segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Fidel, invicto e imortal

O primeiro que posso dizer é que o mundo sem Fidel não será o mesmo.

O segundo que posso dizer, porém, é que o mundo não viverá sem Fidel jamais.
 Sua obra e seu exemplo, sua coragem intrépida e invicta e sua firme coerência deixaram sementes por toda a ilha, o território livre das Américas, e por todo o mundo.

Mesmo que uns trapaceiem e outros se rendam, mesmo que muitos vacilem e traiam, mesmo que tantos outros, os vermes, se imaginem em armas para a vingança torpe, haverá um Fidel Castro entre os oprimidos e inconformistas. 

O Quixote que atravessou incólume a fuzilaria de uma tropa treinada para matar e subiu à Sierra Maestra com menos de 20 homens naquele 2 de dezembro de 1956 ganhou o mais sagrado dos panteões que permanecerá como um facho de luz da ilha caribenha, onde plantou com Che Guevara e um punhado de bravos os fundamentos de um HOMEM NOVO, dourado pelos valores da solidariedade, da igualdade, da justiça e da generosidade. Valores que nos envolvem com os sonhos de felicidade e vida eterna.

Esse herói de todas as procelas, vencedor de todos os combates,  estava bem ali, a 140 Km do império mais arrogante, corrupto e desnaturado da história recente. E, no entanto, jamais se curvou aos 9 presidentes que se sucederam  nos EUA, tendo como meta derrubá-lo e destruir a primeira república socialista do Continente.

Toda a tecnologia criminosa da CIA e outras agências norte-americanas deram com os burros n'água. Até e mesmo a guerra química com o despejo da dengue hemorrágica importada da Ásia e o perverso bloqueio econômico, programado para matar os cubanos de fome, conseguiram levar Cuba à rendição.

O HOMEM NOVO e o respeito do povo por um líder íntegro e incansável repeliram toda a crueldade e ainda inocularam nas bestas reacionárias a frustração e o ódio que fazem desses imbecis uma gente infeliz e amarga.

Falo de Cuba com a autoridade de quem esteve lá logo no começo do governo revolucionário,  em julho de 1960, quando ainda tinha 17 anos. E de quem foi trabalhar lá no ano seguinte, já com 18, como editor de língua portuguesa da Rádio Havana. E de quem vai lá de vez em quando, sempre compensado por tudo de belo e profundo que a inspiração de Fidel Castro, o grande vencedor, legava e legará sempre ao povo deste território livre.


PS. Ir a Cuba, aliás, não custa muito. Mesmo como a saúde abalada ainda espero rever a heróica ilha que deu ao mundo  um revolucionário de verdade.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

A vitória do eleitor amargurado

Bem que eu disse: qualquer um dos dois candidatos presidenciais nos EUA dava no mesmo e qualquer um podia vencer devido ao alto índice de eleitores boçais que foram criados como os donos do mundo.


São 5 e 10 da manhã desta quarta-feira e o arrogante Donald Trump, que melhor espelha o sentimento de amargura e frustração dos náufragos da decadência, já pôs a mão na taça.

Há dias dava para antever a reação dos brancos trogloditas. Aquele que fosse mais agressivo e fizesse mais promessas absurdas ganharia.  O bilionário trapaceiro botou pra quebrar e vergou a adversária, que não passava de um dondoca de passos ensaiados. Uma armação compensatória do capricho conjugal e nada mais.

Aconteceu o desenlace da globalização. Um novo formato colonial ferrou milhões de norte-americanos, que viram fechar suas fábricas obsoletas. Empress como a Nike passaram a fabricar suas bolas no Paquistão; outras correram para  China. O capitalismo não tem pátria, tem lucros. Os trabalhadores ficaram a ver navios com produtos made in China.

A ideia era concentrar os investimentos no setor terciário (serviços) e no desenvolvimento da tecnologia, que fechava milhões de postos de trabalho. Estava configurado o novo modelo e aberta a porta de um crise profunda, social e existencial.

Obama foi a última carta de uma farsa primária. Falou contra a guerra e mandou cem mil americanos para o Afeganistão logo no primeiro ano de governo. De olho no petróleo mais barato do mundo, ajudou a destruir a Líbia e, de quebra, está patrocinando a guerra na Síria.  Cito para lembrar que democratas e republicanos são a mesma insanidade.

Agora, querem saber se o Trump vai fazer o que balizou sua campanha xenófoba: eu acho que sim, que vai meter os pés pelas mãos, vai perseguir 11 milhões de emigrantes sem documentos e erguer sua muralha na fronteira com o México, além de detonar o Nafta e outros pactos. E moverá uma política externa à base do medo. Fará tudo o que a civilização decadente precisar para resgatar a lenda do povo superior. Isso quer dizer: vai sobrar para todo mundo.


Isso vai afetar as relações com o mundo, inclusive com o Brasil do golpe, que vem abrindo as pernas para o capital estrangeiro. E não tem a menor importância para Trump. Vai ser um Deus nos acuda. Falaremos mais, porque estão resgatando a sentença do Juracy Magalhães, ministro da ditadura: o que é bom para os Estados Unidos, é bom para o Brasil.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

PDT ou larga Pezão ou se ferra

Essas medidas covardes anunciadas pelo governador Pezão, que incluem até confisco de 30% dos já parcos salários dos servidores e aposentados do Estado, deixam o PDT sem escolha. A menos que esteja a fim de tripudiar sobre a memória de Leonel Brizola, só resta ao partido que ele fundou como "caminho brasileiro para o socialismo" ir para o confronto na liderança da oposição., com o compromisso de lutar na Assembléia Legislativa contra essa monstruosidade inconstitucional.

