sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Nesse ponto, Lula tem razão:países atômicos que dêem o exemplo

"O que a gente espera é que aconteça o melhor, que não tenha arma nuclear no Irã, que não tenha arma nuclear em nenhum país do mundo. Que Estados Unidos desativem as suas, e a Rússia desative as suas. Porque autoridade moral para gente pedir pros outros não terem é a gente também não ter".
Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República Soberana do Brasil


Lula foi feliz em sua colocação e deixou Ângela Merkel de saia justa

Com a mesma autoridade de quem vem criticando o presidente Luiz Inácio desde o seu fatídico encontro com o ex-presidente George Walker Bush, em 12 de novembro de 2002, sirvo-me da presente para festejar com todas as letras e com todo o orgulho de brasileiro a colocação definitiva e irretocável desse mesmo Lula sobre a histeria que o Ocidente fabrica, ao gosto da indústria armamentista, com a utilização manipulada das notícias sobre o programa nuclear iraniano.
Em sua fala, ao lado de Ângela Merkel, chefa do governo da Alemanha, contestando a falácia hipócrita de quem nunca disse uma única palavra contra o arsenal atômico de Israel, Lula me surpreendeu por uma lucidez cristalina, ao pronunciar aquela frase, pondo dona Ângela Merkel na saia justa.
E foi mais explícito, deixando os governantes dos países dominadores do Ocidente numa verdadeira sinuca de bico: “O melhor e mais barato é acreditarmos nas negociações e termos muita paciência. Eu penso que tratar o Irã como se fosse um país insignificante, aumentado a cada dia a pressão, poderá não resultar em uma coisa boa. Precisamos aumentar o grau de paciência para aumentar o grau de conversação com o Irã.”
No dia 23 de novembro, ao receber no Brasil o presidente do Irã, uma semana depois de fazer a mesma sala para o presidente de Israel, o presidente da República foi igualmente feliz, declarando: "Reconhecemos o direito do Irã de desenvolver um programa nuclear com fins pacíficos e com respeito aos acordos internacionais e esse é o caminho que o Brasil vem trilhando. Não proliferação e desarmamento nuclear devem andar juntos. O Brasil sonha com um Oriente Médio livre de armas nucleares, como ocorre na América Latina".
Lula lembrou em seu pronunciamento ao lado do presidente Mahmoud Ahmadinejad:
“O Brasil tem um modelo de desenvolvimento de energia nuclear reconhecido pela ONU e pela agência que cuida da questão nuclear e conhecemos a polêmica pelo mesmo desenvolvimento no Irã. O que nós temos defendido há muito tempo é que o Irã possa produzir urânio para desenvolvimento de energia tanto quanto o Brasil tem feito”.
Ele pagou um preço alto pela coragem de receber aqui o chefe de um Estado demonizado pela artilharia midiática do Ocidente por ser o maior empecilho ao expansionismo sionista, tal como preconizado por Theodor Herzl, um judeu austríaco assimilado, autor do livro “Der Judenstaat” (O Estado Judeu), cristalizado no I Congresso Sionista, realizado em Basiléia, Suíça, em 1897.
(O projeto sionista, concebido de olho na da descoberta de petróleo na Arábia Saudita em 1882, prevê um Estado racial judeu do Nilo ao Eufrates e da margem direita do Nilo ao Mar Vermelho e a margem esquerda do Eufrates, a maior parte do Iraque e a totalidade da Jordânia e da Síria, sem falar, naturalmente, da Palestina, conforme relata Hussein Triki, no livro “Eis aqui Palestina”).
Por que não te calaste, Serra?
Nessa visita, mais do que os protestos de meia dúzia da quinta coluna sionista no Brasil, a manifestação mais deprimente foi um artigo assinado pelo governador de São Paulo, José Serra, a quem estou conclamando a ver o filme CAMINHO PARA GUATÂNAMO, do diretor Michael Winterbottom, baseado em fatos reais, que relata o sofrimento de três britânicos de origem afegã, incluindo as torturas em Guantánamo. Eles foram tomados como talibãs e libertados 30 meses depois sem qualquer acusação formal.
Em sua diatribe, na qual abandona a condição de governador do maior Estado brasileiro para se transformar num porta-voz da colônia israelita, Serra se diz desconfortável por “recebermos no Brasil o chefe de um regime ditatorial e repressivo”.
Proclamando-se comprometido com os direitos humanos, alude a torturas nas prisões do Irã e ao seu passado de luta contra a ditadura brasileira. Essa peroração serve apenas para demonstrar sua falta de visão política, querendo agradar os donos do mundo contra um ato de soberania do governo brasileiro, o que mostra que quem tem oposição como a sua não precisa ter aliados.
Se ele se considera tão zeloso com os direitos humanos, por que nunca disse uma única palavra contra as torturas na base  de Guantánamo, de que se envergonham os próprios norte-americanos? Que palavra o governador José Serra pronunciou contra os massacres praticados pelos invasores norte-americanos na prisão de Abu Ghraib? E o que disse sobre 15 fotografias de torturas no Afeganistão e Iraque, divulgadas pela cadeia de tv australiana SBS, em 16 de maio passado, tão chocantes que o presidente Barack Obama não queria ver reveladas?
Com a lucidez de um chefe de Estado
Não há momento mais propício e ato de maior honestidade de que reconhecer a coragem soberana do presidente Luiz Inácio no trato de assuntos delicados de nossa política externa, como esse bode expiatório do Irã. Quisera eu que, finalmente, o chefe do Estado brasileiro afirmasse a soberania do Brasil inclusive em sua política econômica, infelizmente atrelada ao projeto neoliberal multinacional.
Em política externa, não pode haver manipulações facciosas. Isso ficou claro desde o tempo de Jânio Quadros e teve bons momentos quando o general Geisel peitou os norte-americanos que queriam nos impedir de desenvolver o programa nuclear para fins pacíficos, condicionando o nada a opor a que aceitássemos as sucatas da multinacional Westinghouse.
Painel esclarecedor sobre  soberania popular
Com meus aplausos, repasso a todos os leitores, moradores do Rio, convite do Instituto dos Advogados do Brasil para um painel da maior atualidade – a experiência venezuelano que permite interromper o mandato de um governante, como foi tentado em referendo realizado em 2004, quando a oposição reuniu às assinaturas necessárias para saber se o presidente Hugo Chávez deveria continuar ou não no poder.
O painel internacional sobre a Soberania Popular, que será realizado no Instituto dos Advogados Brasileiro, na Avenida Marechal Câmara, 210, 5º andar, Rio de Janeiro, RJ, no dia 9 de dezembro de 2009, das 9h30 às 12h30, quando, então, serão expostos os seguintes temas:
1) Revogação de mandato de dirigentes políticos na Venezuela (expositor: professor de direito constitucional venezuelano, Edwin Roberto Sambrano Vidal);
2) A justiça popular em Cuba (expositor: professor de direito constitucional cubano, José Manuel Garcia Villanueva);
3) O Plebiscito, o referendo e a iniciativa popular no Brasil (expositor: professor Ricardo Cesar Pereira Lira, ex-presidente do IAB e UERJ).
A iniciativa do presidente da Comissão Permanente de Direito Constitucional do IAB, Jorge Rubem Folena de Oliveira, poderá ser uma nova luz sobre os desvios de conduta de nossos governantes, que nunca são submetidos a julgamento popular no meio do mandato, ou se são, dependem dos seus cúmplices no poder legislativo, devidamente comprados, como acontece agora no Distrito Federal.
Eu estarei lá e espero que você não perca essa oportunidade de conhecer os fundamentos jurídicos do julgamento popular de um mandato, ainda no seu transcorrer.

