele sugeriu, e ir se afastando dos governos que terão outros candidatos, inclusive de Lula.
Por conta da falta de coerência patrocinada pela direção nacional, o PDT tem as mais diversas posições em cada Estado e está sempre próximo dos palácios locais. Se tem um ministro com Lula, tem secretários nos governos de Aécio Neves, em Minas, e José Serra, em São Paulo. Massacrado pela oligarquia de Sarney no Maranhão, inverte sua posição no Amapá, onde seu único governador e aliado do questionado presidente do Senado.
No Paraná, onde o senador pedetista Osmar Dias é o favorito, sua coligação inclui o DEM e, possivelmente, o próprio PSDB. Em Alagoas, de Renan e Collor, dois senadores da tropa de choque de Lula, o ex-governador Ronaldo Lessa vai ter que lutar muito para não ser massacrado.
No Rio Grande do Sul, onde o PT já lançou Tarso Genro, o partido de Brizola elegeu o vice na Prefeitura de Porto Alegre, encabeçada pelo peemedebista José Fogaça, e chegou a participar do governo da tucana Yeda Crusius Na Bahia, por intervenção do presidente licenciado, abandonou a aliança com o prefeito de Salvador, do PMDB, e foi juntar-se ao governador Jacques Wagner, do PT, ganhando secretarias e a promessa de um nome na composição majoritária de 2010.
Os votos dados ao general
Na análise dessa pesquisa, é importante considerar os votos no general Heleno. Seu desempenho reflete o resgate do prestígio dos militares, na proporção inversa do desgaste dos políticos. Em setembro de 2007, a Associação dos Magistrados do Brasil divulgou uma pesquisa realizada por telefone junto a 2011 brasileiros em que a Policia Federal (75,5%) e as Forças Armadas (74,7%) apareceram como as instituições mais confiáveis do país. Os políticos estavam em último lugar, com 11%, sendo que a Câmara Federal tinha 12,5% e o Senado, 14,6%.
Entre os leitores que encaminharam opinião, alguns disseram que viam o general como um candidato nacionalista e à prova de corrupção. Um, de Barra do Pirai, RJ, chegou a opinar pela dobradinha Crsitóvan-General Heleno.
Os outros candidatos
Também surpreende a cotação de Ciro Gomes, ausente na primeira consulta, que teve apenas 2% nos dois cenários. Desta vez, José Serra derrotou Dilma Rousseff, com 12% contra 6% da candidata petista. Aécio Neves também teve mais indicações do que ela no segundo cenário: 8% contra 5%.
José Serra cresceu em relalção à primeira pesquisa e so ficou atrás de Cristóvan e do general Heleno. Marina Silva e Heloisa Helena ficaram praticamente empatadas, com percentuais superiores ao de Dilma, mas inferiores ao de José Serra. Pelo que se viu no encontro nacional do PSOL, a atual vereadora por Maceió prefere disputar o Senado por seu Estado. Já Marina, que foi ministra de Lula por 6 anos, começa a ser questionada. Ela só renunciou ao Ministério do Meio Ambiente depois que o presidente entregou a gerência de um projeto para a Amazônia ao ex-ministro Mangabeira Unger.
Nas outras duas pesquisas, 72% dos leitores consideram o Senado desnecessário e se posicionam a favor de um parlamento unicameral, enquanto 66% se manifestam contra o direito de Lula pleitear um terceiro mandato. (Confira as tabelas em http://www.porfiriolivre.com/)
Veja os resultados:

Cenário 1 (com José Serra como candidato do PSDB):
VOTOS TOTAIS 186 %

Cristóvan Buarque (PDT) 63 (33%)
General Heleno (sem partido) 34 (18%)
José Serra (PSDB) 23 (12%)
Marina Silva (PV) 18 (9%)
Heloísa Helena (PSOL) 17 (9%)
Dilma Rousseff (PT) 13 (6%)
Ciro Gomes (PSB) 4 (2%)
Não tenho candidato hoje 7 (3%)
Não votará em ninguém 6 (3%)
Outro 1 (0%)

Cenário 2 (Com Aécio Neves pelo PSDB)

VOTOS TOTAIS 168 %
Cristóvan Buarque (PDT) 63 (37%)
General Heleno (sem partido) 30 (17%)
Aécio Neves (PSDB) 15 (8%)
Marina Silva (PV) 15 (8%)
Heloísa Helena (PSOL) 13 (7%)
Dilma Rousseff (PT) 10 (5%)
Ciro Gomes (PSB) 5 (2%)
Não tenho candidato hoje 9 (5%)
Não votará em ninguém 5 (2%)
Outro 3 (1%)

Sobre o Senado – Votos dados 165

O Senado é desnecessário 119 (72%)
O Senado é necessário 46 (27%)

Lula e o terceiro mandato
(Nesta pergunta o Programa autoriza mais de um voto)

Votos totais 206
Contra terceiro mandato 138 (66%)
A favor do terceiro mandato 24 (11%)
Contra qualquer reeleição 44 (21%)
Contra limite à reeleição 12 (5%)

Observação: os percentuais são estabelecidos automaticamente pelo blogspot.

Atenção: fique atento, nas próximas horas estaremos abrindo uma nova pesquisa no blog  www.porfiriolivre.com Desta vez, você dirá qual o principal motivo para escolher e para rejeitar um candidato a presidente.

sábado, 29 de agosto de 2009

Manifesto contra o absolutismo, a corrupção e o patrimonialismo

"O presidente se diz muito democrata, mas faz o mesmo que os militares, porque está interferindo. O Senado hoje é totalmente manipulado pelo presidente da República. Isso, no regime militar, não assistimos tão forte como se assiste hoje. No regime militar (a oposição) podia ter presidentes de comissões, como eu fui".
Itamar Franco, ex-presidente da República.
Há momentos na vida dos povos em que o resgate dos seus valores essenciais se sobrepõe a tudo o mais. São situações gravíssimas que exigem de cada um de nós percepção aguda e maturidade. Que nos impõem uma avaliação profunda, capaz de nos indicar com precisão milimétrica a única atitude cabível nas circunstâncias.

O Brasil vive um momento excepcionalmente perigoso. Em pleno império da democracia republicana estamos sendo afrontados pelo ABSOLUTISMO de um presidente arrogante e sem escrúpulos, que não se acanha em apadrinhar a corrupção, os desvios de conduta e a impunidade, enquanto espezinha sobre elementares princípios éticos e morais, desfigurando os pilares do regime de direito pela fragilização e desmoralização de suas instituições.
Os recentes episódios que mostram o Senado Federal como um antro de delinquentes submissos ao Poder Executivo são apenas pontos mais salientes de um processo de destruição do arcabouço institucional, que vem sendo solapado em proveito de interesses espúrios, do patrimonialismo mais voraz.
O Senado não é uma exceção. Todos os poderes, inclusive o Judiciário, em todos os níveis, têm desapontado a sociedade com flagrantes agressões às normas indispensáveis aos detentores de faculdades decisórias. O ambiente como um todo é desalentador.
Não é de agora que o país vem sendo submetido à pilhagem do seu erário por quem deveria protegê-lo. Essa, infelizmente, é uma fatalidade que se perpetua ao longo do tempo.
Mas, hoje, esse assalto acontece com o trágico envolvimento e a imobilização de todas as forças vivas do país, inclusive as entidades estudantis de passado glorioso e os sindicados de trabalhadores, amestrados por expedientes abomináveis, que incluem a oferta de apetitosos cargos no governo e nas estatais e a distribuição de bilhões de reais sob formas de subvenções e remuneração de serviços terceirizados.
A todos é servido um anestésico, conforme a gula, enquanto o quadro social de desigualdade e penúria é tratado com as migalhas de uma política compensatória destinada a estimular o crescimento de um lumpesinato resignado, que se transformou no gado manso de um grande curral eleitoral.
Estabeleceu-se a manipulação dos fatos como blindagem da corrupção. Para encobrir as trapaças numa estatal, apontam os que pretendem investigá-las como interessados na sua privatização. Os tentáculos do absolutismo não livraram nem a Receita Federal, com a interferência da Casa Civil para “apressar investigações”, atitude semelhante ao escandaloso caso da Varig, que passou ilegalmente e a preço vil ao controle de um fundo estrangeiro, através de testas de ferro desqualificados, por influência direta do Palácio do Planalto.
Por um processo impiedoso de castração do pensamento crítico, o governo sem caráter, sem freios e sem limites não se peja em emascular seus próprios parceiros de jornadas pretéritas. Estes, aliás, parecem condenados a administrar a vergonha de que falou um senador dissidente, conscientes do sacrifício de quem é jogado às feras para garantir a vitória de uma candidata saída do bolso do colete do presidente, numa tirânica demonstração de capricho pessoal e/ou interesses camuflados.
Na costura de uma coligação jamais pensada antes, o presidente se entrega às velhas práticas predatórias e transforma a desculpa da governabilidade numa cortina de fumaça para esconder um conluio pela perpetuação no poder a peso de ouro.
O corrupto cinqüentenário que se fez donatário de um Estado, submetendo-o à condição do mais pobre e atrasado do país, não governa, mas reina. É ele o intocável, que dita as regras, contando com uma fauna degenerada de cúmplices e vassalos.
Seguindo a fórmula do suborno e da mistificação, o presidente da República mesclou em sua base um leque multicolor de partidos, que inclui desde o PP (sucessor da ex-Arena) até o PC do B dos velhos comunistas. Um a um, todos foram cooptados por prebendas e vantagens, ensejando um deprimente valhacouto de interesses ocasionalmente associados.
No fio da navalha, os partidos que fazem parte do governo estão obrigados a sacramentar o acordo espúrio que faz do PMDB desnaturado a sua principal âncora e joga todas as cartas na candidata que jamais disputou uma eleição.
Se um ou outro partido sair fora será por mudança de foco, com a opção pela diluição do voto oposicionista ao invés da estratégia plebiscitária pensada originalmente, que tende a inviabilizar-se. Ou por suas próprias contradições internas.
Reduzidas a uma vida vegetativa pela fruição de prebendas que não lhes falam ao ideário e aos propósitos – como o Ministério dos Esportes para os comunistas do PC do B - às legendas governistas, a começar pelo PT, só resta se apegarem desesperadamente aos trapézios de uma máquina oficial viciada, que tem sido usada a granel, principalmente em estatais bilionárias. Nessa faina, perdem o recato e subestimam a tragédia causada pela renúncia às bandeiras do passado.
Estamos na era do crime sem castigo: como aqueles que vociferavam contra a corrupção passaram a dela se servir, poucos restaram para a ela se oporem. E como a maioria desses não está de mãos limpas, suas vozes ressoam como falsetes de encenações bufas, sujeitos a epílogos melancólicos.
A corrupção não tem ideologia, nem matiz. Ela é nefasta por si, pelos danos insanáveis que causa, agravando-se com sua configuração absolutista, que desfibra os pólos do contraditório, contamina, domestica, e direciona os vetores sociais, banaliza os expedientes torpes e mascara práticas deletérias que minam os alicerces republicanos.
É nefasta também pelos danos causados à vida do país. Estudos modestos estimam que somam R$ 400 bilhões em perdas ao ano, contribuindo para a redução em dois pontos do aumento do PIB. Mesmo considerando que a concentração de renda já é extremamente injusta no Brasil, estima-se que se não fosse pelos superfaturamentos e outras pilhagens, a renda per capita, hoje de 8.500 dólares, já estaria no nível da vizinha Argentina,que é de16 mil dólares.
Esses números são simbólicos, se incluirmos no mesmo bolo as práticas viciadas no Poder Judiciário, onde a indústria de liminares e a manipulação das leis processuais facilitam os mercadores de decisões, engordados com a existência de 70 milhões de processos emperradas por uma lentidão inercial.
Estamos assim diante de uma responsabilidade histórica: dar combate frontal ao absolutismo corrupto, somando TODAS as forças não contaminadas para impor uma necessária derrota à sanha continuísta de propósitos inconfessáveis.
Nessa missão histórica, o importante é o próximo passo. O pior para o Brasil será a manutenção da farsa de um governo que acolhe e apadrinha corruptos, enquanto confunde a opinião pública com a máscara popularesca e o uso abusivo de bodes expiatórios.
O que se coloca diante do povo brasileiro é a necessidade imperiosa de extirpar os focos de corrupção, mãe de todos os delitos, e de todos os ingredientes de uma alquimia imoral, que compromete a própria soberania nacional.
Nada é mais prioritário. Pelo que nos cabe desmascarar todos os pretextos utilizados para justificar esse projeto capcioso, inclusive a falácia do mal menor.
Esse e o sentido deste manifesto contra o absolutismo e a corrupção patrimonialista.