 ESSE ROMPIMENTO TEM DE SER PÚBLICO E ROTUNDO, ANUNCIADO NA TRIBUNA DA ASSEMBLÉIA E EM NOTA OFICIAL DA EXECUTIVA. NELE, DEVE SER DESTACADO A CONDENAÇÃO FORMAL A ESSE PACOTE QUE ATÉ AGORA NÃO MERECEU COMENTÁRIO DA BANCADA E DO PARTIDO DE BRIZOLA.


Se ficar próximo a esse governo, o PDT não terá nem como sonhar em lançar a candidatura de Ciro Gomes à presidência. O partido irá para a vala comum das legendas sem recato e ainda levará junto aquele que tem tudo para ser uma alternativa do campo progressista em 2018.
Acredito que a direção do PDT está refletindo sobre esse desembarque OSTENSIVO tal é o compromisso histórico do brizolismo com o povo trabalhador e com os pobres que serão igualmente sacrificados.
Melhor que a iniciativa parta da direção partidária. Pior será se, na contingência de calar diante desse massacre, o PDT acabe cobrado por suas bases com movimentos radicalizados. Isso porque jamais em tempo algum, nem mesmo na época do regime militar, se lançou a conta da incompetência e da má fé nas costas do povo trabalhador de maneira tão perversa e irresponsável.
É hora de uma decisão que aponte o lado reservado ao brizolismo, o lado do povo trabalhador.

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Uma escola para imbecilizar

Pode-se dizer sem medo: com essa "reforma" idiota, o ensino no Brasil será a maior balela de sua história, confinando a rapaziada a um campo de concentração do conhecimento zero. 


Nem na dita cuja o obscurantismo invadiu a sala de aula com tanta voracidade mórbida. Mas nesse ambiente da mais contundente impostura não surpreende que queiram formalizar a escola de imbecis já moldada em prosa e versos pela mídia imperatriz.

Desse governo de assaltantes nada me surpreende. Mas, sinceramente, a súcia que está na coxia incita à geração de estúpidos em escala nacional. Tal é o âmago desse coice despudorado de alto teor imbecilizante que reduz o ensino médio à cartilha do ABC e à tabuada.

Essa medida provisória açodada vai ser empurrada goela adentro de um congresso mercenário e traquinas, além do que, de cabeças ocas e analfabetismo funcional.

O escopo é enfiar as cabeças juvenis na ignorância tutelada. Nada do amplo saber, essencial para o aprendizado da cidadania e a compreensão das causas e do comportamento.

Todos ganharão uma carteira de imbecil com o carimbo da República. Já emasculados, os jovens chegarão à Universidade de  antolhos e uma
 Exigência elementar: sabe ler, escrever e fazer as 4 operações. Somando-se curiosamente  ainda o vírus colonial da língua da matriz, premissa de um país capacho.

Serão esses os doutores da ignorância de encomenda?  Doutores que saberão soletrar e fazer contas, numa distância solar do que precisariam saber para ser mais do que canastrões saídos  de uma escola que vai gastar mais de mil horas na mais cara conversa mole de um varejo farsesco e especializado na formação de subalternos  sem eira, nem beira.        


Essa, sim, será mais uma manobra golpista que vai comprometer a soberania nacional e espalhar o estado de ser imbecil como glória e mérito louváveis. 

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Não estou triste, porque lutar é viver


Digo-lhe do fundo do coração, com toda sinceridade: não estou triste por mim, não estou mesmo. Como sempre, não foi por mim que fui mais uma vez à luta, aos 73 anos, e uma saúde em pandarecos.

Decidi pela candidatura contra minha própria lógica. Tudo porque não suportei algumas indignidades em curso – da visível destruição da profissão de taxista por uma multinacional invasora à supressão escamoteada da previdência social.

Queria uma cidadela onde montar a trincheira em condições de ecoar o grito dos rapinados. Era tarde demais. Estou morando longe, onde o vento faz a curva – uma opção pessoal de exílio doméstico. Não tinha um tostão a mais para bancar os passos, que a disputa eleitoral, vendo por dentro, continua cara e sujeita a trapaças.

Imaginava-me um dom Quixote a devastar os moinhos do retrocesso, uma pretensão idílica dos tempos idos. Teimosia pura. Se não conseguia dar cem passos pelos jardins primaveris, como fazer-me presente na zona do agrião?

Tentei voltar atrás logo no começo. Mas não me deixaram. Prometeram-me e não entregaram. Tinha de acontecer isso mesmo.

Não havia nenhuma similitude entre eu e o prefeitável a que o PDT se atrelou por uns nacos do poder. Sabia que o alcaide vacilão operava com sua máquina  corruptora em favor dos seus escolhidos dentro da legenda satélite. Mas não havia tempo nem vontade de sair outra vez da criatura de Brizola que virou as costas ao seu criador.

Percebia também que certas categorias agem como se conformadas com o inferno em que se acham. Tentei alertar a alguns sobre a realidade adversa. Mas não foram muitos os que tiveram clareza para discernir. Alguns são cabeçudos, mesmo. Preferem a mentira que lhes alimente as ilusões.

Felizmente, na escolha dos prefeitos a máquina enguiçou. Haja o que houver no segundo turno, o trono dos piores hábitos já despencou. Foi a melhor compensação e a luz no fim do túnel de quem um dia conviveu com a cara e a coragem de um caudilho determinado, que não se vendia, não cedia e nem se rendia.

