segunda-feira, 24 de março de 2008

Favelas – um universo gigantesco e desconhecido





A primeira favela do Rio de Janeiro surgiu no Século XIX onde hoje é o Morro da Providência. Os primeiros habitantes foram os "voluntários da paz" que vieram da Guerra do Paraguai. Mas o que se considera o início da ocupação do morro é a busca de moradias precárias dos soldados das volontes que combateram em Caundos, na Bahia, de 1893 a 1897.


Leia este texto de Ermínia Maricaco, ex-secretária de Habitação de São Paulo.


A magnitude do crescimento de favelas nas cidades grandes e médias, em todo país, representa um presente preocupante e a possibilidade de um futuro dramático. A população moradora de favelas têm crescido mais do que a população urbana como mostraram os Censos do IBGE para 1980 e 1991. Nos anos 80, 1,89% da população brasileira morava em favelas. Em 1991 já era 3,28%. De acordo com esses dados o crescimento foi de 70% em uma década.
Essa tendência está correta mas esses dados são controversos devido à metodologia utilizada pelo IBGE na medição e, devido ainda, à dificuldade de classificar corretamente muitos dos núcleos de favelas sem a devida pesquisa nos cadastros fundiários municipais. O fato de não termos dados precisos sobre o assunto, já é, em si, muito significativo.
Com bastante certeza podemos dizer que o número da população moradora em favelas é bem maior do que o medido pelo IBGE. A evidência é fornecida por poucos cadastros municipais atualizados e algumas teses acadêmicas. No município de São Paulo por exemplo, segundo a Secretaria de Habitação e Desenvolvimento Urbano, a população moradora de favelas representava perto de 1,0% em 1973. Já no final da década seguinte, em 1980 essa proporção era de 8,0% e, em 1993, 19,4%. Constata-se um crescimento de 17,8% ao ano entre 1973 e 1993. Atualmente, de cada cinco paulistanos, um mora em favela, praticamente.
O resultado de tal processo, que não se restringe a São Paulo, é que parte significativa da população urbana vive nessas condições: 40% da Região Metropolitana do Recife, 33% do município de Salvador, 31,% da cidade de Fortaleza, 20% da cidade do Rio de janeiro, 20% da cidade de Belo Horizonte...(LABHAB, 1999).
O conceito de favelas que utilizamos aqui se refere à situação totalmente ilegal de ocupação do solo. A definição que estamos utilizando, não tem como base a baixa qualidade da moradia. Esta é uma conseqüência da situação jurídica que define uma relação social: o ocupante não tem qualquer direito legal sobre a terra ocupada correndo o risco de ser despejado a qualquer momento.
Essa marca de ilegalidade e a conseqüente ausência de direitos é que irão determinar grande parte o estigma que acompanha as áreas ocupadas por favelas. Ela implica em uma exclusão ambiental e urbana isto é, são áreas mal servidas pela infra-estrutura e serviços urbanos (água, esgoto, coleta de lixo, drenagem, iluminação pública, varrição, transporte, telefonia, etc). Mas a exclusão não se refere apenas ao território, seus moradores são objeto de preconceito e rejeição. Eles têm mais dificuldade de encontrar emprego devido a falta de um endereço formal. Idem quando fazem uma compra a prazo. Em geral eles são mais pobres, o número de negros e de mães solteiras é maior do que a média da cidade. O número de moradores por cômodo também é maior, revelando que é mais alto o congestionamento habitacional. Enfim, “a exclusão é um todo”: territorial, ambiental, econômica, racial, cultural, etc. O solo ilegal parece constituir a base para uma vida ilegal e esquecida pelos direitos e benefícios urbanos. É ali, também, que os moradores estão mais sujeitos à violência, que é medida em número de homicídios. (MARICATO,1996).
Outra conseqüência grave que decorre desse expressivo crescimento de favelas diz respeito ao meio ambiente. As localizações das favelas se dão mais freqüentemente em áreas ambientalmente frágeis: beira de córregos, fundos de vales inundáveis, áreas de mangues, encostas íngremes, áreas de proteção ambiental, entre outras. De fato há uma aparentemente estranha coincidência entre a localização das favelas e os recursos hídricos, que são, em geral, protegidos por lei. A Represa de Guarapiranga, na Região Metropolitana de São Paulo, é responsável pela água potável de 20% da população da cidade e no entanto é a área que apresenta um dos maiores índices de favelas em toda a metrópole como mostra a ilustração.
