quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Venezuela no Mercosul sob ameaça da direita troglodita e irresponsável


"Um estúpido é muito mais funesto que um malvado. Porque o malvado descansa de vez em quando; o estúpido, jamais!"
Jacques Anatole François Thibault, Anatole France, escritor francês (1844-1924)


“O Brasil é o país que mais se beneficiou do chavismo. É muito provável que essa relação não tivesse um crescimento tão vertiginoso, se não fossem essas políticas econômicas chavistas”
Pedro Silva Barros, economista e professor da PUC-SP (autor de tese de doutorado sobre as relações com a Venezuela e a Bolívia).


. "Essa decisão do senador Tasso Jereissati é irresponsável. É uma visão ideológica, de curto prazo. O processo de adesão é para as próximas gerações".
José Francisco Marcondes ,presidente da Federação de Câmaras de Comércio Venezuela-Brasil.

Empresário antes de tudo, o senador Tasso Jereissati deu um tiro no pé e demonstrou total desprezo pelos interesses nacionais na elaboração do seu parecer, contrário ao ingresso no Mercosul da Venezuela, hoje o melhor parceiro comercial do Brasil.
Com essa posição, que contraria a própria recomendação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Tasso investe contra o país com o qual o Brasil tem o maior superávit comercial, em vendas que beiram U$ 5,7 bilhões anuais – um aumento de 858% nos últimos dez anos, apesar da redução das importações, que não chegam a U$ 540 milhões. Em 1998, antes de Chávez assumir, as exportações brasileiras somavam U$ 706 milhões, menos do que o gasto com a importação de petróleo de lá.
Segundo a oposição venezuelana, FHC teria se posicionado favorável para atender aos empresários da construção civil, especialmente à Odebrecht, que são responsáveis por grandes obras de infra-estrutura naquele país.
O senador cearense mostrou-se um representante típico da direita troglodita. Mas seu comportamento se assemelha ao da maioria dos políticos que transformam seus mandatos em gazuas para arrecadar grana por fora. Isto é: criam dificuldades para vender facilidades. Para ele, se FHC está fazendo “advocacia de interesses”, porque ficar chupando o dedo?
Ele sabe muito bem que dos quatro países do Mercosul, o Brasil é o que mais se beneficiará com a entrada da Venezuela, possibilidade ainda maior com o agravamento dos seus conflitos com a Colômbia.
Na lista de importação de Caracas, o Brasil está em terceiro lugar, atrás dos Estados Unidos e Colômbia. Com a instalação de sete bases norte-americanas neste país, numa manobra ligada ao projeto dos trustes norte-americanos de derrubarem (ou matarem) o presidente Hugo Chávez, este começou a redirecionar suas compras. Já recentemente, Chávez trocou a importação de 10 mil veículos fabricados na Colômbia por quantidade igual, produzida na Argentina, onde os trogloditas são mais pragmáticos.


Política de Chávez abriu as portas para empresas brasileiras
O crescimento não se deu por acaso, segundo o superintendente da Câmara de Comércio Brasil - Venezuela, Luciano Wexell Severo. “O Brasil tem sido uma prioridade para o governo Chávez nas relações comerciais e nas parcerias de investimento conjunto”, disse, em entrevista ao G1. “Os empresários brasileiros estão muito satisfeitos e festejam as relações do Brasil com a Venezuela. A relação comercial tem crescido bastante, chegando a recorde histórico de US$ 5,7 bilhões.”
De 2 de fevereiro de 1999, quando Chávez assumiu a Presidência, até 2008, a participação da Venezuela nas exportações brasileiras quase dobrou, passando de 1,38% para 2,60. Em 2007, a Venezuela teve 3,12% de participação nas exportações brasileiras.
Essa evolução aconteceu mesmo depois que, com o aumento de sua própria produção, o Brasil deixou de comprar petróleo venezuelano. Nos últimos anos, o perfil das exportações brasileiras também mudou. Em 2001, os principais produtos vendidos à Venezuela eram automóveis. No ano passado, mais de um bilhão de dólares de exportações ao país foram provenientes de alimentos, especialmente carne de frango que, sozinha, é equivalente a quase todo o comércio do Brasil com a Venezuela dez anos antes, US$ 508 milhões.
Levantamento de Fabiano Santos e Márcio Vilarouca, do IUPERJ, publicado no jornal VALOR, mostra que o Brasil é o segundo maior fornecedor de veículos para a Venezuela, segundo em eletro-eletrônicos, o quinto em alimentos e medicamentos.
Em suma, o Brasil é o terceiro maior fornecedor de mercadorias para a Venezuela, atrás somente os EUA e Colômbia. Com o aumento de 858% nas exportações brasileiras para a Venezuela desde a ascensão de Chávez, há uma tendência cada vez mais favorável. Só no ano de 2008, o saldo a favor do Brasil no comércio bilateral foi U$ 4,611 bilhões.
Parecer de Tasso foi alinhavado por golpistas venezuelanos
O parecer do empresário e senador Jereissati, em sintonia com o incorrigível Fernando Collor, alega que o pedido de ingresso da Venezuela no Mercosul deve ser analisado sob o ponto de vista político e não econômico. Nesse caso, como demonstrou o senador Pedro Simon, os dois metem os pés pelas mãos. Esse parecer foi alinhavado por dois oposicionistas venezuelanos, que participam abertamente das tramas para derrubar o presidente eleito - Gustavo Tovar-Arroyo e Leopoldo López, que se reuniram por mais de uma vez com o senador tucano.
Jereissati priorizou sua discordância política (?) com o governo do presidente venezuelano, Hugo Chávez, e ressaltou, ao ler seu parecer, o trecho em que defende que "o Poder Judiciário está subordinado aos interesses do Executivo" na Venezuela, citando um relatório da OEA com críticas àquele país por “não respeitar direitos humanos e princípios democráticos”.
Só esqueceu de dizer que o Brasil, também é alvo de duas críticas nos relatórios da OEA, com reclamações à "omissão do Poder Judiciário" no país e "violação dos direitos humanos".
Um torpedo IRRESPONSÁVEL contra os interesses dos empresários brasileiros
Enquanto Jereissati se fazia porta-voz dos fracassados golpistas venezuelanos, uma missão comercial brasileira, encabeçada pelo ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, com a presença de 90 empresários, assinava, no dia 20 de agosto, oito acordos comerciais em Caracas e fechava negócios com 250 empresas venezuelanas – estatais e privadas.
Em consequência, por ironia, são os empresários brasileiros, inclusive das multinacionais instaladas aqui, que estão procurando os senadores para reverter o parecer do senador tucano.
O presidente da Federação de Câmaras de Comércio Venezuela-Brasil, José Francisco Marcondes, disse já ter visitado metade dos 81 senadores para defender a aprovação do protocolo de adesão e afirmou que ampliará a campanha.
"Há tarifas diferenciadas, reduzidas, como na indústria automobilística e de máquinas e equipamentos, que terminarão em 2011. Se houver recusa política à Venezuela, aquele país não ficará confortável para renovar essas tarifas, nem ampliá-las", comentou.
Explicando melhor: as empresas brasileiras têm pressa para a entrada da Venezuela no Mercosul, tentando preservar as baixas tarifas sobre produtos brasileiros que são cobrados a alfândega venezuelana. Até agora, a expansão das vendas brasileiras para a Venezuela reduziu tarifas abrangidas no acordo Mercosul-Comunidade Andina (CAN). Mas desde que Chávez retirou a Venezuela da Comunidade Andina, o acordo só vai proteger o comércio Brasil-Venezuela até 2011.
Para Marcondes, em hipótese alguma o parecer do senador tucano poderá ser aprovado. "Essa decisão do senador Tasso Jereissati é irresponsável", criticou. "É uma visão ideológica, de curto prazo. O processo de adesão é para as próximas gerações", disse.