Vou ter que retomar os vários tratamentos – do câncer encurralado à obesidade danosa. Da diabete antiga à diverticulite recente. Da visão e da audição. E de mais um monte de coisas que compõem a antessala da tragédia fatal.

Mas enquanto vida eu tiver, estarei atento, mesmo nesta vargem longínqua. E continuarei esperneando, mesmo com as cãibras nas pernas.

Porque lutar é viver. É minha única forma de sobreviver a toda e qualquer tempestade. 

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

VOTAI E MULTIPLICAI-VOS

(Um apelo a todos que me conhecem e ainda acreditam que é possível virar o jogo).

Aos 73 anos, estou voltando a disputar um mandato aqui no Rio de Janeiro, com a esperança de que alguma coisa mudou depois de tudo que aconteceu. E se tomei essa decisão foi contando com o apoio efetivo dos que me conhecem, sabem da minha coerência e do meu compromisso e entendem meu retorno à Câmara Municipal do Rio de Janeiro como um passo contra o atraso, pois um vereador honesto e combativo não tem limites nas causas justas que abraça.

SEU APOIO SERÁ DECISIVO NO COMPARTILHAMENTO E NA MULTIPLICAÇÃO DA NOSSA MENSAGEM. O número 12123, associado à Lei que libertou milhares de taxistas auxiliares de um regime sem garantias trabalhistas de espécie alguma será de fácil assimilação. Hoje é toda a categoria profissional que corre o risco de extinção com o aparecimento consentido de uma concorrência desleal patrocinada por uma multinacional inescrupulosa.  Resgatar a dignidade laboral dos taxistas é uma bandeira prioritária como condição para garantir a sobrevivência digna de outros profissionais.

Mas há também uma causa de âmbito nacional que um vereador pode questionar e mobilizar. É a fraudulenta manipulação dos números para inviabilizar a aposentaria, a partir da fixação de uma idade mínima de 65 anos, idade em que são poucos os brasileiros que permanecem no mercado de trabalho. E junto com ela a amputação de direitos trabalhistas – ambos operando o desemprego e o sub-emprego, em função de que os cidadãos serão punidos por viverem mais.

Meu nome jamais foi manchado por qualquer desvio de conduta ou vacilação, seja nos idos tenebrosos que me custaram a liberdade, me valeram a tortura e me levaram ao sacrifício brutal com a família, seja no exercício de cargos públicos e de mandatos legislativos nos dias recentes.

Serão muitas as trincheiras que cavaremos. Há uma exacerbação de interesses espúrios que poderá nos levar irresponsavelmente ao caos.  A classe política parece que ainda não se tocou no mal que faz ao povo com seu jogo duplo em busca tão somente do enriquecimento fácil. A má fé continua a pautar suas atitudes.

Tenho uma história do bom combate desde os 15 anos, ainda no Ceará. Aos 16, estava no Rio como diretor da UBES. E mal chegava aos 18 anos já trabalhava como repórter do jornal ÚLTIMA HORA.

Crítico sem papas na língua, comi o pão que o diabo amassou em 1969/70, quando fui encarcerado e torturado naqueles idos tenebrosos, justo quando já estava muito bem na carreira profissional, como Chefe de Redação da TRIBUNA DA IMPRESA, de Hélio Fernandes,  o grande guerreiro do jornalismo.

Na vida pública, fui subprefeito da Zona Norte (coordenador de administrações regionais), pus fiscal corrupto na cadeia e imprimi a minha marca de INCORRUPTÍVEL. Fui duas vezes secretário de Desenvolvimento Social da Prefeitura, onde fiz muito com pouca verba, que uma administração honesta multiplicava. Funcionários da SMDS e comunidades sabem muito bem do que estou falando.


Minha eleição está em suas mãos, no seu poder de multiplicação.  É essa ajuda que peço com a firme convicção de que optar pelo meu nome é um ato de lucidez e comprometimento com o Brasil que ainda povoa nossos sonhos.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Estado de direito, uma pútrida mentira



Como tenho dito, o estado de direito no Brasil é uma pútrida  mentira, é uma falácia, uma fraude, um vetor de um novo tipo de arbítrio, aquele burilado entre punhos de hipocrisia, sofisticado por doutores da lei, que usam e abusam de monstruosos podres poderes.

Direi até que só tem uma diferença do velho regime d'armas – um metia o cacete para obter delações, outro oferece a porca impunidade para quem, sabidamente em delito, ajudar a incriminar alvos previamente selecionados.

Não escrevo para livrar a cara de ninguém. Mas silenciar diante de um espetáculo nazista, onde fiscais das leis exuberam a retórica da condenação sem provas como instrumento de burla legal, ah, isso não me peçam, que já percorri muitas léguas de caminhos empoeirados.

O vírus do arbítrio a todos atinge, não interessa quem for. Pode acontecer na coxia, como no caso que poderá levar ao sepulcro toda uma classe tradicional, a dos TAXISTAS, regulamentada, sujeita a mil açoites porque uma multinacional descobriu a pólvora, na mais danosa ilegalidade, mas coberta por juízo de interpretação hermenêutica insustentável.

Mas pode subir ao topo, onde a mediocridade de meia boca produz agressões ao direito de fazer corar o mais despreparado dos acadêmicos.

Nesse caso, estamos diante de uma catástrofe apocalíptica que pode se reproduzir aos cântaros sobre qualquer cidadão, algo  emanado certamente da insuficiência existencial.

Quando a acusação diz que não tem provas, mas tem convicção, e queima um prócer da história como o "general que estava no comando da imensa engrenagem" de um tenebroso esquema, aí qualquer cidadão, independente de simpatias políticas, deve por as barbas de molho.

