quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Sobre a minha nova filiação partidária

"Coragem de dizer o que pensa, de enfrentar, de decidir e de fazer. E honestidade sem dúvida, porque a corrupção nem sequer passou por perto de Brizola nos seus 50 anos de vida política"
Senador Álvaro Dias,  PSDB, candidato a governador do Paraná em 2002 pelo PDT

Embora tenha cumprido o prazo imposto pela Lei Eleitoral em relação à minha filiação a um novo partido, aqui, no Rio de Janeiro, não vi necessidade de passar logo a informação para você, considerando o caráter eminentemente burocrático da minha opção.
Essa questão só terá importância para mim em 2010, quando será travada a grande batalha entre o continuísmo desse governo e dessa aliança de “poder pelo poder” e os segmentos que a ele se opõem.
Como você deve lembrar, há muito me convenci da absoluta impossibilidade de conviver com a mais covarde das traições à memória de Leonel Brizola, um líder que morreu quando trabalhava obstinadamente na construção de uma frente ampla que pudesse ser viável como alternativa capaz de derrotar o projeto continuísta, cujos danos irreversíveis ao país havia percebido desde dezembro de 2003, quando anunciou o seu afastamento do governo.
No último dia 14 de setembro, convenci-me, igualmente, da absoluta impossibilidade de resgatar o legado desse líder dentro do próprio partido que criou à sua imagem. Numa reunião do Diretório Regional com a presença do seu presidente “licenciado”, ficou clara a incondicional adesão ao projeto continuísta, em troca de um ministério desfigurado, que se tornou apenas uma despudorada máquina de cooptação e/ou esmagamento dos quadros partidários sobreviventes.
Mas se sair fora desse liquidificador sem recato nem valores morais e ideológicos pareceu-me uma decisão inevitável, não foi fácil, até pela exiguidade do tempo, definir a nova legenda, eis que, no fundo, na prática,não se pode falar de reais diferenciações entre os nossos partidos.
Algumas legendas pareceram mais aparentadas com minha trajetória. Porém seus dirigentes não demonstraram o menor interesse em receber-me.
Apesar das restrições ao PV, cujo dirigente no Maranhão é o deputado federal Zequinha Sarney, filho do próprio, tentei por todos os meios conversar com Gabeira, meu parceiro em outros momentos de nossa história. Mas este não deu retorno aos recados insistentes que deixei em seus gabinetes de Brasília e do Rio de Janeiro.
Essa rejeição me levou a refletir. Na prática, o projeto de dona Marina Silva está mesclado com o continuísmo, a que ela serviu até agora com ostensiva disciplina. Sua candidatura, até prova em contrário, só servirá para minar ainda mais o voto oposicionista. O maior exemplo disso foi o estrago que fez no Estado do Rio, onde Gabeira liderava o bloco de partidos que deram sustentação à sua candidatura a prefeito. Agora, esse bloco parece sem grandes alternativas, deixando que a disputa para o governo do Estado fique entre partidários da candidata do continuísmo, numa variedade de palanques chapas brancas.
Três partidos abriram suas portas para mim, todos sinalizando o maior respeito pela minha biografia e pelas minhas idéias. Todos dispostos a considerar o processo político com vistas a uma alternativa para o amanhã. Isto é, pensando que o Brasil não é o mesmo de 8 anos atrás.
A opção do governo Lula, que deu continuidade às políticas econômicas conservadoras do seu antecessor e envolveu nessa capitulação as lideranças das “barricadas”, se refletiu por capricho na produção do rascunho de um projeto oposicionista que aponte forçosamente na direção do avanço.
Assim como o PT e satélites mudaram totalmente seus discursos, valorizando alianças com o PMDB de Sarney, Renan Calheiros e Romero Jucá, o PSDB terá de refazer sua fala e reencontrar-se com Franco Montoro e Mário Covas, seus idealizadores, para ter a seu lado nomes como Pedro Simon e Jarbas Vasconcelos.
Pessoalmente, não posso garantir uma inversão dos papéis: desde sempre PT e PSDB se fizeram vertentes do mesmo projeto social-democrático, cada um pendendo para um lado conforme o contexto.
Mas a mim me pareceu mais racional incorporar-me aos grupos que dentro do PSDB travam uma batalha na melhor direção, como acontece no Estado do Rio, onde o deputado tucano Luiz Paulo comanda a oposição ao desastrado governo de Sérgio Cabral, cuja reeleição é compromisso de Lula e dos petistas que participam do seu governo.
Ao lado de Paulo Ramos e Cidinha Campos, Luiz Paulo está tendo um papel extremamente corajoso na resistência de alguns poucos ao projeto de privatização do próprio Estado, através das “OS” e contra os desvios de conduta dentro da própria casa, tendo sido um corregedor implacável com os corruptos.
Antes de assinar a ficha do PSDB, tive longas conversas com meu amigo Marcello Alencar, de quem fui secretário de Desenvolvimento Social nas suas duas vitoriosas administrações à frente da Prefeitura do Rio de Janeiro.
Parceiro desde 1965, quando lutamos no velho PTB pela candidatura do marechal Lott ao governo da Guanabara, ele me conhece como ninguém: e foi de fato graças ao apoio que me deu na Secretaria que conquistei meu primeiro mandato parlamentar, nas eleições de 1992.
Assim, estou consciente de que os novos tempos dão razão à engenharia de Brizola, quando em 2004 dedicou-se com a autoridade de sua biografia a tentar unir as oposições para derrotar o estelionato eleitoral representado pelo governo Lula/Sarney.
Estou consciente, sobretudo, que não precisarei retirar uma única palavra do meu dicionário. E mais do que contar com a estrutura de um partido que precisa de sangue novo e de uma postura consequente, espero continuar merecendo o apoio e o respeito dos que sempre confiaram em mim.
Espero ter você a meu lado para que possamos influir na formação de uma alternativa à tentativa de “mexicanização” política do Brasil, com a perpetuação de gente como Sarney, manda-chuva desde aqueles idos que você bem conhece.

