sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Lula cumpre apenas o script saído de um certo acordo de cavalheiros

Lula, Dirceu e Dilma. Eles mandaram os escrúpulos às favas para garantir a impunidade de Sarney
“A proposta do PT também não foi uma proposta do Lula, foi uma proposta do Argeu Egídio, que era presidente da Federação dos Metalúrgicos, e do Benedito Marcílio, que era presidente do Sindicato de Metalúrgicos de Santo André, e deputado apoiado pela Convergência Socialista (que começava a falar do Partido dos Trabalhadores) que pensava como forma de fazer um enfrentamento com o partidão, que era o partido reformista”.
Enilson Simões de Moura – o Alemão – líder sindical no ABC ao lado de Lula, em depoimento gravado para mim em 2003.

Preferia achar que o ex-operário endoidou pelo inusitado de sua reluzente assunção ao trono.
Qualquer médico residente do Pinel sabe dos efeitos alucinógenos que o poder opera sobre quem viveu uma infância miserável, de humilhações e traumas, abandonado pelo pai junto com a mãe analfabeta e uma penca de irmãos, quando o imponderável lhe põe às mãos o cetro do domínio sobre todos os pais e filhos, ricos e pobres, letrados e analfabetos.
Luiz Inácio Lula da Silva, que só queria atender a viúvas bonitas (como dona Marisa) quando respondia pelo setor de aposentadoria do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, que tomava pileques homéricos por causa do seu “Curintia”, que entrou na máquina sindical só porque o irmão, comunista do “partidão”, não se sentia seguro para compor a chapa situacionista de Paulo Vidal, em 1969, é hoje, para a hipertrofia do seu ego, o mais poderoso brasileiro deste milênio.
A balada dos miquinhos amestrados
Pelo menos é isso que lhe repetem a toda hora seus miquinhos amestrados, a súcia cortesã que o rodeia com o mesmo pudor da galera que levou Hitler a imaginar que derrotaria ao mesmo tempo o Ocidente anglo-americano e o Oriente soviético.
Sua arrogância é sintomática. Faz qualquer coisa para demonstrar que ele é mais ele e ponto final. Como já escrevi aqui mais de uma vez, entre outros prodígios, rachou a cara da nação petista quando tirou do bolso do colete o nome de sua herdeira no trono, contrariando os 29 anos de democratismo encenado e expondo a militância a um submisso constrangimento.
Agora, nesse episódio do Senado, parafraseando seu novo cabeça-de-área, Fernando Collor, obrou na cabeça de cada um dos doutos correligionários, ao ordenar incondicional solidariedade ao avô extremado, que há 50 anos dá péssimos exemplos e obra na cabeça dos netos dos outros.
Escorraçou geral, como se ébrio descontrolado, repetindo o mesmo grotesco desrespeito com que chutou as nádegas do senhor reitor, ministro que exacerbava seus complexos pela fluência no domínio da Educação, que Lula odeia tanto como Pol Pot, o líder da Khmer Vermelho, que em 1976 mandou fechar as escolas do Cambódia.
Escrachou sem dó nem piedade e, como o coronel Passarinho na noite tétrica do AI-5, mandou os escrúpulos às favas, para salvar o bigode do presidente do Senado, contra quem, ironicamente, o PT opôs candidato na eleição de fevereiro passado. E o fez com tanta virulência que, segundo essas estranhas pesquisas, permanece lépido e fagueiro, por cima da carne seca.
Extinguiu regras elementares de governança partilhada com seus ministros, subtendo-os ao achincalhe amplo, geral e irrestrito, como aconteceu mais uma vez com Carlos Lupi, presidente do PDT, a quem entregou um brinquedinho que chama oficialmente de Ministério do Trabalho e Emprego.
Como o todo poderoso, não se peja em proteger e engordar facínoras. O Zé, que não é esse admirável Alencar, mas o Dirceu, incrível sobrevivente da armadilha do Cabo Anselmo – aquela matança em que não escapou nem a mulher do alcaguete – continua pintando e bordando com sua mala, seus fichários e sua borduna.
De tal egolatria deixou-se possuir o ex-operário e tal é o desprezo por seus próprios companheiros que sua principal preocupação, mais do que a própria eleição da dona Dilma (que está de bucha nessa novela), é fazer o banqueiro Henrique Meireles, cria do Bank Boston, governador do seu Estado natal, o Goiás que já teve governadores da têmpera e da dignidade de Mauro Borges.
Como disse, o que não faltam são sintomas de distúrbios psicológicos graves.
No entanto, em verdade vos digo: esse comportamento imperial, absolutista, faz parte de um certo script, com o qual se comprometeu desde quando sua face só tinha um espesso bigode.
É esse roteiro que um dia haverá de vir à luz, seja por minhas preguiçosas tentativas de reunir em livro tudo o que pesquisei, seja pela iniciativa de alguém que conviveu diretamente como ele, como o Frei Beto, que parece disposto a levar para o túmulo o que sabe.
Nesse histórico, Lula aparece como o personagem do gosto de projetos diferentes e antagônicos. Poderia falar mais dele, mas como me prometi ser o mais breve possível, prefiro ficar por aqui com a afirmação que certamente será contestada:
Neste momento, o Sr. Luiz Inácio, que está com a vida ganha para filhos, netos e bisnetos, cumpre a insidiosa tarefa de enfraquecer o partido que nunca quis ver nascer, segundo uma espécie de entendimento de alternância do poder, que prevê a agora a ascensão dos tucanos, irmãos na social-democracia inflada pelo “Diálogo Interamericano” e pelo neoliberalismo que insere o Brasil docemente na globalização apátrida.
Com a competência de um superdotado, um quadro bem ensinado, que tirou nota dez em todas as provas, mais do que pelos delírios de um megalômano, ele cumpre milimetricamente sua tarefa combinada.
O mais eu conto depois.
coluna@pedroporfirio.com

Para entender melhor, sugiro ler minhas colunas:
(escrita em 16 de julho de 2009) e
(De 19 de julho de 2009)

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.