domingo, 20 de setembro de 2009

No calote da GE, uma trapaça com requintes de perversidade e cinismo

O secretário Júlio Bueno iludiu o pessoal da GE, demitido sem pagamento dos seus direitos
“Na verdade o que fez o senhor secretário foi nos envolver com ilusões, fazendo com que o tempo passasse com falsas promessas de ajuda,enquanto a GENERAL ELECTRIC consolidava seu plano desonesto de "surrupiar" os direito de seus colaboradores, que durante décadas labutaram dia e noite para cada vez mais agigantar seu grande conglomerado”.
Tarcísio da Cruz Leal, operário da GE há vinte anos.

Para variar, ante a omissão imperdoável do Ministério do Trabalho, que só parece preocupado com a montagem de uma direcionada rede nacional para a aplicação dos bilhões do Fundo de Amparo ao Trabalhador, a poderosa General Electric está consumando o mais canalha dos calotes já aplicada contra os trabalhadores.
Um calote de fazer inveja ao que a gang do chinês Lap Chan, como preposto do fundo americano Mattlin Patterson, aplicou ao pessoal da octogenária Viação Aérea Rio-grandense – a outrora estrela brasileira de norte a sul.
No caso da VARIG, ainda houve a liturgia judicial, com a aplicação, pela primeira vez, da famigerada Lei de Recuperação das Empresas, sancionada ao gosto dos patrões caloteiros, no dia 9 de fevereiro de 2005, exatamente pelo sr. Luiz Inácio Lula da Silva, aquele que ex-operário que na Presidência da República mais serviços tem prestado ao sistema, em acrobacias dignas de um Uri Geller  o papa do ilusionismo moderno, em função das quais, quanto mais ele atocha, maior é o orgasmo masoquista do populacho.
Patrão fantasma no caminho das Indias
No caso da centenária empresa norte-americana, o massacre do que resta do seu pessoal – 650 trabalhadores na unidade de Maria da Graça – cumpre o script típico dos escroques de alta linhagen.
Além do crime maior de fechar uma fábrica que já teve 7 mil empregados em 3 turnos, a empresa do país onde as fraudes e maquiagens contábeis deitam e rolam vem passando a perna na corporação com requintes de crueldade e cinismo, contando nessa prática demoníaca com a ajuda de autoridades que tinham obrigação de barrá-la, encenaram tal postura, mas, como denunciam os empregados, só estavam ali para tornar o golpe um crime perfeito.
Você deve lembrar do que escrevi no dia 9 de agosto, sob o título: O golpe nos trabalhadores que não está no “Caminho das Indias”. Falava de uma inédita manobra em que um certo indiano teria assumido a empresa com suas responsabilidades trabalhistas. Em pouco tempo, fazendo inveja à brilhante Glória Perez, ele sumiu do mapa a caminho das Índias, deixou todo mundo a ver novela e produziu o ministério do patrão fantasma.
Nessa tramóia, o Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro, que teve em Benedito Cerqueira um dos mais respeitados dirigentes classistas da história sindical brasileira, viu-se diante da mais bem urdida trapaça patronal.
Cheio de esperanças pela manutenção dos empregos naquela que já foi uma das maiores plantas industriais do país, âncora de um grande parque fabril nos bairros do Jacaré e Maria da Graça, O sindicato chegou a acreditar que a manutenção da unidade produtora de lâmpadas era a vera.
O secretário “mui amigo”
Quando o indiano sumiu, como as autoridades do Trabalho em todos os níveis viraram as costas para as vítimas do calote, o Sindicato passou a tratar com o sr. Júlio Bueno, o secretário de Desenvolvimento Econômico do sr. Sérgio Cabral, o mesmo que mandou a polícia descer o cacete nos professores em greve.
No começo, parecia alguém interessado na preservação da fábrica, como era sua obrigação e dos governos da União, Estado e Município. Os trabalhadores levaram fé na sua atuação, até porque o mesmo governo fluminense tinha crédito com a empresa norte-americana: quando a barra pesou na sua unidade de Petrópolis, o governador encontrou como socorrê-la com as generosas ferramentas do seu Tesouro.
Agora, no início da temporada das flores, os trabalhadores tiveram a sensação de que mais espinhos pavimentavam seu caminho. “No decorrer do processo de fechamento da GE-Maria Graça,para a nossa surpresa, o que vimos foi um secretário conivente e talvez até envolvido de alguma forma com este golpe” – escreveu-me um antigo metalúrgico. “Hoje estamos com 650 famílias de funcionários sendo postos na rua totalmente deprimidos, sem receber seu direitos legais de indenização”.
Só faltam oferecer o bolsa-família
Nessa burla, não se sabe de cobertura da Vara Empresarial, de nenhuma área judicial. Até agora, os 650 desempregados “informais” da fábrica que fica colada à favela do Jacarezinho, onde vivem muitos deles, levavam fé nas negociações do secretário “mui amigo”. Ele tomou a si a negociação até porque a Delegacia Regional do Trabalho não se sentiu obrigada a intervir, deixando seus fiscais de mãos atadas. Aliás, pouco se pode esperar de uma repartição cuja grande preocupação tem sido fazer cafuné naquela meia centena de fiscais e auditores presos numa dessas operações da Polícia Federal que têm começo, mas não têm fim.
Sinceramente, não sei para quem apelar nesse espectro governamental de falsidades e hipocrisia. Não faz muito, cheio de esperança, levei o Sindicato ao Gabinete do Ministro Carlos Lupi no primeiro semestre de 2007 e ouvi dele a garantia de que iria usar de todos os seus “poderes” para impedir o fechamento da fábrica, coisa que não aconteceu porque seus “poderes” estão restritos ao FAT e ao CAGED, o órgão que cadastra contratações e demissões formais.
Agora, estamos diante de um epílogo macabro, típico desta época em que o presidente ex-operário não se cansa de passar pito nos ex-companheiros que ousam reclamar seus direitos e melhorias nas condições e regras do trabalho.
Tenho certeza de que não tem ninguém propondo a ocupação pura e simples da fábrica, como pode sugerir o desespero de 650 profissionais. Mas, certamente, esse governo que atocha com açúcar e com afeto deve estar acenando como solução a filiação dessa mão de obra qualificada ao Bolsa-Família, a humilhante caridade oficial que forjou o maior exército de viciados dependentes da mísera esmola do governo.
Ou você tem como fazer chegar aos ouvidos dos bobos da corte que um dia a casa cai?

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.