A própria impostação verborrágica desses procuradores excitados dá o tom da inversão das normas, no cultivo deletério da criminalização sorrateira.

Isso tem um peso amargo e ameaçador nos nossos destinos. Em memória, haveremos de lembrar os maus cheirosos fanáticos da ocultada TFP –Tradição, Família e Propriedade -  que ocupavam as esquinas com seus estandartes medievais. Não é produto da senilidade confundi-los nestes capítulos recentes, como se estivéssemos agora diante de uma nova colheita transgênica de ervas do ódio robusto.

Há também a ressurreição atômica dos juízes do III Reich nazista, que massacravam por ter e por não ter cão. Que tornavam "verdades" e massificavam as podres mentiras de que se nutriam.
Há qualquer coisa de trágico nessa ofensiva violenta que pretende prostrar e imobilizar alguém      que pode voltar à lide com o fito triunfal  do resgate, tal como aconteceu com o velhinho dos pampas.

É nisso que o bom entendedor deve decifrar as meias palavras daqueles mancebos que impactam o cenário enquanto o traíra se enrola em suas próprias pernas, hesitante e ébrio pela usurpação pecaminosa.

E é por causa dessa orquestração lancinante que ponho os meus 73 anos na geladeira e soergo o grito de uma resistência que há de ter a legitimidade incidental das urnas.


Por que uma trincheira do bem pode se multiplicar no ecoar corajoso e honesto de seus gritos de guerra.

domingo, 4 de setembro de 2016

A diferença é política. Na Linha Vermelha não há pedágio. Exigiu Leonel Brizola, seu construtor

Existem quatro grandes vias no Rio de Janeiro (não falo aqui na extorsão da Via Lagos, nem na Via Light, com 10 km).
A mais antiga é a Ponte Rio Niterói, com 13,25 km, construída no regime militar. Só cobra pedágio de ida (R$ 4,50). A Linha Amarela, construída pelo prefeito Cesar Maia, com 15 km, cobra ida e volta (com pedágio em Água Santa), R$ 5,90 cada uma. Foi a primeira via inteiramente urbana a ser pedagiada, uma ilegalidade que perdurou até o Congresso aprovar a Lei 12.587/2012 (Lei Federal da Mobilidade Urbana).
Já a Linha Vermelha, de 21 KM, dos quais 2,8 sobre o mar, que foi construída pelo governador LEONEL BRIZOLA, não cobra um centavo de pedágio. O então governador fechou questão, contraindo até membros do seu secretariado.

O vereador Eduardo Moura chegou a aprovar uma Lei pela qual quem voltasse em duas horas estaria isento da segunda cobrança. O prefeito Eduardo Paes vetou. A Câmara derrubou o veto. Mas aí a Justiça enterrou a o benefício.
Este ano, o prefeito Eduardo Paes inaugurou a Transolímpica (com 26 km, sendo 13 de via expressa) ligando o Recreio a Deodoro. Num espaço em Sulacape, o mesmo esquema de pedágio da Linha Amarela (R$ 5,90).
Deu para você notar por que detonaram Brizola? Entendeu a diferença de políticas públicas? Se já pagamos IPVA e outras taxas rodoviárias, por que morrer em mais uma grana para concessionárias privadas?

VOTE CONTRA OS PEDÁGIOS EXTORSIVOS

PEDRO PORFÍRIO 
VEREADOR – PDT – 12.123

Querem detonar a previdência



O que querem fazer com a Previdência Social é uma baita sacanagem. Na prática ela vai pro brejo. Querem a idade mínima de 65 anos para a aposentadoria, mas não dizem como você vai se virar se perder o emprego depois dos 50. Pior: vão acabar fechando milhões de vagas de trabalho por que a fila não vai andar. Quem começar aos 18, terá de contribuir por 47 anos para poder pleitear a aposentadoria. Dou uma mariola a quem disser como vai sobreviver o operário da construção até chegar à idade mínima.


O mais perverso é que mentem sobre a situação real da Previdência. Falam num tremendo rombo, mas a Associação Nacional dos Auditores Fiscais contesta: Mesmo no ano passado, em meio a crise, a seguridade social teve um superávit de 24 bilhões de reais.

Vote NÃO à "reforma" que obriga ter 65 anos para aposentar.

Pedro Porfírio, PDT 12.123
21999822545

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Alianças locais são alianças locais



Nessa balbúrdia geral em que se transformou a política brasileira, a presença de Ciro Gomes num evento do PDT carioca em apoio a Pedro Paulo, o candidato do PMDB à Prefeitura, provocou uma tremenda celeuma, eivada de cobranças.
Jornalões caíram de pau porque o presidenciável é um dos mais apimentados críticos do PMDB, visto e apontado por ele como o pior antro da criminalidade política.
Setores da "esquerda", inclusive quem ainda participa do governo local por baixo dos panos, também se queixaram, principalmente pelo voto coagido de Pedro Paulo a favor do impeachment, decepcionando aqueles que testemunharam o carinho e apreço de Lula e Dilma com o prefeito Eduardo Paes, que abriram as torneiras para fazer das olimpíadas no Rio um evento de primeiro mundo.
Não sei se foi bom para Ciro Gomes expor-se nessa dividida.  Embora seja regra pétrea o apagar do dia passado, acho que tudo faz parte de uma grande ginástica e de um malabarismo de risco mal calculado.
Eleições municipais são eventos locais de baixo teor político. Trabalha-se em função de espaços restritos de alcance limitado. Cada caso é um caso, cada aliança é uma aliança no âmbito de interesses não extensivos.
Mas é bom que tudo se faça às claras, como aconteceu. Nada de farsa, de adultérios escondidos a sete chaves. Assim, fica o povo sabendo que o móvel de acordos tem tais e quais componentes, cabendo-lhe fazer seu próprio julgamento.
O mais é hipocrisia num jogo sujo que esconde atos profanos emoldurados.  Eu acho que o PDT tem de pensar maior, pois está para oferecer à distinta platéia o presidenciável mais preparado para horas tão conturbadas.
Mas não me sinto arranhado pela aliança d'agora numa cidade tão desafiadora como o Rio de Janeiro, embora ressalte não seja a minha a mesma fala do trono local.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

