segunda-feira, 28 de julho de 2008

Hérlio Fernandes e as eleições no Rio de Janeiro

TRIBUNA DA IMPRENSA, 28 DE JULHO DE 2008
Derrota dos Poderes municipal, estadual e federal
Crivela na sacristia, Jandira na prefeitura

A eleição para prefeito do Rio, que parecia a mais complicada, se transformou na mais fácil e previsível. Desde o início se falava em muitos candidatos, todos desgastados pelos acordos que fizeram, pela falta de prestígio da legenda e até pela supervalorização do que valia pouco, quase nada.
Chegaram a 9 ou 10 candidatos, apenas 2 resistiram. O ex-bispo Crivela, desarvorado, desenganado e desperdiçando mais uma oportunidade (perdeu em 2004), e Jandira Feghali, fortalecida por atividade positiva de mais de 20 anos, e agora favorecida até pelos ataques de adversários desesperados.
Também não é correta a apreciação de que o ex-bispo Crivela vem em primeiro nas pesquisas com Jandira Feghali em segundo. O contrário é muito mais correto. Mas mesmo que acertassem nos números e Crivela estivesse em primeiro, ele não tem para onde crescer, além de ter sido abafado pelo "cimento social".
Jandira Feghali tem tudo para disparar no segundo turno, pois, com uma exceção ou outra, juntará quase todos os candidatos. Crivela terá o "apoio total e absoluto da Record, que ninguém vê no Rio". E entre o apoio dos católicos e dos evangélicos, não existe a menor dúvida. Além do mais, a última eleição de Jandira (para o Senado) foi impressionante demonstração de força.
A estratégia traçada por César Maia para a candidata Solange Amaral (DEM) é polarizar a campanha com Jandira Feghali (PCdoB). No primeiro tempo, Solange tentou provocar Jandira com a questão do aborto e foi nocauteada, porque se transformou em "candidata da dengue". Vamos aguardar a segunda "rodada de Doha".
Em seus pronunciamentos, Jandira tem poupado Chico Alencar e Alessandro Molon, mas ataca Gabeira, sem citar o nome. Faz questão de lembrar que o candidato do PV só circula na Zona Oeste acompanhado de dois policiais militares portando rifles AR-15.
Gabeira podia ter até alguma chance concorrendo sozinho. Mas se aliar logo ao PSDB, que no Rio não tem votos, prestígio ou respeitabilidade? A bandeira de Gabeira: "Transparência e dignidade". Mas com o PSDB? É de chorar de desespero. Gabeira está entre o quarto e o quinto lugar, não passa disso. Diz que vai abandonar a política depois da derrota. Duas decepções. Para ele e os que o admiram.
Dona Solange Maia, perdão, Amaral, não tem voto, penetração ou legenda. Perdeu uma vez, perderá a segunda, mas é possível que se fortaleça para a reeeleição para a Câmara Federal em 2010. O alcaide-factóide-debilóide, derrotadíssimo, diz que é candidato a senador. São 6 os candidatos para duas vagas, uma delas não será dele.
Eduardo Paes, que se destacou na CPI do mensalão, não foi para o segundo turno de governador, não vai para o segundo de prefeito. E mesmo que fosse, não ganharia. Mudou de camisa, a de agora, desbotada e amarelada, impede que o leitor entenda alguma coisa.
Alessandro Molon, deputado com os votos de Chico Alencar, ficou contra o amigo, prejudicou a candidatura dele e não consolidou a própria. Vai brigar, encarniçadamente, que palavra, pelo último lugar. Falta alguém em Nuremberg? Não, está completo.
Jandira Feghali, atuante e militante, garante e destrói adversários: "Não pedi proteção de guarda armada à polícia nem ando com seguranças. Vou continuar entrando assim nas comunidades pobres, em respeito aos moradores. Temos mais de 2 milhões de pessoas morando em favelas e bairros proletários que precisam de apoio do Poder público".
E cresce cada vez mais nas pesquisas e no conceito do cidadão-contribuinte-eleitor. Facilita a vida de todos: entre ela e Crivela, não há nem como hesitar.
PS - Tudo caminha, no Rio, para o que sempre chamei de RENOVOLUÇÃO. Sérgio Cabral, Picciani, César Maia, Marcelo Alencar, os Poderes municipal, estadual e federal serão derrotados. Como acontecerá em São Paulo capital e BH. Irei passeando por essas e outras capitais.