PEDRO PORFIRIO
coluna@pedroporfirio.com

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Cristovan Buarque mantem a liderança na pesquisa com general Heleno e Marina em segundo lugar

Com 90 votos já postados, Cristóvan Buarque (PDT) vai confirmando a preferência dos leitores do blog PORFIRIO LIVRE, com 32% das indicações na pesquisa em que José Serra aparece como candidato do PSDB e 36% na pesquisa em que o nome tucano é o de Aécio Neves.
Mas a grande novidade é a votação dada ao general Heleno, que sequer tem filiação partidária, que aparece em segundo lugar no primeiro cenário, ao lado de Marina Silva (13%) e sozinho no segundo cenário,com 14%.
Também surpreende a cotação de Ciro Gomes, ausente na primeira consulta, que teve apenas até agora 3% nos dois cenários. Desta vez, até o momento, Jose Serra está derrotando Dilma Rousseff, com 12% contra 7% da candidata petista. Aécio Neves também tem mais indicações do que ela no segundo cenário: 10% contra 4%.
A pesquisa presidencial vai até o fim do mês, mas você pode votar logo, acessando www.porfiriolivre.com. Vale lembrar que o programa do blog bloqueia mais de um voto por computador (IP).
Nas outras duas pesquisas, 70% dos leitores consideram o Senado desnecessário e se posicionam a favor de um parlamento unicameral, enquanto 62% se manifestam contra o direito de Lula pleitear um terceiro mandato, como quer neste momento o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, sem que ninguém ouse chamá-lo de ditador, como a grande mídia faz com Hugo Chávez, que percorreu o mesmo caminho do colega colombiano.

Veja os resultados:

Cenário 1 (com José Serra como candidato do PSDB):

VOTOS TOTAIS 90

Cristóvan Buarque (PDT) 29  - 32%
General Heleno (sem partido) 12 - 13%
Marina Silva (PV) 12 -  13%
José Serra (PSDB) 11 - 12%
Heloísa Helena (PSOL) 8 - 8%
Dilma Rousseff (PT) 7 - 7%
Não tenho candidato hoje 4 - 4%
Não votará em ninguém 4  - 4%
Ciro Gomes (PSB) 3  - 3%
Outro 0 - 0%

Cenário 2 (Com Aécio Neves pelo PSDB)

VOTOS TOTAIS 82

Cristóvan Buarque (PDT) 30  - 36%
General Heleno (sem partido) 12  -14%
Aécio Neves (PSDB) 9 - 10%
Marina Silva (PV) 8 - 9%
Heloísa Helena (PSOL) 6 -  7%
Não tenho candidato hoje 5 6%
Dilma Rousseff (PT) 4  - 4%
Não votará em ninguém 3 - 3%
Ciro Gomes (PSB) 3  - 3%
Outro 2 - 2%

Sobre o Senado – Votos dados 82

O Senado é desnecessário 73 - 70%
O Senado é necessário 30  - 29%

Lula e o terceiro mandato

(Nesta pergunta o Programa  autoriza mais de um voto)
Votos totais 135

Contra terceiro mandato 62
A favor do terceiro mandato 21
Contra qualquer reeleição 29
Contra limite à reeleição 11

Observação: os percentuais são estabelecidos automaticamente pelo programa do blogspot.
Veja e vote em www.porfiriolivre.com

domingo, 23 de agosto de 2009

Tormentos impostos ao pessoal da Varig e do Aerus são a cara desse governo

“O governo deixou que a Varig se asfixiasse, se esvaísse em sangue, fosse levada a uma desnutrição econômica a ponto de ser vendida por um preço vil ao capital estrangeiro. Um gesto de mediocridade política reduziu a empresa a uma grande massa falida”.

Senador Marcelo Crivella, da tribuna do Senado, em 27 de abril de 2009
Senador Crivella denunciou como perversa a proposta do governo para o pessoal da Varig, por excluir as obrigações trabalhistas. Mas a grande mídia nada divulgou.

Neste 24 de agosto, me caberia dizer algumas palavras sobre o presidente Getúlio Vargas, pelo transcurso do 55º aniversário de sua morte trágica, ante a pressão dos grupos conservadores e dos norte-americanos, que jamais engoliram a Lei 2004, que estabeleceu em 3 de agosto de 1953 o monopólio estatal do petróleo, conquista infelizmente enterrada por Fernando Henrique em 1977, com a Lei 9478, mantida incólume até hoje pelo governo do sr. Luiz Inácio.
Mas um vídeo enviado por Paulo Resende, um incansável ex-comissário da Varig, e a cópia de sua carta a dois senadores me trouxeram a mente uma das mais abomináveis canalhices da súcia comandada por José Dirceu, que teve em Dilma Rousseff um carbono sem retoque. (o vídeo está no meu blog PORFÍRIO LIVRE, logo abaixo das pesquisas)
Ele fala exatamente do movimento em protestos de rua dos profissionais da outrora maior companhia aérea brasileira, massacrados no bojo de um projeto de desnacionalização da nossa aviação comercial, abrindo inclusive os vôos domésticos para a exploração estrangeira.
Sacrifício de uma categoria como exemplo
Sim, porque o pessoal da Varig foi levado para o mais humilhante sacrifício como parte de uma grande conspiração, que deve ter sido parte do ACORDÃO que facilitou a ascensão do ex-metalúrgico à Presidência da República, sob a tutela do novo tzar da economia, Henrique Meireles, quadro do Bank Boston e do “Diálogo Interamericano”, a super-ong monitora do continente, comandada pelo banqueiro David Rockfeller, dono do Chase Manhattan Bank.
Não houve crime mais emblemático praticado contra trabalhadores e aposentados do que a desintegração da Varig, que culminou com o indecente leilão de 20 de julho de 2006, (clique aqui e veja matéria do leilão), realizado em dois minutos, com a anuência e a cumplicidade dos pelegos que se eternizam no Sindicato dos Aeronautas, graças a “eleições” típicas da era Lula, onde o índice de renovação das lideranças sindicais caiu a praticamente zero.
Pior: é um crime continuado que se converteu no mais impiedoso sacrifício de toda uma categoria, com agravantes macabros: por conta dessa sucessão de indignidades contra a nossa aviação, são centenas os pilotos que vivem hojeem  um novo e dramático exílio, à semelhança do que aconteceu com os cientistas da Fundação Oswaldo Cruz nos idos do obscurantismo, que inocentemente já imaginávamos sepultado.
Jogo pesado com os mesmos canastrões
Continuado com a exibição dos mesmos canastrões. Da dona Dilma, que chegou a ser denunciada no Conselho de Ética Pública por sua intervenção imoral para favorecer os interesses representados pelo maldito compadre do seu chefe, conforme depoimento no Senado de Denise Abreu, ex-diretora da ANAC, em 11 de junho de 2008 (qualquer semelhança com as denúncias da ex-diretora da Receita, Lina Vieira sobre a interferência de dona Dilma em favor de Fernando Sarney não é MERA COINCIDÊNCIA) até o advogado geral da União, José Antônio Dias Toffoli, que prometeu para agosto a proposta de um acordo que abriria caminho ao pagamento de dívidas do governo com a Varig, alcançando os trabalhadores e beneficiários do Fundo Aerus, que estão literalmente a ver navios, vivendo alguns graças à ajuda de familiares.
(Clique aqui e saiba mais sobre a atuação de Dilma  no caso)
É muito provável que esse governo de falastrões dominado pelas gangs econômicas internacionais só apareça com uma proposta integrada a um conjunto de interesses espúrios, como a aprovação no Senado da emenda do seu líder, Romero Jucá, que revoga o artigo 216 do Código Brasileiro de Aeronáutica, empecilho à participação de companhias estrangeiras nos serviços aéreos de transporte público doméstico.
Aliás, pode-se esperar tudo dessa turma de miquinhos amestrados, que tem entre seus baluartes logo o Fernando Collor, autor do primeiro golpe no Aerus, extinguindo a sua terceira fonte.
Uma proposta qualquer deverá vir à luz, senão quem ficará de vilão na fita será o Supremo Tribunal Federal, (que aliás, já anda mal das pernas) que interrompeu em 25 de março de 2009 o julgamento da cobrança de uma dívida formulada pela Varig em 1992 (portanto, há 17 anos), quando em 1997 deu ganho de causa na mesma pendência à Transbrasil.
O que sei é que a matéria ainda depende de cálculos atuariais e outras providências que demonstram claramente: o governo blefou e passou a perna em todo mundo quando prometeu uma proposta no prazo de 60 dias a partir de 25 de março.
Proposta indecente denunciada por senador
Em 27 de abril de 2009, o senador Marcelo Crivella foi à tribuna para criticar duramente o esboço da “solução” concebida pelo governo. No seu pronunciamento, que  foi abafado pela grande mídia, ele denunciou:
“O governo que defendo e faço parte há seis anos, apresentou uma proposta, como sempre, dura para o trabalhador, sem pagar salários atrasados e sem remunerar as aposentadorias por conta do capital pago pela Varig, apenas aquele descontado do salário, e isso não é possível”.
O senador pelo Estado do Rio lembrou que no acordo feito para que a Varig fosse vendida não foi considerado o ônus, para o comprador, com as obrigações trabalhistas. Ele observou que os aposentados são pilotos, comissários, mecânicos, pessoal administrativo, engenheiros  e mecânicos de vôo que estão envelhecendo e perdendo renda com o fator previdenciário. Crivella enfatizou que essa é "uma morte antecipada que os transforma em mortos vivos".
- Várias benesses foram concedidas aos banqueiros, a indústria recebeu anistia de IPI, para que fossem repassados aos preços finais, mas ainda não vi o preço do cimento baixar. O ministro chefe da Advocacia Geral da União, José Antônio Dias Tofoli, nomeou um grupo de trabalho para tentar um acordo, mas ficou faltando o Ministério do Trabalho.
(Mais uma vez o ministro Carlos Lupi engoliu calado essa ignomínia política, embora em maio de 2007 as lideranças dos trabalhadores da Varig tenham posto em suas mãos uma fórmula simples e viável para o cumprimento de todas aas obrigações devidas com empregados e aposentados).
O senador disse ter pedido a Tofoli a inclusão no grupo de trabalho de um representante do Ministério do Trabalho para orientar o governo sobre o que se pode e o que não se pode fazer. "Não se pode aviltar os direitos dos empregados", alertou.
Supremo liberou sucessão trabalhista
Curiosamente, no dia 29 de maio, o mesmo STF que deu tempo ao governo para propor um acordo, decidiu livrar a Gol do passivo trabalhista da Varig,  prestigiando o entendimento do juiz Luiz Roberto Ayoub, da Vara Empresarial do Rio de Janeiro.
O recurso proposto por uma ex-trabalhadora da antiga Varig contra a VRG - a nova Varig, de propriedade da Gol Linhas Aéreas - pedia que o Supremo definisse qual é a Justiça competente para efetuar a execução das dívidas trabalhistas. Ela pretendia anular um acórdão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que declarou, em conflitos de competência envolvendo a compra da Varig que chegaram à corte, que caberia à 1ª Vara Empresarial do Rio, onde tramita a recuperação judicial da companhia, executar suas dívidas.
Por sete votos a dois, a corte considerou que, embora o julgamento do mérito das ações trabalhistas - ou seja, o reconhecimento ou não dos direitos dos trabalhadores - deva correr na Justiça do trabalho, não é possível ocorrerem execuções individuais fora do processo de recuperação da empresa.
A possibilidade de sucessão dos débitos da Varig pela Gol, de acordo com o Supremo, deve ser definida também pela Justiça comum. Para o ministro Ricardo Lewandowski, relator da ação, o juízo da falência é indivisível para todas as ações da massa falida, que devem ter prosseguimento com o administrador judicial. "Se não fosse assim os credores que entrassem com execuções em varas trabalhistas seriam privilegiados", diz. De acordo com o ministro Cezar Peluso, a sucessão dos débitos não se origina de uma relação de trabalho, mas de uma aquisição feita na recuperação judicial.
O ministro Marco Aurélio e o ministro Carlos Britto, no entanto, discordaram dos demais. "A Emenda Constitucional nº 45 ampliou a competência da Justiça do trabalho, e só tenho visto decisões dessa corte em sentido contrário", disse, durante o julgamento.
Bem, vou ficando por aqui que já escrevi mais da conta. Mas uma coisa fique certo: quem quiser entender qual a verdadeira face desse governo de falsos brilhantes procure saber o que ele está fazendo com os profissionais e aposentados da Varig.
coluna@pedroporfirio.com