O caos planejado

Ficou combinado assim: após a destituição de Dilma pelo Senado,  Temer e sua turma vão fazer o estrago, começando pela desfiguração do Pré Sal junto com o desmonte da Petrobrás (pleito de Serra) e  forçando a barra em duas "reformas" gêmeas, vendidas como a salvação da lavoura: o aniquilamento da previdência social pública e a amputação dos direitos trabalhistas.

Estamos falando de compromissos vorazes que vêm ganhando força desde Collor e FHC, passando pelas mãos trêmulas de Lula e de Dilma. No caso da Previdência, os grandes bancos, insaciáveis em suas carteiras de "produtos de alta rentabilidade", já estão fazendo o meio do campo.

O eixo dessa quarta "reforma" é a idade mínima de 65 anos para a aposentadoria, mas os leiloeiros do governo interino querem fulminar até quem já goza do benefício – e não apenas os noviços do mercado de trabalho. JÁ ESTUDAM NOITE À DENTRO A REDUÇÃO DAS PENSÕES AO MÍNIMO MINIMORUM. Esse vacilo pegou a Dilma em dezembro de 2014, mas ela teve a lucidez de voltar atrás, o que não se espera dos deslumbrados que estão decididos a chutar o pau da barraca, doa em quem doer.

Para variar vão repetir a mesma lengalenga que criminaliza quem viver mais. Os idosos teimosos serão expostos em vitrines eletrônicas como os grandes culpados – os idosos civis, os militares que podem dar baixa ainda maduros, não. Nem certas categorias de privilegiados. Lembre-se, para dormir com esse barulho, que a moçada do Judiciário faz movimento em sentido contrário, para ficar mais tempo com o saboroso poder decisório.

A coisa é tão ardilosa que a maioria do povo acredita piamente que o grosso do funcionalismo é de marajás, o velho e surrado discurso que pegou na primeira direta depois da ditadura. Segundo pesquisas recentes, encomendadas pela CNI,  o populacho acha que a "solução"  está em massacrar os servidores, reduzindo os parcos vencimentos.  Fazer o que?

Você não tem ideia do que vem por aí com a "reforma" trabalhista. Para ser breve, imagine a CLT rasgada e picotada.  Será o caos planejado. Já não é fácil chegar aos 65 anos trabalhando – o que se pagou antes vai sumir se você ficar fora do mercado. Haverá emprego para quem tem mais de 50 anos? Duvido d-o-do.

Por fim, por hoje, vale repetir: com essas ideias de jerico a turma da pesada vai inviabilizar a vida dos jovens, que já começam (quando começam) no prejuízo e ainda os destitui de qualquer segurança laboral. Já estou vendo o quadro patético que terá o domínio absoluto do patronato feudal.

Só quero ver a cara de quem foi para a rua servir o dorso para essa sacanagem.

Estaremos lá e esperamos você


domingo, 10 de julho de 2016

Não basta cassar Cunha: por tantas falcatruas, seu lugar é na cadeia

Espera aí: os crimes bilionários de Eduardo Cunha não se resolvem com a cassação do seu mandato: se a Justiça não vacilar, o seu destino será a cadeia.  Portanto, não está em jogo apenas se a Câmara vai poupar-lhe o mandato em troca da renúncia à sua presidência. Isso em si é um escárnio e poria o próprio Judiciário no banco dos réus.


Todo mundo sabe que sua renúncia espetaculosa está conectada com uma contra partida abençoada pelo o presidente interino, com quem conversou na calada da noite do último domingo no Palácio Jaburu. Como aconteceu com o senador Romero Jucá, ele sairia do trono, mas, ainda parlamentar, continuaria fazendo a interlocução com a numerosa quadrilha que comanda.

O entrelaçamento entre o governo do interno e a grande maioria de pilantras de carteirinha parlamentar está ferreamente condicionado. Sem Cunha como moderador na área, a turma da pesada vai ser desintegrar e recorrer ao FARINHA POUCA, MEU PIRÃO PRIMEIRO.

O acordo que produziu o golpe é de múltiplas facetas. De um lado, blinda os agraciados de sustos lacrimejantes.  De outro, engaveta a legislação anticorrupção que chegou à Câmara com as assinaturas do Ministério Público e adesão de mais de dois milhões de brasileiros. Temer já está cumprindo sua parte, retirando a rubrica de urgência para votação, por que ele também tem culpa no cartório.

Hoje há um clima de perplexidade geral que se abaterá torrencialmente sobre as próprias eleições municipais com chances de ser desprezadas por eleitores ainda estonteados pelos últimos acontecimentos.

Esse ambiente degenerado pode ter seu lado inesperado: o Senado, cada vez mais vazio de justificativas para a deposição de uma presidente eleita,  pode cair na real e negar os votos necessários ao impeachment.  E Dilma estaria de volta com uma visão mais ampla dessa desafiadora ciência de governar.