Caracterizado pela ocupação de áreas íngremes, frágeis e sem urbanização; sem contar com a assessoria do conhecimento técnico de engenharia e arquitetura; apelando para soluções precárias e improvisadas, o crescimento de favelas produz áreas de risco geotécnico que a cada período de chuvas apresenta um fenômeno que está se tornando banal nas grandes cidades brasileiras: a morte por desmoronamentos de encostas.
As mazelas decorrentes do crescimento das favelas são, de alguma forma, percebidas por toda a sociedade. Não há a consciência, no entanto, da dimensão quantitativa que as favelas estão tomando e nem de suas causas.
O Brasil está passando por um intenso processo de urbanização. Em 1940, 73,7% da população do país estava no campo. Em 1996, 78,3% está nas cidades. Esse processo de urbanização concomitante à industrialização assumiu determinadas características. Uma delas é a concentração de terra, renda e poder. Ele combinou modernidade com exclusão mantendo, no Brasil urbano do século XX, características do Brasil arcaico e colonial.
Uma marca fundamental do processo de urbanização sob a “industrialização com baixos salários” é um mercado de moradias restrito e concentrado. O que poucos percebem é que grande parte da população urbana brasileira não tem condições de comprar a moradia no mercado privado legal. Não estamos nos referindo aqui ao trabalhador do informal, sem emprego fixo e sim ao trabalhador da indústria automobilística fordista, ou ao bancário ou ao professor secundário. Essa é a explicação para que funcionários da Universidade de São Paulo, a mais importante do país, morem nas favelas que circundam a universidade.
Na Região Metropolitana de São Paulo, o acesso ao financiamento habitacional bancário exige renda familiar de no mínimo 10 salários mínimos. Sabemos, no entanto, que apenas 40% da população atende a esse requisito. O investimento público em moradias não atingiu 5% da população restante. O que faz a outra metade da população quando precisa de moradia? Apela para os expedientes do mercado ilegal: a favela, o loteamento clandestino e o aluguel, especialmente nos cortiços. Mais de 50% da população do município de São Paulo vive nessas condições.
Outro exemplo esclarecedor pode ser encontrado numa ilustração que reproduz um mapa elaborado pela prefeitura do Rio de Janeiro, onde estão demarcados os loteamentos e favelas do município. A análise de tal mapa, que deveria ser elaborado em cada município do país, denuncia a dimensão da ilegalidade urbanística e da exclusão social.
O gigantesco movimento de ocupação de terras urbanas, representado pela dimensão das favelas, não é liderado por nenhuma organização social que pretende contrariar a lei como vimos, mas sim, de um processo estrutural de exclusão.
A coincidência apontada entre a localização de favelas e áreas ambientalmente frágeis, “protegidas” por lei decorre da falta de interesse do mercado imobiliário em relação a essas terras. São as que “sobram”. E na medida que são desprezadas pelo mercado privado legal, não interessam também ao poder público. A incoerência é apenas aparente. Freqüentemente, a análise dos investimentos públicos municipais em cidades brasileiras revela a lógica entre a aplicação dos recursos e os interesses do mercado imobiliário. (Villaça, 1999; Maricato, 1999) .
Apesar desse quadro, cabe destacar uma tendência verificada nos executivos municipais, que é importante, embora minoritária. Ela teve início nos anos 80, com a redemocratização do país e é formada por gestões municipais que buscam diminuir a desigualdade e a pobreza com propostas sustentáveis tanto no aspecto ambiental como sócio-econômico. A urbanização de favelas é uma prática que tem acumulado experiências que estão agora sendo avaliadas.(LABHAB,1999)
Essas experiências, urgentes e inadiáveis, ampliam a cidadania mas não atingem as raízes do processo de urbanização excludente, verdadeiro motor de produção contínua de favelas. Ele exige medidas mais amplas. O primeiro passo é criar consciência social sobre a dimensão e a importância do problema trazendo para a luz do dia uma realidade que é oculta pelo desconhecimento.


