sexta-feira, 30 de outubro de 2009

A verdade sobre a Venezuela - uma democracia direta com eleições transparentes.

“Será desconfortável admitir a Venezuela porque o presidente Hugo Chávez não reconhece o Estado de Israel, que tem um acordo bilateral (?) com o Mercosul”.
Senador João Agripino, líder do DEM
“A Venezuela está investindo muito na modernização de sua infra-estrutura e acreditamos que, com a nossa experiência em obras pesadas, podemos dar uma grande contribuição para o desenvolvimento do país”.
César Gazoni, diretor comercial construtora Camargo Correa para a América Latina.
Na Venezuela de Hugo Chavez, os negócios da Odebrecht são ainda mais espraiados. As linhas 3 e 4 do metrô da capital Caracas, com um total de 12 quilômetros de túneis, vão sendo construídas pela empresa sob contratos de US$ 185 milhões. O projeto de irrigação El Diluvio-El Palmar, na região fronteiriça com o Brasil, foi conquistado este ano pelo valor de US$ 96 milhões. Enquanto isso, uma ponte de 3,1 quilômetros sobre o rio Orinoco, 165 quilômetros de estradas e dois quilômetros de viadutos vão ficando prontos no interior do país, com previsão de entrega para maio de 2006. A fatura total desses empreendimentos é de US$ 600 milhões.