Vale aqui apenas um ponto de referência: enquanto o pai de chiqueiro estiver livre  com os bilhões roubados as instituições não passarão de caricaturas desprezíveis.


E aí a crise será do salve-se quem puder.

sábado, 25 de junho de 2016

A direita feroz ressurge lá como cá

Se pensas que essa decisão (apertada) dos britânicos, optando por saírem da UE, não tem nada com você está redondamente enganado (a).
Motivada pela liberdade de migração entre as 28 nações do bloco, ela traz o ranço do ódio xenófobo e vai alimentar atos semelhantes em outros países, influindo até nos Estados Unidos, onde o crescimento de Donald Trump não é à toa.

Pelo espaço que ganhou na mídia sinaliza a desfiguração da União Européia e vitamina os partidos intolerantes de direita, para os quais todo imigrante é um suspeito de terrorismo e de banditismo, alguém que também ameaça seus empregos.

É um tiro no pé, porque a formação do bloco, a partir do seu primeiro ensaio em 1957, criou condições favoráveis nos negócios externos e fez a Europa ressurgir como uma poderosa potência de 500 milhões de habitantes.

Mas a propagação do medo como ferramenta de propaganda teve um grande peso nas regiões mais atrasadas, em contraste com Londres, que acaba de eleger um prefeito muçulmano, filho de imigrantes paquistaneses.  Já levou também a um desconforto em dois dos quatro países que formam o Reino Unido, Escócia e Irlanda do Norte, onde a maioria votou pela permanência, já querem fazer consultas separatistas, como aconteceu há pouco entre os escoceses que por pouco não saíram do Reino Unido.

Mesmo apertado, o resultado do referendo mostra uma tendência para a direita em muitos países, inclusive na América do Sul, onde uma elite recalcitrante não aceita nenhum avanço social que possa afetar a pirâmide social sustentada por milhões de subalternos explorados sem dó nem piedade.

E por que a direita cresce a olhos vistos?  Debater e diagnosticar esse retrocesso é uma exigência a quem não quer tapar o Sol com a peneira.  Aqui no Brasil é ostensivo o inchaço dos bolsões conservadores, muitos assustados com a violência urbana e a fartura de leis lenientes e condescendentes.

Ao clima de incertezas do fracasso na segurança pública sobrepõe-se hoje a paranóia generalizada e todas as notícias trágicas estão produzindo reacionários tensos e impacientes. O sentimento de vingança é ostensivo e não foi ao acaso que o governo do Estado do Rio enganou por um bom tempo a população com a receita das UPPs, que tornam as comunidades pobres áreas sob ocupação militar.


Não é essa a única causa. Mas é preciso procurar conhecer com serenidade as raízes do ressurgimento dessa direita até entre as classes sociais mais sacrificadas.

domingo, 12 de junho de 2016

Olimpíadas extravagantes

A Grécia começou a afundar depois das olimpíadas de 2004

Provavelmente você não concordará comigo, mas eu acho que a realização das olimpíadas no Rio de Janeiro é uma traiçoeira bola nas costas, que só serve para locupletar empreiteiras corruptoras, políticos corruptos e negócios temporários.
É uma extravagância que poderá ter por aqui o mesmo efeito nocivo dos jogos de Atenas, em 2004, ano em que a Grécia teve um baita prejuízo e precipitou sua crise homérica.

Segundo o governo grego, os jogos custaram 8,5 bilhões de euros aos cofres públicos – o dobro do orçamento original. A maior aposta do comitê grego foi a construção do Complexo Olímpico Helliniko, com cinco estádios. Doze anos depois, o local acumula "elefantes brancos", como o ginásio de tênis de mesa e ginástica, que está à venda, e os estádios de volêi de praia e softball, abandonados. O plano de transformar Helliniko em um parque metropolitano nunca foi efetivado.

Nós já tivemos a primeira lição com os jogos pan-americanos. Façam as contas e verão que a cidade só perdeu, enquanto as construtoras tiraram proveito de obras mal feitas, inclusive a própria Vila do Pan, onde morar lá hoje é uma temeridade.

Para realizar todos os jogos previstos pelo comitê olímpico gastaram os tubos em equipamentos para modalidades totalmente alheias aos nossos hábitos esportivos, que não terão nenhuma serventia depois.

Essa história de que a maior parte das despesas é de empresas privadas é uma balela. Elas pegaram o filé mignon, como a Vila dos Atletas, que já estão sendo comercializadas.

O inventário das contas vai mostrar um tremendo logro sobre todos os brasileiros. E para variar as despesas passam do previsto: já alcançaram R$ 39,6 bilhões. O orçamento previsto originalmente era de R$ 24,6 bilhões.

Esses valores estão muito abaixo do real.  Custos com segurança serão delirantes. Além da Força Nacional de 13 mil homens, das tropas regulares e da polícia estadual (em apoio) serão gastos também R$ 252 milhões com empresas particulares, que responderão por 59% das áreas olímpicas.

O mais emblemático dessa sequência de erros foi a doação do velódromo do Pan para a Prefeitura de Pinhais, no Paraná.  Os números mostram a leviandade no trato do dinheiro público: Na época da construção, entre 2006 e 2007, foram investidos R$ 14 milhões (R$ 20 milhões em valores atualizados) para levantar a obra na Barra da Tijuca. Agora, os custos para demolição, transporte, segurança, depósito e remontagem na cidade paranaense estão orçados em mais de R$ 22 milhões, dinheiro proveniente do Ministério do Esporte, incluído no Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) das Olimpíadas.