REFERÊNCIAS
BUENO, L. M. de M. Urban policies for favelas. 1999. In Rivista PLURIMONDI , Universitá di Cagliari, n. 2, no prelo.

LABHAB - Laboratório de Habitação e Assentamentos Humanos. Parâmetros para urbanização de favelas. 1999. FAUUSP, FINEP/CEF.

MARICATO, E. Metrópole na periferia do capitalismo. 1996. Hucitec. São Paulo.

______________ Metrópole de São Paulo, entre o arcaico e a pós modernidade. In SOUZA, M. A A de, e outros. Metrópole e globalização. 1999. Cedesp, São Paulo.

VILLAÇA, F. Efeitos do espaço sobre o social na metrópole brasileira. 1999. Idem Ib.


SAIBA MAIS SOBRE O CRESCIMENTO DAS FAVELAS



quarta-feira, 12 de março de 2008

Governador de Nova York tem 48 horas para renunciar

Ela derrubou Eliot Spitzer, o governador de Nova York, que pagava U$ 1.000,00 por "programa" com dinheiro de origem duvidosa

Envolvido em escândalo sexual, governador de Nova York tem 48 horas para deixar o cargo
NOVA YORK (EUA) - A pressão para o governador de Nova York, Eliot Spitzer, renunciar aumentou nas últimas horas, quando líderes republicanos deram ao democrata um prazo para deixar o cargo. "Se ele (Spitzer) não renunciar em até 48 horas, vamos preparar artigos de impeachment para tirá-lo do poder", afirmou James Tedisco, líder republicano da Assembléia Legislativa de Nova York.
Na segunda-feira, Spitzer fez um pronunciamento público no qual pediu desculpas à sua família por ter sido vinculado a uma rede de prostituição de luxo, numa denúncia divulgada pelo jornal "The New York Times". Spitzer, que é casado há 21 anos e tem três filhas, está sendo investigado pela Justiça por ter se envolvido com uma prostituta e deslocado a mulher entre estados - ação que é considerada crime nos EUA.
Assessores próximos do governador afirmaram que ele estava pensando em renunciar. O site do "The Wall Street Journal" afirmou que Spitzer deveria anunciar sua renúncia ainda ontem. No entanto, o governador não foi visto depois da entrevista coletiva que convocou para pedir desculpas pelo que fez. Se Spitzer renunciar, quem ocupará o cargo é seu vice, David A. Paterson. Ele seria o primeiro governador negro de Nova York, e o primeiro governador cego na história dos EUA.
Tedisco disse que na segunda-feira à noite recebeu um telefonema de Paterson para discutir uma possível transição de poder caso a renúncia acontecesse. Investigações federais apontaram Spitzer como cliente da Emperors Club VIP, uma rede de prostituição de luxo que cobrava até US$ 5.500 por hora. Segundo conversas telefônicas gravadas, o governador teria desembolsado US$ 4.300 por quatro horas da companhia de uma garota identificada como Kristen.
Spitzer, porém, teria usado apenas duas horas porque tinha de trabalhar cedo no dia seguinte. Despesas adicionais, como passagens de trem, tarifas de táxis e serviço de quarto foram pagas a parte pelo governador. Para fazer os pagamentos dos serviços, Spitzer usava o nome George Fox, seu amigo de longa data e um de seus financiadores de campanha. Fox emitiu nota ontem afirmando que não sabia que seu amigo utilizava seu nome para fazer as transações, mas garantiu que Spitzer já pediu desculpas pelo incidente.
Uma mulher não identificada acusada de dirigir a rede de prostituição afirmou que o governador tinha fama de ser "difícil" por pedir coisas que "não eram consideradas seguras". A mulher afirmou que Kristen é uma morena magra com aproximadamente 1,60 metros. Nas gravações, o governador é identificado como "Cliente 9" e confirma planos para Kristen viajar de Nova York para Washington, onde ele tinha uma suíte de hotel reservada na noite de 13 de fevereiro, véspera do Dia dos Namorados nos EUA.
Uma lei federal de 1910 relativa ao tráfico humano e imoralidade em geral qualifica como crime transportar uma pessoa entre estados para o propósito de prostituição. Por enquanto, o governador está sendo apenas investigado e ainda não foi acusado de nenhum crime.
Empresa fantasma pagava prostituta
NOVA YORK (EUA) - A investigação criminal sobre a denúncia que vinculou o governador do Estado de Nova York, Eliot Spitzer, com o caso de prostituição de luxo, mostrou que seu envolvimento começou com uma investigação sobre transações financeiras suspeitas que levaram aos encontros do democrata com prostitutas, confirmaram fontes à Associated Press. A informação foi divulgada em primeira mão na edição de ontem do jornal "New York Times", também citando fontes não identificadas.
Investigadores examinaram transações financeiras suspeitas do governador. Eles revisaram relatórios que mostram movimentos atípicos, que escondiam a fonte, o destino ou a finalidade de milhares de dólares em dinheiro, que terminaram em contas bancárias de empresas fantasmas.
Essas movimentações, segundo fontes que exigiram anonimato, sugeriam o possível financiamento de crimes - suborno, corrupção política ou operações inadequadas envolvendo financiamento de campanhas. Prostituição, afirmam as fontes, era o destino mais distante na suspeita dos investigadores.
A investigação apontou, porém, que todo o dinheiro era desviado para o pagamento de sexo e que as transações eram manipuladas para garantir o pagamento dos encontros com prostitutas.
Uma conversa telefônica gravada com o governador comprovou o envolvimento com o serviço de prostituição de luxo. Uma das jovens que trabalhavam para o Emperors Club VIP, o serviço de acompanhantes contratado por Spitzer, auxiliou na investigação. As escutas, assim como os registros bancários das empresas fantasmas, revelaram uma rede de prostituição praticamente global.
No centro está o Emperors Club, que arranja encontros com mais de 50 mulheres em Nova York, Paris, Londres, Miami e Washington. O site da Emperors Club VIP na internet mostra fotos dos corpos das garotas com o rosto coberto, acompanhadas dos preços do programa por hora. Os valores dependem da classificação de cada prostituta, avaliadas em níveis de um a sete "diamantes". As garotas com sete "diamantes" chegam a cobrar US$ 5.500 por hora.
Antes de ser eleito governador, em 2006, Spitzer foi procurador-geral do Estado por oito anos. Durante seu mandato ficou conhecido por lutar contra o crime organizado e perseguir duas redes de prostituição, o que resultou na prisão de 18 envolvidos.
Os governadores nos EUA têm grande poder político por causa da autonomia de que cada Estado desfruta. Spitzer, do Partido Democrata, assumiu o cargo em janeiro de 2007 prometendo reformas, mas logo envolveu-se em um conflito com líderes republicanos estaduais, o que acabou freando sua agenda política.


