quinta-feira, 14 de maio de 2009

Um ministro de Estado na marcha da maconha


Minc foi à passeata defender a legalização da maconha e ainda citou outros figurões do governo Lula que têm a mesma posição.
“Vários ministros de Estado têm a mesma posição que eu tenho e vocês têm. Por exemplo, o ministro Temporão, que defende uma política de prevenção; o ministro Tarso Genro, o ministro Vannuchi, dos direitos humanos, o ministro Juca Ferreira, da Cultura”.
Ministro Carlos Minc Baumfeld, relacionando os defensores da legalização da droga no ministério Lula, durante a marcha da maconha na Praia de Ipanema.

Nada acontece por acaso. Desde o fim do sonho revolucionário dos jovens dos anos 60, o sistema decidiu investir em novos e excitantes atrativos para a juventude, celeiro de rebeldes.
Com o desbunde dos anos 70, provocado pelas humilhantes derrotas dos grupos de esquerda, não foi difícil forjar outras formas de “pensar diferente”.
Nesse “meio ambiente”, a droga ganhou status de grande novidade na classe média e somou partidários entre muitos dos que desbundaram. Centenas e artistas, intelectuais e potenciais líderes juvenis fizeram-se maconheiros e cheiradores.
Eu testemunhei essa mudança de atitude no teatro, no período de 1973 a 1982, quando vi encenadas 8 peças de minha autoria. Vi grupos fantásticos degringolarem por conta do vício, que cada dia se tornava mais “radical”. Paguei um certo preço por ser “careta”. Valeu. Estou aqui, estou vivo e sei tanto o que não quero, como o que quero.
Pude reorganizar minha vida com dignidade depois de passar um ano e meio nos porões da ditadura, driblando a intolerância da direita e as “igrejinhas” da falsa esquerda que comandavam as grandes redações. Fiquei na periferia, mas permaneci “jurássico”, preservando os valores morais que considerava inerentes à ideologia.
O tempo foi passando e novos ingredientes foram sendo ministrados no coquetel da alienação sofisticada. As entidades estudantis foram “aparelhadas” e viraram máquinas de picaretinhas devidamente cooptados pelos governos e pelos partidos políticos viciados.
O último esperneio foi a marcha dos “caras pintadas”, contra a corrupção do governo Collor, com todo apoio da mídia, especialmente da Rede Globo, que o fizera presidente, mas estava sendo “traída” por suas ambições pessoais na criminosa sociedade com PC Farias.
Depois, as ruas foram tomadas – assim mesmo raramente – por outros tipos de manifestantes: os evangélicos pentecostais, em busca de uma “graça” que lhes tirasse do sufoco, e os homossexuais, que saíram dos armários e oferecem ao país os mais grandiosos espetáculos com adesões maciças, de fazer inveja.
Agora, recentemente, os defensores da legalização da maconha passaram a sinalizar para os jovens com o seu grito por mudança na legislação penal.
Se você olhar quem aparece na última manifestação do dia 9 de maio na praia de Ipanema, observará a presença exclusiva de brancos – muitos de olhos azuis, como mostra o vídeo de 9 minutos que capturei no You Tube. Você está convidado usar uma lupa para achar um negro na manifestação.
Claro que se os negros aparecerem numa hora dessa serão caçados a porradas como marginais. Os brancos, filhinhos de papai, estavam lá entre os quase dois mil defensores da maconha. Eles podem e ai de quem se interpor em seus caminhos.
O direito à livre expressão é um direito de classe. Fora disso é mistificação pura, é verbete do dicionário brasileiro da hipocrisia, que estou tentando escrever (aceito verbetes).
Mas a marcha pela legalização da maconha teve um componente insólito, considerando as responsabilidades públicas de um ministro de Estado. Carlos Minc, que na sua juventude participou dos grupos armados com a bandeira do socialismo, foi a grande vedete da manifestação, status que, aliás, é sua orgástica rotina.
Foi lá, desfilou e falou. Seu discurso, que está nesse vídeo, defendeu algumas teses típicas dos modernos sofistas: “é preciso acabar com o monopólio dos traficantes” e não com o tráfico de drogas. “A guerra da droga mata mais do que a overdose” na competição olímpica que deslumbra sua cabeça pervertida.
Ele só não tem coragem de acrescentar quem são os grandes assassinos dessa guerra que mata exclusivamente os pobres, os pretos e os favelados.
É mais ou menos assim: os branquelas de olhos azuis morrem de overdose nos embalos das coberturas protegidas por seguranças particulares, policiais e paisana e pelo Estado como um todo. Os pobres levam bala de metralhadora de uma polícia que mata antes para depois saber se o favelado tem ou não culpa no cartório.
E essa polícia, que bateu todos os recordes de execução de jovens nos últimos dois anos, é estimulada exatamente pelo amiguinho do ministro, o governador Sérgio Cabral, cujas máscaras sorridentes eram também exibidas pelos maconheiros brancos como “simpatizante da causa”.
Aliás, para mostrar quem realmente é, e o que já fez, o ministro do Meio Ambiente do Sr. Luiz Inácio abriu o bico e não deixou por menos: enumerou uma fieira defensores da legalização da maconha entre os colegas do ministério mais medíocre, boçal e despreparado já reunido por um governo, de resto encabeçado por um personagem que um dia será devidamente avaliado pela história como o grande estelionato da política brasileira.
É por essas leviandades que eu já não sei onde é o fundo do poço.