Para os Jogos Olímpicos, porém, a conta do ciclismo de pista fica ainda mais cara, já que um novo velódromo está sendo construído. A previsão é de um custo aproximado de R$ 140 milhões. Entre a montagem, desconstrução e a nova obra, os custos para se ter um velódromo apropriado no país-sede do Rio 2016 chegam, então, a  R$ 176 milhões.


E por aí vai.

sábado, 28 de maio de 2016

Aposentadoria como exceção

Antes de mais nada vou logo dizendo: esta história de que a Previdência Pública está falindo e levando o Brasil junto é pura falácia, é jogo baixo para minar o sistema e abrir caminho para os bancos insaciáveis que estão se aproveitando desse clima para aumentar sua carteira de clientes, como aconteceu com os planos de saúde privados quando o sistema público foi sucateado.  (Hoje 15 milhões de brasileiros já contribuem para esses planos – apenas 100 mil concluíram os prazos e gozam do benefício, em contraste com os 5 milhões de antes da "reforma" de 2003).
Não sou eu quem diz: auditores fiscais da Previdência têm elaborado criteriosos estudos em que demonstram a viabilidade do nosso modelo. Quando falam em bilhões de rombo, omitem que os empresários rurais sonegam, embora existam mais de 6 milhões de brasileiros recebendo como aposentados e pensionistas do campo. Nesse caso, os latifundiários deveriam pagar o equivalente a 1,5% do seu faturamento. E sonegam, manipulando os balancetes.

Segundo lideranças sindicais, esse rombo "rural" soma hoje 89 bilhões de reais.

Mas não é só isso: desde 1988 sucessivos governos se apropriam do dinheiro de alguns impostos previstos na Constituição para complementar a receita direta da Previdência.  E ainda se dão ao luxo de desobrigar empresários da contribuição plena, no conjunto de renúncias fiscais lesivas.   

Embora trate de um período que vai de 1990 a 2005, a professora Denise Lobato Gentil, do Instituto de Economia da UFRJ, mostra que é falsa a crise no sistema de seguridade social no Brasil.

"Este cálculo (de déficit) não leva em consideração todas as receitas que devem ser alocadas para a previdência social, conforme estabelece a Constituição Federal no Artigo 195 e seus incisos, deixando de computar recursos significativos, provenientes da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). O resultado é um déficit que não é real. Se for computada a totalidade das fontes de recursos da previdência e deduzida a despesa total, inclusive os gastos administrativos com pessoal, custeio e dívida do setor, bem como outros gastos não-previdenciários6, o resultado apurado será um superávit de R$ 8,26 bilhões em 2004 e de R$ 921 milhões em 2005, conforme pode ser visualizado através das Tabelas 1 e 2 que contêm o Fluxo de Caixa do INSS. Esse superávit, denominado superávit operacional, que é uma informação favorável – e que pode ser apurada pelas mesmas estatísticas oficiais –, não é divulgado para a população como sendo o resultado da previdência social".

Dentro das propostas de "reforma" da Previdência, estão quebrando lanças para estabelecer a idade mínima de 65 anos para pleitear a aposentadoria. E isso com validade inclusive para quem já está no mercado de trabalho.

 AÍ EU PERGUNTO: QUANTOS TRABALHADORES PERMANECERÃO NO MERCADO DE TRABALHO ATÉ ESSA IDADE?

 Todo mundo sabe que é quase impossível conseguir emprego depois dos 50 anos.  O que teremos será uma multidão de trabalhadores sem o direito à aposentadoria quando chegar desempregada aos 65 anos.

Para agravar, como irmã gêmea dessa proposta excludente, o governo quer suspender as garantias da CLT, com a flexibilização do contrato de trabalho. Essa possibilidade existe pela força e autonomia da equipe econômica encabeçada pelo banqueiro Henrique Meireles. E por um certo "acordão" com o Congresso, onde a grande maioria é formada por representantes do capital.

Isso que escrevi hoje é não é segredo para ninguém. Faz parte da cartilha que será adotada pelo governo Temer sem constrangimento.  Mas, a bem da verdade, não é muito diferente das tentativas feitas quando Joaquim Levy e Nelson Barbosa davam as cartas no governo Dilma.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Democracia de cartas marcadas

E a "reforma política" também vai pro  brejo?


Pelo andar da carruagem, não se falará mais nisso. O Brasil foi sequestrado por 370 deputados e 56 senadores, corruptos até a medula, que se investiram dos máximos poderes e estão promovendo o maior retrocesso, uma ampla, geral e irrestrita destruição de tudo o que se conquistou nos anos pós-ditadura. De onde a diferença entre estes e aqueles dias iracundos deixou de existir, a não ser no figurino.

Só uma nova Constituinte sob  influência de uma ampla reflexão no eleitorado poderá resgatar as responsabilidades dos titulares desses podres poderes. Essa turma da pesada que chegou a Brasília no dorso do descuido generalizado já mostrou sua cara profana.

E a todos os poderes, se tivermos a prudência imprescindível, impõem-se salvaguardas cautelares.

Não tem sentido a existência de mandatos intocáveis no Judiciário, em confronto com a essência republicana. Não é sadia também a prática da reeleição em qualquer um dos poderes.