terça-feira, 11 de março de 2008

Células-tronco: o que são e para que servem

Células tronco embrionárias podem se transformar em qualquer célula do corpo humano
Do site TERRA


Elas são de diversos tipos e um verdadeiro tesouro, pois podem originar outros tipos de células e promover a cura de diversas doenças como o câncer, o Mal de Alzeimer e cardiopatias. Estamos falando das células-tronco, foco de discussões entre cientistas, leigos e políticos.
O fato é que a legislação brasileira sobre pesquisas com células-tronco de embriões humanos, já aprovada no Congresso Nacional, permite o uso dessas células para qualquer fim. Mas a lei de Biossegurança aguarda aprovação na Câmara dos Deputados. E muita polêmica ainda pode surgir, já que a Igreja e outros grupos são contra a utilização de células-tronco embrionárias.
Para explicar o que é e para que serve a célula-tronco, entre outros temas, Alexandra Vieira, farmacêutica e bioquímica, pesquisadora da Fundação Zerbini/INCOR, em São Paulo, concedeu esta entrevista exclusiva ao Terra. Confira!
Terra: O que são células-tronco?
Alexandra: De forma bem simplificada, células-tronco são células primitivas, produzidas durante o desenvolvimento do organismo e que dão origem a outros tipos de células. Existem vários tipos de células-tronco: 1. Totipotentes - podem produzir todas as células embrionárias e extra embrionárias; 2. Pluripotentes - podem produzir todos os tipos celulares do embrião; 3. Multipotentes - podem produzir células de várias linhagens; 4. Oligopotentes - podem produzir células dentro de uma única linhagem e 5. Unipotentes - produzem somente um único tipo celular maduro. As células embrionárias são consideradas pluripotentes porque uma célula pode contribuir para formação de todas as células e tecidos no organismo.
Terra: Para que servem as células-tronco?
Alexandra: Uma das principais aplicações é produzir células e tecidos para terapias medicinais. Atualmente, órgãos e tecidos doados são freqüentemente usados para repor aqueles que estão doentes ou destruídos. Infelizmente, o número de pessoas que necessitam de um transplante excede muito o número de órgãos disponíveis para transplante. E as células pluripotentes oferecem a possibilidade de uma fonte de reposição de células e tecidos para tratar um grande número de doenças incluindo o Mal de Parkinson, Alzheimer, traumatismo da medula espinhal, infarto, queimaduras, doenças do coração, diabetes, osteoartrite e artrite reumatóide.
Terra: Onde as células-tronco podem ser encontradas?
Alexandra: Em embriões recém-fecundados (blastocistos), criados por fertilização in vitro - aqueles que não serão utilizados no tratamento da infertilidade (chamados embriões disponíveis) ou criados especificamente para pesquisa; embriões recém-fecundados criados por inserção do núcleo celular de uma célula adulta em um óvulo que teve seu núcleo removido - reposição de núcleo celular (denominado clonagem); células germinativas ou órgãos de fetos abortados; células sanguíneas de cordão umbilical no momento do nascimento; alguns tecidos adultos (tais como a medula óssea) e células maduras de tecido adulto reprogramadas para ter comportamento de células-tronco.
Terra: Qual é a diferença entre célula-tronco embrionária e célula tronco adulta?
Alexandra: Célula-tronco embrionária (pluripotente) são células primitivas (indiferenciadas) de embrião que têm potencial para se tornarem uma variedade de tipos celulares especializados de qualquer órgão ou tecido do organismo. Já a célula-tronco adulta (multipotente) é uma célula indiferenciada encontrada em um tecido diferenciado, que pode renovar-se e (com certa limitação) diferenciar-se para produzir o tipo de célula especializada do tecido do qual se origina.
Terra: Por que é bom armazenar o sangue do cordão umbilical da criança?
Alexandra: Porque no cordão umbilical se encontra um grande número de células-tronco hematopoiéticas, fundamentais no transplante de medula óssea. Se houver necessidade do transplante, essas células de cordão ficam imediatamente disponíveis e não há necessidade de localizar o doador compatível e submetê-lo à retirada da medula óssea.
Terra: As células-tronco podem ajudar na terapia de quais doenças? Como os tratamentos são feitos?