sábado, 22 de agosto de 2009

A pesquisa do Blog, o potencial de Cristóvan Buarque e a postura do PDT

"O PV já está anunciando em agosto a provável candidatura de Marina Silva. Eu temo que o meu partido deixe para a última hora o lançamento do meu nome ou de nosso candidato, tornando inviável a articulação de apoios".
Senador Cristóvan Buarque, manifestando o seu desejo de disputar a Presidência daq República.

O nome de Cristóvan Buarque está associado à causa da educação
O resultado da primeira pesquisa presidencial do blog PORFÍRIO LIVRE surpreendeu com o aparecimento do nome do senador Cristóvan Buarque em primeiro lugar, com 23% das indicações.
Desde o primeiro momento, admiti que essas respostas não refletem as expectativas do povo brasileiro, como um todo, mas especificamente as opiniões dos nossos leitores e parceiros.
Além disso, reconheci que ofereci um painel incompleto de opções. Daí já estar disponível uma nova pesquisa, com dois cenários (Aécio ou José Serra pelo PSDB). Para oferecer seu voto, basta clicar em www.porfiriolivre.com
Mas o resultado da primeira pesquisa impõe uma rápida análise, que espero partilhar com você.
A meu ver, os 30 votos em Cristóvan Buarque resultam de alguns fatores:
1. Sua corajosa e cristalina atuação nessa crise imunda que está decretando a falência do Senado como instituição republicana.
2. O desejo de uma boa parcela do eleitorado de opinião de ter uma alternativa à bipolarização fabricada. No seu caso, trata-se de um professor de consistente experiência tanto no âmbito da Educação – como reitor e ministro – como na gestão governamental, como governador do Distrito Federal e Senador.
3. A necessidade histórica de sustentar um programa de governo baseado na educação pública de qualidade, sem dúvida o maior investimento que se pode fazer em um país de tanto potencial como o nosso.

Para que a candidatura de Cristóvan se torne uma realidade é preciso que ele próprio esteja determinado a concorrer. Parece claro que a direção do PDT (leia-se ministro Carlos Lupi) trabalha para manter o partido atrelado ao governo Lula, mantendo suas posições no Ministério.

Essa direção sofreu um desgaste interno no governo com as posições dos senadores do PDT no episódio de Sarney. O senador Jefferson Praia, que tem a responsabilidade histórica de substituir Jefferson Perez, votou firme no Conselho de Ética pela investigação, sendo o único voto decente na base governista.
A Rede PDT, a mais ágil e completa ferramenta de comunicação entre os brizolistas, transcreveu em sua última edição matéria do jornal A TARDE, de Salvador, com um título deprimente: Ministro obedece a Lula e intervém no PDT. Segunda esse jornal, o presidente licenciado do PDT vai obrigar o partido a entrar na base do governador petista, contrariando os deputados federais e o senador João Durval.
Pode até ser que a melhor opção lá seja essa defendida por Lupi. Contra esse alinhamento estão os políticos do PMDB do ministro Geddel Vieira Lima e os órfãos de ACM. Fortalecendo Jacques Wagner, o PDT estaria ajudando a esvaziar a tentativa do PMDB de obrigar o governo a atrelar a candidatura de Dilma ao ministro peemedebista. O que assusta é essa versão do móvel da intervenção no diretório baiano e, principalmente, a intervenção em si.
Registrei como significativa a votação de Dilma Rousseff, que ficou em segundo lugar com 27 indicações. Por ela, vejo que entre nossos leitores há muitos que acreditam no projeto do governo Lula e nos seus propósitos. Apesar de minhas críticas contundentes, mantêm uma relação civilizada comigo e fazem questão de ae pronunciarem na minha pesquisa. Lembro que, na consulta sobre se devia ser candidato a deputado federal, um velho guerreiro, que participa desse grupo, respondeu: “Sim, pelo PC do B”.
Sem querer ver o país por essa pesquisa, considero que ela apresenta um indicativo de possibilidades inesperadas: não me surpreenderia se o candidato tucano não fosse para o segundo turno. O crescimento de Marina Silva no voto de opinião vai afetar com certeza a polarização plebiscitária desejada por Lula. O único problema é saber se ela terá sustentabilidade num processo de mais de um ano até o dia da eleição.
Veja os números da pesquisa e aproveite para votar nas duas novas, que já estão no blog www.porfiriolivre.com
Seu voto para presidente. Pesquisa de 13 a 21 de agosto de 2009
(Votaram 130 leitores)
Cristóvan Buarque 30 (23%)
Dilma Rouseff 27 (20%)
Marina Silva 19 (14%)
Heloisa Helena 15 (11%)
José Serra 11 (8%)
Outro 12 (9%)
Não tenho candidato 16 (12%)
O desinteresse na manifestação que não surpreendeu

Leia em Porfírio &Parceiros o comentário do professor Murillo Cruz, da UFRJ:
“Eu ficaria provavelmente surpreendido se existissem milhares neste “protesto”(a manifestação do Fora Sarney). E aqui então é que eu gostaria de convidar-lhe a uma reflexão: eu particularmente não concordei com o mote desta manifestação, e conheço muitas pessoas que igualmente não concordam”...
...”E ademais, a sua ou a minha participação nas ruas é secundária, pois processos sociais são plurais e não individuais. Eu, por exemplo, não fui à manifestação por vários motivos (embora a tenha divulgado para as minhas listas); se eu tivesse ido, eu iria ficar “de longe”, analisando, refletindo, etc., ... para onde está indo a nova geração ... pois são as novas gerações que têm o bastão nas mãos”.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Lula cumpre apenas o script saído de um certo acordo de cavalheiros

Lula, Dirceu e Dilma. Eles mandaram os escrúpulos às favas para garantir a impunidade de Sarney
“A proposta do PT também não foi uma proposta do Lula, foi uma proposta do Argeu Egídio, que era presidente da Federação dos Metalúrgicos, e do Benedito Marcílio, que era presidente do Sindicato de Metalúrgicos de Santo André, e deputado apoiado pela Convergência Socialista (que começava a falar do Partido dos Trabalhadores) que pensava como forma de fazer um enfrentamento com o partidão, que era o partido reformista”.
Enilson Simões de Moura – o Alemão – líder sindical no ABC ao lado de Lula, em depoimento gravado para mim em 2003.