4 comentários:

  1. PEDRO, PEDRO, escrevo e reitero seu nome em maiúsculas, porque é o caso e muito mais que isso você merece, por tudo o que já fez, por tudo o que - decente e responsavelmente - pensa em fazer! Mas, caro e admirado PEDRO, de uma pergunta não consigo escapar e desde já desconto que estará ao seu alcance a resposta: Quem acerta ao se esquivar de PT, PDT e quejandos, como fará para conviver num PSDB minado pelo antecessor do Príncipe Operário, por José Serra Abaixo, pela corja paulista e pela mineira? O PSDB foi o tatuzão que cavou o maior buraco do Brasil, ao PT coube apenas perfeccionar o desserviço e consumar as velhacarias entregusitas que o tempo não permitiu aos longos e penosos oito anos de Efeagá! PEDRO, tenho total segurança de suas intenções, do seu escopo de servir sempre e bem, mas ouso temer por sua sorte, atrevo-me a dizer que talvez o melhor fosse ficar de fora, lutando com a característica bravura desde sua tribuna jornalística! De todo modo, não sou eleitor no Rio, mas conte com minha torcida e minha confiança, pois o Congresso precisa de expressões para seu Alto Clero!

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  2. Caro Pedro, diferentemente daquele que assina o comentário postado anteriormente ao meu, não acredito em Alto Clero. Aliás, há muito, deixei de acreditar em céu e inferno, em Papai Noel, etc. Como acreditaria que num mundo totalmente antiético e oportunista pode haver, em alguma esfera pública, o que popularmente se qualificou de Alto Cleto? Aos 56 anos tenho tido a desventura de colher uma decepção atrás da outra. Acreditei que o PT, Partido, em tese, criado no meio operário, fosse capaz de praticar um governo mais justo e fraterno, no qual as diferenças sociais menos se acentuassem. E o que foi que vi? O PT rezar em idêntica cartilha àquela em que já rezara o PSDB, que vendeu o patrimônio público por algumas moedas. Você, em suma, é só mais uma decepção a engrossar o meu largo rol. Concordo com o Sr. Rogério: melhor seria você ficar "na sua"; o que é inconcebível é se filiar a um Partido com o trágico currículo do PSDB. Com certeza Leonel Brizola, se pudesse, se contorceria em sua tumba. Sueli Tereza Buzzo - Itu/SP

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  3. Anônimo5:50 PM

    Tem um ditado popular " quem com porcos se mistura , farelo come ..". Entristece essa tomada de caminho pois com certeza é o caminho da direita entreguista, e mancha seu curricullum. Desqualifica o político crítico ao projeto neo-liberal.

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  4. Gilson Raslan1:11 AM

    Pedro,
    Definitivamente, sua biografia está manchada. O grande estadista Leonel Brizola deve estar revirando em sua sepultura ao saber que você está na companhia de Agripino Maia, Jorge Bornhausen, César Vaia, FHC, Sérgio ANÃO DO ORÇAMENTO Guerra, Efraim IMorais, ACM Neto e ACM Jr., Roberto Freire, Gilberto Kassab...
    Será que você não sabe que há outros partidos de oposição, liderados por gente digna e honesta, como é o caso do PSOL?
    Suas explicações para se filiar ao PARTIDO ENTREGUISTA E VENAL não convence nem uma criança de dois anos.
    Meus pêsames, Pedro. Prometo que, de hoje em diante, não acredito em uma única palavra que você escreve em seu blog.
    Para mim, você, a partir de sua filiação àquele partido asqueroso, estará fazendo parte do PIG, em companhia dos Marinhos, dos Civitas, dos Frias, dos Mesquitas.

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.