quarta-feira, 15 de novembro de 2006

RAJADAS DE VIDA EM LUGAR DE RAJADAS DE MORTE

http://www.tribuna.inf.br/porfirio.asp

“Todo o corpo da história indica que as gangrenas políticas não se curam com paliativos”.

Simon Bolívar – citado por Hugo Chávez




Hugo Chávez mandou combustível barato para Nicarágua, o segundo país mais pobre da América Latina, e ajudou Daniel Ortega a derrotar os títeres das aves de rapina dos EUA, que só vêem o nosso continente como seu quintal.
"O presidente Hugo Chávez está prestes a obter mais uma vitória eleitoral na Venezuela: a sexta em oito anos. Nada mal para um político que é tachado de antidemocrático por seus adversários. Em recente pesquisa realizada pela empresa venezuelana Cifras Escenarios e publicada no diário "Panorama" o mandatário aparece com 58,8% das intenções de voto contra 22% de Manuel Rosales, principal candidato da oposição. Outras sondagens indicam uma diferença menor, mas sempre acima dos 20 pontos percentuais".

Wellington M. Mesquita, jornalista brasileiro que se deslocou de Londres para Caracas há 3 meses.




Juro que não ia escrever sobre a Venezuela. Estou fazendo as malas para ir ver com meus próprios olhos esse país que tira o sono de Bush e dos americanófilos e ousa partir para o confronto contra os pérfidos e insaciáveis interesses imperialistas na América Latina.

E vou pela VARIG, aproveitando as milhas que guardei a sete chaves, confiante de que um dia a nossa mais emblemática empresa de aviação voltará a flamejar nos ares do mundo.

Por coincidência, Caracas ainda está nas rotas internacionais da empresa, que limita seus vôos no exterior a Bogotá, Buenos Aires, Frankfurt e à capital venezuelana.

Embora não seja essa a VARIG em que eu gostaria de voar, mas aquela que o governo abandonou à própria sorte e uma estranha lei de recuperação de empresas está deixando mais de cinco mil excelentes profissionais a pão e água, a sobrevivência de sua estrela ainda me toca o coração.

Mais dias, menos dias, as autoridades deste país que vive sob o tormento do caos na aviação vão se render ao óbvio: por sua natureza, por sua história, pelo acervo profissional, o nosso contexto aéreo não pode prescindir da VARIG e dos seus experientes profissionais como sua coluna dorsal.

Mas, como eu ia dizendo, estava querendo escrever sobre um gigante chamado Roberto Requião e sobre os pigmeus que fazem jogo de cena nas soleiras de poderes que assumirão já nas embalagens artificiais preparadas pelos colegas do Duda Mendonça.

Pensei também em relembrar o 11 de novembro de 1955, quando o então ministro da Guerra, o legendário general Lott, deu um contra-golpe para garantir a posse de Juscelino e Jango, contra os quais se levantaram as elites derrotadas nas eleições de outubro, contando com uma sedição militar em que se destacou o almirante Pena Boto, chefe da Cruzada Anti-Comunista.

Sabendo de tudo

Queria mostrar a vitória legalista como uma referência fundamental sobre a natureza histórica de nossas Forças Armadas. Hoje, me parece claro que os militares brasileiros consideram a defesa da Constituição um dogma.

Isso ficou mais evidente ao deparar-me com uma entrevista que Hélio Fernandes deu para um grupo de pesquisa da UERJ, em 2002, que encontrei na busca sobre o 11 de novembro.

O depoimento de Hélio me fez parar a investigação do 11 de novembro. São 24 páginas de história, contadas com a intimidade de quem as vivenciou por dentro. Quem quer que pretenda saber do que aconteceu de importante nesses quase setenta anos de vida profissional de Hélio Fernandes terá muito que aprender, como aconteceu comigo, acessando http://www2.uerj.br/cte/download/helio_fernandes.pdf

Mas como admiti no começo destas mal traçadas linhas, estava me guardando para quando chegar a Caracas, onde estarão jornalistas do mundo inteiro. Só que também estou fazendo o que sempre me ajudou muito antes de ir atrás da notícia: estou pesquisando sobre a Venezuela, numa confortável viagem virtual pelo Google e outras ferramentas.

Através de contatos diretos pelo MSN com o jornalista brasileiro Wellington Mesquita, que há três meses se deslocou de Londres para Caracas, também vou fazendo um verdadeiro curso, prática a que me dedico como forma de reciclar meus conhecimentos, que precisam ser atualizados diariamente.

Nessa caminhada, acabei lendo duas peças essenciais para me inserir com segurança no admirável mundo novo da Venezuela: uma entrevista de Hugo Chávez dada à chilena Marta Harnecker, na qual ele fala desde o dia em que entrou para a Escola Militar, e um inteligente artigo de Wellington Mesquita, publicado aqui mesmo, na TRIBUNA.

De sua matéria, pincei esse trecho: “Apesar de toda propaganda e constantes ataques, Hugo Chávez mantém um índice de popularidade invejável que sobe paulatinamente. Isto com certeza não é o reflexo da imagem de Chávez construída pelos meios de comunicação internacionais, mas sim o resultado de um projeto sócio-econômico que tem colocado às avessas o velho modelo oligárquico venezuelano”.

E uma revelação transcendental para entender o crescimento político do povo venezuelano: “Para o desespero da oposição venezuelana, Hugo Chávez inaugurou uma nova forma de exercer o cargo aproveitando-se de sua grande capacidade comunicativa. O discurso proferido na Assembléia Geral da ONU foi uma pequena amostra daquilo que ele faz todos os dias aqui na Venezuela. Não tem discurso que o líder bolivariano não leia um trecho de um livro, indique uma obra literária e enfatize a importância da Educação. Até o dono de uma livraria de Caracas me disse que o interesse pela leitura aumentou muito depois que Chávez subiu ao poder. É comum o presidente venezuelano utilizar-se de fábulas e histórias venezuelanas para melhor explicar suas idéias à população”.

Civis e militares unidos

Já o trabalho da escritora chilena é uma obra didática profundamente honesta, até porque ela é hoje uma das mais rigorosas observadoras do cenário latino-americano. A entrevista virou um livro e pode ser encontrada na Internet em vários sites.

Alguns leitores me escreveram para falar dessa matéria, mas José Guilherme, de Joinville, fez questão de destacar um bom trecho, em que Chávez relata: “Surge assim o Plano Bolívar 2000, um plano cívico‑militar. A ordem que dei até foi: Se forem casa por casa apalpar o terreno, o inimigo, qual é? A fome. E começamos em 27 de fevereiro de 1999, dez anos depois do Caracazo,(2) como forma de reivindicar os militares. Inclusive utilizei o contraste e disse: Há 10 anos fomos massacrar este povo, agora vamos enchê-lo de amor, vão limpar o terreno, procurar a miséria, o inimigo é a morte. Vamos enchê-los de rajadas de vida, em lugar de rajadas de morte. E na verdade a resposta foi bem bonita. Enquanto nós políticos estávamos metidos no combate político, 40 mil militares estavam operando gente nos povoados pobres, extraindo hérnias, operando pernas, olhos; as maquinarias da engenharia militar abrindo caminhos; aviões militares voando para os sítios mais pobres levando passageiros e cobrando-lhes só o preço de custo”. coluna@pedroporfirio.com



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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.