4 comentários:

  1. fala serio porfirio, deixa de ser preconceituoso... gostava do que vc escrevia, mas nunca vi tanto disparate e desconhecimento em sua fala sobre a legalização das drogas...O minc está certíssimo. Quem ganha com essa guerra sao aqueles que traficama armas, que financiam o tráfico através das fronteiras e a banda podre da polícia e da política... os tempos mudaram, se droga quem quer. Há interesse de setores do poder de manter a corrupção policial e política, pois ganham muito mais com o tráfico monopolizado pelos pobres de fachada. Quem tá por trás disso é a elite, que financia, que corrompe... só falta vc dizer tb que o usuário é quem financia o tráfico...

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  2. Anônimo4:09 AM

    fala serio porfirio, deixa de ser preconceituoso... gostava do que vc escrevia, mas nunca vi tanto disparate e desconhecimento em sua fala sobre a legalização das drogas...O minc está certíssimo. Quem ganha com essa guerra sao aqueles que traficama armas, que financiam o tráfico através das fronteiras e a banda podre da polícia e da política... os tempos mudaram, se droga quem quer. Há interesse de setores do poder de manter a corrupção policial e política, pois ganham muito mais com o tráfico monopolizado pelos pobres de fachada. Quem tá por trás disso é a elite, que financia, que corrompe... só falta vc dizer tb que o usuário é quem financia o tráfico...

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  3. fala serio porfirio, deixa de ser preconceituoso... gostava do que vc escrevia, mas nunca vi tanto disparate e desconhecimento em sua fala sobre a legalização das drogas...O minc está certíssimo. Quem ganha com essa guerra sao aqueles que traficama armas, que financiam o tráfico através das fronteiras e a banda podre da polícia e da política... os tempos mudaram, se droga quem quer. Há interesse de setores do poder de manter a corrupção policial e política, pois ganham muito mais com o tráfico monopolizado pelos pobres de fachada. Quem tá por trás disso é a elite, que financia, que corrompe... só falta vc dizer tb que o usuário é quem financia o tráfico...

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  4. Porfírio,você está certíssimo na sua colocação,a Droga enfraquece sim,causa dependência e faz do indivíduo um grande bundão!
    Fácil, fácil de ser dominado por quem vende ou que tenha interesse em indivíduos controlados.
    Droga é uma Droga, que o pobre do viciado pensa remédio.

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.