domingo, 27 de julho de 2008

Presos, Natalino e Jerominho dão as cartas eleitorais

Mesmo preso há mais de seis meses, Jerminho continua vereador com o Gabinete de 20 assessores e tudo o que os demais têm direito.
O GLOBO, 27 DE JULHO DE 2007

Elenilce Bottari e Waleska Borges

Mesmo na cadeia, o deputado Natalino José Guimarães (DEM) e seu irmão, o vereador Jerônimo Guimarães Filho (PMDB), o Jerominho, acusados de chefiar um grupo de milícia na Zona Oeste do Rio conhecido por Liga da Justiça, continuam a comandar a campanha eleitoral na região. Impedido de concorrer à reeleição, Jerominho impõe às comunidades o voto em sua filha, a candidata a vereadora Carmen Glória Guinâncio Guimarães (PTdoB), conhecida como Carminha Jerominho.Segundo a população local, milicianos armados distribuíram, de porta em porta, uma carta de Jerominho a moradores de Inhoaíba (Campo Grande), Cosmos e Favela do Gouveia (Paciência).
No texto, o vereador preso diz que ele e Natalino foram vítimas de artimanhas dos adversários e pede voto para a sua filha.
— Os milicianos dizem: “É ordem dos patrões”.
Ela (Carminha) tem que ganhar, se não o bicho vai pegar — contou um morador.Aliados de Jerominho e de seu irmão dão como certa a eleição da candidata. Eleito pela primeira vez em 2000 pelo PMDB com 20.560 votos, Jerominho, ex-policial civil, criou um curral eleitoral em comunidades carentes da Zona Oeste que lhe garantiu a reeleição em 2004, com 33.373 votos, e um mandado de deputado estadual para o irmão, o também policial Natalino, eleito em 2006 com 49.405 votos.Segundo investigações do delegado Marcus Neves, da 35ª DP (Campo Grande), o grupo domina diversas comunidades, coagindo moradores a pagar taxas de segurança e serviços e a votar em seus candidatos.Plano é expandir poder para a BaixadaUm sistema que fica claro nos mapas de votação do TRE. Dos 33.373 votos conquistados nas eleições de 2004, 20.072 saíram de apenas cinco zonas eleitorais de Campo Grande. Quanto mais dentro das comunidades, maior o poder eleitoral de Jerominho. Seu maior desempenho no geral foi na 244ª ZE: 12,82% dos votos válidos.Já olhando só as seções eleitorais situadas no Ciep Oiticica, na Estrada Guandu-Sapê, percebese que esse percentual sobe para 30%.O mesmo fator acontece com Natalino. Sua melhor votação no geral foi na 245ª ZE, onde conquistou 15,67% dos votos válidos. Já olhando só as seções eleitorais do Ciep Nação Xavante, em Vila Nova, percebe-se que seu desempenho sobe para 28,75%. A Liga da Justiça planejava expandir seu domínio para a Baixada Fluminense ainda nas eleições deste ano, lançando Natalino candidato a prefeito de Seropédica. Mas um inquérito federal que acaba de ser recebido pela Justiça Eleitoral denuncia Natalino por fraude na mudança de endereço eleitoral em Seropédica.Na opinião do sociólogo Marcelo Burgos, do Departamento de Sociologia Política da PUC do Rio, as autoridades públicas e o próprio sistema eleitoral são responsáveis pelo crescimento desses currais, porque usam esses grupos que concentram votos para se reproduzir.
Como poucos candidatos conseguem alcançar o quociente eleitoral (que na cidade deverá ficar em torno de 70.400 votos nestas eleições), a estratégia dos partidos tem sido apoiar aqueles que concentram votos em comunidades, porque arrebanharão os votos pulverizados em toda a cidade.
— A situação no Rio se tornou mais grave porque o poder público tem usado esse mecanismo para assegurar uma reprodução eleitoral.
