quarta-feira, 29 de novembro de 2006

NO FRONT DA NOVA GUERRA DA VENEZUELA





Com as vitórias de Ortega, na Nicarágua e Rafael Correa, no Equador, conseguir derrotar Chávez não tem preço para o sistema internacional

MINHA COLUNA NA TRIBUNA DA IMPRENSA DE 1 DE DEZEMBRO DE 2006



http://www.tribuna.inf.br/porfirio.asp


Caracas - Uma guerra! Por enquanto de bombardeios pela televisão, rádios, jornais e grandes comícios. Por enquanto.

Eu não pensei que ia me meter no centro de um furacão. Quem vive no Brasil, quem viu agora mesmo uma eleição da cabeça aos pés não podia imaginar que aqui nestas terras petrolíferas os nervos estivessem tão à flor da pele. Um descuido e, sei não.

O curioso é que há 4 anos fracassou o mais bem estudado golpe elaborado pelos laboratórios da CIA & Cia ilimitada. E de maneira inusitada: em menos de dois dias, o povo nas ruas obrigou um grupo de militares e empresários golpistas a libertar o presidente seqüestrado.

E no entanto, como nos tempos de Juscelino no Brasil, não há um só preso político. A mesma mídia que alimentou a tentativa de ruptura legal continua dizendo cobras e lagartos do presidente e concentrando a cobertura eleitoral quase exclusivamente na campanha de Manoel Rosáles, candidato dos nostálgicos de todos os governos e da intentona fracassada.

Se esses grupos já se mordiam por causa do sucesso cada vez maior do coronel bolivariano de 52 anos, sua cólera hipertrofiou-se às nuvens com as vitórias dos sandinistas na Nicarágua e de Rafael Corrêa, jovem e brilhante, no Equador.

Para os patronos das classes dominantes na América Latina tudo está acontecendo por causa daquele que o padre Ernesto Cardenal, poeta sandinista, considera a “reencarnação” de Simon Bolívar, o herói que libertou boa parte da América, mas que não resistiu depois às ambições das oligarquias que se formaram à espreita e morreu aos 47 anos a caminho do auto-exílio.

Trata-se, então, de “cortar o inimigo pela raiz”. Todos os especialistas disponíveis no mercado integram um sofisticado comitê de “inteligência” com a sagrada missão de desconstruir Hugo Chávez, satanizado como um “castro - comunista” que “gasta” o dinheiro do petróleo ajudando a outros países vizinhos, esquecendo os venezuelanos.

Satanização pela culatra

O diabo é que dizem tantas mentiras que acabam produzindo efeitos contrários: Chavez está virando um “santo” porque a Venezuela está sendo cortada de cabo a rabo por obras de grande alcance e programas sociais sérios, em função dos quais metade de todo o orçamento nacional vem sendo destinado para educação, saúde, habitação e diversificação da produção industrial.

Por conta disso, os grandes jornais e estações de televisão começam a sentir uma perda de credibilidade que poderá lhes custar uma espécie de falência por inanição. Na Venezuela, ao contrário do Brasil, esses grandes órgãos da mídia fazem questão de exibir seu ódio a Chávez, o que levou o padre Cardenal a perceber um novo tipo de racismo por causa da pele acobreada.

Na condição de poeta, o ex-ministro de Educação do primeiro governo sandinista esteve na Venezuela e fez algumas preciosas observações:

“Os jornais cada vez se vendem menos, devido aos seus ataques a Chávez, e em conseqüência também diminuiu a publicidade que angariavam. Eles mesmos o reconhecem. Ao fim do dia, vêm-se nas ruas muitos volumes de El Nacional e El Universal por abrir, o encalhe a ser devolvido. A pergunta que o povo se coloca é quem suporta as perdas desses jornais. E quem paga os canais de televisão para dedicarem o seu precioso tempo, não a notícias nem a publicidade, mas antes a ataques políticos”.

“Para mim, vive-se uma autêntica revolução, e não se trata apenas de um líder carismático, mas sim de milhões de venezuelanos que há por detrás dele. É uma revolução distinta de todas as outras, como são distintas todas as revoluções”.

Envolvido numa agenda oficiosa, Cardenal não deve ter tido a oportunidade que tivemos eu, o colega Wellington Mesquita e sua esposa Szilvia (que faz uma pesquisa para uma universidade de Londres). Numa pequena loja do centro da cidade, uma apaixonada família que ali trabalha mostrava seu orgulho em ter participado das manifestações que garantiram a libertação de Chávez. Para Elizabeth Masqueda, o presidente é realmente o Bolívar redivivo. “Estaremos com ele quantas vezes for preciso”.

Este naturalmente não é um sentimento unânime, inclusive entre os que não são da elite. O taxista que me trouxe do aeroporto tem horror do presidente, embora, paradoxalmente, reconheça que trabalha hoje graças à sua política. “E ainda vou acabar votando por sua reeleição, porque a oposição é pior: já esteve no poder e só cuidou do seu lado”.

