sexta-feira, 16 de outubro de 2009

No “país de todos”, o vale tudo da promiscuidade público-privada

O jogo  pesado pelo controle da Vale do Rio Doce
Eike Batista, o  "bom burguês" da nação petista e Lula numa jantar em Nova Yotk, para o qual foram arrecadados U$ 726 mil
“A liderança e o carisma de Lula são presentes de Deus. Com a eleição de Lula, o medo da esquerda foi exorcizado”.
Eike Batista, o homem mais rico do Brasil, cuja fortuna cresceu meteoricamente, por coincidência, no governo do sr. Luiz Inácio.
É nisso que dá essa festejada promiscuidade público-privada, alimentada pelo suspeitíssimo modelo de privatização, no qual uma meia dúzia de apaniguados e outros tantos emergentes assumiram as boazudas do mercado a preço de tiriricas do brejo, tendo a seu inteiro dispor o dinheiro do BNES e a fartura dos fundos de pensão das estatais.
É nisso que dá festejar o estelionato político e a farsa, aceitar como fato consumado, e até com prazer e euforia, a inversão dos papéis e dos discursos, apinhando o valhacouto dos podres poderes da súcia mais inescrupulosa, arrivista, medíocre e sem vergonha que a história pátria já conheceu.
Não sei se conseguirei, mas vou tentar ser o mais curto e rasteiro possível no esclarecimento dessa batalha campal privada, envolvendo empresas que, até por questão de segurança nacional, jamais poderiam ter escapado do patrimônio público.
Lula vira carta na manga de Eike Batista
Não me consta que o jogo sujo do poder já tenha produzido antes enredo semelhante a esse, em que o presidente da República abandona a “liturgia do cargo” para virar carta na manga de um empresário disposto a recorrer a qualquer expediente para assumir o controle da maior empresa privada brasileira.
Empresário que, aliás, até poucos anos atrás, não era mais do que o marido de uma bela modelo. E que hoje ostenta o laurel de mega bilionário, o mais endinheirado do Brasil, graças à sua incrível e desenfreada maneira de operar em áreas onde mais valem informações privilegiadas e uma boa amizade nos meandros do poder público do que dinheiro no bolso.
Como é público e notório, o sr. Eike Batista, um dos seis filhos de um ex-ministro de Minas e Energia e ex-presidente da Vale, quando estatal, conta com o apoio ostensivo do presidente da República e dos miquinhos amestrados dos fundos de pensão que têm grana na empresa para mandar às favas o sr. Roger Agnelli, representante do Bradesco (que tem 17,4% do controle acionário da Valepar). Meter o bedelho governamental nessa empresa não é mistério.
Maioria dos fundos de pensão é quem decide
Primeiro, porque são três fundos de estatais – especialmente o Previ do BB - que têm maior poder de decisão.
Nesse caso, a equação é: 52% das ações ordinárias da CVRD, com direito a voto, pertencem à Valepar, que tem 32% do total de ações (incluindo as preferenciais). Nessa holding, só os fundos detêm 58,1% do capital votante. A Bradespar tem 17,4%, a norte-americana Mitsiu, 15% e o Opportunity, 0,02%. Além disso, 9,5% do capital votante são do BNDESpar.
Teoricamente, os fundos de pensão nada teriam com o governo, mas, como se sabe, não é assim que a banda toca: desde as privatizações da era FHC, tiveram forte uso político, decidindo alguns leilões, como no caso da telefonia e da própria Vale.
Na operação para desestabilizar o representante do Bradesco, Lula alega que a CVRD tem priorizado as exportações de minérios e minimizado suas atividades siderúrgicas. Alem disso, na crise em que foi uma das mais afetadas, demitiu 1.900 dos seus 60 mil empregados sem prévio aviso ao governo. Outra queixa é de que a CVRD tem preferido comprar navios na Ásia, preterindo o cartel de estaleiros brasileiros, montado com estímulos do seu governo.
Nesse caso, o governo está cheio de razão. Mas por que só agora expõe seu descontentamento? Por que o seu sempre omisso Ministério do Trabalho nada fez na época das demissões?
No resgate da Vale para o Brasil nem pensar
Em nenhum momento, no entanto, o governo Lula acordou para possibilidade dessa composição acionária ser meio caminho andado para o resgate da empresa, cuja privatização e 7 de maio de 1997 levou às ruas em ruidosos protestos ativistas do PT e outros partidos “populares”.
No leilão, o consórcio Brasil, liderado então pela CSN, adquiriu 41,73% das ações ordinárias do Governo Federal pela bagatela de US$ 3,338 bilhões, menos da metade do seu faturamento anual.
Então, Ricardo Sérgio de Oliveira, diretor do Banco do Brasil, e operador do tucanato, levou R$ 15 milhões de Benjamin Steinbruch, da CSN (segundo a VEJA) para colocar ao seu lado o Previ, fundo de pensão do Banco do Brasil, juntamente com o Petros (da Petrobrás), Funcef (da CEF), Funcesp (dos empregados da Cesp), Opportunity e Nations Bank (fundo).
Apesar do tremendo vício de origem, o governo Lula assumiu de mãos dadas com a empresa criminosamente doada. E, através de José Dirceu, até hoje um influente “interlocutor” dos empresários no centro do poder, deu todo o suporte à CVRD, incluindo suporte para a expansão das vendas à China, onde já implantou uma usina de pelotização, vendas que representam 21% de todo o seu faturamento.
O “bom burguês” da nação petista
Esse colóquio teria permanecido como um mar de rosas se não fosse pela irresistível articulação de Eike Batista, hoje uma espécie de “bom burguês” da nação petista. Tanto que a Vale havia programado um tremendo oba-oba no final do ano para o lançamento do filme dedicado ao nosso semideus. E teve que adiar, quando a batata do sr. Roger Agnelli começou a assar.
Essa nova amizade opera outros interesses, como ficou claro no primeiro dia da nossa primavera, quando o presidente pegou seu Airbus, viajou para Nova York com o objetivo de participar da Assembléia da ONU.
Para unir o útil ao agradável, chegou às cinco e meia da tarde ao Hotel Intercontinental Barclay, deixou dona Marisa se arrumando para um jantar em que receberia um prêmio do Wilson Center, no Hotel Waldorf Astoria, e lá mesmo, numa suíte alugada por Eike, conversou em particular com ele e, depois, com o presidente da Exxon Mobil Corporation, Rex Tillerson, sobre o pré-sal, concessões e partilhas.
Pode deixar: comentarei essa articulação em minha próxima matéria, tal a fartura de informações reunidas, que refletem um quadro de preocupante gravidade.
Os estudiosos já viram o filme da promiscuidade público-privada antes. Sabe onde? Na Alemanha de Hitler. A empresas tiveram tudo para se recuperar, inclusive a própria guerra, mas aceitavam interferência direta do “Füher”, inclusive no planejamento de sua produção.

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.