Preferia achar que o ex-operário endoidou pelo inusitado de sua reluzente assunção ao trono.
Qualquer médico residente do Pinel sabe dos efeitos alucinógenos que o poder opera sobre quem viveu uma infância miserável, de humilhações e traumas, abandonado pelo pai junto com a mãe analfabeta e uma penca de irmãos, quando o imponderável lhe põe às mãos o cetro do domínio sobre todos os pais e filhos, ricos e pobres, letrados e analfabetos.
Luiz Inácio Lula da Silva, que só queria atender a viúvas bonitas (como dona Marisa) quando respondia pelo setor de aposentadoria do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, que tomava pileques homéricos por causa do seu “Curintia”, que entrou na máquina sindical só porque o irmão, comunista do “partidão”, não se sentia seguro para compor a chapa situacionista de Paulo Vidal, em 1969, é hoje, para a hipertrofia do seu ego, o mais poderoso brasileiro deste milênio.
A balada dos miquinhos amestrados
Pelo menos é isso que lhe repetem a toda hora seus miquinhos amestrados, a súcia cortesã que o rodeia com o mesmo pudor da galera que levou Hitler a imaginar que derrotaria ao mesmo tempo o Ocidente anglo-americano e o Oriente soviético.
Sua arrogância é sintomática. Faz qualquer coisa para demonstrar que ele é mais ele e ponto final. Como já escrevi aqui mais de uma vez, entre outros prodígios, rachou a cara da nação petista quando tirou do bolso do colete o nome de sua herdeira no trono, contrariando os 29 anos de democratismo encenado e expondo a militância a um submisso constrangimento.
Agora, nesse episódio do Senado, parafraseando seu novo cabeça-de-área, Fernando Collor, obrou na cabeça de cada um dos doutos correligionários, ao ordenar incondicional solidariedade ao avô extremado, que há 50 anos dá péssimos exemplos e obra na cabeça dos netos dos outros.
Escorraçou geral, como se ébrio descontrolado, repetindo o mesmo grotesco desrespeito com que chutou as nádegas do senhor reitor, ministro que exacerbava seus complexos pela fluência no domínio da Educação, que Lula odeia tanto como Pol Pot, o líder da Khmer Vermelho, que em 1976 mandou fechar as escolas do Cambódia.
Escrachou sem dó nem piedade e, como o coronel Passarinho na noite tétrica do AI-5, mandou os escrúpulos às favas, para salvar o bigode do presidente do Senado, contra quem, ironicamente, o PT opôs candidato na eleição de fevereiro passado. E o fez com tanta virulência que, segundo essas estranhas pesquisas, permanece lépido e fagueiro, por cima da carne seca.
Extinguiu regras elementares de governança partilhada com seus ministros, subtendo-os ao achincalhe amplo, geral e irrestrito, como aconteceu mais uma vez com Carlos Lupi, presidente do PDT, a quem entregou um brinquedinho que chama oficialmente de Ministério do Trabalho e Emprego.
Como o todo poderoso, não se peja em proteger e engordar facínoras. O Zé, que não é esse admirável Alencar, mas o Dirceu, incrível sobrevivente da armadilha do Cabo Anselmo – aquela matança em que não escapou nem a mulher do alcaguete – continua pintando e bordando com sua mala, seus fichários e sua borduna.
De tal egolatria deixou-se possuir o ex-operário e tal é o desprezo por seus próprios companheiros que sua principal preocupação, mais do que a própria eleição da dona Dilma (que está de bucha nessa novela), é fazer o banqueiro Henrique Meireles, cria do Bank Boston, governador do seu Estado natal, o Goiás que já teve governadores da têmpera e da dignidade de Mauro Borges.
Como disse, o que não faltam são sintomas de distúrbios psicológicos graves.
No entanto, em verdade vos digo: esse comportamento imperial, absolutista, faz parte de um certo script, com o qual se comprometeu desde quando sua face só tinha um espesso bigode.
É esse roteiro que um dia haverá de vir à luz, seja por minhas preguiçosas tentativas de reunir em livro tudo o que pesquisei, seja pela iniciativa de alguém que conviveu diretamente como ele, como o Frei Beto, que parece disposto a levar para o túmulo o que sabe.
Nesse histórico, Lula aparece como o personagem do gosto de projetos diferentes e antagônicos. Poderia falar mais dele, mas como me prometi ser o mais breve possível, prefiro ficar por aqui com a afirmação que certamente será contestada:
Neste momento, o Sr. Luiz Inácio, que está com a vida ganha para filhos, netos e bisnetos, cumpre a insidiosa tarefa de enfraquecer o partido que nunca quis ver nascer, segundo uma espécie de entendimento de alternância do poder, que prevê a agora a ascensão dos tucanos, irmãos na social-democracia inflada pelo “Diálogo Interamericano” e pelo neoliberalismo que insere o Brasil docemente na globalização apátrida.
Com a competência de um superdotado, um quadro bem ensinado, que tirou nota dez em todas as provas, mais do que pelos delírios de um megalômano, ele cumpre milimetricamente sua tarefa combinada.
O mais eu conto depois.
coluna@pedroporfirio.com

Para entender melhor, sugiro ler minhas colunas:
(escrita em 16 de julho de 2009) e
(De 19 de julho de 2009)

Pesquisa do blog surpreende e dá vitória a Cristóvan Buarque

A votação de Cristóvan Buarque, numa pesquisa que omitiu Ciro Gomes, reflete apenas a opinião dos leitores do blog. Mas já é um indicativo. Veja resultados ao lado. Termina hoje a primeira pesquisa presidencial do blog Porfírio Livre. Já admiti que ela foi mal elaborado, ao omitir nomes como o de Ciro Gomes e do General Heleno. A partir de amanhã, será postada outra pesquisa, com mais nomes e um prazo de dez dias para votação.
Para seu controle, chamo atenção para o resultado apresentado pelos 106 votos postados em uma semana. O resultado, que certamente não reflete as expectativas do eleitorado, mas dos leitores do blog, põe Cristóvan Buarque (foto) em primeiro lugar, com 25 indicações, ou 23% das preferências, seguido por Dilma Rousseff, com 23 votos (21%) e por Heloísa Helena com 13 (12%). José Serra é o último da lista, com 9 indicações (8%)
Na pesquisa sobre o Senado, que ainda continua, votaram até agora 44 leitores: 81% o consideram desnecessário e preferem o Congresso Unicameral. 19% defendem o sistema bicameral.
Há ainda uma terceira pesquisa, com abertura para a pessoa dar mais de uma resposta. O programa do blog, no entanto, estabeleceu percentuais como se houvesse apenas uma opção. Assim, 54% se manifestaram contra Lula poder disputar o terceiro mandato e 26% a favor. Por outro lado, 21% opinaram contra qualquer tipo de reeleição e 13% aceitam reeleições ilimitadas.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Considerações necessárias sobre o fiasco de um protesto de rua

"O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons"
O "Fora Sarney" no Rio, lamentavelmente, teve pouco mais 100 pessoas

Estive sábado na manifestação “Fora Sarney”, que foi do Posto 6 ao Copacabana Palace, na Avenida Atlântica. Quando cheguei, um grupo de pouco mais de 100 pessoas já se deslocava pela calçada da praia, sem causar qualquer transtorno ao trânsito.
Para estacionar o carro, tive que ir até a Constante Ramos, em cuja esquina me deparei outra vez com o grupo, a grande maioria de jovens, que repetia alguns chamamentos contra Sarney, mas também tratava de hostilizar “estranhos”, gritando “tem um palhaço querendo aparecer”.
Mas tarde, já pela internet, fiquei surpreso com as notícias dos jornais, que falavam de 250 e até 300 manifestantes. Isso não aconteceu, tenho obrigação de dizer, a bem da verdade. Considerando o sentimento nacional, detectado por uma pesquisa em que 70% dos entrevistados pediam a renúncia de Sarney, lamento declarar que a manifestação de rua no Rio de Janeiro foi um grande fiasco.
Com a responsabilidade de quem tem granjeado o respeito de muitas pessoas, em todo o Brasil, deixei para escrever a respeito agora, na madrugada desta quinta-feira, 20 de agosto de 2009.
Mais do que reportar a escassa adesão registrada, cabe-me propor a você uma reflexão: comparativamente, o protesto de rua contra a permanência de um cidadão pilhado nos mais torpes atos de corrupção deve ter tido pouco mais de 10% da passeata em defesa da legalização da maconha.
Se compararmos com outros eventos a frustração será maior. A cada ano, os gays, lésbicas e simpatizantes jogam mais de um milhão de pessoas na mesma Avenida Atlântica, que fica apinhada de alegres defensores do direito à livre opção sexual, para muitos ainda uma afronta aos “costumes sadios” da sociedade humana.
O “Fora Sarney” foi convocado por um site da internet e por uma comunidade do Orkut, que já teria mais de 7 mil inscritos. Nisso, tentou introduzir um novo “comando” e uma nova fonte de mobilização. Não deixou de ser uma tentativa voluntarista, empírica e, na prática, sem alicerces políticos.
Pode até ser que pesou muito o que seria uma divulgação limitada, de precária abrangência e frágil poder de mobilização. Pode até ser que o “acórdão” de véspera no Senado, em torno de um cala-boca geral, tenha retirado o crédito do protesto.
Eu fui lá porque acredito que a rua nos permite travar novos conhecimentos, olho no olho.
Mas também não tive sucesso como mobilizador. Fiz chegar aos leitores deste jornal duas colunas, com indicativos precisos sobre os locais dos protestos em várias cidades do país.
Chamei também por telefone três parceiros de outros momentos, dois dos quais trabalharam comigo, quando exerci o mandato de vereador. Compareceu apenas um - um jornalista que passou dois anos na Austrália e voltou ao Brasil há dez dias. Os outros alegaram imprevistos de última hora e disseram que não poderiam ir ao protesto.
Como fiquei pouco tempo na passeata, só cruzei com uma única pessoa do meu círculo de leitores. Se havia outras, não as identifiquei e ninguém veio falar comigo.
Desde aquele sábado venho matutando sobre protesto tão raquítico, como se o povo tivesse perdido o hábito de espernear em público, achando que a simples divulgação de e-mails pela internet é tudo o que PODE fazer.
Assim, à primeira análise, constatei que o sistema está dando de dez nos que estão incomodados com a roubalheira, os desvios de conduta e com suas demonstrações de cinismo e suas agressões aos elementares valores éticos e morais.
Mas vi também que o mal é muito mais grave. Está bem que apenas uma centena de gatos pingados foi dizer “fora Sarney”. Em compensação, apesar do apoio dado ao meliante pelo homem mais popular do Brasil, ninguém ousou ir à rua para dizer “fica Sarney”.
É fato que a população, órfão de lideranças realmente confiáveis, não quis engrossar uma manifestação convocada pela internet, sem a garantia de que, em estando ali, não se prestaria a massa de manobra de adversários de ocasião, que usam e abusam de jogar para a platéia.
Mas é igualmente fato que os militantes da versátil base governista, na qual o ex-presidente da ARENA pontifica com um cardeal intocável, estão preferindo o conforto da sombra e a proteção do anonimato.
Não se pode dizer que o fiasco dessa manifestação decreta o silêncio dos inocentes. Mas alguma coisa precisa ser objeto de uma reflexão honesta sobre o processo político brasileiro.
É provável que na raiz dessa desmobilização esteja a confluência de atitudes antagônicas. De um lado, o “fenômeno” Lula reintroduziu técnicas de alienação e cooptação de alto teor hipnótico. De outro, seus adversários parecem atuarem como reles canastrões, deixando transparecer que só desejam estar no lugar dos que hoje comandam nossos podres poderes.
Como alimentadores dessa apatia tétrica estão os sábios do templo: a grande mídia, as universidades e as organizações sociais, todas embaladas na política de resultados, em função da qual a solidariedade foi profissionalizada e a militância política está sendo remunerada inclusive nos raros bolsões de matiz ideológico.
Nesse ambiente emasculado sem a necessidade de baionetas, vence quem for mais rápido no gatilho. E quem está por cima da carne seca dispõe quase do monopólio das ações.
A agravar esse estado de coisas, grassa o culto à superficialidade, às palavras de efeito e ao curto e grosso. Eu mesmo tenho sido aconselhado a escrever textos menores. Quando um cidadão recebe minha coluna de 7 mil caracteres já pensa duas vezes antes de deter-se nela.
Tenho tentado reduzi-la e prometo a mim mesmo fazê-lo. Mas minha noção de relacionamento honesto recomenda não deixar de dizer aquilo que ajuda a construir o raciocínio.
Apesar desse quadro, como já vivi muito, muito li e muito vi, não vou me deixar abater por decepções como a de sábado. Aliás, mesmo tendo participado de disputas eleitorais e até cogitando de voltar à liça, tenho clareza e segurança sobre a natureza da minha contribuição, que a nada de pessoal almeja.
Como nas amizades que cultivo, habituei-me a não fazer nada contando a reciprocidade. Se faço algum bem a alguém, é por livre e espontânea vontade. Dou as roupa do corpo, se considerar necessário, mas se já tive muitas respostas compensadoras, considero sempre que a responsabilidade de me vestir de novo é inteiramente minha.
Assim também é meu sentido de sacrifício, despojamento e doação no processo político. Se eu não estivesse aqui, ao pé da Serra dos Três Rios, oferecendo meus depoimentos e minhas opiniões a você, estaria fazendo o que?
Eu e você, portanto, não podemos entregar os pontos só porque nossas causas justas ainda não ganharam corpo e tocaram os corações e mentes de quem mais precisa pensar, posiciona-se e agir.
Estar dando esse depoimento, hoje, não é entregar-se à amargura e ao sofrimento. Antes, pelo contrário, espero que a franqueza e a lisura de minhas palavras falem mais alto do que qualquer retórica forçadamente triunfalista.
coluna@pedroporfirio.com

