sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Fora do PDT para dar combate sem peias ao continuísmo absolutista

“Na conversa com Lupi, Lula pediu para que o PDT não lance Cristovam como candidato ao Senado no próximo ano... Lula não se conforma com as críticas que Cristovam faz ao governo em discursos no Senado”.
Ricardo Noblat, transcrito pela REDE PDT.
Confesso que não foi uma decisão fácil, até porque não é a primeira vez que me sinto totalmente sem espaço para uma prática centrada em idéias e propostas para o país. É verdade que já na época do Brizola, em meio aos bombardeios de toda espécie, o partido já perdera um pouco o recato na filiação de certos políticos de práticas deletérias. Mas, então, o que pesava era a voz do líder.
Com a sua morte, o PDT abriu mão de seu papel histórico. Tornou-se um saco de gatos, sem qualquer compromisso com seus princípios e com as antigas bandeiras. Passou a agir como um aglomerado à cata do poder, de qualquer poder, mesmo de uma nesga de poder.
Não dá para diferenciar o PDT de hoje do PTB ou dos partidos fadados a satélites. O PDT no Amapá é aliado do Sarney. No Maranhão, é covardemente massacrado por essa figura abominável. Está no governo Lula de calças arriadas, em troca de algumas prebendas, que se destinam sempre aos mais próximos do seu presidente, que, por sua vez, com suas atitudes subservientes, está tirando o que resta da identidade própria emanada do inconformismo brizolista.
Tornou-se uma linha auxiliar do PT. A prefeita de São Gonçalo, eleita pelo DEM (PFL) aderiu a Lula. Não havia espaço para ele no seu partido, até porque este fora entregue ao deputado Altineu Côrtez, um político sem nenhum parentesco com as antigas bandeiras do petismo. A solução foi entregar a ela o PDT.
Em Niterói, a coisa foi pior ainda. O prefeito Jorge Roberto da Silveira (que havia ficado com o PTB de Ivete Vargas quando Golbery patrocinou a trama que retirou a antiga legenda de Brizola) não está nem aí para a história partidária.
Abriu portas, gavetas e janelas para o então presidente local do DEM, Sérgio Zveiter, maior desafeto do caudilho, que chegou a advogar a intervenção na segurança do Estado do Rio quando do seu último governo, e declarou que vai colocar sua máquina para fazer deputado federal esse declarado anti-brizolista.
Pelo país inteiro, já não se discute a idéia do trabalhismo como caminho brasileiro para o socialismo. Aliás, não se discute idéia nenhuma. Só se fala das sobras do poder. Seja na máquina federal, que não poupou nem o lendário Alceu Collares, feito conselheiro da Itaipu Binacional, seja na Prefeitura tucana de Cuiabá, ou no governo elitista de Eduardo Paes, o terror dos pobres, logo aqui, no Rio de Janeiro.
A gota d’água
Ia assimilando tudo isso com estoicismo quando li uma notícia na REDE PDT, que me deixou indignado e convencido de que estava na hora de tomar uma atitude. Transcrevendo o jornalista Ricardo Noblat, a notícia, publicada dia 22, dizia que o presidente da República chamou o seu ministro do Trabalho para encomendar-lhe uma tarefa: impedir que o senador Cristóvão Buarque tenha legenda para disputar a reeleição.
Tal intromissão, se fosse no tempo do velho Brizola, ou se tivesse à frente do partido alguém com o mínimo de altivez, seria repudiada com toda veemência. Aliás, certamente, embora se considere um semideus, Lula jamais faria tal solicitação, que só serve para mostrar como ele é mesquinho e vingativo.
Ele achou pouca a humilhação que impôs ao senador de Brasília, quando o demitiu por telefone do Ministério da Educação, deixando-o inteiramente desapontado perante seus anfitriões de Portugal, onde se encontrava ao ser tratado com o mesmo desrespeito que Lula dispensa a seus miquinhos amestrados.
Para mim, foi a gota d’água. Tomei duas decisões, sem consultar ninguém: formulei meu requerimento de desfiliação do PDT e retomei com atenção redobrada a pesquisa para concluir o quanto antes o meu livro O VERDADEIRO LULA .
