segunda-feira, 19 de novembro de 2007

CRISE DO GÁS: VAMOS FALAR A VERDADE

Em um trabalho simples e objetivo, o engenheiro Wagner Granja Victer, que coordenou o programa de implantação do GNV no Estado do Rio de Janeiro, ofereceu várias alternativas para preservar os direitos de 1 milhão e 400 mil proprietários de veículos que se servem hoje desse combustível barato e não poluente.



"Quem tiver táxi a gás vai continuar usando o seu táxi a gás। Quem tiver gás encanado vai continuar utilizando gás encanado। Vamos garantir que o povo brasileiro não seja prejudicado e também não queremos prejudicar o povo boliviano”.
Luiz Inácio da Silva, maio de 2006

Menos. Toda essa celeuma sobre o gás natural é uma grande pasmaceira que tem de tudo: má fé, incompetência, irresponsabilidades, manipulação de informações, jogo de interesses e, sobretudo, desrespeito aos direitos elementares dos cidadãos. Isso sem falar no mais sofisticado: a tentativa de convencer os brasileiros que precisamos ir á guerra contra a Bolívia.
É isso mesmo – uma grotesca e ardilosa articulação, de caráter virtual, semeada nos laboratórios de um sistema que pretende, antes de mais nada, jogar um país contra outro, impedindo que a América Latina tome o mesmo caminho da Europa, onde 25 países derrubaram suas barreiras e se constituíram numa potência do tope dos Estados Unidos.
O que tem de taxista querendo ver o Evo Morales na forca não está no gibi. Há um deputado de vida pregressa conhecida e enorme poder de mistificação pedindo no horário do seu partido que o governo brasileiro tome em relação à Bolívia a mesma atitude do presidente George Walker Bush, que invadiu o Iraque para roubar o petróleo dos iraquianos.
Esse apagãozinho da véspera de finados, quando a Petrobrás cortou o fornecimento de 20% do gás para as distribuidoras, foi uma grande molecagem. Não adianta falar de contratos desse ou daquele tipo, que isso é conversa fiada.
Erros fatais
A nossa maior estatal, que vem sendo privatizada pelas beiradas, no sapatinho, virou um saco de gatos, desde que suas diretorias, gerências e outras chefias de interesse entraram no rateio do troca-troca político, um verdadeiro crime de lesa-pátria.
Ali, hoje, é cobra engolindo cobra. Vai ver, tem diretor de mal com diretor, cada um puxando brasa para a sua sardinha, ao ponto de que a empresa apresentou no último trimestre um desempenho surpreendentemente pífio.
Seus lucros são fatais para os investidores. Só suas ações preferenciais representam 14% do índice da Bolsa de Valores de São Paulo. E, como você sabe muito bem, a maior parte dos investidores é aquela turma da pesada que põe sua grana em qualquer parte do mundo, onde o cheiro de lucro for mais forte. No mês passado mesmo, quando a China pôs na Bolsa de Xangai as ações de sua estatal petrolífera, suas ações subiram 137% num dia e ela se tornou a maior empresa do mundo.
Aqui, ninguém comenta a custo zero o quadro da economia. Quero dizer: cada opinião de um analista é direcionada para favorecer um interesse, é encomendada a peso de ouro. Pode até ser que alguns profissionais, como os engenheiros da AEPET, sejam exceções. Mas de resto, sobretudo na grande mídia, os comentários não são diferentes da fabricação de salsicha de que falava Bismark.
Por tudo isso, devo dizer com todas as letras que se continuarem com esse terrorismo contra os usuários de gás natural nos veículos, boa coisa não estão querendo. No mínimo, vão querer dobrar o seu preço para favorecer o delírio encomendado pelo agro-negócio, que é quem dá as cartas.
Nesse ambiente de sabichões inescrupulosos, aproveitam para esconder o balaio de trapaças que fizeram em todas as negociações com as multinacionais que colonizavam a Bolívia até a ascensão do índio, que só quer para o seu país o que todo brasileiro devia querer para o Brasil: o que Getúlio Vargas quis, quando criou a Petrobrás e foi levado ao suicídio pelos prepostos das petrolíferas americanas.
Em um trabalho simples e objetivo, o engenheiro Wagner Granja Victer, que coordenou o programa de implantação do GNV no Estado do Rio de Janeiro, ofereceu várias alternativas para preservar os direitos de 1 milhão e 400 mil proprietários de veículos que se servem hoje desse combustível barato e não poluente.
Mas antes de relatar algumas dessas soluções inteligentes, práticas e cabíveis, vou lhe contar uma história. Em 9 de maio de 2006, o especialista Edmar Fagundes de Almeida, do Grupo de Economia de Energia da UFRJ, fez um relato sobre o custo do gás, da Bolívia ao consumidor brasileiro.
Quem ganha com o gás
Naquele maio, o gás saía de lá por menos de MEIO DÓLAR o milhão de BTUs (medida internacional do gás) e chegava ao consumidor de São Paulo por 35 DÓLARES a mesma medida. ( o gás do Rio vem todo da bacia de Campos, é nativo) Entendeu? Isso sem falar na tramóia do contrato feito em 1996 pelo doutor Fernando Henrique, sob os protestos da AEPET, chamado tecnicamente de “Take or Pay”. Traduzindo: o Brasil pagava às empresas estrangeiras que exploravam a Bolívia (o país mais pobre da América do Sul) por um consumo presumido superdimensionado. Mesmo que só precisasse da metade, a fatura era paga adiantada, mediante certamente, mais não digo porque trocaram a Lei de Imprensa pela dos danos morais.
Mas voltemos à vaca fria. Segundo o especialista da UFRJ, depois de sair da Bolívia, o gás chegava às distribuidoras brasileiras por 5,5 DÓLARES o tal milhão de BTUs (incluindo o custo de transportes). Já, segundo matéria publicada nesse 9 de maio de 2006, “o preço de venda do gás pelas distribuidoras aos consumidores finais é bem superior, por incluir as margens de lucro e, principalmente, os custos das redes de distribuição — que, segundo especialistas, são elevados. Os consumidores em São Paulo chegam a pagar US$ 35 por milhão de BTUs”.
Bem, como falei muito, acabei ficando sem espaço, hoje, para o diagnóstico do engenheiro Wagner Victer. Mas você já poderá ler o seu trabalho no meu site http://www.palanquelivre.com/ . De qualquer forma, fica uma informação extraída de quem lidou com essa que foi uma solução adequada para a sobrevivência dos taxistas: se não quiser ir a fundo num entendimento decente com a Bolívia, para enfrentar eventuais dificuldades de abastecimento, basta considerar que a própria Petrobrás, que tem todo combustível á disposição, consome em suas unidades industriais os mesmos 7 milhões de gás cúbicos consumidos por toda a frota nacional veículos que optaram pela conversão.
A Câmara Municipal do Rio de Janeiro fará dia 30 uma audiência pública sobre o abastecimento de gás. Todos estão convidados, inclusive a Petrobrás e as distribuidoras. Quem sabe, a gente não vai encontrar uma saída que tranqüilize os usuários do GNV e evite uma grande onda de desemprego nas oficinas conversoras?
coluna@pedroporfirio.com

Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.