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Mais sobre o conflito midiatico que esconde o medo de um império em declínio

Clique na foto e saiba mais sobre Além do Cidadão Kane, um documentário produzido pela BBC de Londres - proibido no Brasil desde a estréia, em 1993.

“Sim, eu sou o poder”
Roberto Marinho (frase de abertura do livro “A História Secreta da Rede Globo”, de Daniel Heiz (1954-2006)
“De fato, Roberto Marinho foi inocentado de todas as acusações. Mas não pela Comissão Parlamentar de Inquérito, nem em 1966, e sim pelo general Arthur da Costa e Silva que, em 1968, num gesto arbitrário, decidiu que os acordos Time-Life não feriam a Constituição Brasileira, apesar do resultado das investigações”.
Patrícia Ozores Polacow, jornalista formada pela Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep), mestre e doutoranda em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo (Umesp) e professora do Centro Universitário Barão de Mauá (Ribeirão Preto).

"A conexão política-negócios não nasceu no Brasil, não é de hoje e não vem a ser uma estrada pela qual só trafeguem as Organizações Globo. Mas, no caso do Dr. Roberto Marinho, a conexão dá certo há décadas, e não é ocasional o fato de que o general civil das comunicações - bajulação de um de seus subordinados, o colunista Ibrahim Sued - tenha deslanchado seu poderio sob a ditadura militar. (...) A república fardada se foi, veio a nova, pelas mãos de Tancredo Neves, mas o Dr. Roberto manteve-se na crista dos acontecimentos fundamentais da Nação”.
Daniel Heiz, “A História Secreta da Rede Globo”.

“O papel da Rede Globo de Televisão no Caso Proconsult, nas eleições de 1982, era apenas o de preparar a opinião pública para o que iria acontecer: o roubo, por Moreira Franco, dos votos de Leonel Brizola”.
Luiz Carlos Maciel, diretor do jornalismo da Globo durante as eleições de 1982.

“É muito mais fácil, muito mais cômodo e muito mais barato, não exige derramamento de sangue, controlar a opinião pública através dos seus órgãos de divulgação, do que construir bases militares ou financiar tropas de ocupação”.
João Calmon, ex-senador e diretor dos Diários Associados, em depoimento na CPI que investigou as ligações da Globo com o grupo Time Life, dos EUA.

“As pessoas não entendem a fé alheia e aproveitam o que é posto na mídia para criticarem aquilo que não entendem”.
Sérgio, estudante de Matemática, comentando minha última coluna.

Está cada dia mais difícil expor uma opinião de uma única vez. Não lamento e até acho positivo. A segunda matéria sobre determinado assunto espelha o conjunto de comentários que recebo diretamente, leio e respondo, respeitando a opinião de cada um. SE necessário, escrevo a terceiro,a quarta, quantas precisar para expor meu pensamento.
Neste caso, ao registrar a ampla diversidade de respostas – algumas agressivas, duas com cancelamento de meu jornal – gostaria de responder em particular a Adolfo Nobre, na parte em que diz: “eu não podia jamais esperar de uma pessoa que passa tamanha inteligência, no mínimo fosse perder tempo com esse tipo de informação”.
O grande problema é que não é fácil falar ao mesmo tempo de duas situações específicas: a pressão contra o crescimento da Rede Record, que ameaça o império global por vários fatores – e não apenas na questão da audiência – e a má vontade de um respeitável segmento da sociedade com os cultos pentecostais, que só conhecem de ouvir falar, como observou o estudante de matemática em sua mensagem, embora boa parte dos canais de televisão os apresente regularmente.
Falo porque vi e vivi
Quando decidi escrever a respeito, o fiz na condição de velho jornalista. Em 1966, aos 23 anos, quando chefiava a Reportagem do JORNAL DA NOITE, um programa dirigido e apresentado pela professora Sandra Cavalcanti na TV TUPI, vi o admirável esforço dos deputados Roberto Saturnino Braga (presidente) e Djalma Marinho (relator) no comando de uma CPI que resultara de uma denúncia feita em junho de 1965 pelo então governador Carlos Lacerda sobre os laços da Globo com o grupo norte-americano, ferindo o artigo 160 da Constituição Federal vigente, conforme concluiu também essa comissão parlamentar.
Naquele então já dava para vislumbrar o projeto da empresa que melhor se posicionara no espectro midiático da ditadura, da qual se tornou uma espécie de porta-voz. Abatendo um por um os concorrentes, segundo métodos diferenciados, as empresas de Roberto Marinho iriam substituir em importância e peso político os Diários e Emissoras Associados, de Assis Chateaubriand, dispondo de petardos muito mais temidos em função do progresso tecnológico.
Para isso, com recursos repassados pelo grupo Time Life (a primeira bolada de 3 milhões750 mil dólares - 300 milhões de cruzeiros - foi creditada em 24 de julho de 1962), a Globo inaugurou sua primeira estação de TV em 25 de abril de 1965, embora fosse detentora da concessão desde 1957.
Seu crescimento se deu em sintonia com a ditadura: em dezembro de 1968, quando do AI-5, já liderava a audiência, tendo se beneficiado inclusive da perseguição à Tv Excelsior, a melhor desde sua implantação, que foi tirada do ar na marra em 1970 num gesto grotesco do jornalista Ferreira Neto, em nome do regime militar. Nesse momento, o grupo proprietário (Celso Rocha Miranda e Mário Wallace Simonsen), que já sofrera um baque na desativação da Panair do Brasil, em fevereiro de 1965, estava totalmente esmagado pelas botas da intolerância.
Monopólio que dá todas as cartas
Com carta branca do regime militar, a Rede Globo transformou-se num verdadeiro monopólio, expandindo-se por todo o país com o sistema de afiliadas, em que se incluem a família Sarney, no Maranhão; ACM, na Bahia, e Fernando Collor, em Alagoas.
Com isso, o jornal, que era apenas um vespertino sem grande peso em 1964, transformou-se no mais forte e mais influente diário do Rio de Janeiro. No período da ditadura, as organizações Globo chegaram a somar 40% de toda a publicidade, com maior percentual nas verbas oficiais.
Praticamente sem concorrência, a emissora chegou a ter 80% de audiência, o que fazia do seu único proprietário um homem tão temido que ele sabia primeiro de certas no Congresso.
Tv Manchete, com o melhor jornalismo de sua época; Bandeirantes, com ênfase para o esporte e o SBT, com a exibição de novelas e seriados importados, em nenhum momento abalaram o império, levando o jornalista Alain Riding, do “New York Times” a escrever em 1966 numa reportagem de grande repercussão nos Estados Unidos: “Todos os dias da semana, às 19h55min, pelo menos 50 milhões de brasileiros espalhados por este imenso território, incluindo um homem de 82 anos de idade - elegantemente vestido, com um telefone ao seu lado - assistem às notícias diárias escolhidas, interpretadas e transmitidas pela TV Globo, a maior rede de televisão do País”.
Riding conversou com Roberto Marinho e ouviu dele: "Nós fornecemos todas as informações necessárias, mas nossas opiniões são de uma maneira ou de outra, dependentes do meu caráter, das minhas convicções e do meu patriotismo. Eu assumo a responsabilidade sobre todas as coisas que conduzo”.
Nessa reportagem, o Times destaca que, "com índices de audiência entre 70 e
80%, a TV Globo é hoje, claramente, um centro-chave de poder”:
“Eu uso esse poder, mas sempre de maneira patriótica, tentando corrigir as coisas, procurando caminhos para o país e seus estados. Nós gostaríamos de ter poder suficiente para consertar tudo o que não funciona no Brasil. A isso dedicamos todas as nossas forças”.
E ainda, recorrendo ao livro de Daniel Heriz:
“Num determinado momento – disse Roberto Marinho ao jornalista norte-americano - eu me convenci de que o Sr. Leonel Brizola era um mau governador. Ele transformou a Cidade Maravilhosa num pátio de mendigos e marginais. Passei a considerar o Brizola perigoso e lutei, realmente usei todas as minhas possibilidades para derrotá-lo nas eleições”.
Espero que você reflita
Com todo esse poder que moldou até hoje as percepções sociais, e valendo-se de alianças como ocorre agora, com jornais e revistas de grande circulação, a Globo incutiu numa opinião pública vulnerável os qualificativos que foi de sua conveniência sobre os movimentos e as instituições que a ela não se subordinam ou que possam ameaçá-las a curto, médio e longo prazo.
É isso que você tem de anotar se não pretende ser um ventríloquo de um sistema piramidal que tenta preservar seus tentáculos nos campos da comunicação humana. Sistema que já tem a sua igreja, a sua cultura, a sua Justiça, os titulares dos seus poderes políticos e as ferramentas formatadoras.
Sistema que criminaliza e estigmatiza aos que não rezam por sua cartilha, numa soma de códigos invisíveis e de alcance subliminar infalível, levando muitos cidadãos de certo nível a repetirem seus anátemas acriticamente e sem conhecimento de causa. Isto que, com precisão matemática, concluiu o universitário que me escreveu, partilhando das preocupações de pessoas como eu, que cansaram de ouvir sandices dos que substituíram a cultura de almanaque pelo decoreba dos monitores eletrônicos.
Isso que permeia a tentativa de inviabilizar concorrentes e desmoralizar correntes evangélicas que estão triunfando, sobretudo pela maior e mais perspicaz compreensão da alma humana.
coluna@pedroporfirio.com

domingo, 16 de agosto de 2009

Para além da campanha contra a Universal e a Rede Record

Antes de jogar mais pedras nos pastores, seria bom ver quais os interesses espetacularizam denúncias requentadas
A VEJA já viu o conflito como uma guerra entre duas tevês. Agora, entrou na tropa de chqoue contra a Record

O senhor contribui, do ponto de vista financeiro, com a Igreja?
Sim, faço algumas doações.
Desde quando?
Desde a época em que frequento a Igreja Renascer, ou seja desde meus 12 anos”.
Kaká, atleta da seleção brasileira de futebol, atualmente no Real Madri, em depoimento à Polícia Tributária da Itália.