Assim, lamento informar aos milhares de valorosos pedetistas que estou fora. E não vou ficar no sereno. Tenho vários convites e escolherei até o dia 1 de outubro o partido que demonstrar maior viabilidade de confronto com o governo absolutista que está chegando ao seu final sem nenhuma novidade no front. Nada de novo saiu desse governo, que montou na estabilidade econômica encontrada, unificou os programas assistencialistas e tratou de encarar cada cidadão apenas como gado de um curral eleitoral.
Daí, ter formulado o requerimento de desfiliação, já comunicado à minha Zona Eleitoral, com a justificativa política necessária, para que amanhã não cometam outra indignidade contra mim – como em 2005.
Porque o PDT não é o mesmo
Eis o requerimento protocolado no Diretório Municipal do Rio de Janeiro do PDT, com cópia e carimbo de recebimento encaminhado ao juiz da 13ª Zona Eleitoral:
“Ao Ilmo Sr.
Presidente da Comissão Provisória do Diretório Municipal do Rio de Janeiro do
PARTIDO DEMOCRÁTICO TRABALHISTA
PEDRO PORFIRIO SAMPAIO, brasileiro, jornalista, casado, eleitor inscrito na 13ª ZONA ELEITORAL... vem pela presente requerer o CANCELAMENTO de sua filiação ao PARTIDO DEMOCRÁTICO TRABALHISTA.
Ressalva, outrossim, que toma a iniciativa por considerar que a direção do Partido vem se afastando de seu compromissos programáticos, ao aceitar filiação, prometer legenda e apoio a políticos em notório confronto com o ideário partidário e que, em passado recente, investiram deslealmente contra o seu líder maior, LEONEL BRIZOLA, razão de ser da suas bandeiras.
Esse afastamento se reflete também nas políticas de adesão a governos dos mais diversos partidos, sem qualquer salvaguarda dos interesses das classes trabalhadores e dos marginalizados. O exemplo mais gritante do abandono aos princípios do programa partidário é a participação no governo do prefeito Eduardo Paes, na cidade do Rio de Janeiro, que vem adotando práticas arbitrárias e desumanas nas comunidades pobres, em sintonia com o governador Sérgio Cabral, do mesmo partido.
Apesar das críticas da nossa parte, em reuniões dos órgãos partidários, a direção vem se recusando a reavaliar essa participação, além de vir protelando a eleição para a escolha do novo diretório municipal, cujo mandato terminou em maio passado.
No plano nacional, a adesão incondicional ao presidente Lula tem levado à perda de identidade da legenda brizolista: a demora na indicação de um candidato próprio, até para eventual negociação no futuro, parece sob encomenda. Com outros nomes já postos, quando o PDT quiser pensar na alternativa, já estará condenado ao fracasso. Isso levará ao alinhamento automático, com a assimilação definitiva do caráter subalterno do partido.
No Estado do Rio, o presidente licenciado tem protelado o debate sobre a sucessão estadual, apesar de a decisão tomada neste sentido desde a reunião de maio do Diretório Regional.
Para fazer prevalecer suas posições, a cúpula partidária tem usado o “prestígio” da máquina, envolvendo muitos dos dirigentes em cargos de confiança do governo. Tais atos tornam evidente a impossibilidade de qualquer decisão que possa contrariar acordos pactuados em nome do partido, mas à sua revelia.
Crítico do governo Lula e das práticas citadas está clara a exposição do signatário ao isolamento dentro do partido, o que inviabilizaria qualquer aspiração pessoal nas eleições de 2010.
Assim, o pedido de desfiliação se faz ao abrigo do artigo 1°, parágrafo 1°, incisos III e IV da Resolução 22.610, de 25 de outubro de 2007, em razão do que o signatário não abre mão da sua condição de 4° suplente de vereador no município do Rio de Janeiro, conforme resultado das eleições de 2008, em face de uma eventual vacância que resulte na sua convocação para o exercício de mandato.
Rio de Janeiro, 24 de setembro de 2009
PEDRO PORFÍRIO SAMPAIO

Um comentário:

  1. SERGIO OLIVEIRA7:53 AM

    Respeito sua decisão. Eu já pensei em sair do PDT, mas se o fizer, nunca mais me filiarei a qualquer partido.

    SERGIO OLIVEIRA
    CHARQUEADAS - RS

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.