Não estou falando por falar.  Na Europa continental e em alguns países aqui mesmo, da América do Sul, os ministros das cortes judiciais superiores ganham mandatos por tempo determinado, com relata o mestre em direito Gustavo Augusto Freitas Lima:

"OS MEMBROS DOS TRIBUNAIS CONSTITUCIONAIS EUROPEUS EXERCEM MANDATOS POR TEMPO CERTO, COMO É O CASO DE PORTUGAL, ALEMANHA, ESPANHA E ITÁLIA (VELLOSO, 2003, ITEM 7), PARA FICARMOS APENAS COM ALGUNS EXEMPLOS. COMO APONTA EDUARDO RIBEIRO MOREIRA, O MANDATO NAS CORTES ALEMÃ E NA SUL AFRICANA É DE DOZE ANOS; NA ITALIANA E NA ESPANHOLA, NOVE; NA COLÔMBIA E NO CHILE, OITO ANOS; E EM PORTUGAL, SEIS ANOS[4] (MOREIRA, 2007, ITEM 4)".

Não casa com os parâmetros republicanos a existência de mandatos parlamentares sem limites. A reeleição para o mesmo cargo parlamentar é proibida pela constituição do México. Lá, onde deputados têm mandatos de 3 anos e senadores, de 6, ninguém pode continuar na mesma casa legislativa: se quiser, é permitida a disputa em outra casa.

Nada é mais esdrúxula e antidemocrática do que a divisão do tempo na propaganda paga pela Justiça Eleitoral. Quem tem maior bancada de deputados federais fica com a parte do leão. Os partidos menores ficam com o mínimo "minimorum".  Com isso, os grandes têm tudo para continuar nas cabeças, configurando um privilégio nada republicano.   

NA FRANÇA E EM OUTROS PAÍSES DA EUROPA O TEMPO É DIVIDIDO IRMAMENTE ENTRE TODOS OS PARTIDOS REGISTRADOS.  O resultado mais eloquente dessa equanimidade foi a eleição na Áustria, há alguns dias, em que dois partidos "pequenos" foram para o segundo turno e o Verde de centro-esquerda acabou vencedor a direita radical.


Se quisermos ter uma democracia de verdade devemos desmontar o esquema de perpetuação de castas de poder, que usam o Estado como baús de seus interesses insaciáveis. Se não tivermos essa democracia de verdade o Brasil será uma mera ficção de nação, prevalecendo a lei do mais esperto e os pactos bandidos, desses articulados para blindar a corrupção, como planejava Romero Jucá, presidente do partido mais danoso da atualidade.   

Golpe se enrola nas próprias pernas

Não faz muito tempo, escrevi aqui que o governo Temer+Cunha levaria muitos da gente fina a sacar a fria em que se meteram. Decepcionados com a fraude que alimentaram, poderiam rever suas atitudes, quando serviram o dorso ao golpe que transformou 513 deputados e 81 senadores em senhores das urnas. Na real, estavam surrupiando de milhões de eleitores e concentrando na quadrilha de corruptos que domina o Congresso os atributos naturais de um sistema presidencialista. Dessa impostura boa coisa não poderia acontecer.

Disse e deixei correr. Numa democracia só o poder saído das urnas se garante. Qualquer outro atalho não tem como prosperar, ainda mais quando é público e notório que essa conspiração se deu sob a égide da traição. TRAIDORES JAMAIS CONQUISTARÃO A CONFIANÇA DA MASSA, NEM QUE VENHAM COBERTOS DE OURO POR UMA MÍDIA EM CRISE MORAL E FINANCEIRA.
SÓ NÃO ESPERAVA QUE O GOVERNO FORJADO PELO GOLPE PARLAMENTAR FOSSE DESMORALIZADO EM QUESTÃO DE DIAS. Desmoralizado não apenas pelos bandidos que foram feitos ministros de Estado. A sequência de arrependimentos por decisões e declarações infelizes já revelava o alto grau de incompetência e despreparo dos golpistas. Nunca o dito pelo não dito foi tão farto, e essas vacilações estão mostrando que caímos em mãos trêmulas, porque sujas.
Essa gravação do cearense Sérgio Machado enterrou prematuramente o governo provisório. Ele podia ser o boi de piranha imaginado por Romero Jucá. E fazia parte da quadrilha peemedebista que o PT absorveu em má hora em nome da governabilidade, como se "o nada a opor" dos picaretas do Congresso fosse a única condição para fazer alguma coisa. Nesse caso, tratava-se de um ex-tucano, como Jucá e o Delcídio, e olha que o dito cujo ainda tem mais outras balas de prata.
Qualquer foca sabe que Romero Jucá é sócio no poder de Michel Temer, tanto como Eduardo Cunha. Eles formam a linha de frente da conspiração que cooptou as maiorias da Câmera e Senado para depor a presidente eleita, restaurar a impunidade e leiloar a preço de banana as nossas riquezas, indo além dos estragos da privataria tucana, e ainda oferecendo a cabeça dos trabalhadores aos "investidores" canalhas.
Com Eduardo Cunha dando as cartas em nome de sua súcia de políticos degenerados e outros SEM ESCRÚPULOS com as chaves do cofre não é exagero dizer que OS DIAS DE TEMER ESTÃO CONTADOS. Não se exagera nem mesmo em prever uma reviravolta no Supremo, que está muito mal na fita por ter deixado correr solto: o ministro Teori só mandou suspender o Cunha por que seu colega Marco Aurélio ia acolher uma ação na mesma direção de um processo que estava na gaveta desde dezembro passado.
Depois desse escândalo que mostrou o confinamento da LAVA JATO como uma poderosa moeda de troca no Congresso, o que exigiria a derrubada de Dilma, o covil está com o pé na cova. Não há mais oxigênio para essa turma da pesada sobreviver por muito tempo à frente dos negócios do Brasil. É como sempre testemunhei: Deus escreve certo por linhas tortas.

Quem sou eu

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Jornalista desde 1961, quando foi ser repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social.