Pois eu vejo com reservas essas matérias orquestradas contra a Igreja Universal do Reio de Deus, que visam atingir a Rede Record de Televisão. Essa reserva decorre especialmente da confluência de veículos da grande mídia, os mesmos que, em passado não muito remoto, condenaram Leonel Brizola à morte, levando muitos brasileiros a acreditarem que o caudilho nacionalista tinha relação direta com o "Comando Vermelho" e com o tráfico em geral.
Não me cabe aqui, nessa avaliação necessária, discutir as práticas das igrejas em geral, sem exceção, que vivem essencialmente dos donativos recolhidos entre seus fiéis. Em todas as situações, em todos os altares, fiéis contribuíram sob impulsos da fé que os embala, muitas vezes em ambiente de êxtase.
Com mais ou com menos, independente do clima criado, essas contribuições ocorrem em caráter voluntário. No caso da Igreja Universal, o noticiário hostil sobre a destinação dos recursos é um assunto recorrente, como virou moda falar.
A igreja do bispo Macedo foi repetidas vezes estigmatizada com a espetacularização de notícias negativas a seu respeito. E, no entanto, continua crescendo, ampliando sua influência para além de nossas fronteiras, incluindo em seu mapa dezenas de países da África pobre e submetida a séculos de impiedoso colonialismo.
Crescimento dos pentecostais
Como a Universal, dezenas de igrejas evangélicas, particularmente as "pentecostais" observam um crescimento que deveria ser objeto de um exame mais aprofundado dos estudiosos no comportamento humano. Ele acontece na proporção inversa da Igreja Católica Apostólica Romana que mantém sua supremacia numérica, mas de conteúdo inercial.
Não estamos diante de nenhuma novidade com essas matérias que ganharam maior ênfase em função das recentes denúncias do Ministério Público de São Paulo, com um novo condimento. Agora, se questiona a suposta utilização de doações dos fiéis em proveito da Rede Record de Televisão, como reação ao seu crescimento, que se deu principalmente pela opção de sua direção de abstrair em sua programação e até mesmo em sua linha editorial a relação direta com seus proprietários.
A Igreja Universal é acusada de usar dinheiro dos fiéis na consolidação da Record. Se não há nenhum dispositivo legal, em nenhum código, em nenhuma lei específica, não há do que se acusar os seus bispos com relação ao destino do dinheiro arrecadado.
Há então a questão ética. Nesse aspecto, tenho também minhas dúvidas. A coisa mais comum é ver nas estações de televisão e rádio a repetição de apelos aos fiéis para que ajudem a manter os programas religiosos, onde são transmitidos cultos e pregações de grande impacto psicológico. Alguns programas chegam a publicar as contas bancárias das igrejas a serem beneficiadas com as doações.
As contribuições compulsórias que não questionam
Insisto em que não me cabe fazer juízo de valores sobre uma prática que é da relação entre a instituição religiosa e seus adeptos. As igrejas evangélicas foram sendo implantadas no Brasil ao longo dos últimos 120 anos com sua linguagem pastoral diferente da Igreja Católica Apostólica e Romana.
Esta teve sua presença associada à colonização e foi parte do poder. Mesmo com a separação, formulada na constituição republicana, ficou senhora de muitas terras e de muitas propriedades. Desfruta ainda de um entulho colonial - o laudêmio, uma taxa que garante arrecadação compulsória (e não voluntária) em milhares de logradouros do país.
Imóveis do centro do Rio de Janeiro são obrigados a recolher para ordens religiosas 5% do valor de suas vendas a cada mudança de dono. Além disso, pagam um foro anual. Em Niterói, praticamente metade da cidade é devedora dessa taxa a ordens religiosas católicas. Estudos que tenho feito sobre esse "tributo" formalizado por lei de Dom Pedro I em 1830 mostram que a Igreja Católica detém 60% das áreas aforadas, isto é, mais do que as áreas de marinha.
Em nenhum momento essa grande mídia deu atenção à contabilidade das cúrias católicas. Nem mesmo recentemente, quando uma investigação realizada na Arquidiocese do Rio de Janeiro, divulgadas oficialmente por seus prelados, indicou a existência de desvios de dinheiro e abuso na gestão do cardeal Eusébio Oscar Scheid, para quem a Cúria comprou um apartamento de R$ 2 milhões no luxuoso bairro da Lagoa.
Temos aí, num raciocínio sereno, que a simples condenação da relação da Igreja Universal, com um total superior a 8 milhões de crentes, espalhados por 112 países do mundo, é um jogo de cartas marcadas, reeditado de quando em vez numa sequência tão direcionada que tem provocado a indignação de outras denominações evangélicas, como a Assembléia de Deus, de 30 milhões de adeptos, cujo líder, pastor "Dr Omar" tem feito pronunciamentos seguidos em solidariedade ao bispo Macedo.
O alvo é o crescimento da Record
Neste exato momento, o verdadeiro alvo não é a Igreja Universal do Reino de Deus, mas a Rede Record, o sistema de comunicação que já abala o monopólio midiático que cresceu à sombra e com as bênçãos da ditadura e dos interesses econômicos internacionais.
A nós outros, que não temos envolvimento direto nesse conflito, cabe assumir uma posição que seja melhor para o Brasil e para o povo brasileiro. Se entendemos que o móvel da campanha é o crescimento de uma concorrente que tira o sono da "grande líder", da rede que faz e desfaz presidentes (vide caso Collor), que dita hábitos e exerce uma influência desmedida, numa hora em que poderosos ícones da mídia experimentam declínio, cabe-nos adotar um afastamento crítico para não nos deixarmos servir de buchas de canhão.
Curiosamente, repito, sucesso da Record decorre da visão empresarial dos seus titulares, que conservam uma postura laica em sua programação, destinando horários na madrugada a programas religiosos. Nisso, observe-se, a Record é muito menos usada pelos cultos religiosos do que outras duas cadeias de tv aberta - a CNT e a Rede TV.
O que mais incomoda nessa competição é o padrão salarial da emissora. Além de dar todo apoio a seus profissionais, A Record acabou com o mito de que só a Globo poderia oferecer bons salários ao seu pessoal. A média salarial e a valorização dos seus empregados são vistos como referências, que pesam na produtividade de suas emissoras.
O resultado dessa relação se reflete no sucesso político do apresentador Wagner Montes, eleito deputado estadual pelo PDT com mais de 100 mil sufrágios, que registra empate com o governador Sérgio Cabral nas pesquisas de intenção de votos para governador. Caso prefira continuar deputado, o IBPS prevê que ele passará dos 300 mil votos, tudo por conta de sua audiência na televisão.
Pitadas de intolerância religiosa
Eu diria que as investidas contra os cultos pentecostais revelam conteúdos de intolerância religiosa. Alguém já foi ver como é a relação das sinagogas com os judeus? Tocar nelas ninguém se arrisca, por todos os motivos e até porque a hermenêutica pode vislumbrar racismo em qualquer coisa que afete a comunidade judaica.
Pelo que tenho observado, aos longo dos seus 32 anos, a organização do bispo Macedo optou por uma espécie de "profissionalização" da estrutura administrativa. Ao invés da destinação empírica, voluntarista e sem planejamento, a arrecadação junto aos fiéis, inclusive segmentos de empresários, passou a suprir um verdadeiro banco que, por sua vez, repassa os recursos dentro de uma estratégia que permite a exposição do seu retorno como ingrediente de auto-estema e compensação para sua grei.
Os templos revestidos de mármore e granito produzem um certo efeito sobre a comunidade e operam psicologicamente em áreas de baixa renda, onde, ao contrário do que somos informados, a Universal se dedica a um amplo programa de assistência social e a um trabalho de recuperação dos foras da lei.
O Estado brasileiro felizmente é laico, apesar dos acordos do presidente Lula com o Vaticano, denunciados em matéria paga por uma Loja Maçônica do Rio de Janeiro. Laico e aberto a todo tipo de culto, com suas singularidades. Assegura, inclusive, o direito de não ter religião nenhuma, opção que se amplia a cada censo do IBGE.
A criminalização, com exclusividade, das atividades da Igreja Universal por práticas comuns, com todo respeito que merece o Ministério Público, carece de fundamentos legais primários.
É uma pena que muitos de nós, incompetentes no nosso proselitismo político e no nosso relacionamento social, cedamos com facilidade à tentação de fazer de uma igreja evangélica surrado bode expiatório, objeto de nosso rigor crítico mal resolvido. É uma lástima que muitos embarquem na penalização personificada de quem cresceu no preenchimento de um grande vazio existencial e percam de vista os elementos essenciais da sociedade humana.
coluna@pedroporfirio.com

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

HOJE É O DIA DE DIZER BASTA DE CORRUPÇÃO E IMPUNIDADE: FORA SARNEY


Estou republicando a relação dos locais das manifestações programadas para este sábado, às 14 horas, em várias cidades do país com o objetivo de expressar a indignação popular contra o clima de corrupção e impunidade que parecem cristalizadas em nosso país.
Com o “Fora Sarney”, vamos dizer fora todos os corruptos de todos os poderes. Vamos exigir o fim da impunidade e dessa chantagem política que impõe a tolerância a todas as trapaças como condição de “governabilidade” e garantia de uma aliança política com vistas às eleições de 2010.
Eu estarei na manifestação de Copacabana. Espero chegar antes das duas e me juntar aos demais indignados na esquina da Atlântica com a Rainha Elizabeth. Desde já, faço um apelo: independente do que acontecer em cada ato público, não poderemos nos dispersar mais.
Veja os locais onde o povo soltará o grito que está parado no ar:
São Paulo
Data: 15/08 (Sábado), 14H
Local: MASP
Porto Alegre
Data: 15/08 (Sábado), 14H
Local: Arco da Redenção
Rio de Janeiro
Data: 15/08 (Sábado), 14
HLocal: Em frente ao Posto 6 (Orla – Copacabana)
Belo Horizonte
Data: 15/08 (Sábado), 14H
Local: Praça Sete
Salvador
Data: 15/08 (Sábado), 14H
Local: Av Garibaldi
Brasília
Data: 15/08 (Sábado), 14H
Local: Congresso Nacional
Goiânia
Data: 15/08 (Sábado), 14H
Local: Praça Universitária
Maringá
Data: 15/08 (Sábado), 14H
Local: Av. Colombo em frente a Universidade Estadual de Maringá (UEM)
Londrina
Data: 15/08 (Sábado), 14H
Local: Em frente ao Banco do Brasil do calçadão
Curitiba
Data: 15/08 (Sábado), 14H
Local: Centro Cívico (shopping MUELLER)
Vitoria
Data:15/08 (Sábado), 14 H
Local: em frente ao Shopping Vitoria
Recife
Data: 15/08 (Sábado), 14H
Local: Av. Conde da Boa Vista, na frente do shopping.
São Luís
Data: 15/08 (Sábado), 9H
Local: praça João Lisboa.* A saída será às 13h. O horário é um pouco diferente por conta da realidade de concentração de pessoas no centro no sábado.

