segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Uma opção contra quem vende a alma ao diabo para permanecer no poder


Eles estão juntos para perpetuar os piores interesses em nosso país.
“Se Jesus Cristo viesse para cá, e Judas tivesse a votação num partido qualquer, Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão”.
Luiz Inácio Lula da Silva, FOLHA DE SÃO PAULO, 22 de outubro de 2009

Se essa leviandade política não lhe faz mal, então saiba que estaremos em campos opostos.

Quarta-feira, dia 21, escrevi sobre “minha nova opção partidária”. Desde então, estou recebendo um grande volume de comentários. Como provavelmente nunca recebi.
Curioso, dia 19, havia enviado matéria sobre o verdadeiro objetivo do banquete organizado por Eike Batista e Rex Tillerson (da Exxon) em louvor do sr. Luiz Inácio. E recebi muito pouco mais de 15 comentários.
Em geral, respondo a cada e-mail diretamente. E pretendo fazê-lo tão logo seja possível. Mas gostaria de fazer desde já algumas breves considerações.
Em primeiro lugar, quero agradecer à demonstração de confiança da grande maioria dos signatários. Algumas mensagens chegaram a emocionar-me.
E mesmo entre os que fizeram restrições ao passo dado, li respeitosos comentários, inspirados nas melhores das intenções.
Alguns leitores, no entanto, excederam-se no seu fervor crítico. Entre esses alguns, que não chegam a vinte,a maioria não me recordo de ter recebido qualquer opinião deles anteriormente. Estes foram os mais agressivos.
Outros 9 simplesmente mandaram excluir seus nomes do nosso cadastro. Outros 4 pediram o cancelamento, mas fizeram questão de exprimir sua “decepção”.
As balas que ferem e a confiança que dá vida
Não sabia que era tão importante assim, pelo menos para os que caíram de pau. Um misto de orgulho e insegurança me perseguiu por esses dias. Porque, como sempre, o tiroteio abala, as balas ferem, queiramos ou não.
Perguntei-me por mais de uma vez: será que dei um passo em falso? Entrarei para o índex das vestais que são implacáveis no patrulhamento político, tanto como padeci nos anos de chumbo, em que as portas das redações se fechavam na minha cara?
Senti, no entanto, que há pessoas realmente dignas, que acreditam firmemente em minha disposição de não retirar uma única palavra do meu dicionário jurássico. Pessoas que já tiveram oportunidade de testemunhar a altivez como enfrento às adversidades para manter-me rigorosamente fiel aos valores que me acompanham desde as calças curtas.
Mais ainda: tive a satisfação de receber mensagens de confiança e solidariedade de pessoas que permanecem nas fileiras de onde saí. São pessoas de passado admirável - duas assinaram a épica CARTA DE LISBOA, o renascimento do trabalhismo – e de presente exemplar: mantêm suas posições por convicções e não por interesse pessoal.
O conjunto de mensagens ainda estava sendo processado em meu cérebro inquieto, crítico, quando li a entrevista de Lula a Kennedy Alencar, da FOLHA DE SÃO PAULO, na quinta-feira, dia 22 . Não sei se havia tomado umas e outras, mas o senhor presidente disse em outras palavras que para vencer é capaz até de vender a alma ao diabo. E aí se dissiparam todas as possíveis dúvidas.
Aliás, como demonstrarei com fatos e números, está mais do que claro que eu seria um covarde se permanecesse num partido, cujo presidente, um oportunista sem voto e sem cultura, sobretudo sem escrúpulo e sem respeito à história, já o incorporou a essa aliança de poder bem definida pelo deslumbrado príncipe operário: sem constrangimento para entregar algum naco do poder ao próprio Judas.
Um poder sem escrúpulos e sem limites
Está igualmente claro que, com todo o respeito a alguns idealistas, eu estaria sendo ingênuo se me juntasse a grupos estéreis, sem qualquer possibilidade de evitar a “mexicanização” do Brasil ao estilo do PRI – o partido que se apoderou de velhos ideais para perpetuar-se no poder mais de 70 anos, institucionalizando o patrimonialismo e a corrupção.
Até prova em contrário, a prioridade é desmontar o criminoso esquema de poder, que não tem limites nos seus expedientes de cooptação e suborno, cristalizando um ambiente de degenerada promiscuidade em todas as esferas do poder.
Mantendo em todos os seus elementos o que foi de pernicioso nos governos anteriores, a corte atual tratou de eliminar os focos de rejeição de suas políticas entreguistas e perversas, não poupando nem os jovens, cuja entidade principal, hoje uma gaiata caricatura do passado, é aparelhada por um partido que não tem adeptos nem em 1% dos “representados”.
A esses impostores, o governo confere todo tipo de meios para o controle da natural insatisfação juvenil. Nem mesmo em escândalos tão prejudiciais aos jovens, como nesse deplorável caso do ENEM, as entidades cooptadas ousaram levantar a voz. E isso é de uma gravidade macabra, pois, em tempos idos, o movimento estudantil foi a primeira escola dos melhores quadros políticos.
E por que não “desprivatizaram”?
Terei muito que demonstrar do impulso hipócrita que “chocou” alguns críticos da minha opção. Mas gostaria desde já perguntar que moral tem esse esquema de poder para criticar seus antecessores pela privataria, já que está há sete anos por cima da carne seca E RIGOROSAMENTE NÃO TOMOU NENHUMA INICIATIVA PARA DEVOLVER AS EMPRESAS PRATICAMENTE DOADAS AO PODER PÚBLICO.
Antes, pelo contrário. Já em 2004, esse governo que está aí havia socorrido 101 empresas privatizadas com a injeção de US$ 15,5 bilhões. Estudos criteriosos mostram que o BNDES tem dado absoluta prioridade em rechear tais privatizadas, as quais não cumpriram sequer os contratos de prestação de serviços, elevaram abusivamente as tarifas, pioraram os serviços, ou estão sendo objeto de novas vendas, algumas com refinanciamento do governo.
Poderia falar de capitulações igualmente indefensáveis, como o abandono da reforma agrária em beneficio dos grandes latifundiários. O governo Lula não só assentou menos do que seu antecessor, como abandonou os assentamentos sem qualquer apoio, transformando-os em favelas rurais: isso num ambiente de pura perversidade, porque mais de 60% das áreas entregues aos sem terra são na Amazônia, no meio do mato.
Mas com certeza teremos muito que conversar. Peço desde já desculpas a cada um dos que me escreveram pelo atraso nas respostas.
E espero que essas palavras de hoje já sirvam como referências do que escreverei a cada um.

