domingo, 27 de setembro de 2009

Agora, é saber escolher com clareza o caminho a seguir

Ao agradecer a dezenas de amigos que comentaram minha decisão de desfiliar-me do PDT (hoje um anexo do PT), devo informar que me convenci ser necessário filiar-me a outro partido, independente de ser candidato ou não.
Filiado, poderei decidir. Sem partido, a partir do dia 3 de outubro, a Lei me impedirá de concorrer, se for o caso.
Tenho, portanto, 5 dias (ou 120 horas) para definir a legenda a escolher.
Dentro do quadro atual, como lembraram alguns amigos, não vejo diferenças frontais entre os partidos. O exemplo do PT mostrou que, de fato, existem duas correntes partidárias: a dos que estão no poder e a dos que estão fora dele.
Pode ser que alguns, de perfil mais ideológico, sejam diferentes. Mas a realidade eleitoral parece construir barreiras para mantê-los à distância do poder. E política é a busca poder, não tenho dúvida.
Por tudo o que sei e por tudo o que vivi, como já escrevi aqui mesmo, considero que o maior estorvo ao processo de construção de instituições democráticas consistentes é a coalizão fisiológica capitaneada pelo PT, tendo o sr. José Sarney, condestável de meio século, como seu prior proeminente.
O mal que esse grupo vem fazendo ao país tem múltiplas faces. Serve-se da origem social do sr. Luiz Inácio para implantar um regime conservador, sob todos os aspectos. O mais pernicioso deles é sua opção pela preservação das práticas políticas viciadas, sem compromisso com a lisura e a ética no trato da coisa pública.
Reconheço que o PT não é o primeiro e nem será o último a basear sua idéia de “governabilidade” em composições alicerçadas na negociação de interesses, no cultivo da ambigüidade e na manipulação das expectativas do povo.
Mas o que o governo Lula tem feito é uma verdadeira fraude política, forjando versões de conveniência para suas práticas indefensáveis. Caso emblemático é o chamado PROUNI, fórmula destinada a socorrer, pela renúncia aos impostos, precárias faculdades particulares, que se expandiram sem condições mínimas de formação, enquanto alardeia que está garantindo acesso dos pobres ao ensino superior.
De um modo geral, o governo Lula conseguiu levar ao seu maior paroxismo o processo de putrefação da vida política, esmerando-se na cooptação pela oferta de vantagens de todos os segmentos organizados, dos sindicalistas aos dirigentes estudantis, passando pelas organizações não governamentais que profissionalizaram a solidariedade e estão substituindo a custo muito mais alto, e sem os critérios seletivos impostos pela Constituição, as funções de Estado em áreas como a educação e a saúde.
Sob esse governo, foram produzidas as mais graves distorções da sociedade democrática: ao invés de realizar uma reforma agrária consequente, aproveitando a imensidão deste país, o governo prefere subsidiar as entidades que seriam representativas dos potenciais pequenos agricultores, alimentando um clima de confronto estéril: o governo Lula  realizou menos assentamentos do que o seu antecessor.
Ao invés de realizar um amplo programa de geração de renda, com a qualificação profissional e até mesmo a alfabetização de milhões de brasileiros pobres, opta pela oficialização da distribuição de migalhas, sem contrapartida de nenhum tipo de prestação de serviço. Tal malefício, que afeta principalmente aos “beneficiados”, só serve para a criação de um grande curral eleitoral e a formação de um exército de reserva da mão de obra, cada vez mais nivelada por baixo.
A continuidade desse projeto, que vem sendo delirantemente aplaudido pelos grandes parasitas da economia e pelo sistema internacional, trará consequências trágicas para o país, na medida em que cristaliza a pirâmide social à base de amortecedores alimentados pela apropriação da atividade produtiva, sob forma de pesada carga tributária.
Condições para filiação a uma nova legenda
Nesse contexto, considero que meu próximo passo pessoal não poderá ser de um simples e quixotesco crítico do governo. E deverá ter como premissa um olhar para frente, diante da responsabilidade que  nos impõe o quadro político atual.
Para filiar-me a um novo partido, preciso considerar certos requisitos. O primeiro deles é a viabilidade de conquistar um mandato, caso seja candidato. Pois aquele que tem muitos votos mas não se elege pode estar somando seu eleitorado a alguém que não tem nada a ver com seus ideais, como aconteceria se eu permanecesse no PDT.
Essa viabilidade só ocorrerá se houver compromisso da parte da nova legenda de oferecer-me estrutura e garantir minha presença nos programas de televisão.  Para isso, o partido precisa ter espaço tranquilo  no horário eleitoral. No último pleito para vereador, porque podia alcançar o eleitorado de opinião, o PDT inflou outros candidatos que não ameaçassem aquele que já era o escolhido, e  me deixou praticamente fora da tv.
Essa viabilidade está associada também a possibilidade de vitória dos candidatos majoritários. Os eleitores fazem uma relação direta entre as disputas para o Executivo e para o Legislativo, porque sabem que o Congresso, formado por pessoas de pouco preparo como legisladoras, depende das benesses da máquina governamental. Isso não significa que embarcarei em qualquer canoa e abrirei mão de meus princípios.
No meu caso, o presidenciável não pode ter meio termo. Ou é contra ou a favor do continuísmo absolutista. E, pelo que observei, o governo joga com vários planos: provavelmente, lançará mais de um candidato, garantindo a participação de um dos seus no segundo turno.
Como escreveram vários amigos, está claro que, aos 66 anos de idade, não abrirei mão dos meus princípios e das minhas idéias, esteja no partido que estiver. Pode ser até que alguns se mostrem mais magnânimos comigo, pelas minhas raízes e pela imagem jamais arranhada por qualquer desvio de conduta, capitulação ou vacilação.
Resta-me, e aos meus amigos, ter capacidade de avaliação. No contexto de um confronto de diferenças superficiais, como citou o próprio Lula (para quem não há candidatos de direita) cumpre priorizar aquele espaço que melhores condições oferecer para garantir minha eleição, sobretudo, se for candidato a deputado federal.
É nesse caminho que estou fazendo a minha escolha. Se você acha que eu estou errado, por favor, escreva-me logo.
Como disse no começo, filiar-me até o dia 3 de outubro é condição essencial para uma eventual candidatura. Ser candidato para garantir a presença no centro dos acontecimentos e das decisões, para ter real representatividade do pensamento de muitos, para fiscalizar e apresentar projetos de leis de alcance social, será um segundo passo, que estará condicionado ao acolhimento que meu nome tiver na nova legenda e à avaliação das possibilidades na hora devida.
Espero contar com sua opinião a respeito.