Alexandra: Algumas doenças que seriam beneficiadas com a utilização das células tronco embrionárias são: Câncer - para reconstrução dos tecidos; Doenças do coração - para reposição do tecido isquêmico com células cardíacas saudáveis e para o crescimento de novos vasos; Osteoporose - por repopular o osso com células novas e fortes; Doença de Parkinson - para reposição das células cerebrais produtoras de dopamina; Diabetes - para infundir o pâncreas com novas células produtoras de insulina; Cegueira - para repor as células da retina; Danos na medula espinhal - para reposição das células neurais da medula espinal; Doenças renais - para repor as células, tecidos ou mesmo o rim inteiro; Doenças hepáticas - para repor as células hepáticas ou o fígado todo; Esclerose lateral amiotrófica - para a geração de novo tecido neural ao longo da medula espinal e corpo; Doença de Alzheimer - células-tronco poderiam tornar-se parte da cura pela reposição e cura das células cerebrais; Distrofia muscular - para reposição de tecido muscular e possivelmente, carreando genes que promovam a cura; Osteoartrite - para ajudar o organismo a desenvolver nova cartilagem; Doença auto-imune - para repopular as células do sangue e do sistema imune; Doença pulmonar - para o crescimento de um novo tecido pulmonar. Terra: Os tratamentos são muito caros?
Alexandra: Sim. Para se ter uma idéia dos valores seguidos nos Estados Unidos, coleta e processamento das células do cordão umbilical custam U$ 1.325 e a estocagem anual das células em nitrogênio líquido U$ 95 por ano. Terapia celular para doadores autólogos, isto é, que usam sua própria medula óssea como fonte de células-tronco, aproximadamente U$ 80 mil e, se for transplante celular alogênico, isto é, de células provenientes de um doador compatível que não ele próprio, de U$ 90 mil a US$ 150 mil. A procura por um doador compatível varia de U$ 7 mil a U$ 9 mil.
Terra: No Brasil, onde já se faz tratamentos com células-tronco?
Alexandra: Aqui, os tratamentos com células-tronco são feitos apenas em grandes centros de pesquisa, como os grandes hospitais e somente para pacientes que assinam um termo de consentimento e concordam em participar desses estudos clínicos.
Recentemente, o Ministério da Saúde aprovou um orçamento de R$ 13 milhões em três anos para a pesquisa das células-tronco da qual participam alguns grandes hospitais brasileiros como o Instituto do Coração - SP, Instituto Nacional de Cardiologia de Laranjeiras - RJ, entre outros. Serão estudadas as cardiopatias chagásicas (decorrente da doença da Chagas), o infarto agudo do miocárdio, a cardiomiopatia dilatada e a doença isquêmica crônica do coração.
Como a terapia utiliza células-tronco autólogas, o estudo não sofre influência da Lei de Biossegurança, recém-aprovada no Senado. Além dessa grande pesquisa, o Brasil está investindo em terapia com células-tronco voltada a outras doenças, como é o caso da distrofia muscular, esclerose múltipla, câncer, traumatismo de medula espinhal, diabetes etc.
Terra: Qual é o futuro da terapia com células-tronco?
Alexandra: Alguns objetivos que seriam alcançados com a utilização da terapia com as células-tronco são: Compreensão dos mecanismos de diferenciação e desenvolvimento; Identificação, isolamento e purificação dos diferentes tipos de células tronco adultas; Controle da diferenciação de células-tronco para tipos celulares alvo necessários para o tratamento das doenças; Conhecimento para desenvolver transplantes de células-tronco compatíveis; Nos transplantes de células-tronco: demonstração do controle apropriado do crescimento, bem como a obtenção do desenvolvimento e função de célula normal; Confirmação dos resultados bem-sucedidos dos animais em seres humanos.
Terra: Quais são os argumentos dos cientistas, do ponto de vista ético, para defender o uso das células-tronco?
Alexandra: 1. Células tronco embrionárias possuem o atributo da pluripotência, o que quer dizer que são capazes de originar qualquer tipo de célula do organismo, exceto a célula da placenta. 2. Sabe-se que 90% dos embriões gerados em clínicas de fertilização e que são inseridos em um útero, nas melhores condições, não geram vida. 3. Embriões de má qualidade, que não têm potencial de gerar uma vida, mantêm a capacidade de gerar linhagens de células-tronco embrionárias e, portanto, de gerar tecidos. 4. A certeza de que células-tronco embrionárias humanas podem produzir células e órgãos que são geneticamente idênticos ao paciente ampliaria a lista de pacientes elegíveis para tal terapia. 5. É ético deixar um paciente afetado por uma doença letal morrer para preservar um embrião cujo destino é o lixo? Ao utilizar células-tronco embrionárias para regenerar tecidos de um paciente não estaríamos criando uma vida?
Terra: Em quais países já é permitido usar células-tronco?
Alexandra: Inglaterra, Austrália, Canadá, China, Japão, Holanda, África do Sul, Alemanha e outros países da Europa.
Redação Terra