De um lado, os partidos esvaziados, a esquerda fragmentada. Do outro, os partidos no poder que vêm se valendo desses candidatos para garantir votos para seus deputados. É da lógica da favela essa dinâmica de ter donos do pedaço. Hoje os donos são do tráfico e das milícias, mas já foram o dono do relógio, do ponto de água — lembrou o pesquisador.Segundo Burgos, a situação hoje é mais grave, porque, diferentemente do que ocorria nos anos 80, hoje os milicianos e os traficantes estão coagindo os moradores a votarem em quem eles querem.
— O que mudou? O poder de coerção desses grupos paramilitares que ocupam as favelas e que fazem seus moradores reféns. À medida que o poder público interage com esses grupos, ele confere a essa máquina um poder impressionante. É urgente interromper essa dinâmica — afirmou.Especialista defende gestão transparenteUm dos maiores fenômenos de votos da cidade é o vereador Josinaldo Francisco da Cruz, o Nadinho de Rio das Pedras. Foi eleito em 2004, com 34.764 votos, 15.239 deles conquistados na 179ª ZE, sendo a maioria esmagadora dentro da favela Rio das Pedras. Ele conquistou 24,03% dos votos válidos da região de Jacarepaguá. Mas foi nas seções localizadas na Escola Municipal de Rio das Pedras, dentro da comunidade, que o poder de fogo de Nadinho se revelou: ele conquistou 86% dos votos válidos. Nadinho responde a processo pela acusação de matar o policial Félix Tostes, outra “liderança” da comunidade que planejava ser candidato nestas eleições.Burgos defende que o próximo prefeito tente devolver a democracia à cidade, criando mecanismos transparentes de gestão de recursos em favelas, como, segundo ele, ocorreu na primeira fase do Favela-Bairro.
A política de coação de eleitores em comunidades carentes fica evidenciada através dos mapas eleitorais. Um levantamento do GLOBO mostra que, quando dentro de uma comunidade dominada, o candidato recebe até o triplo dos votos que conquista na zona eleitoral. É o que mostra o quadro abaixo, sobre cinco candidatos acusados de receber apoio de milícias ou mesmo do tráficoJORGE BABUEleições 2006 - Deputado EstadualTotal: 32.5633 ZEs: 16.295 votos240ª ZE : 5.337 - 15,12% dos votos válidos dessa zona eleitoralColégio Cunha Melo: 630 - 24,20% dos votos válidos dessa seção eleitoralNATALINOEleições 2006 - Deputado EstadualTotal: 49.405 votos5 ZES: 27.474 votos245ª ZE: 6.988 votos - 15,67% dos votos válidos dessa zona eleitoralCiep Nação Xavante: 668 votos - 28,75% dos votos válidos em seis seções eleitoraisJEROMINHOEleições 2004 - VereadorTotal: 33.373 votos5 ZEs de Campo Grande: 20.072244ª ZE: 3.607 votos - 12,82% dos votos válidos dessa zona eleitoralCiep Oiticica - Sapê: 865 votos - 30,42% dos votos válidos dessa seção eleitoralJORGINHO DA SOSEleições 2004 - VereadorTotal: 23.7903 ZEs: 11.02121ª ZE: 5.977 - 16,47% dos votos válidos dessa zona eleitoral Escola Padre Manoel da Nóbrega: 525 votos - 28,27% dos votos válidos dessa seção eleitoralNADINHO DE RIO DAS PEDRASEleições 2004Total: 34.764 votos179ª ZE: 15.239 - 24,03% dos votos válidos dessa zona eleitoral Escola Rio das Pedras: 2.730 - 86% dos votos válidos dessa seção eleitoral

A Câmara e seus 10% suspeitos


Nadinho foi preso sob a acusação de mandar matar o inspetor Felix, que o derrubou do comando da milícia do Rio das Pedras. Depois, voltou e assumiu o mandato na câmara Municipal do Rio de Janeiro.