7 comentários:

  1. Pois o Lula vem mostrando aos "estadistas" do mundo que que não é cultura acadêmica que faz um grande dirigente, mas sinceridade e ponto de vista forte. Contra tudo e todos não recuou e recebeu o presidente do Irã, assim como fez com o primeiro-ministro israelense: um peso, uma medida. Agora dá um recado duro aos pretensos "donos do mundo": para ter moral é necessário praticar o que se aconselha. Está nascendo um autêntico estadista.

    ResponderExcluir
  2. Concordo com C.F. Apesar de não morrer de amores por Lula e seu partido de esquerda, uma esquerda de sangrento passado (vide Stalin, vide Mao, vide Kim Il Sung e outros carniceiros) devo concordar que ele sim, tem autoridade moral para pedir o fim das armas nucleares. Agora quanto ao Irã, ele tem o direito de de armar contra seus inimigos poderosos, que vêm cobiçando seu petrôleo há anos; assim como EU tenho o direito de me armar contra assaltantes e ladrões que cobiçam minhas propriedades e meus bens, ameaçando minha família.
    É simples assim

    ResponderExcluir
  3. Anônimo9:34 PM

    Concordemos ou não com os opinamentos do Porfírio (no meu caso na maioria das vezes assino em baixo do que fala), não resta dúvida que o ilustre jornalista está sempre focando nos "assuntos chaves" da realidade contemporânea brasileira.Ler sua coluna é sempre um exercício mental para desenvolver um sentido crítico independente nas análises dos problemasde nosso tempo. José de Anchieta Nobre Almeida.

    ResponderExcluir
  4. Porfírio , como estou em viagem não posso escrever em detalhes; endosso cada palavra sua, em todos os sentidos: sim, desde 1823 quando o cúmplice pegou o barco atravessou o canal e arrebentou a bolsa de Londres
    destruindo Napoleão. O Lula deve sim com fins pacíficos típico do povo brasileiro que é profundo e sincero apoiar o Irã, o povo palestino que estão sem água para beber porque o Iraque,os sionistas maldosos e egoistas, que não são todos, sonega até a água da chuva; é igual ou pior do que a câmara de gaz? estamos fazerndo esta pergunta diariamente?
    Continue Porfírio ua luta; seu conhecimento profundo da verdade ajudando o povo brasileiro a saber o que estes sionistas malvados e egoistas aliados aos governantes conivêntes,mídia golpista, e outros esconderam durante o decorrer dos últimos 150 anos para se tornarem os donos do mundo,para
    isso terão que acabar com 80% da população que dá despesas sem retorno. abraços / Marilda Oliveira

    ResponderExcluir
  5. Marilda:
    Quanta erudição há no seu comentário!
    Vejo que a senhora conhece a história.
    Infelizmente somos poucos o que sabemos das coisas.
    Parabéns!
    Em tempo, clicando no meu nome, poderá entrar no meu blog e ver uma projeção futurística das desgraças que estão chegando por aí.
    Martin.
    http://sarracena.blogspot.com

    ResponderExcluir
  6. Anônimo9:55 PM

    Pedro,
    Obrigado mais uma vez pela divulgação do evento do IAB (Soberania Popular).
    Desejo um 2010 repleto de sucesso.
    Do seu amigo.
    Jorge Rubem Folena de Oliveira

    ResponderExcluir
  7. Caro Porfirio.
    Assistindo o programa Brasil em debate da TV Câmara,fiquei surprêso e estarrecido quando o âncora,Tarciso Holanda revelou que Jânio Quadros tem noventa milhões de dolares no exterior,sua filha não conseguiu reaver por não possuir as senhas,Jânio teve um AVC que o impediu de faze-lo.Gostaria do seu sábio e equilibrado comentário.Luiz Martins da rocha.

    ResponderExcluir

Quem sou eu

Minha foto
Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.