domingo, 9 de março de 2008

“O narcoestado sonhado por Pablo Escobar hoje está mais vivo que nunca na Colômbia”






Em Miami, a ex-amante do chefão do tráfico ataca o presidente colombiano



Francesc Relea, de EL PAÍS de Madri




A figura do narcotraficante Pablo Escobar, morto há 14 anos, ainda abala a classe política colombiana. Virginia Vallejo, 57 anos, que durante mais de cinco foi amante do chefe do Cartel de Medellín, a organização criminosa mais poderosa que atuou na Colômbia, rompeu um longo silêncio para falar do passado e do presente de seu país. “O silêncio me salvou. Sou a única sobrevivente, todos os outros estão mortos”, ela diz. No livro “Amando a Pablo, Odiando a Escobar” (editora Random House Mondadori), Vallejo ataca importantes líderes políticos, aos quais atribui ligações estreitas com o ex-chefão da droga.
Refugiada nos EUA à espera de asilo político, Virginia Vallejo concedeu uma longa entrevista a EL PAÍS, a primeira desde que deixou a Colômbia, há mais de um ano. Desaparecida de cena há mais de uma década, durante a qual proliferaram piadas e rumores da pior espécie, a apresentadora de televisão, repórter, modelo e atriz volta a falar como uma testemunha incômoda para os políticos colombianos, e o presidente Álvaro Uribe se apressou a refutar as acusações do livro.
“O narcoestado sonhado por Pablo Escobar hoje está mais vivo que nunca na Colômbia”, diz a diva dos anos 1980. “Os narcotraficantes prosperaram na Colômbia não porque foram gênios, mas porque era muito barato comprar os presidentes”, diz Vallejo, que menciona três nomes como “narcopresidentes”: Alfonso López Michelsen, Ernesto Samper e Álvaro Uribe.
Do atual presidente, Uribe, ela diz que era idolatrado pelo chefe do cartel de Medellín. Afirma que o governante, em sua etapa como diretor da Aeronáutica Civil (1980-1982), “concedeu dezenas de licenças para pistas de pouso e centenas para os aviões e helicópteros com os quais se construiu toda a infra-estrutura do narcotráfico”.
“Pablo costumava dizer: ‘Se não fosse por esse bendito rapaz, teríamos de nadar até Miami para levar a droga aos gringos. Agora, com nossas próprias pistas, estamos feitos. É pista própria, aviões próprios, helicópteros próprios…’ Levavam a mercadoria até Cayo Norman, nas Bahamas, quartel das operações de Carlos Lehder, e dali para Miami sem problemas.” Virginia Vallejo está disposta a defender publicamente tudo o que escreveu e declarou, e a passar por um detector de mentiras.
“Foram os anos dourados de Pablo, dos Ochoa, de Gonzalo Rodríguez Gacha, o Mexicano, Lehder… Transportavam até 300 quilos de cocaína por hora e por dia. Estavam no lugar perfeito na hora perfeita, mas no final todos tiveram um destino trágico. Em três anos esses homens passaram de ladrões de automóveis a donos de fortunas de US$ 3 bilhões. Quando conheci Pablo, não sabia que tinha tanto dinheiro. Soube pelas revistas ‘Forbes’ e ‘Fortune’, que o classificaram como o sétimo homem mais rico do mundo”, comenta Vallejo.
Outro episódio que ilustra os supostos vínculos entre Uribe e Escobar é a morte de Alberto Uribe Sierra, pai do presidente, em 1983, pelas mãos da quinta frente das guerrilhas Farc. “Pablo gostava muito de Alvarito”, explica a ex-namorada de Escobar. “Quando as Farc mataram o pai de Uribe, em uma tentativa de seqüestro, Pablo enviou um helicóptero para recolher os restos. O irmão dele, Santiago, estava sangrando muito. Estavam em uma fazenda distante de Medellín, onde não havia helicópteros nem infra-estrutura aeronáutica de qualquer tipo. Pablo deu a ordem de enviar o helicóptero e me contou isso alguns dias depois. Sentiu muito pela morte. Estava muito triste. Me disse: ‘Quem pensa que este é um negócio fácil está muito enganado. É uma enxurrada de mortos. Todos os dias temos de enterrar amigos, sócios e parentes’. Me disse que ele também poderia ser morto e me perguntou se eu estaria disposta a escrever sua história.”
Segundo o National Security Archive, um grupo não-governamental de pesquisas baseado na Universidade George Washington, Álvaro Uribe foi um amigo próximo de Pablo Escobar, que colaborou com o cartel de Medellín. O mesmo grupo divulgou em 1991 uma lista dos narcotraficantes colombianos mais importantes, elaborada pelos serviços de inteligência americanos, na qual Escobar ocupava o 79º lugar e Uribe o 82º.
Antes de escapar da Colômbia, Virginia Vallejo tentou dar seu depoimento no julgamento contra o ex-ministro da Justiça Alberto Santofimio, acusado de ser o mandante do assassinato do candidato presidencial liberal Luis Carlos Galán, em 1989. “Meu depoimento teria envolvido toda a classe política da Colômbia”, afirma Vallejo. De modo suspeito, a fase da exposição de provas foi encerrada com rapidez incomum, e a declaração de Virginia Vallejo foi difundida pela televisão mas não incluída no sumário. Santofimio foi condenado na última quinta-feira a 24 anos de prisão por homicídio com fins terroristas.
O planejamento e o financiamento do crime foram atribuídos a Pablo Escobar. Segundo a ex-namorada do traficante, Santofimio era o candidato de Escobar nas eleições presidenciais, e a ligação entre o chefão e os líderes do Partido Liberal, “sobretudo o ex-presidente López Michelsen, o homem mais poderoso da Colômbia até o ano passado, quando morreu aos 94 anos”.
Vallejo afirma que na sua presença “Santofimio instigou Pablo pelo menos em três ocasiões a eliminar Luis Carlos Galán”. “Contei isso em julho passado ao jornal ‘Miami Herald’. Poucos dias depois, o jornal ‘El Tiempo’ e o Partido Liberal se uniram em torno de Santofimio para proteger o homem que conhece o preço de toda a classe política da Colômbia.”
Virginia Vallejo fugiu de seu país com ajuda americana. Às 6 da manhã de 18 de julho de 2006, três veículos blindados da embaixada dos EUA em Bogotá, armados com metralhadoras, a levaram de sua casa até o aeroporto. Pouco depois, um avião do Departamento Antidrogas dos EUA (DEA) decolou para Miami. “Fui à embaixada dos EUA, me reuni com o adido do Departamento de Justiça, Jerry MacMillan, a quem ofereci cooperação no julgamento dos irmãos Rodríguez Orejuela, que ia começar seis semanas depois nos EUA. O funcionário arregalou os olhos quando soube que eu era a amante de Escobar.”
