quarta-feira, 12 de março de 2008

Governador de Nova York tem 48 horas para renunciar

Ela derrubou Eliot Spitzer, o governador de Nova York, que pagava U$ 1.000,00 por "programa" com dinheiro de origem duvidosa

Envolvido em escândalo sexual, governador de Nova York tem 48 horas para deixar o cargo
NOVA YORK (EUA) - A pressão para o governador de Nova York, Eliot Spitzer, renunciar aumentou nas últimas horas, quando líderes republicanos deram ao democrata um prazo para deixar o cargo. "Se ele (Spitzer) não renunciar em até 48 horas, vamos preparar artigos de impeachment para tirá-lo do poder", afirmou James Tedisco, líder republicano da Assembléia Legislativa de Nova York.
Na segunda-feira, Spitzer fez um pronunciamento público no qual pediu desculpas à sua família por ter sido vinculado a uma rede de prostituição de luxo, numa denúncia divulgada pelo jornal "The New York Times". Spitzer, que é casado há 21 anos e tem três filhas, está sendo investigado pela Justiça por ter se envolvido com uma prostituta e deslocado a mulher entre estados - ação que é considerada crime nos EUA.
Assessores próximos do governador afirmaram que ele estava pensando em renunciar. O site do "The Wall Street Journal" afirmou que Spitzer deveria anunciar sua renúncia ainda ontem. No entanto, o governador não foi visto depois da entrevista coletiva que convocou para pedir desculpas pelo que fez. Se Spitzer renunciar, quem ocupará o cargo é seu vice, David A. Paterson. Ele seria o primeiro governador negro de Nova York, e o primeiro governador cego na história dos EUA.
Tedisco disse que na segunda-feira à noite recebeu um telefonema de Paterson para discutir uma possível transição de poder caso a renúncia acontecesse. Investigações federais apontaram Spitzer como cliente da Emperors Club VIP, uma rede de prostituição de luxo que cobrava até US$ 5.500 por hora. Segundo conversas telefônicas gravadas, o governador teria desembolsado US$ 4.300 por quatro horas da companhia de uma garota identificada como Kristen.
Spitzer, porém, teria usado apenas duas horas porque tinha de trabalhar cedo no dia seguinte. Despesas adicionais, como passagens de trem, tarifas de táxis e serviço de quarto foram pagas a parte pelo governador. Para fazer os pagamentos dos serviços, Spitzer usava o nome George Fox, seu amigo de longa data e um de seus financiadores de campanha. Fox emitiu nota ontem afirmando que não sabia que seu amigo utilizava seu nome para fazer as transações, mas garantiu que Spitzer já pediu desculpas pelo incidente.
Uma mulher não identificada acusada de dirigir a rede de prostituição afirmou que o governador tinha fama de ser "difícil" por pedir coisas que "não eram consideradas seguras". A mulher afirmou que Kristen é uma morena magra com aproximadamente 1,60 metros. Nas gravações, o governador é identificado como "Cliente 9" e confirma planos para Kristen viajar de Nova York para Washington, onde ele tinha uma suíte de hotel reservada na noite de 13 de fevereiro, véspera do Dia dos Namorados nos EUA.
Uma lei federal de 1910 relativa ao tráfico humano e imoralidade em geral qualifica como crime transportar uma pessoa entre estados para o propósito de prostituição. Por enquanto, o governador está sendo apenas investigado e ainda não foi acusado de nenhum crime.
Empresa fantasma pagava prostituta
NOVA YORK (EUA) - A investigação criminal sobre a denúncia que vinculou o governador do Estado de Nova York, Eliot Spitzer, com o caso de prostituição de luxo, mostrou que seu envolvimento começou com uma investigação sobre transações financeiras suspeitas que levaram aos encontros do democrata com prostitutas, confirmaram fontes à Associated Press. A informação foi divulgada em primeira mão na edição de ontem do jornal "New York Times", também citando fontes não identificadas.
Investigadores examinaram transações financeiras suspeitas do governador. Eles revisaram relatórios que mostram movimentos atípicos, que escondiam a fonte, o destino ou a finalidade de milhares de dólares em dinheiro, que terminaram em contas bancárias de empresas fantasmas.
Essas movimentações, segundo fontes que exigiram anonimato, sugeriam o possível financiamento de crimes - suborno, corrupção política ou operações inadequadas envolvendo financiamento de campanhas. Prostituição, afirmam as fontes, era o destino mais distante na suspeita dos investigadores.
A investigação apontou, porém, que todo o dinheiro era desviado para o pagamento de sexo e que as transações eram manipuladas para garantir o pagamento dos encontros com prostitutas.
Uma conversa telefônica gravada com o governador comprovou o envolvimento com o serviço de prostituição de luxo. Uma das jovens que trabalhavam para o Emperors Club VIP, o serviço de acompanhantes contratado por Spitzer, auxiliou na investigação. As escutas, assim como os registros bancários das empresas fantasmas, revelaram uma rede de prostituição praticamente global.
No centro está o Emperors Club, que arranja encontros com mais de 50 mulheres em Nova York, Paris, Londres, Miami e Washington. O site da Emperors Club VIP na internet mostra fotos dos corpos das garotas com o rosto coberto, acompanhadas dos preços do programa por hora. Os valores dependem da classificação de cada prostituta, avaliadas em níveis de um a sete "diamantes". As garotas com sete "diamantes" chegam a cobrar US$ 5.500 por hora.
Antes de ser eleito governador, em 2006, Spitzer foi procurador-geral do Estado por oito anos. Durante seu mandato ficou conhecido por lutar contra o crime organizado e perseguir duas redes de prostituição, o que resultou na prisão de 18 envolvidos.
Os governadores nos EUA têm grande poder político por causa da autonomia de que cada Estado desfruta. Spitzer, do Partido Democrata, assumiu o cargo em janeiro de 2007 prometendo reformas, mas logo envolveu-se em um conflito com líderes republicanos estaduais, o que acabou freando sua agenda política.


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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.