5 comentários:

  1. Caro amigo. Como sempre, você está certíssimo. O país precisa muito de você, seja em que partido for.
    Victor Cavagnari.

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  2. Talvez o senhor tenha abandonado o PDT quando o partido mais precisava de sua contribuição?

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  3. Caro Pedro Porfirio:
    Qualquer que seja seu destino político, sempre cito seu nome como político sério e responsavel.
    Abraços
    Pedro Luiz

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  4. Meu caro amigo Pedro, sempre concordo com tuas posições, póis felismente conseguimos enchegar na escuridão da podre política brasileira. Mas me parece agora o feitiço se virando contra o feiticeiro. Esse senhor já deveria ter sido cassado há muito tempo. Só espero que esses lampejos de justiça, nao fiquem apenas em simples lampejos, se faça luz plena, e varra em definitivo e não para baixo do tapete esses canalhas que roubam essa grande nação.
    Wagner Amenta

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  5. Meu caro amigo Pedro, sempre concordo com tuas posições, póis felismente conseguimos enchegar na escuridão da podre política brasileira. Mas me parece agora o feitiço se virando contra o feiticeiro. Esse senhor já deveria ter sido cassado há muito tempo. Só espero que esses lampejos de justiça, nao fiquem apenas em simples lampejos, se faça luz plena, e varra em definitivo e não para baixo do tapete esses canalhas que roubam essa grande nação.
    Wagner Amenta

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.