Um país como o nosso

O mais contraditório é que a Venezuela que eu estou revendo não parece nem um pouco com as fantasias socialistas de alguns dos partidários de Chávez ou as paranóias dos seus detratores. Não me consta que tenha nacionalizado empresas estrangeiras que, ao contrário, estão se sentindo seguras aqui. E aumentando cada vez mais (Esta semana, foi inaugurada uma montadora de carros com capitais iranianas e venezuelanos)

Os extratos sociais permanecem intocáveis e nenhum grande empresário precisou fugir para Miami. Pode ser que, com o fortalecimento da educação pública e as políticas compensatórias semeadas a partir do Plano Bolívar, de 2000, esteja sendo aberto um caminho para uma sociedade menos injusta. Há quem garanta que essa será a grande preocupação do próximo mandato de Chávez.

A sua é uma revolução essencialmente política, no sentido da politização de um povo que viveu disputas artificiais em passado recente e na busca de uma frente continental, como semeou o também coronel Gamal Abdel Nasser entre os árabes.

Como vi com meus próprios olhos o processo que levou Cuba para o socialismo, pode ser que situações parecidas se repitam aqui, com outros cenários. Lembro quando, em 1961, dois anos de fidelismo, li uma faixa próximo ao Aeroporto José Marti, assinada pelo Sindicato dos Trabalhadores na Aviação de Cuba: “Se esto es comunismo, entonces el comunismo es bueno”.

Como a indústria do anticomunismo é mais rentável do que qualquer trabalho decente, esta guerra que encontrei estará longe de acabar com os resultados da eleição presidencial de domingo: Se Chávez vencer, e não avançar realmente no questionamento do modelo econômico e se não der um chega pra lá nessa direita pro-norte-americana, estará sempre vulnerável e exposto a ventos e trovoadas de quando em vez. Se perder, a revanche, a caça às bruxas, como foi tentada em 2002, poderá levar a tantos traumas que, aí, sim, a revolução retórica se converterá num furacão de danos inimagináveis.

Em tempo: estou enviando esta coluna com antecipação de 48 horas. Na quinta-feira, último dia da campanha, Hugo Chávez dará uma coletiva à imprensa estrangeira. Se der tempo, ainda falarei a respeito antes do tão esperado 3 de dezembro.

coluna@pedroporfirio.com

11 comentários:

  1. Anônimo9:45 AM

    [url=http://directlenderloansonlinedirectly.com/#pzokh]payday loans online[/url] - direct lender payday loans , http://directlenderloansonlinedirectly.com/#dxzdi payday loans online

    ResponderExcluir
  2. Anônimo5:40 AM

    [url=http://buyaccutaneorderpillsonline.com/#15062]buy cheap accutane[/url] - cheap generic accutane , http://buyaccutaneorderpillsonline.com/#10943 buy accutane online

    ResponderExcluir
  3. Anônimo7:10 AM

    [url=http://buyaccutaneorderpillsonline.com/#8539]accutane online without prescription[/url] - buy cheap accutane , http://buyaccutaneorderpillsonline.com/#5461 buy cheap accutane

    ResponderExcluir
  4. Anônimo5:39 PM

    [url=http://buyaccutaneorderpillsonline.com/#19806]buy accutane[/url] - order accutane , http://buyaccutaneorderpillsonline.com/#20198 buy accutane online

    ResponderExcluir
  5. Anônimo12:37 AM

    [url=http://buyaccutaneorderpillsonline.com/#16066]accutane online[/url] - accutane online without prescription , http://buyaccutaneorderpillsonline.com/#3835 generic accutane

    ResponderExcluir
  6. Anônimo11:25 AM

    [url=http://buyonlinelasixone.com/#891]lasix online[/url] - buy lasix , http://buyonlinelasixone.com/#3260 cheap lasix

    ResponderExcluir
  7. Anônimo12:54 PM

    [url=http://buyonlinelasixone.com/#4319]lasix no prescription[/url] - buy cheap lasix , http://buyonlinelasixone.com/#11864 buy lasix online

    ResponderExcluir
  8. Anônimo11:49 PM

    I've been browsing online more than three hours today, but I by no means discovered any attention-grabbing article like yours. It's beautiful value sufficient for me.
    In my opinion, if all webmasters and bloggers made excellent content as you
    probably did, the internet can be a lot more helpful than ever
    before.

    Also visit my web-site: polo outlet store

    ResponderExcluir
  9. Anônimo2:22 PM

    Hey there, I honestly liked your site and believe a lot of folk would really appreciate
    this as well.Will you object if I shaeed it using my Flickr community?


    Have a look at my site: e cigarette flavours malaysia ()

    ResponderExcluir
  10. Anônimo4:19 PM

    "And I can see you - Your brown skin shining in the sun - You got your hair combed back - Sunglasses on baby".

    Top of the line bottle of spray getting brownish naturally solutions typically
    result in a stunning bronze tan, nevertheless usually the
    perfect solution is occurs way too formidable or perhaps you lose an area.
    It uses radiofrequency energy to get rid of the signs of aging.


    Also visit my web site; spray tanning salons near you

    ResponderExcluir

Quem sou eu

Minha foto
Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.