JORNAL DO BRASIL, 26 DE JULHO DE 2008
Fernanda Thurler, Pedro Vieira e Paula Máiran
RIO - Dados revelados pelo mapa eleitoral de 2004 põem mais de 10% dos vereadores do Rio sob a mira, ao mesmo tempo, da CPI das Milícias, da Polícia Federal e da Polícia Civil. Por meio do cruzamento de informações do TRE, com os nomes de parlamentares eleitos no último pleito e os endereços das urnas que renderam mais votos para cada um, o Jornal do Brasil identificou seis vereadores beneficiados por alta concentração de votos de moradores de currais eleitorais instalados em terrenos sob poder de milícias ou do tráfico de drogas.
De acordo com o levantamento, quatro vereadores obtiveram mais da metade de seus votos na eleição passada em currais milicianos da Zona Oeste. Outros dois foram favorecidos por votação majoritária em áreas dominadas pelo tráfico, nas Zonas Sul e Norte. O JB iniciou série de reportagens na edição do dia 13 sobre a interferência do tráfico, das milícias e do clientelismo no processo eleitoral, por meio da formação de currais eleitorais.
Jerominho (PMDB), atualmente na cadeia, reuniu em 12 das 97 zonas eleitorais do município 82,68% dos seus 33.373 votos, todas em Campo Grande e Santa Cruz, na Zona Oeste. Josinaldo Francisco da Cruz, o Nadinho de Rio das Pedras (DEM), concentrou em oito zonas eleitorais de Rio das Pedras 80,77% dos 34.764 votos que o elegeram. Nadinho é suspeito do assassinato do inspetor de Polícia Civil Félix Tostes e enfrenta neste ano disputa, no seu reduto antes exclusivo, com um ex-aliado, o capitão da PM reformado Epaminondas de Queiroz Medeiros Júnior, investigado por envolvimento na milícia de Rio das Pedras e também do DEM.
O vereador Dr. Jairinho (PSC) conquistou o seu mandato com 70% de um total de 23.941 oriundos de territórios sob controle paramilitar na Zona Oeste. Com concentração em Bangu e representação relevante também em Realengo, Vila Kennedy, Senador Camará, Padre Miguel, Campo Grande, Santa Cruz, Paciência, Cosmos, Vila Kennedy, Inhoaíba, Magalhães Bastos, Vila Kennedy. No caso de Jairinho, o cruzamento de dados do TRE revelam que o sucesso eleitoral na região, ele herdou do pai, o deputado estadual Coronel Jairo, de mesmo partido, que obteve 66,75% dos votos concentrados na Zona Oeste.
O vereador Luiz André Ferreira da Silva, o Deco (PR), pode ser considerado um nanico perante os exemplos acima. Ainda assim, na última eleição, o ex-pára-quedista do Exército ganhou o posto de suplente com 52% de votos em Jacarepaguá, onde tem fincada suas bases nas comunidades do Mato Alto e Chacrinha, em região disputada, nesta campanha municipal com o policial militar Luiz Monteiro, o Doem (PTC).
O mapa do TRE demonstra também o poder de votos de candidatos beneficiados pelo tráfico, em áreas reservadas a campanhas com exclusividade às vezes total, outras, parcial. Os dados revelam indícios desse tipo de apoio a vereadores eleitos em 2004. Eleita com 24.282 de São Conrado, Gávea e Vidigal, Lilian Sá (PR) teve, por exemplo, 4.013 votos em uma única zona eleitoral da Rocinha. Líder comunitário do Complexo do Alemão, Jorginho da SOS (DEM), em sete zonas eleitorais, todas no Complexo do Alemão, atraiu os votos de 51,53% eleitores.
Autonomia precária
Para o cientista político Marcos Figueiredo, do Iuperj, currais tornam comunidades reféns de políticos locais:
– Esses políticos se sentem no direito de fazer o que quiserem. Os moradores têm plena consciência da situação política, estão coagidos e, se não obedecerem, serão expulsos. A ação do Estado tem que ser contundente porque essas organizações têm substitutos imediatos.
[23:42] - 25/07/2008

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Complô contra aposentados e pensionistas

