quarta-feira, 15 de novembro de 2006

UM ALIADO DE VERDADE

"O presidente Chávez permanece em pé como a mais importante figura política que representa realmente um desafio governamental ao imperialismo norte-americano. Levou a luta contra a Alca e a invasão do Haiti; derrotou uma tentativa de golpe de Estado patrocinada pelos EUA e demonstrou que bem-estar social, nacionalismo e independência política são viáveis no Hemisfério”.
James Petras, professor aposentado do Departamento de Sociologia da Universidade de Binghamton, em Nova Iorque.

As eleições na Nicarágua, o segundo país mais pobre da América Latina, ganharam uma importância didática. Os pouco mais de 3 milhões e meio de eleitores tendiam até ontem a reconduzir à presidência, depois de 16 anos, o ex-líder guerrilheiro Daniel Ortega, ao qual se aliou justamente o homem que foi financiado e enganado pela CIA, quando os Estados Unidos patrocinaram abertamente a contra-revolução de mercenários, que quase destruiu o país de Sandino sem lograr derrubar pelas armas o governo então legitimado pelas urnas.
É curioso que dêem tamanha importância ao pleito e que ninguém se indigne com a arrogante ameaça do governo norte-americano: se Ortega vencer, proibirá os 700 mil nicaragüenses residentes nos Estados Unidos de enviar ajuda a seus parentes pobres, que totaliza U$ 650 milhões.
Monitora de muitos governos do Continente, inclusive destas plagas, a poderosa super-ong “Diálogo Interamericano” fez coro do estúpidos de Washington: "o fato de uma volta do líder sandinista ao poder é algo muito difícil de aceitar para muitas autoridades americanas” – declarou Michael Shifter, vice-presidente da dita cuja.
Hoje, os norte-americanos que mandaram incendiar a única refinaria da Nicarágua, em 1986, já não podem mais falar do “perigo soviético”. E nem mesmo da exportação da revolução cubana. Cuba está quieta, ás voltas com seus próprios desafios.
O Inimigo do Império
Em compensação, estão de saias justas porque está emergindo na terra de Bolívar uma nova liderança continental, contra a qual, aliás, os banqueiros internacionais e todo o sistema de poder hemisférico já estão jogando pesado com vistas ás eleições venezuelanas de 3 de dezembro.
Hugo Rafael Chávez Frías, hoje o inimigo público número 1 na América Latina do império decadente, está reacendendo com êxito o sonho de Simon Bolívar de uma pátria americana.
Sem prejuízo do próprio crescimento econômico do seu país, que foi quatro vezes maior do que o do Brasil em 2005, está mostrando que as relações entre nações irmãs podem ser solidariamente fraternas.
E não só países deste lado, como até mesmo os pobres dos Estados Unidos, têm se beneficiado de sua determinação de solidariedade ativa. No império decadente, que invadiu o Iraque para roubar seu petróleo e hoje está numa sinuca de bico, os pobres de vários Estados recebem combustível e gás para calefação a preços subsidiados.
Mas foi na Nicarágua enganada pelos EUA que a solidariedade da Venezuela de Chávez foi mais decisiva. Primeiro, ele ofereceu petróleo e fertilizantes ao governo central. Títere dos Estados Unidos, o governo de Manágua não aceitou.
A União de Prefeitos sandisnistas, que reune um terço dos municípios nicaraguenses resolveu aceitar a ajuda diretamente. Resultado: a situação nessas cidades mudou para melhor, ao contrário do que acontece no resto do país, ao qual os norte-americanos prometeram mundos e fundos desde a eleição de Violeta Chamorro, em 1990.
Foram precisos 16 anos para os nicaraguenses famélicos descobrirem o logro em que caíram. O império decadente do sr. Bush não está nem aí para o o quadro desesperador da Nicarágua, com 54% de desemprego e 60% da população de 5,2 milhões de pessoas vivendo na pobreza e na pobreza extrema.
Em compensação, nos últimos 4 anos, os Estados Unidos deram mais de US$ 3 bilhões de auxílio militar para o chamado Plano Colômbia, que inclui 1.500 "conselheiros" das Forças Especiais norte-americanas e todavia não só não derrotaram as FARC ("Forças Armadas Revolucionárias de Colômbia"), como, ao contrário, sofreram importantes derrotas na última ofensiva guerrilheira de 2005-2006.
Perdas no Iraque
A existência de um patriota como Hugo Chávez é hoje decisiva para ajudar os países colonizados a se libertarem do secular domínio do mais poderoso. Qualquer coisa que se diga contra ele é uma idiota repetição da propaganda de Washington que, aliás, vive seus tormentos internos e está contando com a condenação à morte de Sadann Hussein (que ninguém terá peito de executar) para reverter a repulsa do seu povo ao fracasso no Iraque, onde já morreram até ontem de 2.815 soldados norte-americanos.
Cabe aqui um esclarecimento: 70% dos norte-americanos estão hoje contra a invasão do Iraque apenas por causa das mortes dos seus. Se as tropas de Bush e Donald Rumsfeld tivessem dado um passeio (como foi prometido), apossando-se do petróleo iraquiano e assassinando milhares de iraquianos sem perder um só dos seus, o presidente estaria sendo glorificado. E os republicanos ganhariam de ponta a ponta as eleições parlamentares de amanhã.
Você vai dizer que Chávez se aproveita do petróleo. É o que diz a mídia enlatada. Aliás, você que tem tv a cabo me responda: é certo a NET exibir mais de 80 canais estrangeiros e nenhum latino-americano, nem mesmo a televisa mexicana?
Pois se você quer saber da verdade, da pura verdade, vale dar uma lida no trabalho do economista Luciano Wexell Severo, formado pela PUC de São Paulo, sob o título “Venezuela: Petróleo semeando emancipação e crescimento econômico”. Esta matéria pode ser encontrada em vários sites da Internet, inclusive no www.palanquelivre.com
Em seu texto, ele nos surpreende: “Estes sete dispositivos permitem que, apesar do forte crescimento dos preços do petróleo, desde 2004 o PIB não-petroleiro tenha crescido a taxas significativamente mais elevadas que o PIB petroleiro, evidenciando o impacto positivo dos recursos petroleiros sobre as atividades não relacionadas diretamente com o mineral. Enquanto no segundo trimestre de 1999 o PIB não-petroleiro significava 70,5% do PIB total, hoje representa 76,0%. No mesmo período, a participação do PIB petroleiro no PIB total foi reduzida de 20,1% para 14,9%”.
coluna@pedroporfirio.com

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.