domingo, 6 de setembro de 2009

Para ouvir o galo cantar sem saber aonde

A farra dos leilões continua e o Brasil continuará sendo uma mãe para as petrolíferas d’além-mar



"O maior desafio para nós, sob uma perspectiva geopolítica, é simplesmente obtermos acesso aos campos de produção".
Rex W. Tillerson, presidente da Exxon Mobil, Washington, maio de 2006

É preciso ser muito entreguista, idiota de nascença ou desmemoriado crônico para advogar a entrega das nossas valiosas jazidas petrolíferas à massa falida multinacional, que só não foi à bancarrota por ter sido socorrida pelos cofres públicos com uma generosa baba de ouro maciço – 19 trilhões de dólares em um ano, dez vezes mais do que os dois trilhões de dólares destinados às nações pobres ou quase pobres em meio século.
Sim, você vai dizer que a petrolíferas ficaram fora do rateio. “Menas verdades”. O complexo graneiro capitalista é a mesma tralha. Os bancos falidos e ressuscitados pelo dinheiro dos contribuintes são os cabeças de área. Mas jogam todos no mesmo escrete de escroques vorazes, haja vista a débâcle da suntuosa indústria automobilística made in USA. E mais: David Rockfeller, do combalido Chase Manhattan Bank, é da família que até hoje detém a hegemonia do petróleo nos EUA, através da Exxon Mobil Corporation, sucessora da Standard Oil, fundada pelo velho John.
Também é preciso ser muito desinformado, ingênuo ou ter vocação de massa de manobra para acreditar que o sr. Luiz Inácio serviu ao Brasil ao anunciar o modelo de partilha para o pré-sal, numa jogada ensaiada em que criaram na pranchete os polos de um falso contraditório.
Infelizmente, numa sociedade da superposição da versão sobre os fatos, a esperteza e a mediocridade associadas deitam e rolam, impondo à massa ignara as cartas marcadas de um jogo de mentiras.
Trocando seis por meia dúzia
Ao mudar o regime de concessão pelo de partilha (este adotado em países tão dominados pelos trustes como a Arábia Saudita), na prática o governo trocou seis por meia dúzia.
As empresas continuarão pagando os mesmos 8% de royalttys, como parte do equivalente a 50% do que é destinado à União, proprietária das jazidas, em contraste com a mairia dos países, que ficam com 80% ou mais do produto da extração. E a farra dos leilões dos lençois vai continuar com um despudorado agravante: as estrangeiras terão a seu lado, com 30% de participação, a empresa que desenvolveu a tecnologia de prospecção em águas ultra-profundas – sendo aida a única habilitada para tal proeza.
Em verdade, lhes digo: o governo armou um circo de comum acordo com os vários interesses na mais atraente área de produção do mundo, tão relevante que até o Severino Cavalcanti sabia que o bom é furar poços.
E nesse circo, armou vários cenários, sem abrir mão do regime de urgência, com o qual vai entregar o ouro ao bandido, engabelando a massa, sujeita à manipulação reproduzida por uma mídia devidamente amestrada.
Num desses cenários, usaram como malabaristas as petrolíferas que, possivelmente, não teriam gostado dos parâmetros “estatizantes” do novo marco regulatório. Quanta falácia!
Hoje em dia, as antigas “sete irmãs” vendem a própria alma para explorar uma fatia do petróleo alheio. A British Petroleum que o diga. Outro dia, mandou o governo inglês devolver à Líbia o terrorista Abdel Baset al-Megrahi, condenado à prisão perpétua por um atentado a um avião da falecida Pan American, para obter um contrato de 18 bilhões de euros num país onde o Estado fica com 95% do valor arrecadado com a exploração do petróleo.
O circo para inflar Cabralzinho
Outra encenação foi para encher a bola do Sérgio Cabral Filho, que virou espadachim dos seus cofres na distribuição dos royalttys entre Estados e municipíos. Querendo garantir o dinheiro fácil, bateu pé firme quando se falou na possibilidade de dividir o benefício da exploração – a 300 Km da costa – por todo o todo o país com programas sociais carimbados.