Ela foi interrogada durante cinco dias em Miami. No julgamento dos Rodríguez Orejuela bloquearam uma fortuna de US$ 2,1 bilhões. Ao contrário do que publicaram vários órgãos da mídia, Virginia Vallejo não goza da condição de testemunha protegida nos EUA. “Finalmente me disseram: ‘Você não serve para o caso dos Rodríguez Orejuela, vamos devolvê-la para a Colômbia. Eu expliquei como eles corromperam a classe política e dois presidentes da República. E isso não serve? Me espremeram como uma laranja, entreguei todos os nomes dos políticos envolvidos com o tráfico, falei sobre a relação de Uribe com Escobar… Disseram que nada disso servia para o processo dos Rodríguez Orejuela, que me mandariam de volta ao meu país e a justiça colombiana me protegeria. Eu lhes disse que não, que a mulher do contador dos Rodríguez Orejuela estava morta porque ele havia subido em um avião da DEA. Disse a eles que ficaria em Miami e pedi asilo político.” A burocracia pode demorar anos. Enquanto isso, a ex-apresentadora de televisão não pode sair do território americano. “Meu destino na Colômbia seria a tortura e a morte. Uribe declarou guerra a mim através de todos os microfones.”
Na cobertura de um arranha-céu de 37 andares, com uma vista espetacular da baía de Miami, a ex-diva colombiana mostra algumas revistas em cuja capa saiu -Bazaar, Cosmopolitan, Al Día- e fotos dos anos felizes nas quais aparece com a mais alta sociedade colombiana e com Pablo Escobar. São lembranças de uma época dourada, quando era a apresentadora mais conhecida e mais bonita da televisão; como uma breve carta de seu amante: “Virginia, não pense que não sinto sua falta porque não telefono. Não pense que se não a vejo não sinto sua falta”.
Vallejo trabalhou de 1972 a 1994 como jornalista, repórter e entrevistadora. Durante três anos teve sua própria produtora, TV Impacto (1981-83). “Foi uma época negra para captar publicidade, na qual perdemos muito dinheiro, o equivalente a US$ 250 mil. Pablo pagou de uma vez essa dívida quando se apaixonou por mim.”
“Naquela época”, lembra, “era um deputado do interior, de origem humilde, e eu era uma estrela e uma diva da alta sociedade, a mulher mais famosa da Colômbia. Para ele foi uma grande honra eu lhe dedicar uma hora do meu programa. Eu não sabia nada sobre o narcotráfico nem sobre as grandes fortunas.”
A relação com o chefe do cartel de Medellín interrompeu sua carreira de sucesso. Começaram os telefonemas anônimos e as calúnias, ao mesmo tempo em que ela perdia programas de televisão e contratos publicitários. “Chegaram a publicar que a esposa de Escobar havia desfigurado meu rosto.”
Por que decidiu falar, depois de 20 anos de silêncio, se este foi sua melhor proteção? “Minha missão é contar a história para que a nova geração de colombianos saiba o que aconteceu.” Mas por que agora? “Porque se conjugaram quatro processos judiciais simultaneamente, é como uma coisa do destino. Havia o processo em andamento contra Alberto Santofimio Botero pelo assassinato de Luis Carlos Galán; a Comissão da Verdade investigava o ataque ao Palácio da Justiça de 1985; havia um processo nos EUA contra os chefes do cartel de Cali, dos irmãos Rodríguez Orejuela, e havia outro processo nos EUA contra os donos da multinacional que me havia despojado de todo o meu patrimônio. Eu era testemunha chave em quatro processos gigantescos, dois deles assassinatos históricos na Colômbia e dois processos enormes nos EUA.”
Durante 20 anos lhe ofereceram todo o dinheiro do mundo para que falasse de Pablo Escobar. Muitos jornalistas quiseram escrever a história de Virginia Vallejo com o chefe do cartel de Medellín. “Eu lhes dizia que escreveria a história quando quisesse. Escrevi o que vivi, esta não é a história de Pablo Escobar, é minha história com Pablo e com outros homens. É minha autobiografia”, afirma.
“Pablo fez de mim a mulher mais feliz do mundo. Apesar de nunca termos viajado juntos, nunca fomos a Paris, nunca fomos às Seychelles, nunca me levou à Cartier para comprar diamantes… Nos encontrávamos no hotel Intercontinental de Bogotá, no meu apartamento ou no dele em Medellín. E depois na selva, era como ir encontrar o Che Guevara na selva boliviana.”
O assassinato do ministro Rodrigo Lara Bonilla, em 1984, mudou a relação dos amantes. “Ele nunca admitiu esse crime. Eu também não perguntei. Ele sabia que eu sabia. A perseguição que Lara desencadeou contra Pablo foi infernal e acabou com nossa lua-de-mel e nossa tranqüilidade, até que houve a apreensão nos laboratórios de Yarí, de US$ 1 bilhão. Isso Pablo não perdoou e mandou matar Lara Bonilla. Nos separamos e deixamos de nos encontrar durante um ano. Depois ele me disse que ia massacrar meu país e que substituiria as balas por dinamite. Transformou-se em um monstro depois de nossa separação, quando começou a guerra do narcoterrorismo. Transformou-se em meu inimigo porque eu não quis escrever sua versão do ataque ao Palácio da Justiça nem sua biografia apologética, e porque queria sair da Colômbia. Não era mais o homem que eu tinha amado loucamente.”
Foi uma relação que combinou paixão com uma vida espartana e dura. Escobar treinou sua amante para situações de perigo extremo. “Você tem muitos inimigos e tem de aprender a se defender e aprender a se matar se forem mais de quatro. Ele me entregou uma pistola.”
Mas, olhando para trás, Virginia não se arrepende dessa relação. “O amei mais que todas as mulheres que ele pôde ter e o odiei mais que todas as vítimas juntas”, conclui Vallejo. “Hoje tenho todas as perspectivas possíveis sobre Pablo. Agora vejo claro, meu único lugar é junto com as vítimas. Passou a época do amor, do ódio e do terrorismo. O livro é como uma catarse que lembra o amor que compartilhamos, depois o terror e depois o perdão, até que eu possa me transformar na porta-voz das vítimas. Escobar armou uma rede de corrupção que dura até hoje e se estende ao México e a toda a área caribenha.”
El País