Essa votação na Comissão de Relações Exteriores do Senado sobre o ingresso da Venezuela no Mercosul serviu para mostrar a pequenez que sobressai no comportamento dos nossos parlamentares. Quem era da base governista, somou os 11 votos ao do PSOL, garantindo folgada maioria à aprovação. Os cinco senadores do PSDB e do DEM, que insistem em fazer oposição como incorrigíveis trogloditas, preferiram se queimar numa postura contrária aos interesses econômicos do Brasil e fazer o gosto de Israel, que não se conforma pela atitude corajosa do presidente Hugo Chávez que, em janeiro de 2009, rompeu relações com o regime sionista, depois dos impiedosos massacres da população civil de Gaza, com mais de dois mil inocentes mortos.
Os senadores oposicionistas sabiam que se há um país que vai ganhar com a admissão da Venezuela no Mercosul esse país é o Brasil, que tem no vizinho o seu melhor parceiro comercial. Sob pretexto de rejeição a práticas de Chávez, que teriam caráter antidemocrático, os tucanos e os representantes do DEM reduziram uma questão de interesse nacional – um assunto de Estado – a um jogo partidário irresponsavelmente mesquinho.
Nessa hipócrita defesa da “democracia” na Venezuela, foram desautorizados até pelo principal líder da oposição a Chávez, o prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, que veio ao Senado brasileiro falar do interesse geral em seu país pelo ingresso no Mercosul, independente das divergências e críticas ao seu governo.
A políticos com o histórico de Tasso Jereissati carece autoridade moral para falar em democracia. Com certeza, o controle que exerce sobre a política cearense desde que o governador Gonzaga Motta o fez seu sucessor na onda do “Plano Cruzado”, em 1986, não é o melhor exemplo de democracia.
Democracia de sobra com eleições transparentes
Devo dizer, pelo testemunho de quem esteve na Venezuela em 2006 sem qualquer vínculo oficial, isto é, por minha conta, que as eleições naquele país são muito mais transparentes e seguras do que no Brasil. Lá, além do eleitor ser submetido a uma identificação digital numa bateria de computadores, o voto eletrônico é também impresso, permitindo a sua conferência. Em 2006, a Comissão Eleitoral, com a assistência de delegações oficiais da OEA e de vários países, selecionou 45% das urnas para comparar o voto eletrônico com o impresso.
Além disso, o modelo de consulta popular através de plebiscito torna o exercício do poder muito mais exposto ao julgamento do povo. Todas as mudanças constitucionais  na Venezuela tiveram de ser submetidas a aprovação dos cidadãos. Aqui, já fizeram mais de 50 emendas à Constituição sem que o povo sequer tenha tido conhecimento.
Para um país que sofreu um golpe de Estado em 2002, seria querer muito desejar que o governo ficasse à espera de uma nova tentativa e não punisse alguns golpistas. Quando estive em Caracas, todas as estações de televisão faziam oposição, juntamente com os principais jornais do país – El Universal e El Nacional. Para ter acesso à televisão, Chávez recorria ao canal estatal e às estações comunitárias que, ao contrário do Brasil, se disseminam com liberdade e cobertura legal.
Entidades empresariais e os “ruralistas” atuam com desembaraço na oposição radical ao governo. Essa oposição inclui boicotes de mercadorias e resistências ao controle de preços para forçar o desabastecimento e a inflação. Por conta desse quadro, a Venezuela importa hoje 70% dos alimentos que consome.
A ampla maioria que o governo tem na Assembléia Nacional ocorreu por conta de um boicote nas eleições parlamentares de 2005, postura que a “direita” reconhece hoje como um erro fatal. Mesmo assim, dissidentes da aliança estabelecida naquele ano exercem a oposição, sob a liderança do partido PODEMOS.
O ódio à semente de uma nova América Latina
Portanto, nada mais insustentável do que alegar que a Venezuela despreza a democracia. O que semeia o ódio dos seus adversários é a sua proveitosa cruzada nacionalista, contra a qual os interesses dos trustes se articulam. Com a ascensão do coronel bolivariano, o quadro na América Latina começou a mudar e hoje há um ambiente de dignidade  e culto da soberania nacional na maioria dos países da América Latina. Esse ódio é tão obstinado que até Fidel Castro e a revolução cubana foram colocados em segundo plano pelos grupos aliados dos trustes norte-americanos.
Ao ser eleito pela primeira vez em 1998, Chávez deu fim ao Pacto de Punto Fijo, que perdurara por quarenta anos, com a alternância no poder entre representantes das oligarquias, através dos partidos Ação Democrática e Social Cristão – COPEI. Até então, a Venezuela era o país com maior índice de corrupção da América do Sul. Para se ter uma idéia: em 1973, com a primeira ação articulada da OPEP, o preço do barril do petróleo subiu de US$ 3,00 para US$ 12,00. O produto dessa elevação gigantesca foi todo para os bolsos das oligarquias.
Em consequência da degeneração administrativa e do empobrecimento do povo, apesar das altas do petróleo, o país chegou a um clima de revolta em fevereiro de 1989, no “Caracazo”, quando mais de 500 venezuelanos foram mortos pelos militares em dois dias de manifestações desesperadas.
Ex-guerrilheiro faz oposição a Chávez
Quando estive em Caracas, entrevistei Douglas Bravo, o líder das guerrilhas que tiveram grande atuação na década de 60, principalmente nos Estados de Falcón e Mérida. Estava comigo o colega Wellington Mesquita. Morando num modesto apartamento no centro de Caracas, o ex-líder guerrilheiro fez severas críticas a Chávez, acusando-o de “fazer acordo com as petrolíferas estrangeiras”.
Fiquei surpreso com sua oposição radical ao presidente que tirava o sono de Bush. Mas ele, com mais de 70 anos (embora bastante conservado) havia recomendado a seus seguidores o voto em brancono pleito em que Chávez foi reeleito.
Durante a entrevista, ele recebeu várias visitas de pessoas que pensavam como ele, muitos de sua geração de guerrilheiros. Quando estávamos saindo, chegava a seu apartamento um grupo de ex-guerrilheiros guatemaltecos que também se mantinham em posições “à esquerda” de Chávez.
Conversei também com  homens  de “direita”, entre representantes do comércio, indústria e das áreas rurais. Estes estavam convencidos da vitória do candidato oposicionista Manuel Rosales, governador do Estado de Zúlia, o maior produtor de petróleo, que não precisou abandonar o cargo para disputar a Presidência. E, ao conhecerem o resultado, admitiram que a vitória de Chávez aconteceu em eleições limpas e incontestáveis.
Faço esse relato para dizer finalmente: com a oposição como essa, que continua vestindo a carapuça reacionária e ainda não entendeu bulhufas do processo social, Lula se sente à vontade para tirar do bolso do macacão a sua sucessora, que até hoje não disputou nem eleição para síndico de edifício.
No caso da Venezuela, os tucanos de São Paulo e de Minas, principais estados exportadores para esse país, haviam recomendado mais prudência aos representantes da oposição na Comissão de Relações Exteriores. Mas estes, dos Estados do Nordeste e do Pará, preferiram pagar o mico de quem recorre a qualquer impostura para justificar um voto contra os interesses do Brasil,  pensando que é assim que se faz oposição. No que, aliás, contaram com a solidariedade de José Sarney e Fernando Collor, dois dos generais da base governista, que declamaram impropérios no mesmo diapasão.
O comércio que junta a fome com a vontade de comer
 A Venezuela importa 70% de tudo o que consome e representa o maior superávit da balança comercial brasileira. Já é nosso sexto maior destino comercial. De 2003 a 2008, as exportações para a Venezuela cresceram de 758%, saltando de US$ 608 milhões para US$ 5,15 bilhões. Cerca de 72% dessas exportações são de produtos industrializados, com elevado valor agregado e alto potencial de geração de empregos. Além disso, grandes obras lá são realizadas por empresas brasileiras, como a Oldebrecht, a Andrade Gutierez e a Camargo Corrêa. Hoje, o Brasil tem com o país vizinho seu maior saldo comercial: US$ 4,6 bilhões, 2,5 vezes superior ao obtido com os Estados Unidos (US$ 1,8 bilhão).
Empreiteiras brasileiras são as preferidas na Venezuela
A construtora Camargo Corrêa inaugurou em feveriro úlimo as obras de reconstrução da barragem da represa de El Guapo, a 150 quilômetros de Caracas, na Venezuela. A barragem restabeleceu o abastecimento de água para mais de 400 mil habitantes de uma importante região do Estado de Miranda, próximo à capital. .A obra custou cerca de US$ 110 milhões.
 Em 2006, a Andrade Gutierrez assinou contrato para a construção de um estaleiro e quatro navios petroleiros entre 2007 e 2009 na Venezuela, segundo carta de intenção assinada com a PDV Marina, subsidiária da estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA). O estaleiro será construído na região leste do país, informou a PDVSA. O documento prevê ainda a conclusão de dois navios em construção em território brasileiro e a fabricação de mais dois na Venezuela.
O estaleiro será a primeira infra-estrutura venezuelana com tecnologia de ponta para a fabricação, manutenção e reparo de navios de grande porte e plataformas marítimas.O projeto faz parte de um plano mais amplo chamado "Siembra Petrolera 2006-2012", que inclui ainda o aumento da frota da PDV Marinha para 60 navios.Desta forma, a PDVSA terá petroleiros com capacidade de até 400 mil toneladas, fabricados nesta nova instalação.
A Andrade Gutierrez e a estatal venezuelana de siderurgia assinaram acordo em stembro de 2008  para a construção de uma usina siderúrgica no Estado de Bolívar, na Venezuela, orçada em 1,8 bilhão de dólares. A siderúrgica venezuelana terá capacidade de produção de 1,5 milhão de toneladas de aço líquido por ano e será construída em parceria com a Empresa de Produção Social Siderúrgica Nacional.