Potência decadente morre de medo da integração latino-americana
Essa tentativa de melar a participação da Venezuela no Mercosul é encomendada pelo sistema de poder que cataloga os países do nosso Continente como meros satélites dos Estados Unidos. Há dificuldades de aprovação também no Paraguai, onde, em 13 de agosto passado, o presidente Fernando Lugo teve de retirar do Senado a proposta de adesão da Venezuela, temendo que ela fosse torpedeada.
Naquele país, o processo foi iniciado pelo seu antecessor Nicanor Duarte. A Venezuela é o principal fornecedor de petróleo para o Paraguai, que em troca pretende incrementar a exportação de soja e carne bovina.
As posições semelhantes das direitas trogloditas no Brasil e Paraguai são parte de uma orquestração de dupla face: de um lado, o sonho dourado do sistema é derrubar Hugo Chávez; de outro, o potencial crescimento do Mercosul, que já mantém relações como bloco com a Comunidade Econômica Européia e com países de outros continentes tende a afetar o reino decadente dos Estados Unidos.
As indústrias e as construtoras brasileiras (estas trabalhando a mil em grandes obras de infra-estrutura na Venezuela) se ressentem da tendência de balizarmos nossas exportações em produtos primários, como a soja e o minério. Elas sabem que, como enfatizou o professor Pedro da Silva Barros, “a liberalização comercial com a Venezuela favoreceria muito o Brasil, que tem uma estrutura produtiva muito mais avançada”.
O Mercosul, idealizado na década de 80, teve como parâmetro o antigo Mercado Comum Europeu, que começou com o Tratado de Roma, assinado em 25 de março de 1957, por seis países – França, Itália, República Federal da Alemanha, Holanda, Bélgica e Luxemburgo - e hoje tem 27 membros. É antes de tudo um pacto econômico de um potencial inesgotável no fomento de relações diretas entre vizinhos, que poderão dispensar o dólar como intermediário dos seus negócios.
Com a participação da Venezuela, o Mercosul ganhará novos pilares de crescimento. Colômbia, Peru e Bolívia já debatem a conveniência de aderirem e isso assusta os que até hoje se servem dos muros virtuais que nos separam.
A miopia dos trogloditas é assustadora. Afinal, a premissa de um bloco é um pacto entre Nações e não entre governos.
Se a Venezuela ficar de fora, Chávez sofrerá uma derrota política, mas terá mais motivos para estreitar suas relações com a China, Rússia e Irã, que estão fazendo ótimos negócios com Caracas. A China, em particular, além de instalar várias fábricas e transferir tecnologia para a Venezuela, já é hoje o maior parceiro comercial do Brasil e da Argentina – e ninguém questiona seu regime político, há 60 anos sob controle do Partido Comunista.
A votação na Comissão de Relações Exteriores do Senado ficou para o dia 28 próximo. Até lá, é preciso que a sociedade brasileira também se manifeste na defesa do interesse do Brasil como país de grandes promessas. Que não pode depender do humor de pilantras com mandato e de jogo de interesses menores.

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Resenha antecipada dos jogos olímpicos
Texto de Haroldo P. Barboza

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Escrito por Silvane Sabóia

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.