COLUNA DO JORNAL POVO DO RIO DE 15 DE JULHO DE 2008
Aposentados na pior (I)
Se os aposentados não abrirem o olho, se não se mexerem, se não puserem a boca no trombone e, sobretudo, se não descobrirem a força do seu voto nessas eleições, não tardará o dia em que serão tragados pelo sistema que nivelará todos por baixo e servirá aposentadorias e pensões como verdadeiras migalhas.
O alvo agora são as pensionistas pagas pelo INSS. Há estudos do governo sobre a possibilidade de reduzir as pensões e até extingui-las em várias situações: desde quando elas já tiverem acesso à própria aposentadoria até quando não tiverem filhos dependentes. Fala-se também em criar uma idade mínima para a viúva (ou viúvo) ter direito à pensão.
O sistema adotado atualmente de reajustes dos aposentados é marcado pela injustiça. Aumenta-se quem ganha o mínimo num percentual e quem ganha mais, noutro. Com isso, quem se aposentou com 5 salários mínimos em 2000 já está ganhando menos de dois.
Além disso, quem ganha mais de R$ 1900,00 ainda é obrigado a descontar 11%, algo absolutamente injusto, porque a filosofia dos descontos previdenciários é a de suprir um fundo com retorno futuro. No caso, o aposentado nunca mais verá a cor desse dinheiro descontado.
O senador Paulo Paim conseguiu aprovar um projeto no Senado com dois pontos básicos. Equiparou os reajustes e acabou com o chamado fator previdenciário, um cálculo que já nos deixa no prejuízo na hora da aposentadoria. No entanto, por pressão do governo e com o apoio da mídia, o projeto foi engavetado na Câmara e só será votado depois das eleições. Aí, você já viu: será inevitavelmente derrubado.
O que agrava ainda mais essa situação é o aumento dos gastos dos mais velhos, que é maior do que a média.
Aqui vale a pena observar os números: O Índice de Preços ao Consumidor da Terceira Idade (IPC-3i), que mede a inflação entre a população idosa, subiu 2,65% no segundo trimestre deste ano, uma aceleração em relação à alta de 1,37% apurada no primeiro trimestre de 2008, informou a Fundação Getúlio Vargas (FGV). De acordo com a instituição, esta foi a maior taxa trimestral desde março de 2003, quando o índice teve alta de 5,28%.
A inflação do segundo trimestre sentida pelos idosos também foi superior à apresentada pelo Índice de Preços ao Consumidor - Brasil (IPC-BR), que mede a inflação no varejo em todas as faixas etárias, e ficou em 2,38% no mesmo período.
O IPC-3i representa o cenário de preços em famílias com pelo menos 50% dos indivíduos com 60 anos ou mais de idade, e renda mensal entre 1 e 33 salários mínimos (de R$ 415 a R$ 13.695).
Segundo a FGV, nos últimos 12 meses até o segundo trimestre de 2008, o índice da terceira idade registrou alta de 6,36%, enquanto a taxa do IPC-BR apresentou elevação de 5,96%. No ano até junho, o IPC-3i acumula alta de 4,05%, resultado superior ao apurado em igual período pelo IPC-BR, de 3,84%.
Voltarei ao assunto.
COLUNA DO POVO DO RIO DE 16 DE JULHO DE 2008
Aposentados na pior (II)
Como observei ontem, a política do governo está nivelando os aposentados e pensionistas por baixo.Os que percebem mais do que o salário mínimo tiveram, nos últimos 10 anos, reajustes inferiores à metade do que foi concedido a quem ganha um salário mínimo, segundo a reportagem de Rodrigo Gallo, do Jornal da Tarde de São Paulo. (Os números mostram que está havendo um acelerado processo de pauperização da faixa intermediária de aposentados e pensionistas.
Não se trata, a rigor, de situação nova - mas os prejuízos aumentaram no governo Lula. Até a estabilidade monetária, em 1994, os benefícios do INSS eram achatados pelo mecanismo de correção: as aposentadorias eram corrigidas uma vez por ano, e o reajuste não acompanhava a inflação.
Nos seis anos compreendidos entre 1997 e 2002, os reajustes dos que percebiam um salário mínimo foram iguais aos dos que percebiam mais do que isso em três anos (1997, 1999 e 2002) e diferentes nos outros três anos (1998, 2000 e 2001). Naqueles seis anos, a diferença entre o aumento do salário mínimo (corrigido em 78,5%) e das aposentadorias de valor superior ao mínimo (46,9%) foi de 31,6%. A situação se agravou entre 2003 e 2007: nesses cinco anos, os porcentuais foram, respectivamente, de 90% e de 44,3%, com uma diferença de 45,6%.
Acumuladas por longo período, essas distorções provocaram um achatamento do poder de compra nas faixas média e superior dos beneficiários do INSS. O exemplo da dona de casa Vera Cardoso Coimbra, 86 anos, pensionista do INSS, mostra bem essa situação: “Quando meu marido morreu, em 1985, eu ganhava oito salários mínimos de pensão. Com o tempo o valor foi caindo e, hoje, ganho cerca de dois salários (menos de R$ 800,00). Nós, aposentados e pensionistas, temos muitos gastos com medicamento e saúde, e o benefício quase nunca é suficiente para pagar todos esses custos”.
O governo tenta justificar esta situação com argumentos duvidosos. Um deles é o de que o salário mínimo é baixo em comparação ao de outros países. Isso não é novidade, principalmente para mais os mais velhos, que viveram no período Juscelino/Jango, quando o mínimno chegou a 600 dólares. Em compensação, a classe média também ganhava bem e podia contribuir para receber até 20 salários mínimos na aposentadoria.
Um segundo argumento é que os gastos previdenciários no País são muito elevados e o INSS não suportaria o ônus da equiparação dos reajustes dos benefícios de quem ganha um salário mínimo aos de quem ganha mais que isso.
Mas o fato é que se governo age melhora a vida do pessoal de menor renda, pune aqueles que mais contribuições fizeram ao INSS. E, em muitos casos, recolheram contribuições destinadas a financiar uma aposentadoria correspondente a 20 salários mínimos. O teto do benefício foi depois reduzido a 10 salários mínimos e hoje está limitado a R$ 2.801,82 (apenas 7,3 salários mínimos).
Voltarei ao assunto