8 comentários:

  1. Porfírio , em 1998 Hugo Chavez foi eleito presidente depois de uma longa sequência de pesidentes muito corruptos, que haviam basicamente destruido a economia do país.
    Chavez foi eleito nessa época. Ele enfrentou os EUA. Exigindo que o Petróleo Venezuelano fosse usado para ajudar o povo venezuelano.
    Os EUA não gostaram da história, em 2002 foi organizado um golpe para Chavez não resta a dúvida que organizado pela CIA. O modo como este golpe foi organizado, era muito parecido com o que Kernit Rooselvelt tinha feito no Irã para protestar, transformando o governo como impopular.
    Se eles conseguissem que alguns milhares façam isso a TV...pode fazer com que isso pareça acontecer no país todo, se espalhando.
    Chavez foi inteligente e o povo estava tão do seu lado, que ele conseguiu superar o golpe.
    Isso foi um fenômeno na história da América Latina.

    ResponderExcluir
  2. Marilda
    Seria bom que todos os que me escrevem usassem esse espaço para seus comentários, que ficam ao alcance de todos. Parece que neste "blogger" os comentários só podem ser assinados por quem é cadastrado. Nesse caso, suguro que ponham como "anôminos" e assinem embbaixo do texto com seu nome e endereço eletrônico. Ou você conhece outra alternativa?

    ResponderExcluir
  3. Porfírio, eu procuro transformar minhas dúvidas em verdade, este
    comentário que fiz em seu blogue assim como sua colocação é uma verdade.
    Para alcançar-mos o objetivo de muitos célebres escritores que nos anos 30 ficaram no anonimato por dizerem a verdade; ou se pudessemos ressuscitar o meu, nosso, querido Machado de Assis, que lindo seria.
    Machado de Assis dizendo a verdade
    naquela escrita correta, perfeita,repleta da mais elevada qualidade, misturando o aber, filosofia e política em tom irônico e contraditório, que sómente ele no papel conseguia transcrever.
    abraços.
    Marilda Oliveira

    ResponderExcluir
  4. Achei a matéria muito oportuna. Concordo em cada aspecto.

    ResponderExcluir

Quem sou eu

Minha foto
Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.