quarta-feira, 5 de março de 2008

Estou sendo intruso em sua caixa de correio?



Saber em que cidade você mora é muito importante para mim

Há alguns dias, enviei um pequeno formulário para você informar onde mora, profissão e faixa etária. Até agora, menos de 5% dos destinatários do meu cadastro já responderam. Isso me deixou intrigado. Será um recado para mim? A minha intenção é reorganizar minha lista por Estados e até por países. Depois, no futuro, se tiver condições, gostaria de encontrar uma maneira de trocar idéias com você, olho no olho, em encontros regionalizados.
Penso assim porque estou ficando preocupado com a transformação da Internet numa torre de babel. Como não temos uma sala de discussão, como não estamos no orkut, corremos o risco de alimentar um DIÁLOGO DE SURDOS.
E aí, francamente, creio que estaremos desperdiçando uma boa oportunidade de construir uma relação mútua produtiva do ponto de vista da disseminação e da troca do conhecimento, para o nosso bem e para o bem do nosso povo.
É verdade. Muitas coisas que eu penso só está na minha cabeça. Sonho mais da conta. Idealizo as coisas para léguas além do real. E às vezes eu mesmo deixo de dar continuidade às minhas propostas, por razões de várias naturezas.
Tudo bem. Mas, se nada acontecer, pelo menos saber um pouco de você -O MÍNIMO - serve para balizar melhor meus artigos e todo o trabalho que faço pessoalmente como desdobramento, procurando alimentar cordialmente nossa conversa, na medida em que até hoje, apesar da quantidade, tenho conseguido responder pessoalmente a todos os e-mails que me são dirigidos.
Daí, meu apelo. Por favor, ajude-me a racionalizar esse trabalho de fazer chegar a você minhas colunas. E de receber de sua parte as críticas e comentários que poderão transformar cada palavra do que escrevo numa semente de um amanhã melhor.
Ou então, se você achar que eu estou sendo inconveniente, fale. Você não é obrigado a me acolher entre suas correspondências. O pior que me pode acontecer, a esta altura da minha vida, é ter a sensação de que ESTOU SENDO UM INTRUSO EM SUA CAIXA DE CORREIO.
Ou então, mais triste ainda, essa intenção de ser útil a você, num mundo que desabrocha no caminho de novas verdades, não passar de uma fortuita ilusão, de uma pretensão efêmera, uma fantasia para lá de irreal.
Espero que você me entenda. E me ajude a continuar tentando ser útil ao Brasil, agora, que estou no mês dos meus 65 anos.
Abraços
Pedro Porfírio

Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.