segunda-feira, 14 de julho de 2008

TRE-RJ mantém mandato de infiel

Por 4a 1, contra o voto do relator, desembargador Motta Moraes, o TRE-RJ manteve o mandato do suplente de vereador Alberto Salles, que assumiu no lugar de Pedro Porfírio graças a uma liminar concedida pelo desembargador Nascimento Póvoa, no mandato de segurança que foi extinto por decisão do colegiado do Órgão Especial, mas que ainda não foi publicado.
Salles filiou-se ao PSC em 28 agosto de 2007 e desfiliou-se do PDT em 28 de setembro, no prazo fixado pela Resolução do TSE que caracteriza infideliade partidária com a perda de mandato. Sua defesa alegou justa causa, porque o partido colocou-se como assistente de Porfírio quando o processo foi para a segunda instância na Justiça Comum.
Em nenhuma fase desse processo, nem mesmo quando da desfiliação, o sr. Alberto Salles formalizou qualquer queixa em relação a esse fato. Saiu, como enfatizou o desembargador Motta Moraes, ao tomar conhecimento da sentença da juiza Jacqueline Montenegro, da 6ª Vara da Fazenda Pública, que lhe denegava o mandado de segurança. Mesmo assim, ao contrário do que vem acontecendo em outros processos, o TRE-RJ preferiu manter seu mandato.
A sustentação oral pela cassação foi feita pela advogada Vânia Aieita, especialista em Direito Eleitoral. Seus argumentos, no entanto, não foram levados em conta.
Em 26 de maio, por 17 a 4, contra o voto do relator Nascimento Póvoa, o Órgão Especial do Tribunal de Justiça extingiu o mandado de segurança que deu posse a Alberto Salles na Câmara Municipal do Rio de Janeiro sob a insustentável alegação de que Pedro Porfírio havia renunciado antes mesmo de tomar posse.
Até hoje, o acórdão do voto divergente não foi publicado, porque depende da publicação, antes, do voto vencido. Com isso, o suplente permanece na vaga do vereador Pedro Porfírio, do PDT.

Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.