Um comentário:

  1. Boa noite.nao posso concordar com sua opnião.fiquei asustado com o teor de preconceito de seus comentarios. vindo de um formador de opnião.sua opnião vem carregada de intolerancia. isso acho ruim. enquanto o senhor escreve sob um ar condicionado o presidente tem que governar. Nao e o presidente que vende a alma ao diabo, e o povo com ajuda de pessoas como o senhor ,vota em bulhas como estes que o senhor tanto apoia, e este não apoia os projetos que interessa ao povo. E ai tem o presidente que se compor a estes senhores, e pessoas como o senhor atiram pedras . Tentando colocar o povo contra o governo, para ver se elege aqueles que quebraram o brasil. Parece que o senhor deseja um pais 100%ético!mais as pessoas nao são100%éticas. São sonegadoras, embora reclamam de impostos altos. Ai vem pessoas como o senhor e escreve 'ah!!! mais se os impostos fosse menos caro nao haveria sonegadores. Amigo !sonegador e sempre sonegadore. nao querem pagar nada, Acham que vivem num pais de Mikail Bakunin. compram drogas, enche as cofres dos bandidos, e reclamam da seguramça.O senhor coloca as fotos de collor como pessoas no-grata. Mais com certeza apoiou e ajudou a eleger. ou ve a globo que ajudou a eleger. Quanto as metáforas que o presidente usa, sobre judas so foi mais uma. Se fossemos faser uma CPI da traição do senhor judas . o senhor estaria escrevendo"Olha ele e jesus e aida fala que e DEUS CONVIVIA COM ESTE JUDAS E NAO SABIA DE NADA. Sinceramente o senhor nao ve nada de progresso neste governo? se nao ve , sem comentarios. Obrigado por permitir que eu descorde do senhor.

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.