Uma critica necessária à Nota do Clube Militar

A César o que é de César - Governo Lula apenas dá prosseguimento ao Sistema de Corrupção CRIADO e IMPLANTADO pelo Governo Fernando Henrique Cardoso
LEILA BRITO

DE BELO HORIZONTE
O gen Ex Gilberto Barbosa de Figueiredo, ao escrever a Nota do Clube Militar (postada por mim neste blog via divulgação de Pedro Porfírio), cometeu uma injustiça com o Governo Lula: deixou de mencionar e reconhecer que o Governo FHC é o RESPONSÁVEL DIRETO pela corrupção que DESMORALIZOU, de forma irremediável, os Três Poderes da República brasileira.
Foi o Governo FHC o que mais roubou (e continua roubando) o Brasil, pois foi o que criou, implantou e implementou, no Governo Federal, a Máfia comandanda por Daniel Dantas e Gilmar Mendes (FHC gerou e amamentou esses dois gangsters). FHC implantou o sistema de robalheira generalizada que o Lula HERDOU obrigatoriamente, pois só assumiu o PODER, depois de assinar um acordo DITADO PELA ELITE SIONISTA INTERNACIONAL QUE COMANDA ESTE PAÍS, comprometendo-se a manter o sistema (esquema) criminoso.
Portanto, a Nota do Clube Militar acerta na questão da política assistencialista nefasta praticada pelo Governo Lula, que levará o país ao CAOS, mas ERRA na OMISSÃO dos crimes cometidos por FHC e SUA MÁFIA que, nos 8 anos de seu governo e nos 8 anos do Governo Lula, VEM ROUBANDO SISTEMATICAMENTE O POVO BRASILEIRO.Há que se fazer justiça, pois, DENUNCIANDO O GOVERNO FHC como o MAIOR LADRÃO DO BRASIL (FHC simplesmente quadriplicou a dívida externa, e para não ser punido por este crime contra o Estado, criou uma MP antes de deixar o governo, para se livrar de processo por Improbidade Administrativa). Em países sérios, ele responderia a processo e seria preso assim que deixasse o governo.
O relevante e precioso serviço que as operações da PF Chacal e Satiagraha, no comando do competente e ínclito Delegado Protógenes Queiroz, prestou ao país, foi INVESTIGAR E DENUNCIAR OS CRIMES DO GOVERNO FHC. Ou seja, essa corrupção mafiosa que está arruinando o Brasil, vem de antes do Governo Lula. OMITIR ISTO É FALTAR COM A VER-DA-DE.
O que não pode, pois, é o Clube Militar, em sua crítica, PROTEGER a Elite Sionista Nacional que, usando a Grande Mídia de sua propriedade (ênfase para as Organizações Globo e o poder de fogo dos Marinhos), através de manipulações espúrias, vem minando as instituições públicas do Brasil, e roubando o dinheiro do seu povo, as empresas do seu povo (como a Vale e a Petrobras), as riquezas minerais do seu povo e a SOBERANIA DO SEU POVO.
PORTANTO, "a César o que é de César" - FERNANDO HENRIQUE CARDOSO É O MAIOR CORRUPTO DESTE PAÍS - O LÍDER DA GRANDE MÁFIA COMANDADA POR DANIEL DANTAS - Lula e seus asseclas são apenas seus fiéis escudeiros e cúmplices.
letraporletra@hotmail.com
Corrupção desde o regime militar
Comentário de José Luiz postado no Blog do Protógenes, onde este artigo de LEILA BRITO foi originalmente publicado.
"Necessário voltarmos um pouco mais no tempo. A corrupção no Brasil institucionalizou-se com o Regime Militar. Quem tem mais de quarenta anos deve lembrar do Projeto Jari, das aquisições da Westinghouse para a Usina de Angra, do Aeroporto de Cumbica, da Transamazonica, do Projeto Radam, do Projeto AMX, da incomensuravel farra dos Projetos Sudene e Sudam que enriqueceu não só Sarney, como os Magalhães, os Maia, os Barbalho, os Correa, os Odebrecht e outros mais. Época em que Delfim Netto buscava dinheiro no exterior à custa de "spreads" proibitivos somente para financiar o regabofe das empreiteiras. Até 10 anos atrás era comum viajar pelo interior do Brasil e encontrar esqueletos de industrias que funcionaram somente no dia da sua inauguração. Destilarias eram construídas onde nunca foi possível plantar cana e fábricas de papel onde não havia madeira. No âmbito dos Estados, com a anuência do BC, os Bancos estatais eram os fomentadores da corrupção local. Portanto, muito antes de FHC, de quem não tiro o mérito de ter sido o Governo mais corrupto da história, os americanos já declaravam que a corrupção no Brasil era endemica, provocando a ira de Antonio Carlos Magalhães, que, como ministro das comunicações, intermediou a venda da NEC para as Organizações Globo, além de ter distribuído centenas de concessões de rádio e TV para seus aliados políticos. Deveriam estes "militares de pijama" enfiar o rabo no meio das pernas e agradecer por, até hoje, não ter aparecido um Governo com coragem suficiente para investigar seus malfeitos. Mas chegará o tempo em que contas na Suíça, Jersey, Cayman, etc deixarão de ter números e passarão a ter nomes. Aí sim conheceremos a verdadeira face daqueles que hoje, com a ajuda da mídia corrupta, se proclamam "arautos da ética" e, também, teremos a verdadeira medida da corrupção neste País que, não tenho nenhuma dúvida, subtrai de um a dois pontos de nosso PIB todos os anos".
Escândalos políticos desde a Década de 70
Um pesquisador arguto teve reuniu uma penca de escâdalos políticos desde os anos 70 e postou na WIKIPÉDIA. Embora sendo é uma lista precária, ela já dá uma idéia dos antecedentes. A relação envolve também alguns atos de repercussão praticados pelos órgãos de repressão. CLIQUE AQUI E VEJA A LISTA. Os casos ocorridos na ditadura nem sempre chegaamà luz. Mas foram muito mais graves do que os de hoje, que pelo menos são expostos à opinião pública.
No inquérito do MR-8 há depoimentos comprovados de que Jorge Medeiros Valle, ex-gerente do Banco do Brasil que ajudou a luta armada com o desvio de dinheiro de sua agência, foi "laranja" da "primeira dama" Yolanda Costa e Silva, que teria recebido $ 700 mil numa "concorrência" para instalação de equipamentos telefômicos em Brasilia. Nos meios de fornecedores do governo há uma crônica de que os militares de então elevaram de 3 para 10% os percentuais das propinas. Isso, no entanto, não dá direito aos atuais detentores do poder, que sempre se escudaram no discurso ético de considerarem a assimilação da corrupção e a impunidade como condição para a governabilidade. (Pedro Porfírio)

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

O “Fora Sarney” deste sábado e a nota do Clube Militar

Sábado, dia 15, vamos soltar o nosso grito que está parado no ar
A previsão é de que sábado teremos uma tarde de sol ameno no Rio de Janeiro, com temperatura entre 19 e 26 graus. Nada mais convidativo para rever a mundialmente endeusada praia de Copacabana, definida pelo compositor como a “princesinha do mar”.
Ali no Posto 6, perto do histórico Forte de Copacabana, de onde em 6 de julho de 1922 partiram 18 bravos brasileiros rebelados (17 oficiais e um civil) para o confronto heróico com uma tropa de 3 mil homens, teremos um ENCONTRO MARCADO DAS PESSOAS INDIGNADAS com a corrupção e a impunidade, cujo maior vilão é, hoje, a figura deletéria de José Sarney, dono do Maranhão e senador pelo Amapá.
O nosso encontro no Posto 6 da Praia de Copacabana está marcado para as duas da tarde. Eu estarei lá. Serei um rosto na multidão, mas lá estarei somando a inquietação dos meus cabelos brancos aos rostos de todas as gerações indignadas. Espero que você também redescubra a rua como o espaço da verdade que ninguém manipula, ninguém compra, ninguém corrompe.
Vamos de preto, que e a cor do luto que veste esta Nação vilipendiada pela torpeza de uma súcia sem escrúpulos, culpada, entre outros crimes monstruosos, por minar e expor a própria democracia porque tanto lutamos.
Culpada, em primeiro grau, pela frustração dos sonhos de várias gerações, que se somaram nas “Diretas Já” e que haverão de se reunir, sob o signo da dignidade nacional e a fé na fortaleza do povo para dar um basta a toda essa trama sórdida, que não poupou do acumpliciamento nem os jovens domados em suas históricas entidades estudantis.
Manifestações como essa acontecerão em várias cidades do país. A convocação que me chegou às mãos traz a assinatura de TEREZINHA ZERBINI, primeira voz a se fazer ouvir em defesa da anistia, nossa eterna musa das grandes causas que mobilizam o povo brasileiro.
Se não fosse pela obrigação que todas as pessoas decentes têm de soltar o seu grito, que está parado no ar, só a flama emanada dessa mulher incansável já me animaria a fazer a minha própria exortação aos brasileiros.
Vamos dar o nosso recado. Sem manipulação partidária, sem hipocrisias. O país está doente e poderá ter um colapso moral irreversível se a cidadania calar. A cada dia o noticiário político mostra que as quadrilhas do colarinho branco são cada vez mais audaciosas e estão convencidas da impunidade porque os podres poderes a todos subornam.
Neste momento, o destino do nosso país, dos nossos filhos e netos, de uma população inteira está em nossas mãos.
Manifestações em todo o país

