segunda-feira, 30 de junho de 2008

O grito do pessoal da Varig

A sabedoria é a maior arma contra a adversidade. É o que demonstra esta bela reflexão de J.C. Bolognese, aeronauta aposentado da Varig:
As passeatas foram um sucesso. Queremos manifestar nosso agradecimento a todos que participaram e contribuiram para que elas acontecessem. Menos é claro àqueles que as provocaram, colocando-nos na situação em que hoje nos encontramos.
Mas temos de lembrar que as manifestações públicas são apenas a face mais visível da nossa luta em busca dos nossos direitos. Com a energia renovada pela nossa ida às ruas, devemos continuar o penoso trabalho de cobrar das autoridades a devolução do que nos foi tomado. E apoiar quem quer que lute para que a aviação brasileira volte a ser respeitável, respeitando em primeiro lugar os seus trabalhadores.
Agora mesmo, temos notícia de um nefasto acordo de "Open Skies" que está sendo tramado a favor de empresas americanas para operar no Brasil. A favor, é claro, uma vez que não podemos nos equiparar ao tamanho das quatro grandes aéreas deles que voam para cá. Isto pode ser o efeito "Orloff", aquele eu sou você amanhã para os apressadinhos em querer devorar os ossos da pioneira contando que nada os incomodará. Pelo bem de seus trabalhadores pelo menos, que abram os olhos.
O governo não inovou ao criar esse caos que nos aflige. Apenas praticou a mesma incompetencia e irresponsabilidade habituais. Ao não aproveitar uma estrutura de qualidade como a da Varig, criou inúmeros problemas para o país e imensos prejuízos para os trabalhadores. Empobreceu um monte de gente e enriqueceu alguns compadres.
A ironia é que nós, as vítimas disso tudo, oferecemos as soluções que foram prontamente descartadas.
Já se disse uma vez que "a competição gera os melhores produtos e os piores homens". No caso da concorrencia predatória que ajudou a quebrar a Varig, a nossa criatividade tupiniquim conseguiu desmoralizar esse ditado. Criou-se até agora um produto ruim e os homens,..........alguns nós já conhecemos; todos jamais saberemos, mas é o bastante para perceber que nós, aos milhares, nunca padecemos tanto para o lucro de tão poucos.
Mas nós podemos ser esses melhores homens e mulheres, na medida em que nos dediquemos à busca dos nossos direitos. Desde que decidamos que o que nos define como cidadãos é a nossa capacidade de reverter essas injustiças e não o que nos foi imposto por essas mentes doentias.
Agora, na onda renovadora dessas últimas manifestações, lembremo-nos de que muito ainda há por fazer. Escrever aos políticos, à imprensa e a todas as instituições que nos possam compreender e dar apoio. Compreender sim, porque todos precisam saber que nós, trabalhadores e aposentados da Varig, somos os únicos que não precisamos esconder a origem dos valores que nos roubaram. Só precisamos saber onde os esconderam e tirá-los de lá. Buscar apoio sim, pois no estágio em que estão as coisas, não iremos a lugar algum sem agregarmos volume à nossa luta.
Mais uma vez, obrigado a todos e vamos em frente!

J C Bolognese

Um comentário:

  1. Anônimo6:02 PM

    Eu sempre me lembro com carinho do pessoal de terra da Varig, assim com o pessoal de bordo. Minhas viagens sempre foram tranquilas e serenas, devo muito a eles pelo ter partido e chegado com segurança a meus destinos.
    Entretanto, foi a política porca de seus chefões que levaram a empresa ao ponto que chegou. Mexeram até no fundo de pensão de seus funcionários, contudo nenhum desses foi para a cadeia.

    Zé do Coco

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Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.