Do outro lado, os governadores do Nordeste e de Minas Gerais mobilizaram suas artilharias e uma discussão marginal deslocou-se para o centro. O Brasil, que vai continuar dando casa, comida e roupa lavada para as petrolíferas dalém-mar, foi dividido numa sôfrega polêmica de verniz passional. E, por enquanto, prefeitos perdulários das areas "produtoras" - no Rio só 5 municipios estão fora - vão continuar fazendo obras suntuosas e superfaturados com o dinheiro do petroleo retirado do meio do mar.
Com o regime de urgência para a votação das novas leis no Congresso mantido a ferro e a fogo não serão os mensaleiros legislativos que ficarão sem tempo para processar as propostas do Executivo em seus cérebros mercenários.
É a populalção, já limitada em informações, que vai continuar ouvindo o galo cantrar sem saber aonde. Uma legislação que tem múltiplas implicações e desdobramentos atemporais não pode ser enfiada goela a dentro, numa embalagem de falsos brilhantes.
O governo que por si é uma grande fraude política não está nem um pouco preocupado com o tempo dos parlamentares. Esses são compráveis em projetos de curto, médio e longo prazos. Quer, sim, que o povo endosse no escuro mais esse estelionato que, para a nossa tristeza, vai misturar alhos com bugalhos, em prejuízo dos interesses nacionais.
Pois uma coisa é inquestionável: quando misturam público e privado, a sanha corruptora sempre leva vantagem. A propina rola por baixo do pano e é um Deus nos acuda.
Ou você não sabe que, antes mesmo dessa encenação triunfalista essa turma da pesada já entregou o mapa da mina aos donos do mundo?
Uma trolha em clima de festa
Sim, saibam quanto destas tomarem comhecimento: a Agência Naciaonal do Petróleo, que tem como presidente o sr. Haroldo Lima, do Partido Comunista do Brasil, cometeu o prodígio de contratar para gerenciar todos os arquivos de nossas reservas a poderosa empresa norte-americana Halliburton, do ex-vice-presidente Dick Cheney, monitora e beneficiária da invasão do Iraque.
E não ficou só nisso: a principal diretoria dessa Agência reguladora foi entregue a Nelson Narciso Filho, saído das entranhas dessa mesma Halliburton, onde fez de tudo um pouco e ainda, quando trabalhou em Angola, travou “proveitosos” conhecimentos “profissionais” com executivos de empresas como Total, British Petroleum, ExxonMobil, ChevronTexaco, NorskHydro e Sonangol.
Estamos, portanto, no caso do pré-sal, diante da continuidade das mesmas articulações de sempre, que agora culminaram por limitar a presença da nossa Petrobrás, que atravessou sozinha a camada de sal a fórceps, sob a proteção de um discurso ufanista e mentiroso, mas de alto poder mistificador.
Mais uma vez, a discussão será manipulada e habilmente sumarizada para que o povo continue endossando com coloridos ares festivos a tremenda trolha que o semideus absolutista está introduzindo em suas entranhas.
coluna@pedroporfirio.com

5 comentários:

  1. Fernando Bizotto1:12 AM

    Todo um blog sem comentários, Porfírio? feha isso!
    Escreve mal, explica-se mal, nada prova. Queria leitor?
    Niguém é burro, meu caro.

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  2. CVaro Pedro Porfirio:
    As medidas do gov Lula em relaçao ao pré sal foram um baque violento nas pretenções entreguistas dos FHCs de sempre.
    São suficientes? NÃO mas no momento devemos apoiar e modificar para uma nova luta do " Petróleo é nosso!" mas as primeirs medidas deixaram os cabelos em pé da ANP porta voz das 7 irmãs e para mim no momento merecem aplausos.
    Um abraço
    Pedro Luiz

    ResponderExcluir
  3. CVaro Pedro Porfirio:
    As medidas do gov Lula em relaçao ao pré sal foram um baque violento nas pretenções entreguistas dos FHCs de sempre.
    São suficientes? NÃO mas no momento devemos apoiar e modificar para uma nova luta do " Petróleo é nosso!" mas as primeirs medidas deixaram os cabelos em pé da ANP porta voz das 7 irmãs e para mim no momento merecem aplausos.
    Um abraço
    Pedro Luiz

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.