Veja a seguir a relação dos locais que já confirmaram os protestos por todo o país:
São Paulo
Data: 15/08 (Sábado), 14H
Local: MASP
Porto Alegre
Data: 15/08 (Sábado), 14H
Local: Arco da Redenção
Rio de Janeiro
Data: 15/08 (Sábado), 14
HLocal: Em frente ao Posto 6 (Orla – Copacabana)
Belo Horizonte
Data: 15/08 (Sábado), 14H
Local: Praça Sete
Salvador
Data: 15/08 (Sábado), 14H
Local: Av Garibaldi
Brasília
Data: 15/08 (Sábado), 14H
Local: Congresso Nacional
Goiânia
Data: 15/08 (Sábado), 14H
Local: Praça Universitária
Maringá
Data: 15/08 (Sábado), 14H
Local: Av. Colombo em frente a Universidade Estadual de Maringá (UEM)
Londrina
Data: 15/08 (Sábado), 14H
Local: Em frente ao Banco do Brasil do calçadão
Curitiba
Data: 15/08 (Sábado), 14H
Local: Centro Cívico (shopping MUELLER)
Vitoria
Data:15/08 (Sábado), 14 H
Local: em frente ao Shopping Vitoria
Recife
Data: 15/08 (Sábado), 14H
Local: Av. Conde da Boa Vista, na frente do shopping.
São Luís
Data: 15/08 (Sábado), 9H
Local: praça João Lisboa.* A saída será às 13h. O horário é um pouco diferente por conta da realidade de concentração de pessoas no centro no sábado.
Os reflexos da indignação
Publico aqui com a necessária isenção a nota do Clube Militar, assinada pelo general Gilberto Figueiredo, sobre a crise moral que abala o país. Independente de suas opiniões , é preciso ficar claro que o comportamento canalha dos políticos vai somar na mesma indignação pessoas de pensamentos e visões diferentes.
Porque a corrupção como modus operandi num regime de direito é a mais irresponsável ferramenta para a sua liquidação. Nada justifica a impunidade dos corruptos. Nenhuma ambição pessoal, nem projeto partidário pode se sobrepor à saúde moral de um país que se torna inviável pelo alto custo das propinas e da roubalheira. Veja o que diz a nota do Clube Militar:
“EM SE COMPRANDO TUDO DÁ … VOTOS
Os homens são tão simplórios, e se deixam de tal forma dominar pelas necessidades do momento, que aquele que saiba enganar achará sempre quem se deixe enganar.(Maquiavel)
Nunca na história deste país se fez tão pouco caso da honra, de tal maneira se desprezou a ética, tanto se usou de meios escusos para corromper, para enlamear instituições, para comprar consciências. A amarga sensação que fica é a da total perda, por parte de um grande número de homens públicos, de qualquer noção de honestidade, de dignidade, de honradez.
O atual governo, contrariando todos os princípios apregoados enquanto estava na oposição, abandonou completamente o decoro no trato da coisa pública e partiu para o uso de um verdadeiro rolo compressor, comprando tudo e todos a sua volta, desde que possam, de alguma forma, interferir em seus objetivos.
Recordemos o esquema do mensalão, quando um grupo de aliados do Presidente, gente de dentro do governo, usou meios escusos para organizar a maior quadrilha jamais montada em qualquer lugar do mundo, com o objetivo de comprar o apoio de parlamentares e, em última instância, perpetuar no poder seu grupo político.
O então Procurador geral da República, Dr Antônio Fernando de Souza, apresentou uma denúncia contundente contra os principais envolvidos no escândalo. Ficou de fora o Presidente da República que alegou desconhecer o esquema. Em termos jurídicos, a desculpa valeu. O Procurador geral retirou-o da denúncia por não ter encontrado evidências firmes de seu envolvimento. Agora, firulas jurídicas à parte, parece pouco provável que alguém, dotado de capacidade de reflexão, tenha acreditado na história. A ser verídico o desconhecimento, cairíamos na dúvida que, à época, circulou na internet: será que temos um Presidente aparvalhado, incapaz de entender fatos que acontecem ao seu redor, protagonizados por seus mais íntimos colaboradores?
Em outra vertente, há o Bolsa Família, sem dúvida o maior programa de compra de votos do mundo. Trata-se de um programa que gera dependência, antes de estimular o desenvolvimento humano. As pessoas atendidas, recebendo o benefício sem nenhuma necessidade de contrapartida, ficam desestimuladas até de buscar emprego. Mesmo a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) chegou a afirmar que o programa “vicia” e que deixa os beneficiários “acomodados”.
Não é que alguém seja contra a minorar a aflição de quem tem fome. O problema é que o programa parte de uma premissa falsa ao confundir pobreza com fome. A esses últimos é mais do que justo assistir com recursos públicos. Aos pobres, a melhor ajuda que o governo poderia dar é investir corretamente em educação. Mas não, confundindo conceitos, prefere manter um Bolsa Família hiperdimensionado, gastando recursos que fazem falta à educação, uma vez que, assim como está, o retorno nas eleições, em termos de votos, tem sido muito compensador.
A comprovação de que não são todos os pobres no Brasil que estão famintos veio de uma pesquisa do IBGE, realizada em 2004 – Pesquisa de Orçamentos Familiares. Em uma parte dessa pesquisa, ficou constatado que o índice de pessoas abaixo do peso estava menor do que aquele considerado normal pela OMS. E, para a perplexidade dos que acenam com a necessidade de combater a fome para manter e ampliar o programa, verificou-se que, entre nós, a obesidade é um problema mais crítico do que a fome.
Não satisfeito em aliciar parlamentares para sua base de sustentação política e populações desassistidas para aumentar suas possibilidades eleitorais, o governo trata, também, de evitar qualquer problema nas ruas, em termos de manifestações públicas de desagrado contra os muitos desvios de ética praticados por seus correligionários e aliados. Nada melhor, então, do que colocar a União Nacional dos Estudantes igualmente em seu balcão de negócios.
É assim que o governo, da mesma forma que faz com sindicatos, resolveu patrocinar a UNE. As verbas federais, dessa forma, passaram a irrigar o movimento estudantil, seja em termos de patrocínio, como aconteceu em seu último congresso nacional, seja com a destinação de alguns milhões para a reconstrução de sua sede, seja, ainda, com o pagamento de generosas “mesadas” a seus dirigentes.
Com isso, foi neutralizado o espírito combativo que era a marca do movimento estudantil e eliminou-se toda possibilidade de agitações de rua indesejáveis. Um exemplo disso ocorreu no referido congresso, quando houve um protesto contra a CPI da Petrobras. Em outros tempos, seria a UNE a primeira a se mobilizar para exigir a completa elucidação dos fatos. Agora, sem sequer conhecer os resultados de uma CPI que nem começou, faz o protesto. Passam por cima da necessidade de se investigar denúncias de irregularidades em uma empresa cujo maior acionista é o governo, em um congresso que era patrocinado por esse mesmo governo. E o presidente da UNE tem a desfaçatez de dizer que não vê nada de errado nisso.
Com a prática da compra indiscriminada de todos que possam atrapalhar os desígnios do governo, este foi perdendo todos os escrúpulos. Conseguindo manter níveis elevados de popularidade, julga-se acima do bem e do mal, capaz de tudo, inclusive de defender crimes praticados por aliados, pouco se importando com a ética e com a moralidade pública. Pouco se importando com a evidência de que está corrompendo os brios de toda uma nação que, em um dia não tão distante, teve orgulho de se proclamar brasileira.
Gen Ex GILBERTO BARBOSA DE FIGUEIREDO
Presidente do Clube Militar”
Para comentários, escreva para

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

A manobra da empresa individual para burlar relações trabalhistas

Jorge Rubem Folena de Oliveira
Membro do Instituto dos Advogados Brasileiros

jorgefolena@yahoo.com.br

Tramita na Câmara dos Deputados, em caráter conclusivo, o projeto de lei 5.099/09, do deputado Jefferson Campos (PTB/SP), que pretende autorizar que pequenas empresas prestadoras de serviço e profissionais autônomos possam ter a residência de seus titulares como suas sedes.
O projeto de lei, a princípio inofensivo e que tem como justificava “ampliar as possibilidades de geração de emprego no Brasil”, apresenta apenas dois artigos, que transcrevo para não deixar dúvidas: “Art. 1º. Ficam as pequenas empresas prestadoras de serviços e os profissionais autônomos autorizados a manter como sede de sua empresa sua própria residência. Art. 2º Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.”
Como se vê, sob o argumento de ampliar a geração de emprego, pode ser dado um grande passo para colaborar, de forma sutil, com a reforma trabalhista, que possibilitará a diminuição dos encargos sobre a folha de pagamento e a exclusão de direitos sociais conquistados com muita luta pelos trabalhadores.
Uma vez aprovado o projeto de lei em questão, com certeza o que hoje é praticado para favorecer muitas empresas e trabalhadores que aceitam o jogo da emissão de notas fiscais em vez da assinatura da carteira de trabalho, poderá ser uma realidade para a grande maioria dos trabalhadores, legalizando assim uma esdrúxula situação de negócio entre empresas ao invés de uma relação de emprego, regida pela CLT.
Como ocorreu com o FGTS, que deveria ser facultativo, mas tornou-se “obrigatório” em quaisquer contratações, para eliminar a estabilidade no emprego para os trabalhadores da iniciativa privada, poderá ocorrer, doravante, que os trabalhadores somente venham a ser contratados se tiverem constituído uma “pequena empresa” prestadora de serviço.
Com isso, a carteira de trabalho e os direitos sociais, como férias, 13º salários, FGTS, previdência social etc., deixarão de ser realidade e os trabalhadores ficarão reduzidos à indesejável condição de “patrão de si mesmo”, sendo obrigados por força da legislação fiscal a ter que emitir notas fiscais ao invés de receberem seus vencimentos mediante a comprovação por meio de contracheques.
Com efeito, não só os trabalhadores perderão, mas toda a sociedade, com a possibilidade de se ampliar a evasão fiscal. O Globo, de 02/08/09, estampou na primeira página: “Compra de nota fiscal esconde sonegação na área da cultura”. E na página 02: “A cultura da sonegação”.
Esta situação não tem ocorrido por acaso, como alertou o jornalista Hélio Fernandes, em artigo publicado no dia 14/07/2009 (“apresentadores, atores, atrizes e diretores com salários milionários podem substituir carteira de trabalho por notas fiscais?), porque “tudo é orquestrado, determinado e controlado”.
Daí nesses dias intranqüilos, quando ouvimos em todo o mundo gravíssimas acusações contra instituições que parecem desmoronar-se, como o Parlamento e o Judiciário, não dá para deixar de citar Jack London, pela atualidade de suas palavras: “Eu tinha começado a explorar meus semelhantes. Tinha uma equipe sob comando de um só homem. Como capitão, ficava com dois terços da grana e dava à tripulação um terço, embora eles trabalhassem tão duro quanto eu e arriscassem tanto quanto eu suas vidas e sua liberdade. (...) O capitalismo toma os bens de seus semelhantes a título de reembolso, ou traindo a confiança ou comprando senadores e juízes de tribunais superiores.” (escritor americano, nascido em 1876 e falecido em 1916)
Portanto, as grandes personalidades (apresentadores, atores, atrizes, diretores etc.) deveriam refletir melhor sobre seus atos, pois não basta ser um apresentador ou diretor milionário, uma vez que jamais deixarão de ser trabalhadores, que empregam seus talentos a quem lhes paga.
Por essas razões, o projeto de lei em questão deverá ser rejeitado, na medida em que poderá ser prejudicial aoos trabalhadores e a sociedade.

Quem sou eu

Minha foto
Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.